quinta-feira, 12 de novembro de 2015

O PROPÓSITO DO SHABBATH: DESCANSO OU DESCANSO ESPIRITUAL?



Um ponto que é essencial para a nossa compreensão acerca do dia do Senhor é entendermos qual é, exatamente, a natureza do descanso que nos é ordenado e providenciado pelo Senhor em seu dia. Isso envolve compreendermos se o domingo é um dia meramente voltado para o descanso físico, para o recompor das energias ou até mesmo para o ócio, a fim de enfrentarmos mais uma semana de trabalho, voltado para o descanso e o lazer com a família[i], ou se o domingo é um dia voltado para o descanso espiritual, isto é, para a devoção mais íntima, mais focada em Deus juntamente do povo de Deus.

Há alguns anos, quando estava ensinando a respeito do dia do Senhor houve quem protestasse dizendo ser o domingo o único dia que tinha para ir à praia e fazer um churrasco com a família. Eu acredito que não são poucas as pessoas que possuem este raciocínio, que entendem que o propósito do dia do Senhor é tão somente proporcionar o descanso, o repouso e o lazer necessários após uma estressante e estafante semana de trabalho, afinal de contas, no mandamento o Senhor Deus nos diz: “não farás nenhum trabalho, nem tu, nem o teu filho, nem a tua filha, nem o teu servo, nem a tua serva, nem o teu animal, nem o forasteiro das tuas portas para dentro” (Êxodo 20.10). Ao mencionar os servos e os animais se vê claramente que o dia de descanso tem em vista o descanso e o refazer do vigor e das forças. No entanto, a questão é: É apenas isso? O único propósito do dia do Senhor é proporcionar ao trabalhador um momento para dormir até mais tarde, ir à praia com a família, fazer um piquenique, etc?

Esta questão é de grande importância, pois como salienta o Pr. Ryan McGraw, pastor da Igreja Presbiteriana da Graça, em Conway, na Carolina do Sul:
O cerne do debate sobre o que é lícito no Shabbath é se o propósito do dia é descansar ou se é descansar “empregando todo o tempo em exercícios públicos e particulares de adoração a Deus” (Breve Catecismo de Westminster, P. 60). A maneira como você responde a esta pergunta determina como você observará o dia. Este ponto determina como você responderá a cada pergunta a respeito de quais pensamentos, palavras e obras são apropriados no Shabbath, bem como se recreações seculares que são lícitas nos outros dias também são lícitas no Shabbath. Se você crê que o propósito do dia é descansar, então a ênfase da sua guarda do Shabbath estará sobre aquilo que faz com que você se sinta mais descansado. Por outro lado, se você acredita que o propósito do Shabbath é consagrar um dia para o culto privativo, familiar e público, então você excluirá todas as práticas que são inconsistentes com o culto ou que não o promovem de forma imediata.[ii]
Por aquilo que as Escrituras revelam fica claro que o propósito do dia do Senhor não é apenas proporcionar descanso físico ao seu povo após uma semana de trabalho intenso. O descanso do dia do Senhor não pode ser igualado a inatividade ou ócio. No início da letra do quarto mandamento encontramos um indício de como o dia deve ser compreendido: “Lembra-te do dia de sábado, para o santificar” (Êxodo 20.8). Devemos atentar para o fato de que o descanso do Shabbath é um descanso santo. O dia deve ser santificado. Todos nós sabemos que quando algo é santificado isso significa dizer que o mesmo é retirado do seu uso comum para servir a um fim religioso ou piedoso. Quando algo é consagrado isso significa dizer que é separado por Deus para ele mesmo, para a fruição do próprio Deus, para o deleite e o agrado dele. A mesma ideia aparece, por exemplo, em Êxodo 31.15-17: “Seis dias se trabalhará, porém o sétimo dia é o sábado do repouso solene, santo ao SENHOR; qualquer que no dia do sábado fizer alguma obra morrerá. Pelo que os filhos de Israel guardarão o sábado, celebrando-o por aliança perpétua nas suas gerações. Entre mim e os filhos de Israel é sinal para sempre; porque, em seis dias, fez o SENHOR os céus e a terra, e, ao sétimo dia, descansou, e tomou alento”. Assim, vejam que o dia é declarado um dia santo.

