quinta-feira, 18 de abril de 2019

“A Marcha dos Desqualificados”


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Uma comissão de sucessão pastoral de uma Igreja Presbiteriana, nos EUA, trabalhou na procura de uma pessoa qualificada para ser o seu pastor. Então, querendo mostrar que nas Escrituras Sagradas Deus sempre usou gente desqualificada para liderar Seu povo, trouxe um “relatório confidencial”. Nele, ela dizia estar encontrando muita dificuldade em achar uma pessoa competente. Eis as análises dos candidatos com quem estava trabalhando:

Adão – Um bom homem, mas tem problemas com sua esposa. Uma das informações que tivemos nos afirma também que ele e sua esposa gostam de ficar andando nus entre as arvores da floresta.

Noé – Foi pastor durante 120 anos, mas não há sinais de que alguém tenha se convertido. Além do mais ele é tendente a estabelecer projetos irrealísticos e a grandes construções.

Abraão – Embora as informações nos relatem que ele tenha problemas sérios com sua esposa, os fatos parecem mostrar que ele nunca dormiu com a mulher de outro homem, embora tenha oferecido sua esposa para dormir com outro homem.

José – Um grande pensador, mas é muito convencido, crê em interpretação de sonhos e tem no seu histórico um registro de que já esteve preso.

Moisés – Um homem modesto e manso, mas pobre em comunicação (algumas vezes é até gago). Algumas vezes se torna irascível e age intempestivamente. Alguns afirmam que suspeitam que ele teve que sair correndo de um lugar sob suspeita de assassinato.

Davi – O líder mais proeminente que descobrimos, mas ele tem uns filhos problemáticos e teve um caso com a esposa de seu vizinho.

Salomão – Grande pregador mas é mulherengo e nunca deveria ter se envolvido com tantas esposas.

Elias - Tendente a depressão. Desaba quando está sob forte pressão.

Oséias – Uma pessoa amorosa e um pastor amoroso, mas não deveria estar no ministério com uma esposa que ocupa aquela profissão.

Ezequiel – É muito pentecostal para o estilo de nossa igreja. Tem visão demais. E além de tudo, eventualmente tem uns surtos e fica fazendo buracos no muro em pleno meio dia, cozinha em cima de cocô de animal.

Débora – Mulher. Isto inviabiliza todo o processo na nossa denominação.

Jeremias – Emocionalmente estável, alarmista, negativista, sempre se lamuriando, e fomos informados que certa vez ele fez uma longa viagem para enterrar sua cueca num banco de um rio de outro país.

Isaias - Você está brincando? Este afirma ver anjos ao redor da igreja. Além do mais, tem problemas com a sua linguagem.

Jonas – recusou o chamado de Deus para o ministério, e foi forcado a obedecer quando um grande peixe o engoliu. Ele nos contou que o peixe mais tarde o cuspiu perto do lugar em que ele precisava pregar. Depois destes relatos, desistimos.

Amós – Muito rural e rude nas suas declarações. Se ele tiver algum treinamento no seminário pode se tornar um candidato promissor, mas é uma pessoa que tem preconceito contra gente rica – talvez seja mais apropriado para uma congregação de pessoas pobres.

João – Diz que é batista, mas definitivamente não se veste como um batista. Gosta de dormir ao ar livre por meses sem fim, tem uma dieta estranha e sempre usa uma linguagem agressiva contra outros líderes denominacionais.

Pedro – Uma pessoa simples demais. Além do mais tem um temperamento forte, chegando às vezes até a amaldiçoar. Teve um problema sério com Paulo em Antioquia, e é agressivo.

Paulo – É um líder executivo clássico, além de ser um bom pregador. Contudo, não tem muito tato no trato com as pessoas, não conseguiu perdoar um líder novo no seu ministério por ter falhado e costuma ter uma tendência de pregar a noite inteira em longos e intermináveis sermões.

Timóteo – Novo demais!

