quarta-feira, 17 de outubro de 2018

A Presciência de Deus.


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Que controvérsias têm sido engendradas por este assunto no passado! Mas que verdade das Escrituras Sagradas existe que não se tenha tornado em ocasião para batalhas teológicas e eclesiásticas? A deidade de Cristo, Seu nascimento virginal, Sua morte expiatória, Seu segundo advento; a justificação do crente, sua santificação, sua segurança; a Igreja, sua organização, oficiais e disciplina; o batismo, a ceia do Senhor, e uma porção doutras preciosas verdades que poderiam ser mencionadas. Contudo, as controvérsias sustentadas não fecharam a boca dos fiéis servos de Deus; então, por que deveríamos evitar a disputada questão da presciência de Deus porque, com efeito, há alguns que nos acusarão de fomentar contendas? Que outros se envolvam em contendas, se quiserem; nosso dever é dar testemunho segundo a luz a nós concedida.

Há duas coisas referentes à presciência de Deus que muitos ignoram: o significado do termo e o seu escopo bíblico. Visto que esta ignorância é tão amplamente generalizada, é fácil aos pregadores e mestres impingir perversões deste assunto, até mesmo ao povo de Deus. Só há uma salvaguarda contra o erro: estar firme na fé. Para isso, é preciso fazer devoto e diligente estudo, e receber com singeleza a Palavra de Deus infundida. Só então ficamos fortalecidos contra as investidas dos que nos atacam. Hoje em dia existem os que fazem mau uso desta verdade, com o fim de desacreditar e negar a absoluta soberania de Deus na salvação dos pecadores. Assim como os seguidores da alta crítica repudiam a divina inspiração das Escrituras e os evolucionistas a obra de Deus na criação, alguns mestres pseudo-bíblicos andam pervertendo a presciência de Deus com o fim de pôr de lado a Sua incondicional eleição para a vida eterna.


Quando se expõe o solene e bendito tema da preordenação divina, e o da eterna escolha feita por Deus de algumas pessoas para serem amoldadas à imagem do Seu Filho, o diabo envia alguém para argumentar que a eleição se baseia na presciência de Deus, e esta “presciência” é interpretada no sentido de que Deus previu que alguns seriam mais dóceis que outros, que responderiam mais prontamente aos esforços do Espírito e que, visto que Deus sabia que eles creriam , por conseguinte, predestinou-os para a salvação. Mas tal declaração é radicalmente errônea. Repudia a verdade da depravação total, pois defende que há algo bom em alguns homens, Tira a independência de Deus, pois faz com que os Seus decretos se apóiemnaquilo que Ele descobre na criatura. Vira completamente ao avesso as coisas, porquanto ao dizer que Deus previu que certos pecadores creriam em Cristo e, por isso, predestinou-os para a salvação, é o inverso da verdade. As Escrituras afirmam que Deus, em Sua soberania, escolheu alguns para serem recipientes de Seus distinguidos favores (Atos 13:48) e, portanto, determinou conferir-lhes o dom da fé. A falsa teologia faz do conhecimento prévio que Deus tem da nossa fé a causa da eleição para a salvação, ao passo que a eleição de Deus é a causa , e a nossa fé em Cristo, o efeito .

Antes de continuar discorrendo sobre este tema, tão erroneamente interpretado, façamos uma pausa para definir os nossos termos. Que se quer dizer por “presciência”? “Conhecer de antemão”, é a pronta resposta de muitos. Mas não devemos tirar conclusões precipitadas, nem tampouco apelar para o dicionário do vernáculo como o supremo tribunal de recursos, pois não se trata de uma questão de etimologia do termo empregado. O que é preciso é descobrir como a palavra é empregada nas Escrituras. O emprego que o Espírito Santo faz de uma expressão sempre define o seu significado e escopo. Deixar de aplicar esta regra simples tem causado muita confusão e erro. Muitíssimas pessoas presumem que já sabem o sentido de certa palavra empregada nas Escrituras, pelo que negligenciam provar as suas pressuposições por meio de uma concordância. Ampliemos este ponto.

