terça-feira, 19 de abril de 2016

A falsa piedade do "Não Julgueis".





Eu sempre costumo dizer que Jesus resumiu TODA a Lei em dois princípios: “Amarás, pois, ao Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento, e de todas as tuas forças: este é o primeiro mandamento [Dt 6:5], e o segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo [Lv 19:18]. Não há outro mandamento maior do que estes” (Mc 12:30-31), mas a nossa geração apóstata ousou resumir a Lei e a Graça de forma diferente: “Não julgueis” (Mt 7:1a) e “Não toqueis em meus ungidos” (Sl 105:15a)”.

Em alguns momentos, parece que o maior objetivo da pregação do Evangelho pelas igrejas de nossos dias é exatamente este: deixar claro e patente que os "ungidos" são intocáveis, isentos de qualquer correção, são os Papas da nossa fé, embora nem mesmo sejam unânimes entre si em relação à sã doutrina, pois a unção que possuem lhes tornaram absolutamente perfeitos, infalíveis e inerrantes! A salvação, a santificação e outros temas de real relevância à proclamação do Evangelho se tornam secundários diante da necessidade de blindá-los contra qualquer questionamento ou oposição.

A imagem ao lado está circulando pelas Redes Sociais, e lamentavelmente chegou hoje ao meu Facebook. É a típica imagem sobre a qual podemos dizer: "eu vi; mas e agora, como posso desver? Aonde está o botão 'descurtir' que o Zurkerberg prometeu?"... Foi extraída de uma destas famosas páginas facebookianas que ensinam seus seguidores a digitar "amém, eu creio" e outros placebos go$pel, como se tais palavras digitadas fossem mudar suas histórias e a história da humanidade. Acreditem: tem centenas, senão milhares de curtidas!

É lamentável que pessoas inescrupulosas da fé cristã, figurões da Igreja de Laodicéia brasileira, que se dizem "pastores" e "levitas", usem tal frase e outras similares como escudo para estabelecer-lhes uma imunidade absoluta diante dos erros e deturpações doutrinários que ensinam e espalham pelos quatro cantos. É o equivalente a dizer: "não corrijam nenhuma das mentiras que estamos ensinando, mesmo que elas contrariem frontalmente o que está na Bíblia; afinal nós somos ungidos de Deus!".

Esta frase, que critica os que julgam MAS julga os que criticam (como isso é possível, afirmar que é pecado julgar, julgando??), é contraditória desde o âmago, e é literalmente a expressão mais fina possível da falsa piedade! Como bem disse Paulo a Timóteo,

“nos últimos dias, sobrevirão tempos trabalhosos; Porque haverá homens amantes de si mesmos, ... blasfemos ... Tendo aparência de piedade, mas negando a eficácia dela. Destes afasta-te. Porque deste número são os que se introduzem pelas casas, e levam cativas mulheres néscias, carregadas de pecados, levadas de várias concupiscências; Que aprendem sempre, e nunca podem chegar ao conhecimento da verdade. E, como Janes e Jambres resistiram a Moisés, assim, também, estes resistem à verdade, sendo homens corruptos de entendimento e réprobos quanto à fé. Não irão, porém, avante; porque a todos será manifesto o seu desvario, como, também, o foi o daqueles” (2 Tm 3:1-9).

A falsa piedade por trás desta frase aparentemente inocente, e de outras similares, é patente ao observarmos que por meio delas os "ungidos" tentam usar as Escrituras, obviamente deturpadas, em benefício próprio, e não em benefício da verdade. O que eles pretendem não é estabelecer a Palavra de Deus como a única (ou no mínimo a maior) autoridade sobre o crente e a Igreja, e sim suas interpretações pessoais, por mais absurdas que sejam!

Outro indício de falsa piedade é exatamente a resistência em reconhecer os erros pessoais, arrepender-se deles e corrigi-los. Isso indica muita coisa, dentre elas a característica de mercenário, e não de pastor. Um verdadeiro pastor se alegra sobremaneira quando é corrigido em algum erro que esteja cometendo, pois ele se preocupa com as suas ovelhas e sabe que um erro que ele lhes ensine pode levá-las à perdição. Declarar-se imune a críticas e correções, recusar-se a reconhecer o erro e negar-se a corriir os falsos ensinos demonstram total falta de compromisso com o rebanho, mas sim com seus próprios interesses!

A conclusão é inevitável: por trás de qualquer frase que defenda o erro e torna a correção um pecado, há sempre a sombra do diabo (o grande interessado que o homem permaneça na mentira, sua filha única [Jo 8:44]) e a penumbra da falsa piedade.

Devemos nos calar diante da mentira, só porque a mentira foi falada por um figurão go$pel, por famoso "pastor", ou "após-Tolo", ou "ungido"? Quem disse que tais pessoas, inclusive eu, são isentas de erros, e imunes a correções? Há, por exemplo, um grande "após-tolo" brasileiro, famoso pelas curas que promove em sua "igreja", que ensina que Jesus foi CRIADO por Deus, ensino herético defendido por Ário já nos primeiros séculos da Igreja Cristã. Pelo fato de ele ser "após-tolo", "ungido" e por promover inúmeras curas, devemos nos calar diante desta mentira? E poderíamos citar mais uma dezena de exemplos de "grandes homens de Deus" que ensinam mentiras, ressuscitam velhas heresias ou criam novas, e que buscam calar os que tentam corrigi-lo... Moisés deu orientação acerca destes que apoiam suas mentiras por trás dos sinais:


“Quando profeta ou sonhador de sonhos se levantar no meio de ti, e te der um sinal ou prodígio, e suceder o tal sinal ou prodígio, de que te houver falado, dizendo: Vamos após outros deuses, que não conheceste, e sirvamo-los; Não ouvirás as palavras daquele profeta ou sonhador de sonhos; porquanto o Senhor, vosso Deus, vos prova, para saber se amais o Senhor, vosso Deus, com todo o vosso coração, e com toda a vossa alma. Após o Senhor, vosso Deus, andareis, e a ele temereis, e os seus mandamentos guardareis, e a sua voz ouvireis, e a ele servireis, e a ele vos achegareis. E aquele profeta ou sonhador de sonhos morrerá, pois falou rebeldia contra o Senhor, vosso Deus, que vos tirou da terra do Egito, e vos resgatou da casa da servidão, para te apartar do caminho que te ordenou o Senhor, teu Deus, para andares nele: assim tirarás o mal do meio de ti” (Dt 13:1-5).

O status de uma pessoa não torna legítima a sua pregação e o seu ensino! Não é porque alguém é pastor, bispo, ou detenha qualquer outro título eclesiástico, ou faça grandes milagres, ou arrebanhe para si uma multidão de seguidores, que ele tem seus ensinamentos liberados de verificação escriturística. O Anticristo fará cair fogo do céu (Ap 13:13), e por causa disto enganará a muitos (e é interessante observar que estamos em uma geração que supervaloriza sinais e milagres, ou seja, a geração perfeita para a vinda de um Anticristo que promove tais milagres!); o próprio Jesus afirmou que no Último Dia, pessoas que expulsaram demônios, fizeram sinais e maravilhas e profetizaram ficarão de fora do Reino (Mt 7:21-23). A chancela divina para uma mensagem é, sempre foi e sempre será a fidelidade às Escrituras!

Paulo, apóstolo, nunca arvorou tais frases, buscando qualquer imunidade para si. Em várias das suas argumentações, nas Escrituras, ele mesmo convoca os leitores a julgarem suas palavras entre eles mesmos, para que chegassem per si a uma conclusão lógica, usando suas próprias faculdades mentais e, obviamente, discordando dele caso concluíssem que ele estava errado!


“Falo como a entendidos; julgai vós mesmos o que digo” (1 Co 10:15)“Julgai entre vós mesmos: é decente que a mulher ore a Deus, descoberta?” (1 Co 11:13)

Ele ainda disse claramente que se ele próprio, Paulo apóstolo, ou um anjo do céu, pregassem um Evangelho diferente, que seja ANÁTEMA (Gl 1:8-9). O que têm os ungidos modernos, que possuem mais autoridade que Paulo, e estão livres de tal anátema mesmo que promovam as piores violações ao Evangelho de Cristo?

Os bereianos, por sua vez, foram chamados na Escritura de "nobres" exatamente porque julgaram, à luz das Escrituras, os ensinos de Paulo e Barnabé (At 17:11). Entretanto, nos dias de hoje as Igrejas buscam exatamente o oposto: impedir que as ovelhas usem o cérebro!

Prossigamos citando Paulo: escrevendo a Tito, ele fala sobre homens inescrupulosos que proliferavam já no primeiro século no meio da Igreja. Sobre tais homens, Paulo fala:


“Porque há muitos desordenados, faladores vãos e enganadores, principalmente os da circuncisão” (Tt 1:10).

E o que Paulo diz em seguida? Que não devemos questioná-los, pois se o fizermos estamos tentando tirar o foco dos nossos próprios erros? Que quem os acusa usa máscaras? Não. Ele prossegue:


“Aos quais CONVÉM TAPAR A BOCA, homens que transtornam casas inteiras, ensinando o que não convém, por torpe ganância ... Portanto, REPREENDE-OS SEVERAMENTE, para que sejam sãos na fé. Não dando ouvidos às fábulas judaicas, nem aos mandamentos de homens que se desviam da verdade ... Confessam que conhecem a Deus, mas negam-no com as obras, sendo abomináveis, e desobedientes, e reprovados para toda a boa obra” (Tt 1:11-16 - maiúsculas para melhor compreensão).

Será que Paulo, apóstolo aos gentios, homem que Deus usou poderosamente na pregação do Evangelho e na formação das Escrituras neotestamentárias, usava máscaras? Será que, ao identificar e apontar o erro e orientar que os homens afastados da verdade deviam ter suas bocas tapadas, tinha pedras nas mãos e apontava tais erros para afastar o foco de seus próprios pecados? É isso mesmo??

Os que buscam a auto-imunidade chegam ao extremo de invocar o AMOR, que falar mal dos irmãos seria falta de amor, que fomos chamados para amar, e não para corriir, e que a correção é forte sinal de falta de amor! Ora, qual seria o conceito de "amor" para estas pessoas? Dar doces a diabéticos, já que em nome do amor devemos dar às pessoas o que eles querem? Eles acham que amor é dar um sorriso omisso diante da mentira, ao invés de combatê-la em nome da verdade? Eles acham mesmo que, ao vermos uma pessoa caminhando para o abismo, guiado por um guia cego, amar é deixá-los ir à ruína? Não é isso que nos ensina, nem as Escrituras e nem o bom senso!!

É realmente uma pena que a grande maioria das ovelhas de nosso país seguem tais páginas que divulgam estas frases e ensinam o erro doutrinário com uma falsa aparência de piedade, e formam sua "teologia" e "doutrina" a partir de inverdades como estas, e não a partir das Escrituras!

Fica a pergunta: se a quantidade de pedras que os julgadores têm nas mãos é proporcional às máscaras que usam, a quantidade de deturpações das Escrituras e as frases de falsa piedade dos "ungido$" são proporcionais ao quê??