Jesus – Muitas vezes é uma pessoa bastante popular, mas quando a sua igreja cresceu muito chegando a 5000 pessoas, resolveu deixar a igreja com os líderes subalternos. Raramente permanece num mesmo lugar por um longo tempo e, obviamente, é solteiro.

Judas - Suas referencias são sólidas. Conservador. Atento às coisas que acontecem ao seu redor. Tem boas relações com as pessoas de outras denominações, sabe administrar o dinheiro. Tesoureiro. Nós o convidamos para pregar no próximo domingo em nossa igreja. Estamos esperançosos quando ao seu nome.

Judas é tesoureiro, guarda o dinheiro, tem sobre si a responsabilidade de administrar os recursos do colegiado apostólico. O próprio Senhor Jesus permitiu que isto acontecesse. Neste caso se dá a famosa frase de um filme brasileiro: “Descobrimos o inimigo, e ele é um de nós”.

segunda-feira, 15 de abril de 2019

Eu também sou irmão de Maria

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Uma consideração sobre Lucas 4.38-42

Minha conversão se deu em plena adolescência, pouco antes de completar 16 anos. Época em que ainda exibia a onipotência da juventude, aquela confiança de que tudo é possível e que podemos fazer diferente de todos. Mas esse é outro assunto, nessa ocasião quero tratar sobre Marta. Meu contato com as histórias bíblicas se deu a partir dessa época. Lembro-me quão perplexo ficava ao conhecer histórias que revelavam o caráter de Jesus, e como tudo fazia mais sentido. No entanto, as histórias inevitavelmente vieram acompanhadas das interpretações clássicas dessas passagens, algumas corretíssimas, outras nem tanto. Esse é o caso da pequena história sobre Marta e Maria, descrita em Lucas 10.38-42. Cresci o pouco que me faltava crescer já que tinha 16 anos, vendo Marta como exemplo negativo de materialismo, uma vez que não dava muito valor aos ensinos espirituais do Senhor, ou de perda de prioridades. É verdade que eu mesmo devo ter exposto essa passagem sob tal prisma, e ensinado pessoas a restabelecerem sua espiritualidade no sentido oposto do exemplo de Marta. Portanto, o que escrevo aqui não é uma crítica a pregadores, mas uma débil tentativa de resgatar o verdadeiro sentido dessa passagem, inclusive para mim.

Para se compreender essa e outras passagens bíblicas devemos observar o contexto. Fica claro que Lucas não segue uma ordem cronológica para descrever os acontecimentos. Se considerarmos que Marta, Maria e Lázaro residiam em Betânia e que Jesus descia para Jerusalém, seria de se esperar que esta narrativa estivesse pelo menos próxima da entrada triunfal (cap. 19), talvez após sua entrada, seguindo as narrativas paralelas de Marcos e Mateus (cf. Mc.11.15ss e Mt 21.17). Mas se Lucas não segue uma ordem cronológica dos acontecimentos, que ordem seguiria, ou melhor que intenção teria tido ao transferir essa passagem para esse contexto? Trata-se de uma longa sessão que tem como pano de fundo o farisaísmo. A parábola do Bom Samaritano, A oração do Senhor, A blasfêmia dos fariseus, o Sinal de Jonas, entre outras, comprovam que o que está em foco é a divergência havida entre o cristianismo e o farisaísmo. Isso nos leva a perguntar, como a história de Marta e Maria se encaixam nesse contexto?

Creio que a definição do que seria a “boa parte” referida por Jesus também é crucial para entendermos a história. Ora, não penso que “melhor parte” seja a escolha do ensino em detrimento do trabalho, nem da espiritualidade em desfavor do serviço. O que está em cena não é o contraste de prioridades, mas a perspectiva judaica frente ao ensino de Jesus. Ou se puder ser mais explicito o farisaísmo versus o evangelho. Sendo assim, ouso afirmar que a melhor parte é o evangelho, e que Marta ainda cogita ou vê a pessoa de Jesus dentro do escopo da cultura farisaica. E essa é a razão porque Lucas narra o incidente. De um lado temos a atitude previsível e submetida à sua cultura de Marta, e do outro a ousada atitude de sua irmã Maria. 