Tomemos a palavra “carne”. Seu significado parece tão óbvio, que muitos achariam perda de tempo examinar as suas várias significações nas Escrituras. Depressa se presume que a palavra é sinônima de corpo físico e, assim, não se faz pesquisa nenhuma. Mas, de fato, nas Escrituras “carne” muitas vezes inclui muito mais que a idéia de corpo. Tudo que o termo abrange, só pode ser verificado por uma diligente comparação de cadapassagem em que ocorre e pelo estudo de cada contexto, separadamente.

Tomemos a palavra “mundo”. O leitor comum da Bíblia imagina que esta palavra equivale a “raça humana” e, conseqüentemente, muitas passagens que contêm o termo são interpretadas erroneamente. Tomemos a palavra “imortalidade”. Certamente esta não requer estudo! É óbvio que se refere à indestrutibilidade da alma. Ah, meu leitor, é uma tolice e um erro fazer qualquer suposição, quando se trata da Palavra de Deus. Se o leitor se der ao trabalho de examinar cuidadosamente cada passagem em que se acham “mortal” e “imortal”, verá que estas palavras nunca são aplicadas à alma, porém sempre ao corpo.


Pois bem, o que acabamos de dizer sobre “carne”, “mundo”, e “imortalidade”, aplica-se com igual força aos termos “conhecer” e “pré-conhecer”. Em vez de imaginar que estas palavras não significam mais que simples cognição, é preciso ver que as diferentes passagens em que elas ocorrem exigem ponderado e cuidadoso exame. A palavra “presciência” (pré-conhecimento) não se acha no Velho Testamento. Mas “conhecer” (ou “saber”) ocorre ali muitas vezes. Quando esse termo é empregado com referência a Deus, com freqüência significa considerar com favor, denotando não mera cognição, mas sim afeição pelo objeto em vista. “... te conheço por nome” (Êxodo 33:17). “Rebeldes fostes contra o Senhor desde o dia em que vos conheci ” (Deuteronômio 9:24). “Antes que te formasse no ventre te conheci ... “ (Jeremias 1:5). “... constituíram príncipes, mas eu não o soube ...” (Oséias 8:4). “De todas as famílias da terra a vós somente conheci ...” (Amos 3:2). Nestas passagens, “conheci” significa amei ou designei .

Assim também a palavra “conhecer” é empregada muitas vezes no Novo Testamento no mesmo sentido do Velho Testamento. “E então lhes direi abertamente: Nunca vos conheci ...” (Mateus 7:23). “Eu sou o bom Pastor, e conheço as minhas ovelhas, e das minhas sou conhecido ” (João 10:14). “Mas, se alguém ama a Deus, esse é conhecido dele” (1 Coríntios 8:3). “... o Senhor conhece os que são seus...” (2 Timóteo 2:19).

Pois bem, a palavra “presciência”, como é empregada no Novo Testamento, é menos ambígua que a sua forma simples, “conhecer”. Se cada passagem em que ela ocorre for estudada cuidadosamente, ver-se-á que é discutível se alguma vez se refere apenas à percepção de eventos que ainda estão por acontecer. O fato é que “presciência” nunca é empregada nas Escrituras em relação a eventos ou ações; em lugar disso, sempre se refere a pessoas . Pessoas é que Deus declara que “de antemão conheceu” (pré-conheceu), não as ações dessas pessoas. Para provar isto, citaremos agora cada uma das passagens em que se acha esta expressão ou sua equivalente.

A primeira é Atos 2:23. Lemos ali: “A este que vos foi entregue pelo determinado conselho e presciência de Deus, tomando-o vós, o crucificastes e matastes pelas mãos de injustos”. Se se der cuidadosa atenção à terminologia deste versículo, ver-se-á que o apóstolo não estava falando do conhecimento antecipado que Deus tinha do ato da crucificação, mas sim da Pessoa crucificada: “A este (Cristo) que vos foi entregue”, etc.