Fiquem a vontade de me julgar. Ou não! Veremos a coerência de vocês, que afirmam, "piedosamente", que ungidos não podem ser julgados... Afinal, será que eu também não sou ungido?


Zilton Alencar colabora com o Genizah

segunda-feira, 7 de março de 2016

Desigrejado não é o sujeito sem igreja, mas o que escolheu não ser igreja!



Igreja: Um Ajuntamento Regular, Localizável e Organizado



Deus não habita nem em prédios de tijolo nem em corações de pedra. Então, cabe perguntar, o que é uma igreja? Bem, igreja, conforme o Novo Testamento é um ajuntamento regular, localizável e organizado. O próprio nome grego (Εκκλησία – Eclésia – Assembleia) já demanda, por si só, estas características.

Assim, não é possível estabelecer um conceito sobre igreja a partir de um modelo anárquico, ou seja, algo que acontece a revelia de todos os padrões mínimos que caracterizam a formação e o estabelecimento de grupos sociais com objetivos comuns.

É impossível pensar em igreja sem regularidade, pois, se não há um propósito para o ajuntamento, o que existe é a informalidade do encontro e tal característica, dificilmente, viabiliza a perenidade de um grupo humano. O que faz com que laços se constituam e se mantenham é a regularidade do convívio, pois, como é possível a comunidade de fé ser um Corpo se cada membro tem sua própria agenda e, sendo assim, não prioriza o encontro que atende a objetivos comuns?

Também não é possível ser igreja sem que haja um lugar para o culto, o partir do pão, a adoração, a coleta para os necessitados, o serviço solidário, o exercício dos dons, as missões, o ensino e tantas outras características que vemos no livro dos Atos e nas epístolas.

A igreja é Universal, no sentido de sua constituição atemporal, não espacial e mística, como Corpo de Cristo e Família de Deus, mas ela também é local, no sentido de seu ajuntamento geográfico formal! Todas as comunidades neotestamentárias possuíam um lugar próprio de encontro e culto, mesmo que ele fosse uma casa, um salão, ou até mesmo o cemitério! As cartas do Apocalipse, enviadas pelo próprio Senhor, bem como as cartas de Paulo, foram endereçadas a igrejas localizáveis e não apenas aos errantes espalhados pelo mundo anunciando a Salvação.

A existência de um lugar promove não só o acolhimento, mas até mesmo o desenvolvimento das pessoas, com estruturas adequadas para as ministrações, para a comunhão e o serviço. Desconstruir isso é investir na impessoalização da fé, num mundo onde tudo já está impregnado pelo virtual e pelo individual.

Por último, a igreja é organizada, uma vez que existem pessoas exercendo funções específicas e serviços sendo ministrados: assistência aos pobres, ensino das Escrituras, preparação e envio de missionários, atendimentos pastorais, atividades ligadas à oração, a adoração, dentre outros tantos. Sem uma organização, mínima que seja, não é possível uma estrutura funcionar. Não há pecado em formalizar as coisas, o pecado está no culto que se faz à forma!

Portanto, você pode ser de Deus e ser discípulo de Jesus mesmo escolhendo não se ajuntar, mas é impossível imaginar que uma igreja se estabeleça como algo casual, que acontece a qualquer hora, em qualquer lugar, ou informal, que promove encontros descompromissados. Não devemos confundir a vida dos que estão na igreja com a igreja em si.

No encontro de dois ou três, sem agenda, espaço ou propósito fixo, Jesus se faz presente, se ele for buscado e, como sabemos, Deus não se prende a templos e aboliu toda a geografia que diz respeito ao sagrado. Mas o encontro ocasional e fortuito, em absoluto, se constitui igreja e isso conforme o que nos está dito no livro dos Atos dos Apóstolos, nas Epístolas e no Apocalipse de João.

Assim, “Desigrejado”, para mim, não é o sujeito sem igreja, mas o que escolheu não ser igreja!


Carlos Moreira colabora com o Genizah

sábado, 20 de fevereiro de 2016

Dez características de uma igreja fria


Um número significativo de cristãos acreditam que uma igreja fria é caracterizada pela ausência do chamado reteté de Jeová.
Nessa perspectiva  ensinam que uma comunidade desaquecida espiritualmente é desprovida de gritos, danças, giro santo, e outras coisas mais.
Há pouco fiquei sabendo de um irmão aque afirmou que uma igreja gelada é aquela que enquanto o pastor prega ninguém grita glória, aleluia ou coisa parecida.
Caro leitor, as definições que alguns entendem quanto ao que seja uma igreja fria é de arrepiar os cabelos. Lamentavelmente parte do povo de Deus tem fundamentado sua percepções doutrinárias em achismos desprovidos de conteúdo bíblico.
Isto posto, resolvi elencar dez REAIS características de uma fria:
1-) Uma igreja fria se caracteriza pela relativização do pecado. Geralmente os membros destas comunidades chamam doce de amargo, amargo de doce; luz de escuridade, escuridade de luz. Nessa perspectiva, não vêem problemas no sexo antes do casamento, em defraldar o próximo, em mentir, em promover suborno, fazer fofocas, produzir contendas e muito mais.
2-) Uma Igreja fria é uma igreja que não valoriza a oração. Uma igreja que não ora e não acredita na importância de orações, intercessões e ações de graça é uma igreja desprovida da vida de Deus em suas estruturas.
3-) Uma Igreja fria ama o mundo e as coisas que há no mundo. Nessa perspectiva permitem que os valores deste século prevaleçam sobre aquilo que as Escrituras dizem e ensinam.
4-) Uma igreja fria relativiza as Escrituras. Para ela, a Bíblia não é a Palavra de Deus e em virtude disso colocam aquilo que sentem, acham ou pensam acima das verdades contidas na Bíblia.
5-) Uma igreja fria é desprovida de amor. Para os membros desta comunidade, gente é tratada como coisa e não como pessoas que possuem dores, angústias, problemas e carências.
6-) Uma igreja fria é caracterizada pela ausência de misericórdia em suas estruturas. Nessa perspectiva os órfãos são negligenciados, as viúvas abandonadas e os pobres desprezados.
7-) Uma igreja fria  é uma igreja desprovida de santidade. Para ela, conceitos como "separação  do mundo" são antiquados e ultrapassados.
8-) Uma igreja fria é uma igreja aonde não há relacionamentos profundos entre os irmãos.
9-) Uma igreja fria é uma igreja que valoriza os defeitos e erros dos irmãos em detrimento as suas virtudes e valores.
10-) Uma igreja fria é uma igreja que há muito perdeu o temor do Senhor.
É o que penso, é o que digo.
Renato vargens