Maria transgrediu a sua tradição quando se “quedou” aos pés de Jesus. Primeiro, porque tal atitude seria considerada desonrosa para uma mulher. É de se imaginar que Maria se assentava em uma roda masculina composta, no mínimo de Jesus, seus discípulos e Lázaro seu irmão. Em segundo lugar, Maria também se omitiu da realização das tarefas domésticas próprias da tão recomenda de hospitalidade legal. A reação de Marta é o tipo, ou exemplo se preferir, da atitude farisaica. Nas palavras e queixas de Marta temos vazada toda a atitude dos fariseus diante da contravenção aos seus costumes e tradições.

“Marta agitava-se... ocupada...” As palavras mais do que descrever uma determinada circunstância, descreve um estado emocional (“...andas inquieta e te preocupas...”). Marta está aflita e ansiosa por cumprir uma série de trabalhos que atendem à sua tradição. Suas palavras dirigidas a Jesus, “não te importas” vem carregada de reprimenda como os discípulos um dia também o fizeram (Mc. 4.38). E como os fariseus repetidamente confrontaram Jesus frente aos aspectos mais variados de suas tradições, Marta o fez. Dessa forma ela resolveu, à luz de sua cultura e tradição qual deveriam ser a atitude de sua irmã e maneira pela qual Jesus deveria ser servido, e como ele deveria agir em relação à Maria. Daí a resposta amorosa de Jesus para essa mulher crente e fiel: “uma cousa só...” . A mensagem central do Evangelho, basta Jesus, e somente ele. Toda a tradição pode ser relegada a segundo plano em favor da melhor parte, o evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo.

E esse é meu ponto, Marta é vitima do erro que cometeu. Hoje vejo o juízo que fazemos sobre a espiritualidade de Marta, sob o crivo de nossas tradições evangélicas. Criticamos a ausência em escolas dominicais e cultos, utilizando o exemplo de Marta como uma mulher que trocou o ensino pelo trabalho, o “quedar-se” pelo “agitar-se”, ou seja, julgamos a espiritualidade de Marta sob crivo de nossa tradição. O que devo aprender com Marta? Não é restabelecer as minhas prioridades, mas não julgar a espiritualidade das pessoas pelas minhas tradições e cultura, porque uma cousa só é necessária: Jesus. E ao me deparar com essa verdade, percebo quão fariseu eu ainda sou, ao julgar a vida espiritual dos outros baseado em meus conceitos. E vejo assim, que eu também sou irmão de Maria. Pois ainda julgo Martas e Marias. Que Deus me ajude!

Rev Joer Correia Batista.

Você tem medo ou o medo tem você?



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William Shakespeare afirmou: “Nossas dúvidas nos traem e nos levam a perder o que, com frequência, poderíamos ganhar, por simples medo de arriscar”. É impressionante o leque de medo que podemos desenvolver: medo de morrer, medo de viver, medo de tentar, de arriscar, de ficar pobre, de adoecer, de amar, medo de sair à rua, medo de ficar em casa. A lista pode ser quase infinita.

O medo também pode ter diferentes níveis:
Muitas pessoas confundem medo, fobia e pânico, mas não se trata da mesma coisa. Medo é uma reação instintiva do ser humano em uma situação de perigo, enquanto o transtorno do pânico e as fobias embora tenham sintomas semelhantes, se diferenciam pela intensidade, que pode incluir sentimentos de ansiedade e ataques de pânico, impactando tremendamente os relacionamentos, carreira e outras responsabilidades. Além disso, tanto as fobias quanto a síndrome do pânico podem ser classificadas como Transtornos de Ansiedade.

É importante considerar como o medo nos impacta?