A segunda é Romanos 8:29-30. “Porque os que dantes conheceu também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho; a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos. E aos que predestinou a estes também chamou”, etc. Considere-se bem o pronome aqui empregado. Não se refere a algo , mas a pessoas , que ele conheceu, de antemão. O que se tem em vista não é a submissão da vontade, nem a fé do coração, mas as pessoas mesmas .

“Deus não rejeitou o seu povo, que antes conheceu...” (Romanos 11:2). Uma vez mais a clara referência é a pessoas, e somente a pessoas.

A última citação é de 1 Pedro 1:2: “Eleitos segundo a presciência de Deus Pai...” Quem são “eleitos segundo a presciência de Deus Pai”? O versículo anterior nô-lo diz: a referência é aos “estrangeiros dispersos”, isto é, a Diáspora, a Dispersão, os judeus crentes. Portanto, aqui também a referência é a pessoas, e não aos seus atos previstos.

Ora, em vista destas passagens (e não há outras mais), que base bíblica há para alguém dizer que Deus “pré-conheceu” os atos de certas pessoas, a saber, o seu “arrependimento e fé”, e que devido a esses atos Ele as elegeu para a salvação? A resposta é: absolutamente nenhuma. As Escrituras nunca falam de arrependimento e fé como tendo sido previsto ou pré-conhecido por Deus. Na verdade, Ele sabia desde toda a eternidade que certas pessoas se arrependeriam e creriam ; entretanto, não é a isto que as Escrituras se referem como objeto da “presciência” de Deus. Esta palavra se refere uniformemente ao pré-conhecimento de pessoas; portanto, conservemos “... o modelo das sãs palavras. . .” (2 Timóteo 1:13).

Outra coisa para a qual desejamos chamar particularmente a atenção é que as duas primeiras passagens acima citadas mostram com clareza e ensinam implicitamente que a “presciência” de Deus não é causativa , pelo contrário, alguma outra realidade está por trás dela e a precede, e essa realidade é o Seu decreto soberano . Cristo “... foi entregue pelo (1) determinado conselho e (2) presciência de Deus” (Atos 2:23). Seu “conselho” ou decreto foi a base da Sua presciência. Assim também em Romanos 8:29. Esse versículo começa com a palavra “porque”, conjunção que nos leva a examinar o que o precede imediatamente. E o que diz o versículo anterior? “... todas as coisas contribuem juntamente para o bem daqueles... que são chamados por seu decreto”. Assim é que a “presciência” de Deus baseia-se em Seu decreto (ver Salmo 2:7).

Deus conhece de antemão o que será porque Ele decretou o que há de ser . Portanto, afirmar que Deus elege pessoas porque as pré-conhece é inverter a ordem das Escrituras, é pôr o carro na frente dos bois. A verdade é esta: Ele as “pré-conhece” porque as elegeu . Isto retira da criatura a base ou causa da eleição, e a coloca na soberana vontade de Deus. Deus Se propôs eleger certas pessoas, não por haver nelas ou por proceder delas alguma coisa boa, quer concretizada quer prevista, mas unicamente por Seu beneplácito. Quanto ao por que Ele escolheu os que escolheu, não sabemos, e só podemos dizer: “Sim, ó Pai, porque assim te aprouve” (Mateus li :26). A verdade patente em Romanos 8:29 é que Deus, antes da fundação do mundo, elegeu certos pecadores e os destinou para a salvação (2 Tessalonicenses 2:13). Isto se vê com clareza nas palavras finais do versículo: “... os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho”, etc. Deus não predestinou aqueles que “dantes conheceu” sabendo que eram “conformes”, mas, ao contrário, aqueles que Ele “dantes conheceu” (isto é, que Ele amou e elegeu), “predestinou para serem conformes”. Sua conformidade a Cristo não é a causa, mas o efeito da presciência e predestinação divina.