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

A Tirania dos “deverias”



Karen Horney, conhecida psiquiatra afirmou que é uma das coisas mais devastadoras do ser humano na trajetória do seu crescimento e maturidade é a tirania do “deverias”. A pessoa passa a vida inteira achando que a vida “deveria ser assim”, que as pessoas “deveriam” agir assim, que o mundo “deveria” ser assim, que Deus “deveria” fazer assim, que as coisas não “deveriam” ser assim...

Isto acontece quando a pessoa aprende mais sobre o ideal do que sobre o que é real. É fácil ouvir os outros dizendo o que deveríamos ser, antes de entenderem quem somos. Por isto, facilmente podemos corre-se atrás do que é ideal, distanciando do real, construindo fantasias e sonhos ao invés de considerar o ponto de partida da realidade.

Isto pode ser ilustrado com uma conversa que tive com um colega. Ele tem características maravilhosas naquilo que faz, mas deparava-se com limitações profundas em outras, e isto o fez carregar um enorme peso e cobrança. Uma frase, porém, mudou sua história: “Quando eu sei que não sei, não dói!” Pense nisto!

Em outras palavras, quando ele se concentrou naquilo que era capaz de fazer bem, e não naquilo que esperavam que ele “deveria” fazer, conseguiu ser mais produtivo e proativo, e tirar um enorme fardo de tentar ser o que não era.

Por causa dos “deverias”, passamos a creditar que o trabalho “deveria” ser incrível (quando nem sempre ou quase nunca é); que “deveríamos” ser pessoas de sucesso (quantas realmente o são?); termos empregos ideais com salários ideais (quantos alcançaram isto?) e desta forma, por não sabermos lidar com o que é real, buscamos o emprego ideal, a faculdade ideal, o parceiro ideal, a vida ideal, quando na verdade deveríamos agir sobre o que é real.

Jovens são particularmente vítimas de tais sentimentos. Por não encontrarem o pote de ouro, a vida ideal, sem problemas, sentem-se desencorajados ao lidar com a concretude da vida, e tornam-se absorvidos pelo “deverias”; não querem dar duro e enfrentar sacrifícios, porque ilusoriamente acreditam que deveriam receber maior consideração, salários mais altos, melhores condições de trabalho e patrões menos exigentes.


Aqueles que nascem em famílias que evitam a todo o custo a ideia de sacrifício dos filhos, e não souberam estabelecer limites e parâmetros realistas, encontram ainda maior dificuldade porque seus pais os impediram de crescer psicologicamente, fazendo-os acreditar que eram merecedores de uma vida melhor sem cumprirem as etapas necessárias de esforço, sacrifício, lutas, abnegação, resiliência e persistência. Estes, facilmente, se tornam vítimas da “tirania dos deverias”.

Rev Samuel Vieira.

Vivendo a partir do centro



Em 1941, Thomas R. Kelly escreveu um dos textos mais fantásticos sobre ansiedade e cansaço: A Testament of Devotion – Nova Iorque: Harper and Brother. Sua atualidade é ainda hoje impressionante. Veja o que ele diz:

Nossas vidas na cidade moderna tornam-se demasiado complexas e cheias. Mesmo as obrigações que consideramos absolutamente necessárias, aumentam a cada dia, e quando percebemos, já estamos sobrecarregados de reuniões, cansados e apressados, cumprindo ofegantes uma roda viva de compromissos. Somos muito ocupados para sermos boas esposas, bons maridos, bons pais, e bons amigos, e não temos tempo algum para sermos amigos daqueles que não tem amigos. E quando tentamos nos retirar desses compromissos para passar algumas horas com a família, as responsabilidades da cidadania sussurram no nosso ouvido e perturbam o nosso sossego.

Ele continua afirmando: “Com uma finalidade frenética, tentamos cumprir o mínimo aceitável de compromissos, mas vivemos esgotados e exaustos. Reconhecemos e lamentamos o fato de que nossa vida está se esvaindo, dando-nos tão pouco da Paz, gozo e serenidade que pensamos que deverá proporcionar a uma alma superior. Os momentos para as profundezas do silêncio do coração parecem tão raros. Com uma tristeza culposa adiamos para a semana que vem aquela vida mais profunda de serenidade inabalável na Santa Presença, onde sabemos que está o nosso verdadeiro lar, porque esta semana está muito cheia”.