Quando é apenas uma forma instintiva de proteção,  o medo é um mecanismo automático e primitivo de sobrevivência, e nos livra de perigos e ameaças, nos faz prudentes; A reação instintiva de medo ocorre sempre que detectamos algum perigo, ou quando confrontamos algo novo e desconhecido. Então surge o medo repentino, uma reação conhecida como “lutar ou fugir”, no qual o corpo prepara-se para tomar uma decisão imediata para sobreviver.

Quando o medo pode assume uma dimensão mórbida e gigantesca torna-se paralisante, assumindo o controle de nossa vida. Desta forma, não mais temos medo, mas o medo nos tem.

Certa quantidade de angústia passa a dominar nossa existência, seja este medo irreal ou concreto. Em casos de fobia, o medo e o perigo é exagerado ou imaginado. Os medos tornam-se motivo de preocupação quando se tornam persistentes e interferem no seu cotidiano. Quando alcança este nível de intensidade, ele é identificado como fobia, angústia extrema, a ponto de impedir rotinas e atividades normais.

Confiança em Deus, apoio comunitário e da família, podem nos ajudar a enfrentar nossos medos, mas quando ele ultrapassa a linha da normalidade e começa a afetar significativamente nossa existência, precisamos de apoio terapêutico e até mesmo psiquiátrico.

É certo ter medo, mas não é salutar permitir que o medo nos tenha!

Rev Samuel Vieira.

Consistência


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Numa incrível entrevista sobre liderança, Simon Sinek dá um dos mais profundos insigths sobre amor e relacionamento, demonstrando a importância da consistência em tudo que fazemos.
Ele inicia o diálogo indagando ao jornalista: “Você ama sua esposa? Qual foi o dia em que ela soube que você realmente a amava? Como ela sabe? Me dê números, me ajude a entender!” Obviamente, todas estas perguntas eram retóricas, direcionando a entrevista para aquilo ele realmente julgava importante.

Para Sinek, indagar o dia, não faz nenhum sentido, não porque este dia não exista, mas porque é mais fácil provar que você ama uma determinada pessoa, na medida em que o tempo passa e você demonstra de forma constante o seu amor. Para que o amor seja percebido, é necessário, consistência: Dar flores, fazer uma ligação inesperada, ser gentil, mesmo quando, num primeiro momento, estas coisas parecem não funcionar.

O amor será percebido se houver contínua e diária demonstração de gentileza, mesmo quando estas coisas parecem não funcionar. Na medida, porém,  que pequenos gestos de amor são demonstrados a compreensão de que somos amados se constrói.

Portanto, não se trata de eventos e intensidade, mas consistência. Assim como acontece com o exercício físico. Ir à academia num único dia e praticar nove horas de atividades, não gerará qualquer resultado, mas se exercitarmos regularmente ao longo do tempo veremos a incrível transformação no nosso corpo. Para isto é necessário praticar aquilo que é importante, mesmo as tarefas chatas e monótonas.

O amor se constrói e se firma com consistência. No ato de você dizer bom dia antes de checar o celular, de ir à geladeira e pegar uma bebida sem que o outro peça, preparar um café que o outro aprecia. É o acúmulo de pequenas coisas, que aparentemente são ineficazes e inúteis, que leva o outro a entender que o amor está presente.

Ao refletir sobre todos estes princípios, me recordei da belíssima declaração bíblica sobre o amor: “O amor é paciente, é benigno; o amor não arde em ciúmes, não se ensoberbece, não se conduz inconvenientemente, não procura os seus interesses, não se exaspera, não se ressente do mal”. Não são atos isolados, mas um conjunto de fatores que expressa a beleza e a harmonia do amor.

Paixões não sustentam relacionamentos porque são construídas sobre a volatilidade, o impulso, a instabilidade e a empolgação. Estas coisas não possuem sustentabilidade, são fluídas e passageiras. O que sustenta o relacionamento são atitudes de cuidado, carinho, palavras e olhares que diariamente são demonstradas na caminhada a dois. 

Rev Samuel Vieira.

Entretenimento Moral

No livro  A Máfia dos Mendigos , o pastor Yago Martins aplica teorias e análises acadêmicas às observações e vivências decorren...