Deus não elegeu nenhum pecador porque previu que creria, pela razão simples, mas suficiente, de que nenhum pecador jamais crê enquanto Deus não lhe dá fé; exatamente como nenhum homem pode ver antes que Deus lhe dê a vista. A vista é dom de Deus, e ver é a conseqüência do uso do Seu dom. Assim também a fé é dom de Deus (Efésios 2:8-9), e crer é a conseqüência do uso deste Seu dom. Se fosse verdade que Deus elegeu alguns para serem salvos porque no devido tempo eles creriam, isso tornaria o ato de crer num ato meritório e, nesse caso, o pecador salvo teria motivo para gloriar-se, o que as Escrituras negam enfaticamente (veja Efésios 2:9).

Certamente a Palavra de Deus é bastante clara ao ensinar que crer não é um ato meritório. Afirma ela que os cristãos vieram a crer “pela graça” (Atos 18:27). Se, pois, eles vieram a crer “pela graça”, absolutamente não há nada de meritório em “crer”, e, se não há nada de meritório nisso, não poderia ser o motivo ou causa que levou Deus a escolhê-los. Não; a escolha feita por Deus não procede de coisa nenhuma existente em nós , ou que de nós provenha, mas unicamente da Sua soberana boa vontade.

Mais uma vez, em Romanos 11:5 lemos sobre “... um resto, segundo a eleição da graça”. Eis aí, suficientemente claro; a eleição mesma é “da graça”, e a graça é favor imerecido , coisa a que não tínhamos direito nenhum diante de Deus.

Vê-se, pois, como é importante para nós, termos idéias claras e bíblicas sobre a “presciência” de Deus. Os conceitos errôneos sobre ela, inevitavelmente levam a idéias que desonram em extremo a Deus. A noção popular da presciência divina é inteiramente inadequada. Deus não somente conheceu o fim desde o princípio, mas planejou, fixou, predestinou tudo desde o princípio. E, como a causa está ligada ao efeito, assim o propósito de Deus é o fundamento da Sua presciência. Se, pois, o leitor é um cristão verdadeiro, é porque Deus o escolheu em Cristo antes da fundação do mundo (Efésios 1:4), e o fez não porque previu que você creria , mas simplesmente porque Lhe agradou fazê-lo; você foi escolhido apesar da tua incredulidade natural. Sendo assim, toda a glória e louvor pertence a Deus somente. Você não tem base nenhuma para arrogar-se crédito algum. Você creu “pela graça” (Atos 15:27), e isso porque a tua própria eleição foi “da graça” (Romanos 11:5).
                 

por Arthur W. Pink


Fonte: Arthur W. Pink. Os Atributos de Deus. Editora PES.

sábado, 13 de outubro de 2018

Ladrões Ministeriais!