Brennan Manning afirma que o grande desafio que temos para vencer tais demandas é viver a partir do centro, porque esta é a única forma de nos libertarmos da tirania da pressão dos nossos iguais. Quando viver para agradar o Pai, como fez Jesus, torna-se mais importante que agradar as pessoas. Por isto Jesus eventualmente se afastava das exigências das pessoas e multidões, e dos julgamentos moralistas dos religiosos, para se encontrar com o Pai.

Desta forma, Jesus foi capaz de olhar ao redor sem ansiedade ou medo da rejeição das pessoas.

Kelly narra a história pessoal de John Woolman (alfaiate Quacker do século XVIII). Ele Simplificou sua vida à base de sua relação com o Centro divino. Nada mais valia tanto quanto a atenção à Raiz de todo viver que ele descobria dentro de si mesmo. Nunca permitiu que as exigências do seu negócio ultrapassassem suas necessidades reais. Sua vida exterior tornou-se simplificada à base de uma integração interior. Descobriu que podemos ser homens e mulheres guiados pelo céu, e se rendeu completamente, sem reservas àquela orientação, tornando-se aquecido e próximo ao Centro.

Rev Samuel Vieira.

quinta-feira, 12 de novembro de 2015

O PROPÓSITO DO SHABBATH: DESCANSO OU DESCANSO ESPIRITUAL?



Um ponto que é essencial para a nossa compreensão acerca do dia do Senhor é entendermos qual é, exatamente, a natureza do descanso que nos é ordenado e providenciado pelo Senhor em seu dia. Isso envolve compreendermos se o domingo é um dia meramente voltado para o descanso físico, para o recompor das energias ou até mesmo para o ócio, a fim de enfrentarmos mais uma semana de trabalho, voltado para o descanso e o lazer com a família[i], ou se o domingo é um dia voltado para o descanso espiritual, isto é, para a devoção mais íntima, mais focada em Deus juntamente do povo de Deus.

Há alguns anos, quando estava ensinando a respeito do dia do Senhor houve quem protestasse dizendo ser o domingo o único dia que tinha para ir à praia e fazer um churrasco com a família. Eu acredito que não são poucas as pessoas que possuem este raciocínio, que entendem que o propósito do dia do Senhor é tão somente proporcionar o descanso, o repouso e o lazer necessários após uma estressante e estafante semana de trabalho, afinal de contas, no mandamento o Senhor Deus nos diz: “não farás nenhum trabalho, nem tu, nem o teu filho, nem a tua filha, nem o teu servo, nem a tua serva, nem o teu animal, nem o forasteiro das tuas portas para dentro” (Êxodo 20.10). Ao mencionar os servos e os animais se vê claramente que o dia de descanso tem em vista o descanso e o refazer do vigor e das forças. No entanto, a questão é: É apenas isso? O único propósito do dia do Senhor é proporcionar ao trabalhador um momento para dormir até mais tarde, ir à praia com a família, fazer um piquenique, etc?

Esta questão é de grande importância, pois como salienta o Pr. Ryan McGraw, pastor da Igreja Presbiteriana da Graça, em Conway, na Carolina do Sul:
O cerne do debate sobre o que é lícito no Shabbath é se o propósito do dia é descansar ou se é descansar “empregando todo o tempo em exercícios públicos e particulares de adoração a Deus” (Breve Catecismo de Westminster, P. 60). A maneira como você responde a esta pergunta determina como você observará o dia. Este ponto determina como você responderá a cada pergunta a respeito de quais pensamentos, palavras e obras são apropriados no Shabbath, bem como se recreações seculares que são lícitas nos outros dias também são lícitas no Shabbath. Se você crê que o propósito do dia é descansar, então a ênfase da sua guarda do Shabbath estará sobre aquilo que faz com que você se sinta mais descansado. Por outro lado, se você acredita que o propósito do Shabbath é consagrar um dia para o culto privativo, familiar e público, então você excluirá todas as práticas que são inconsistentes com o culto ou que não o promovem de forma imediata.[ii]
Por aquilo que as Escrituras revelam fica claro que o propósito do dia do Senhor não é apenas proporcionar descanso físico ao seu povo após uma semana de trabalho intenso. O descanso do dia do Senhor não pode ser igualado a inatividade ou ócio. No início da letra do quarto mandamento encontramos um indício de como o dia deve ser compreendido: “Lembra-te do dia de sábado, para o santificar” (Êxodo 20.8). Devemos atentar para o fato de que o descanso do Shabbath é um descanso santo. O dia deve ser santificado. Todos nós sabemos que quando algo é santificado isso significa dizer que o mesmo é retirado do seu uso comum para servir a um fim religioso ou piedoso. Quando algo é consagrado isso significa dizer que é separado por Deus para ele mesmo, para a fruição do próprio Deus, para o deleite e o agrado dele. A mesma ideia aparece, por exemplo, em Êxodo 31.15-17: “Seis dias se trabalhará, porém o sétimo dia é o sábado do repouso solene, santo ao SENHOR; qualquer que no dia do sábado fizer alguma obra morrerá. Pelo que os filhos de Israel guardarão o sábado, celebrando-o por aliança perpétua nas suas gerações. Entre mim e os filhos de Israel é sinal para sempre; porque, em seis dias, fez o SENHOR os céus e a terra, e, ao sétimo dia, descansou, e tomou alento”. Assim, vejam que o dia é declarado um dia santo.