Além disso, está escrito em Êxodo 35.1-2: “Tendo Moisés convocado toda a congregação dos filhos de Israel, disse-lhes: São estas as palavras que o SENHOR ordenou que se cumprissem: Trabalhareis seis dias, mas o sétimo dia vos será santo, o sábado do repouso solene ao SENHOR; quem nele trabalhar morrerá”. Permitam-me citar também as palavras de um pastor presbiteriano chamado Robert L. Reymond a respeito da natureza do dia do Senhor como um “repouso solene”:
Nesta passagem é importante notar o significado da palavra “repouso” e as palavras seguintes “ao SENHOR”. “Repouso” não pode significar mera cessação de trabalho, muito menos recuperação da fadiga. Essa ideia também não é aplicável ao “descanso” de Deus em Gênesis 2.2-3. A primeira ideia é negada por nosso Senhor em João 5.17 onde ele afirma que o “Pai trabalha até agora”. A última é inapropriada à ideia de quem Deus é. “Repouso” significa o envolvimento numa nova atividade, no sentido de uma atividade diferente. Significa a cessação do labor dos seis dias e a tomada de diferentes labores apropriados ao dia do Senhor. O que esses labores do repouso do Sabbath são está circunscrito pela frase acompanhante “ao SENHOR”. Eles certamente incluem tanto o culto corporativo quanto o privado e a contemplação da glória de Deus.[iii]
Isso fica ainda mais claro quando observamos a posição do quarto mandamento no Decálogo. Essa posição coloca uma forte ênfase sobre a ideia de culto. Os primeiro quatro mandamentos tratam da nossa relação direta com Deus de modo geral e, mais especificamente, do culto que devemos prestar a ele. O primeiro mandamento trata do objeto de culto, o segundo da maneira do culto, o terceiro da atitude apropriada do culto, e o quarto do tempo separado exclusivamente para o culto.

O puritano Lewis Bayly, em sua obra A Prática da Piedade, uma obra que influenciou a ninguém menos que John Bunyan, autor da famosa obra O Peregrino, disse o seguinte: “Aquele que observa o Shabbath só descansando do seu trabalho comum, observa-o como qualquer animal. Mas a guarda desse dia como descanso é ordenada aos cristãos igualmente como ajuda à santificação. Assim também o trabalho é proibido por impedir o culto exterior e interior de Deus”.[iv]




[i] Na mente de muitas pessoas este é o único propósito do domingo. O dia foi estabelecido para ser aproveitado em família. Nesse caso, há uma dissociação do propósito intentado por Deus.

[ii] Ryan M. McGraw. The Day of Worship: Reassessing the Christian Life in Light of the Sabbath. Grand Rapids, MI: Reformation Heritage Books, 2011. pp. 25-26.

[iii] Robert L. Reymond. “Lord’s day Observance”. In: Contending for the Faith: Lines in the Sand that Strengthen the Church. Ross-shire: Christian Focus Publications, 2005. p. 181.

[iv] Lewis Bayly. A Prática da Piedade. São Paulo: PES, 2010. p. 265.

retirado do site http://www.cristaoreformado.com/

2 CO 2.14-17 Vida autêntica









Muitas são as descrições da vida cristã. Muitos indagam sobre as características que poderiam autenticar a forma de ser e viver o cristianismo. Separar o falso do verdadeiro não é sempre falso. Moisés transformou sua vara em cobra pelo poder de Deus, mas os magos fizeram o mesmo pelo poder do diabo.
Apesar de muitas características serem positivas em si mesmas, elas não são a Essência da Autêntica. Paulo, neste texto, inspirado pelo Espírito de Deus, revela três características irrefutáveis dos seguidores verdadeiros de Cristo. São as características irrefutáveis. Apenas os discípulos de Cristo podem ter, e elas não podem ser imitadas.
A Igreja de Corinto era complicada. Marcada por divisões (1 Co 1.10), sérios problemas morais (1 Co 5.1); Relativista moral (2 Co 5); escândalos culturais (1 Co 11); falta de compreensão da Santa Ceia (1 Co 11); mau uso dos dons (1 Co 12,14) e dificuldades com doutrinas essenciais como a ressurreição dos mortos (1 Co 15.12). Todas as vezes que ouço pessoas afirmando que deveríamos voltar a ser como a igreja primitiva, e eu me recordo de Corinto, tenho calafrios. Não gostaria de ser pastor de uma igreja tão complicada como esta.
Na segunda carta, Paulo faz uma defesa do apostolado. Irmãos questionando seu chamado, sua autoridade e vocação. Isto não é fácil de nenhum pastor ouvir.
Para separar o joio do trigo, o falso do verdadeiro, Paulo fala aqui de três marcas irrefutáveis da vida autêntica.

Sucesso constante
“Graças a Deus, que por meio de Cristo, sempre nos
conduz em triunfo” (2 Co 2.14-17).