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Muitas vezes pensamos que poderia ser interessante e instrutivo, se dedicarmos uma curta série de artigos a alguns dos textos mal interpretados e mal interpretados da Bíblia. Eles não são poucos em número, nem os erros cometidos em sua interpretação são triviais em importância. Não há nada de trivial nas Sagradas Escrituras, e é sempre para nossa perda pessoal, quando as aplicamos mal.
Entre aqueles versos cujo significado real é muitas vezes mal compreendido é: "Em verdade, em verdade vos digo: quem não entra pela porta no aprisco das ovelhas, mas sobe por outra parte, esse é ladrão e salteador" (João 10: 1). Essas palavras foram estranhamente arrancadas tanto pelo púlpito quanto pelo banco, e parece haver uma necessidade real de saber, em espírito de oração, seu significado, pois elas contêm uma advertência que é muito oportuna para esses dias.
A referência em João 10: 1, não é para não regenerar almas rastejando na Igreja de Deus, ainda menos para a obtenção de uma entrada para o céu. É quase impensável que qualquer comentarista tenha essa opinião, pois "ladrões e ladrões" nunca invadem o Paraíso celestial (Mateus 6:20), nem Cristo leva Suas ovelhas para fora da Igreja, como Ele faz a partir desta " dobrar "(João 10: 3). Não é ovelhas fictícias - mas falsos pastoresque nosso Senhor está aqui representando. Não são as almas não regeneradas que tentam roubar a salvação - mas os pregadores não regenerados que procuram resgatar o rebanho de Cristo que é representado por esses "ladrões e ladrões". As ovelhas são incapazes de "subir" as altas cercas - mas os homens que as atacam não param por nada em sua determinação de engordar às custas de suas vítimas.
Aqui, como em todo lugar, cuidadosa atenção deve ser dada à configuração de nosso verso. João 10: 1 faz parte de uma "parábola" (v. 6) ou provérbio. É manifestamente uma continuação do capítulo anterior, e, portanto, os falsos mestres entre os judeus (aqueles que haviam expulsado do Templo aquele cuja visão Cristo havia restaurado - 9: 35) foram principalmente destinados pelos "ladrões e ladrões". Os sacerdotes e escribas exigiam de Cristo - com que autoridade agia, visto que não recebera nenhuma comissão deles. Aqui Ele vira as mesas sobre eles e insiste que eles não tinham autoridade divina para oficiar como os pastores do povo de Deus.
Em sua aplicação mais ampla, a denominação "ladrões e ladrões" refere-se a todos os que invadem o ofício pastoral, que não são chamados nem equipados por Deus. "Em verdade, em verdade te digo." O "você", então, são os fariseus das 9:40. "Aquele que não entra pela porta do aprisco" - esta "porta" não deve ser confundida com a do versículo 9: aqui está a porta para o "aprisco", ali está a porta da salvação. O "redil" era o judaísmo, depois degenerado; hoje é a cristandade, agora apóstata. A "porta" denotava os meios legítimos de entrada - um chamado divino: contrastando com "algum outro caminho" pelo qual os ladrões e ladrões tinham acesso. Ao denominar os fariseus "ladrões e ladrões,