Além disso, está escrito em Êxodo 35.1-2: “Tendo Moisés convocado toda a congregação dos filhos de Israel, disse-lhes: São estas as palavras que o SENHOR ordenou que se cumprissem: Trabalhareis seis dias, mas o sétimo dia vos será santo, o sábado do repouso solene ao SENHOR; quem nele trabalhar morrerá”. Permitam-me citar também as palavras de um pastor presbiteriano chamado Robert L. Reymond a respeito da natureza do dia do Senhor como um “repouso solene”:
Nesta passagem é importante notar o significado da palavra “repouso” e as palavras seguintes “ao SENHOR”. “Repouso” não pode significar mera cessação de trabalho, muito menos recuperação da fadiga. Essa ideia também não é aplicável ao “descanso” de Deus em Gênesis 2.2-3. A primeira ideia é negada por nosso Senhor em João 5.17 onde ele afirma que o “Pai trabalha até agora”. A última é inapropriada à ideia de quem Deus é. “Repouso” significa o envolvimento numa nova atividade, no sentido de uma atividade diferente. Significa a cessação do labor dos seis dias e a tomada de diferentes labores apropriados ao dia do Senhor. O que esses labores do repouso do Sabbath são está circunscrito pela frase acompanhante “ao SENHOR”. Eles certamente incluem tanto o culto corporativo quanto o privado e a contemplação da glória de Deus.[iii]
Isso fica ainda mais claro quando observamos a posição do quarto mandamento no Decálogo. Essa posição coloca uma forte ênfase sobre a ideia de culto. Os primeiro quatro mandamentos tratam da nossa relação direta com Deus de modo geral e, mais especificamente, do culto que devemos prestar a ele. O primeiro mandamento trata do objeto de culto, o segundo da maneira do culto, o terceiro da atitude apropriada do culto, e o quarto do tempo separado exclusivamente para o culto.

O puritano Lewis Bayly, em sua obra A Prática da Piedade, uma obra que influenciou a ninguém menos que John Bunyan, autor da famosa obra O Peregrino, disse o seguinte: “Aquele que observa o Shabbath só descansando do seu trabalho comum, observa-o como qualquer animal. Mas a guarda desse dia como descanso é ordenada aos cristãos igualmente como ajuda à santificação. Assim também o trabalho é proibido por impedir o culto exterior e interior de Deus”.[iv]




[i] Na mente de muitas pessoas este é o único propósito do domingo. O dia foi estabelecido para ser aproveitado em família. Nesse caso, há uma dissociação do propósito intentado por Deus.

[ii] Ryan M. McGraw. The Day of Worship: Reassessing the Christian Life in Light of the Sabbath. Grand Rapids, MI: Reformation Heritage Books, 2011. pp. 25-26.

[iii] Robert L. Reymond. “Lord’s day Observance”. In: Contending for the Faith: Lines in the Sand that Strengthen the Church. Ross-shire: Christian Focus Publications, 2005. p. 181.

[iv] Lewis Bayly. A Prática da Piedade. São Paulo: PES, 2010. p. 265.

retirado do site http://www.cristaoreformado.com/

2 CO 2.14-17 Vida autêntica









Muitas são as descrições da vida cristã. Muitos indagam sobre as características que poderiam autenticar a forma de ser e viver o cristianismo. Separar o falso do verdadeiro não é sempre falso. Moisés transformou sua vara em cobra pelo poder de Deus, mas os magos fizeram o mesmo pelo poder do diabo.
Apesar de muitas características serem positivas em si mesmas, elas não são a Essência da Autêntica. Paulo, neste texto, inspirado pelo Espírito de Deus, revela três características irrefutáveis dos seguidores verdadeiros de Cristo. São as características irrefutáveis. Apenas os discípulos de Cristo podem ter, e elas não podem ser imitadas.
A Igreja de Corinto era complicada. Marcada por divisões (1 Co 1.10), sérios problemas morais (1 Co 5.1); Relativista moral (2 Co 5); escândalos culturais (1 Co 11); falta de compreensão da Santa Ceia (1 Co 11); mau uso dos dons (1 Co 12,14) e dificuldades com doutrinas essenciais como a ressurreição dos mortos (1 Co 15.12). Todas as vezes que ouço pessoas afirmando que deveríamos voltar a ser como a igreja primitiva, e eu me recordo de Corinto, tenho calafrios. Não gostaria de ser pastor de uma igreja tão complicada como esta.
Na segunda carta, Paulo faz uma defesa do apostolado. Irmãos questionando seu chamado, sua autoridade e vocação. Isto não é fácil de nenhum pastor ouvir.
Para separar o joio do trigo, o falso do verdadeiro, Paulo fala aqui de três marcas irrefutáveis da vida autêntica.

Sucesso constante
“Graças a Deus, que por meio de Cristo, sempre nos
conduz em triunfo” (2 Co 2.14-17).