Quão diligentemente deveriam examinar seus motivos, que pensam em entrar no ministério , porque milhares abusaram desta instituição divina através do amor à vontade, desejo de autoridade e reputação - ou amor ao dinheiro, e trouxeram para si mesmos "maior condenação" (Tiago 3: 1). Milhares de pessoas invadiram o escritório pastoral de maneira não autorizada, para passar lã em vez de se alimentar.eles roubando Cristo de Sua honra, e famintos Seu povo. Solene além das palavras é, observar quão severamente nosso Senhor denunciou estes falsos pastores de Seus dias. Como JC Ryle disse corretamente: "Nada parecia tão ofensivo a Cristo - como um falso professor de religião, um falso profeta ou um falso pastor. Nada deveria ser tão temido pela Igreja, ser tão claramente repreendido, combatido e exposto! " Compare Mateus 23:27, 28, 33.
Em conclusão, é pertinente perguntar, quais são as marcas de um verdadeiro pastor , como o povo de Deus identifica aqueles que são chamados e qualificados por Ele para ministrar a Seu povo?
Nós respondemos, primeiro, o pastor genuíno tem a DOUTRINA de Cristo em seus lábios. Os ministros da nova aliança são descritos como aqueles que "renunciaram às coisas ocultas da desonestidade, não andando com astúcia". A cristandade hoje está infestada de homens que estão cheios de falsidade e hipocrisia, aparando suas velas de acordo com qualquer direção que a brisa da opinião pública esteja soprando. "Nem manipulando a Palavra de Deus falsamente" (2 Coríntios 4: 2). O verdadeiro servo de Cristo não retém nada que seja proveitoso, por mais intragável que seja para seus ouvintes. Ele é alguém que não se magnifica, nem sua denominação - mas Cristo - Sua Pessoa maravilhosa, Seu sangue expiatório, Suas reivindicações exatas.
Segundo, o pastor genuíno tem o ESPÍRITO de Cristo em seu coração . É o Espírito que abre para ele os mistérios do Evangelho, de modo que ele é um "sábio servo" (Mateus 24:45). É o Espírito de Cristo que lhe dá amor pelas Suas ovelhas, de modo que é seu maior deleite conduzi-las aos pastos verdes de Sua Palavra. É o Espírito de Cristo que o capacita a usar "grande franqueza (ousadia") "(2 Coríntios 3:12), de modo que ele evite declarar todo o conselho de Deus. É o Espírito de Cristo que o faz "instantâneo na época, fora de estação ... exortando com toda a paciência" (2 Timóteo 4: 2). É o Espírito de Cristo que dá eficácia ao seu ministério,
Terceiro, o pastor genuíno tem o EXEMPLO de Cristo em sua vida , que o conforma com a imagem de seu Mestre. É verdade, infelizmente verdade, que não há um deles que não fique aquém - tanto da imagem interior como exterior de Cristo. No entanto, há alguns traços vagos de Sua imagem visíveis em todos os Seus verdadeiros servos - ou por que o povo de Deus os ama, respeita, ouve? Que outras alegações eles têm em sua atenção? imagem de Cristo é vista em suas palavras, espírito, ações - pode ser quebrada, como a imagem do sol em água agitada; mas está lá, do contrário não temos garantia para recebê-los como servos de Deus. Encontre um homem (não é tarefa fácil hoje!) Que tem a doutrinade Cristo em seus lábios, o Espírito de Cristo em seu coração e o exemplo de Cristo em sua vida - e você encontra um de seus genuínos ministros! Todos os que são destituídos destas marcas são apenas "ladrões e ladrões".