A palavra sempre é radical. Não se trata de vitória esporádica ou eventual, ou algo que acontece uma vez ou outra. Ele afirma que em Cristo sempre somos conduzidos em triunfo, em Jesus nossa vida será sempre vitoriosa.
Se analisarmos a própria vida de Paulo, esta afirmação parece sem consistência. Afinal, ele mesmo teve muitas situações de perseguições, açoites, injustiça, prisão. Como ele pode afirmar que em Cristo somos sempre vitoriosos? Os discípulos de Cristo atualmente, passam por perseguições religiosas, lutos, falências, contraem enfermidades, isto é marca de pessoas vitoriosas?
Paulo mesmo descreve a sua experiência de seguir a Cristo de forma nada romântica, e podemos até dizer, que do ponto de vista humano, ele foi um fracasso, basta ver a descrição que ele faz de sua trajetória (2 Co 6.4-5). Todos apóstolos, segundo a tradição, morreram pela sua fé. Muitos profetas também tiveram fim semelhante. Daniel foi jogado numa cova de leões, por causa de sua fé. Isaias, segundo a tradição, foi serrado ao meio. Jesus foi crucificado como ladrão e malfeitor, aos 33 anos. Quais são, portanto, as bases da afirmação bíblica que “Deus sempre nos conduz em triunfo?”
O texto não fala de triunfo humano, mas “Em Cristo”. Quando temos a perspectiva de Jesus, somos sempre conduzidos à vitória. Sempre. Em Cristo jamais seremos derrotados.
Pense numa adversidade que você enfrentou, e que se parecia uma tragédia, se você está em Cristo, esta perda foi um sucesso. O que está em jogo, não é o seu sucesso, mas o sucesso de Cristo em sua vida.
Por que vivemos em tanta ansiedade? Buscamos o nosso sucesso e não o de Cristo. Deus trabalha por meio das crises.
Em Fp 1.12 Paulo afirma que Deus o mandou para a cadeia. Isto parece fracasso, Naquela cadeia, no entanto, Deus estava usando seu servo para comunicar o evangelho aos futuros líderes de Roma, e dando-lhe tempo para sistematizar a doutrina cristã com cartas excepcionais como aos Romanos, Filipenses, etc. Quem olhasse para a vida de Paulo naqueles dias poderia achar que aquilo era fracasso, mas veja o que ele diz: “As coisas que me tem acontecido tem contribuído para o progresso do Evangelho” (Fp 1.13). Mais tarde ele vai afirmar que até mesmo os da guarda pretoriana, filhos dos senadores romanos estavam se convertendo a Jesus. Eles eram obrigados a fazer o tiro de guerra, serviços militares, e nada menos perigoso que um velho pregador que falava de um Deus que resolveu viver no meio dos homens, foi pregado numa cruz e ressuscitou dos mortos. Sabe qual foi o resultado da sua prisão? Sucesso total. No final da carta aos Filipenses ele afirma: “Todos os santos vos saúdam, especialmente os da casa de César” (Fp 4.22). O que significa isto? Aqueles jovens convertidos, que viviam no palácio, estavam testemunhando o evangelho.
Você consegue ver a vitória de Deus em sua vida? Mesmo em meio às lutas? Já parou para considerar o que Deus está planejando para sua vida? O projeto que ele tem em mente para você e sua família?
Como estaríamos se estivéssemos na pelo de Paulo? Certamente murmuraríamos, argumentaríamos, ficaríamos zangados, discutindo com ele. Mas o que fez Paulo, ele usava cada momento desta atribulada experiência para ver a obra de Deus se realizando na sua vida e no povo de Roma. Isto é o que chamamos de “reação em cadeias”.
Considere ainda a vida de José. Ele foi vendido como escravo. Posteriormente injustiçado por uma falsa denúncia, vai para a prisão. Mas ele jamais teria condições de prover sustento para uma nação inteira, e para a sua própria, se Deus não o tivesse conduzido em triunfo, nesta estrada da tantos sobressaltos.
Se nossa vida está nas mãos de Deus, e nos submetemos aos seus propósitos, veremos que ele está sempre nos conduzindo em triunfo. A experiência de dor do momento, pode ser a única forma que Deus poderia usar para salvar sua vida e família.


Impressão inesquecível
“Somos para com Deus, o bom perfume de Cristo” (2.15)


Cheiro é algo contagiante, é algo que enche o ambiente. Quem não se lembra daquele gostoso perfume da comida caseira da vovó ou da mamãe? Ou do inebriante perfume de um “beautiful” ou “chanel no. 5?” Cheiros evocam lembranças. Eu sempre me recordo do Seminário de Campinas, onde estudei 30 anos atrás, todas as vezes que sinto o cheiro de grama cortada.
O que este texto está dizendo é algo grandioso e assustador. “Somos para com Deus, o bom perfume de Cristo, tanto nos que se perdem, como nos que se salvam” (2.15). O que significa isto?
Ser o bom perfume de Cristo nos que se salvam não é muito difícil de entender. Muitas pessoas foram marcadas eternamente por causa da presença de Cristo que exala em nós. Muitos já foram atraídos à Jesus por causa desta essência divina que seu espírito pôs em nossas vidas, de tal forma que isto é inconfundível, já que os conduz à salvação eterna e ao entendimento do plano da salvação para suas vidas.
No dia do sepultamento de meu sogro (25 Junho 2009), apareceu um homem que tivera contacto com ele quando ainda era seminarista, isto é, cerca de 50 anos atrás, e desde aquele dia, aquele homem nunca se esqueceu do que meu sogro pregou, nem dos hinos cantados. O impacto do evangelho foi duradouro e eterno sobre sua vida.
Este é o lado positivo da mensagem. Mas o texto vai além: "tanto nos que se salvam,quanto nos que se perdem". E diz mais, “para uns, cheiro de vida para vida, para outros, cheiro de morte para morte”.
Paulo usa aqui uma figura muito conhecida naqueles dias. Quando os exércitos iam para guerras, ao vencerem a batalha, voltavam com preciosos despojos e eram recebidos como heróis pelas ruas da cidade. Na frente vinham os generais e comandantes, atrás os oficiais, os soldados e por fim, acorrentados, os guerreiros derrotados. As pessoas faziam festas nas ruas e jogavam flores, essências aromáticas, e quando os vencedores inalavam estas essências, sabiam que ela era sinal de vitória, mas para os perdedores tais essências significavam condenação. Para uns, o cheiro era para vida, para outros, para morte.
Assim faz o Evangelho. Ao ser pregado não apenas salva, mas também condena.
Jo 3.36 é uma palavra dura de Jesus: “Por isso, quem crê no Filho tem a vida eterna; o que, todavia, se mantém rebelde contra o Filho, não verá a vida, mas sobre ele permanece a ira de Deus”. No mesmo capitulo afirma: “Quem crê não é julgado, mas quem não crê, já está julgado, porquanto não crê no unigênito filho de Deus” (Jo 3.14).
Ao relatar a parábolas do semeador, Jesus afirma que ele narrava o reino de Deus daquela forma para que alguns, ao ouvirem a palavra, não a compreendessem e não viessem a crer (Mt 13.14-17). A mensagem do Evangelho não é apenas para salvação, mas para condenação. No dia do juízo, muitos ouvirão a sentença do reto juiz e vão tentar se defender, mas Deus lhes dirá, “O que se mantém rebelde contra o Filho, não verá a vida”.