Arthur Pink


quinta-feira, 11 de outubro de 2018

Ef 5.22 Maridos, Amai…

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Introdução
Antes de estudarmos o texto, quero fazer algumas observações:
Primeira: A coisa mais difícil quando se fala de casamento é no que concerne a funções, isto porque, ao ler a lista de funções e de obrigações de cada um, tende-se a ler para o outro, e nunca para si mesmo. Então, para começo de assunto, vamos fazer um exercício: O homem lê a tarefa masculina, e a mulher a feminina: É possível? Certa pessoa se aproximou do pastor no final do culto e elogia o sermão: “Pastor, esta mensagem foi muito importante. Era tudo que meu marido precisava ouvir”. E o pastor pergunta: “Onde está seu marido?”, e a mulher responde: “Ficou em casa!” Nada pode ser mais danosa para a alma que ouvir a Palavra de Deus para o outro. Deus quer comunicar algo à nossa vida, e precisamos estar atentos à sua verdade para sermos transformados.
Segunda: Este texto fala de funções no casamento. Funções são engrenagens e estas sempre tem a tendência de emperrar em algum momento. É fácil construir uma “to do list” e passarmos a viver em função das coisas que precisamos fazer, sem considerar que existe uma dimensão muito mais ampla no relacionamento que as tarefas do dia a dia. O pecado distorce as funções, transformando-as em instrumento de manipulação e controle. Por isto este texto precisa rigorosamente começar sua leitura em Ef 5.21 e só fechar o bloco de ideias em Ef 5.32, quando ouvimos a palavra “mistério”.
Esta palavra foi traduzida do grego, onde originalmente o termo é “misterium”. Jeronimo traduziu para a vulgata latina como “sacramentum”, o que deu ensejo à igreja Católica de considerar o casamento como um sacramento. Apesar de minhas convicções reformadas, entendo que casamento, de fato, é “um sinal visível de uma graça invisível”. Que lugar pode traduzir tanto a graça de Deus para a vida de uma pessoa que um lar sob a orientação do Sagrado, vivendo no temor do Senhor?
Terceiro: em Ef 5.22 vemos a função da mulher, ou seu papel. “Mulheres, sede submissas ao seu próprio marido”. Como já estudamos este tema anteriormente, agora, precisamos avançar um pouco mais. Em Ef 5.25 lemos: “Maridos, amai vossas mulheres”. Submissão e amor se constituem nos termos centrais. Mas as funções só cumprem seu papel se contempladas à luz do “mistério”. Deus entrelaçando as atividades.
Maridos, Amai…
Esta é a ordem clara da Palavra. O marido deve amar sua esposa. (Ef 5.25; Cl 3.19).
Consideramos anteriormente como o oposto do amor é ódio, mas que a expressão mais sutil do ódio é a indiferença. Esta é a reclamação central das mulheres em relação aos seus esposos. “Meu marido não me considera!”, não se importa com o que sinto, como eu vejo as coisas, qual é a minha opinião. Portanto, o oposto do amor, não é exatamente o ódio, mas sua mais sutil e devastadora expressão que se revela no desaso e no desvalor à esposa.
Quando Deus nos ordena algo, ele o faz para nosso bem. “Os mandamentos são dados para a vida”. O que acontece quando o amor bíblico é praticado?
Implicações do amor à esposa:
1.       O amor traz vitória sobre a indiferença – Nada pode ser mais efetivo quanto ao descaso que o amor genuíno. “Ele não busca seus próprios interesses”. Quando se ama, importa sim o coração da pessoa amada. Por isto a Bíblia afirma: “Maridos, vós igualmente, vivei a vida comum do lar, com discernimento; e, tendo consideração para com a vossa mulher como parte mais frágil, tratai-a com dignidade, porque sois, juntamente, herdeiros da mesma graça de vida para que não se interrompam as vossas orações” (1 Pe 3.7).
Observe como é sugestivo o texto: “tendo consideração”.
A falta de consideração sobre o que a mulher pensa, sente e deseja, facilmente se torna um grande empecilho para a relação respeitosa e amável que deve reger a vida doméstica.
2.       O amor tira a amargura do coração da mulher. Esta é a primeira coisa que observamos. O amor dá significado e valor. Certamente esta é a razão da palavra de Deus nos exortar: “Maridos, amai vossa esposa e não as trateis com amargura” (Col 3.20). Não é significativo considerar que a amargura tenha sido citada em relação ao amor? Quando um marido ama sua mulher, faz desabrochar nela o sentimento profundo e belo que pode tirá-la da depressão e melancolia tão presentes no sentimento feminino.
A palavra grega para “amargura” que aparece no texto é a mesma de Apocalipse 8.11 no qual vemos que o absinto amargou as águas a ponto de se tornarem venenosas e matarem os homens que dela beberam. Em Ap 10.9 novamente surge a mesma palavra. O estômago se tornou amargo. Sempre existe o perigo que o cinismo, incompreensão e autoritarismo amargurem a existência do outro, trazendo sensações viscerais que atingem os órgãos vitais do ser humano. Esta era a forma da antropologia hebraica expressar extrema alegria e dor, sempre associados aos órgãos como fígado, rim e intestino.
3.       O amor elimina os maus tratos no relacionamento – “Maridos, não as trateis com amargura” (Cl 3.19). Chamo atenção agora para o verbo “tratar”, que tem a ver com “tratamento”, forma de se relacionar e falar. Muitos homens maltratam e desprezam. A Bíblia não permite os maus tratos e a relação animosa em relação à mulher. Pelo contrário, precisa “ter consideração para com a mulher como parte mais frágil”.
Quem ama cuida, protege, apoia, encoraja. Só uma relação neurótica e doentia sobrevive num relacionamento de culpa, violência e acusação. Minha esposa chamou atenção para este texto afirmando que talvez o que ele sugira seja alguma coisa muito sutil. É possível tratar a mulher, mesmo tendo atitudes relativamente positivas, mas com sentimentos de amargura. Um homem pode tratar com amargura. Seu coração está chateado e suas ações passam a ser desenvolvidas dentro deste contexto de amargura.
4.       O amor realça a auto-imagem e auto estima da mulher – auto imagem se relaciona com o aspecto externo, e auto estima com o interno. Na primeira, trata-se da forma como a pessoa se vê, e na segunda, como ele se sente. A falta de amor pode acabar com a auto imagem da mulher e com seu senso de valor.
O amor protege o relacionamento em ambos os casos. Declarações de carinho, confissões de amor e elogios, ajudam positivamente na cura imagens distorcidas quanto ao corpo. Num contexto onde se cultua o corpo (fisiculturismo é uma palavra sugestiva: culto ao físico), não é comum que as mulheres se sintam tão negativas acerca de si mesmos e de sua beleza. O amor estimula a linguagem sensual e amorável no tratamento.
O amor exalta também a auto- estima feminina. A maioria das mulheres possui um amor próprio muito ruim e uma imagem ainda pior. À medida que o marido revela sua admiração por ela, e  declara seu amor ela encontrará mais facilidade em perceber seu valor próprio Não se mede a auto-estima da mulher apenas na forma de se aprontar e vestir, às vezes isto tem a ver com condição financeira, mas a forma exterior é uma boa forma de se perceber como a pessoa tem passado.
Uma pergunta desconfortável fica para os homens: Será que a forma como tratamos nossa esposa a leva a um crescimento de sua auto estima e auto imagem?
5.       O amor tem o papel de encorajar a espiritualidade da mulher – Tim Keller no seu livro “o significado do casamento”, afirma que a função bíblica mais relevante do homem é ajudar a sua esposa na sua caminhada em direção à Deus.
A Bíblia monstra como a atitude insegura de Abraão gerou crise no coração de Sara. Ele lhe disse que Deus lhe daria um filho por meio dela. Como o tempo ia passando e o filho não chegava, Sara resolveu “ajudar” para que a promessa de Deus se cumprisse para Abraão, dando-lhe Agar. Nesta hora, Abraão deveria ter confirmado a palavra recebida, mas ele vacilou e cedeu. Mais tarde, quando Deus revelou a Sara que seria através de seu corpo frágil de uma idosa mulher, ela riu, descreu e duvidou. A atitude de Abraão gerou insegurança quanto à fé de Sara.
O marido tem o compromisso de levar sua esposa para mais perto de Deus. O apóstolo Paulo diz que o esposo deve honrar, santificar e purificar sua esposa, estes passos são fundamentais na caminhada de fé. Assim como Cristo está preparando sua noiva, a igreja, para se encontrar com Deus, os maridos precisam ajudar sua esposa na direção de Deus.
O objetivo maior do casamento não é uma vida sexual abundante, nem a graça de superar traumas psicológicos e emocionais, mas ajuda-la na sua caminhada de fé. Através da unidade sexual, marido e mulher se tornam uma só carne e esta intimidade vai além do sexo e das funções, apontando para o mistério.
Veja quantas vezes aparece no texto a expressão “para que” (Ef 5.26); “para” (Ef 5.27) e “Eis porque” (Ef 5.31). Todas elas dando-nos senso de direção e objetivo.
Conclusão:
Uma pergunta fundamental e ultima fica então para os maridos na tarefa de amar suas esposas. Será que nosso amor as ajuda na caminhada de discipulado, serviço e entrega ao Senhor? Temos ajuda nossa esposa a se aproximar de Deus, ou temos gerado cinismo, incredulidade e dúvidas quanto às coisas de Deus?

Rev Samuel Vieira

Como Romanos 8 me fez calvinista.

Até hoje, sempre que estou atrás de um púlpito e digo coisas como “Todos os santos verdadeiros perseverarão até o fim e ninguém se perd...