Integridade irrefutável
“Porque nós não estamos, como tantos outros, mercadejando a palavra de Deus;
antes, em Cristo, é que falamos na presença de Deus, com sinceridade
e da parte do próprio Deus” (2 Co 2.17).


Esta é a terceira característica da vida cristã autêntica, que não pode ser imitada, nem falsificada. Integridade! Esta marca não é apenas um acessório da vida cristã, mas sua essência.
Paulo afirma que o Evangelho não é mercadoria (2 Co 4.2), um produto atraente, mas bugiganga de feira do Paraguai. Muitos testemunhos são mentirosos, e uma forma de vender o evangelho, como um que circula na internet onde um pregador fala da unção da galinha e dos galos no seu galinheiro, dando profecias e falando em línguas. Isto é bugiganga! Existem pessoas que se tornam “vendedoras” de determinados aspectos da fé cristã, que dizem ser verdade, mas se trata mercadores. Ganham a vida vendendo estes artigos como o homem da cobra faz com as pessoas incautas nas praças das grandes cidades.
Existem muitos pregoeiros da teologia da prosperidade, que vendem bençãos de Deus. Explorada mercantilmente através de movimentos de cura, ou atraem pessoas que não querem crescer espiritualmente, e vivem fascinadas por profecias e visões, correndo atrás de respostas rápidas para questões difíceis.
Mercadejar é adulterar. Vender algo que não corresponde com a aquilo que dizemos ser. Quando as pessoas levam isto para seu dia a dia, descobrem que não funcionam, porque são bugigangas, meras imitações daquilo que é verdadeiro.
Quando era menino, meu pai me levou a Brasília para comprar um carro. Eu me senti muito importante, numa cidade grande, cheia de atrativos, era tudo o que eu queria. As pessoas, os prédios, o movimento da cidade, tudo me fascinava. Ao passarmos pela torre de TV em Brasília, meu pai viu um lindo paraquedinha que era vendido e resolveu levar de presente para meu irmão mais novo. Realmente era muito bom na mão do vendedor, mas jamais funcionou em casa. Isto foi uma verdadeira frustração para todos.
Já viu aquelas “escadas mágicas” que os vendedores, rodeados de homens fortes e mulheres bonitas querem vender? Ou aquelas furadeiras impressionantes que são manuseadas por aqueles homens atléticos? Não compre! A não ser que você leve também o atlético e habilidoso homem que lida com a máquina. Elas não funcionam. São bugigangas atraentes, mas prometem o que não podem dar. É assim que os mercadores fazem com o Evangelho. Eles mercadejam.
Paulo fala de três características desta integridade:


· Falamos com sinceridade – Aquilo que dizemos tem que ser aquilo que pensamos. A palavra sinceridade vem do latim, “sem cera”. O mínimo que se espera de um crente é que ele creia naquilo que prega, e busque sempre praticar o que diz.


· Falamos na presença de Deus – Isso sugere uma abertura de total franqueza aos olhos de Deus. Caminhar à vista dos homens e enganá-los pode não ser difícil, mas enganar a Deus, não dá. A pessoa que anda na presença de Deus não está interessada em colocar uma fachada. É perfeitamente digno de confiança.


· Falamos da parte do próprio Deus – Temos uma tarefa específica. Dizer aquilo que Deus diz. Não inventamos fábulas, nem usamos argumentos filosóficos que não se coadunam com o pensamento de Deus. Nossa tarefa é declarar: “Assim diz o Senhor!”.


Esta marca da vida cristã autêntica repele a tentativa de se usar dos cosméticos diante de Deus, de se maquiar a verdade.

Conclusão:


Estas marcas acima tentarão ser imitadas, mas elas só estarão presentes, naqueles que conheceram o autêntico. Determinados modelos de cristianismo que encontramos hoje estão gerando profunda crise no significado do que significa “vida cristã”. O resultado tem sido o vazio das experiências. Pessoas aparentemente “espirituais” mostram seus desvios simplesmente porque não experimentaram aquilo que é real.

Certo expert em dólar americano foi entrevista por um comentarista americano. Existem centenas de dólares falsificados ao redor do mundo, algumas destas imitações são quase perfeitas, mas este homem possui a destreza de não se confundir. Quando lhe perguntaram como fazia para reconhecer as notas falsas, ele afirmou: “Eu não conheço nenhuma nota falsa. Eu simplesmente conheço as verdadeiras. Isto é o bastante!”


Rev Samuel Vieira.

CORONEL JOÃO DOURADO (1854-1927)

Alderi Souza de Matos João da Silva Dourado nasceu em Caetité, sul da Bahia, no dia 7 de janeiro de 1854. Era filho de João José da Silva Do...