A palavra sempre é radical. Não se trata de vitória esporádica ou eventual, ou algo que acontece uma vez ou outra. Ele afirma que em Cristo sempre somos conduzidos em triunfo, em Jesus nossa vida será sempre vitoriosa.
Se analisarmos a própria vida de Paulo, esta afirmação parece sem consistência. Afinal, ele mesmo teve muitas situações de perseguições, açoites, injustiça, prisão. Como ele pode afirmar que em Cristo somos sempre vitoriosos? Os discípulos de Cristo atualmente, passam por perseguições religiosas, lutos, falências, contraem enfermidades, isto é marca de pessoas vitoriosas?
Paulo mesmo descreve a sua experiência de seguir a Cristo de forma nada romântica, e podemos até dizer, que do ponto de vista humano, ele foi um fracasso, basta ver a descrição que ele faz de sua trajetória (2 Co 6.4-5). Todos apóstolos, segundo a tradição, morreram pela sua fé. Muitos profetas também tiveram fim semelhante. Daniel foi jogado numa cova de leões, por causa de sua fé. Isaias, segundo a tradição, foi serrado ao meio. Jesus foi crucificado como ladrão e malfeitor, aos 33 anos. Quais são, portanto, as bases da afirmação bíblica que “Deus sempre nos conduz em triunfo?”
O texto não fala de triunfo humano, mas “Em Cristo”. Quando temos a perspectiva de Jesus, somos sempre conduzidos à vitória. Sempre. Em Cristo jamais seremos derrotados.
Pense numa adversidade que você enfrentou, e que se parecia uma tragédia, se você está em Cristo, esta perda foi um sucesso. O que está em jogo, não é o seu sucesso, mas o sucesso de Cristo em sua vida.
Por que vivemos em tanta ansiedade? Buscamos o nosso sucesso e não o de Cristo. Deus trabalha por meio das crises.
Em Fp 1.12 Paulo afirma que Deus o mandou para a cadeia. Isto parece fracasso, Naquela cadeia, no entanto, Deus estava usando seu servo para comunicar o evangelho aos futuros líderes de Roma, e dando-lhe tempo para sistematizar a doutrina cristã com cartas excepcionais como aos Romanos, Filipenses, etc. Quem olhasse para a vida de Paulo naqueles dias poderia achar que aquilo era fracasso, mas veja o que ele diz: “As coisas que me tem acontecido tem contribuído para o progresso do Evangelho” (Fp 1.13). Mais tarde ele vai afirmar que até mesmo os da guarda pretoriana, filhos dos senadores romanos estavam se convertendo a Jesus. Eles eram obrigados a fazer o tiro de guerra, serviços militares, e nada menos perigoso que um velho pregador que falava de um Deus que resolveu viver no meio dos homens, foi pregado numa cruz e ressuscitou dos mortos. Sabe qual foi o resultado da sua prisão? Sucesso total. No final da carta aos Filipenses ele afirma: “Todos os santos vos saúdam, especialmente os da casa de César” (Fp 4.22). O que significa isto? Aqueles jovens convertidos, que viviam no palácio, estavam testemunhando o evangelho.
Você consegue ver a vitória de Deus em sua vida? Mesmo em meio às lutas? Já parou para considerar o que Deus está planejando para sua vida? O projeto que ele tem em mente para você e sua família?
Como estaríamos se estivéssemos na pelo de Paulo? Certamente murmuraríamos, argumentaríamos, ficaríamos zangados, discutindo com ele. Mas o que fez Paulo, ele usava cada momento desta atribulada experiência para ver a obra de Deus se realizando na sua vida e no povo de Roma. Isto é o que chamamos de “reação em cadeias”.
Considere ainda a vida de José. Ele foi vendido como escravo. Posteriormente injustiçado por uma falsa denúncia, vai para a prisão. Mas ele jamais teria condições de prover sustento para uma nação inteira, e para a sua própria, se Deus não o tivesse conduzido em triunfo, nesta estrada da tantos sobressaltos.
Se nossa vida está nas mãos de Deus, e nos submetemos aos seus propósitos, veremos que ele está sempre nos conduzindo em triunfo. A experiência de dor do momento, pode ser a única forma que Deus poderia usar para salvar sua vida e família.


Impressão inesquecível
“Somos para com Deus, o bom perfume de Cristo” (2.15)


Cheiro é algo contagiante, é algo que enche o ambiente. Quem não se lembra daquele gostoso perfume da comida caseira da vovó ou da mamãe? Ou do inebriante perfume de um “beautiful” ou “chanel no. 5?” Cheiros evocam lembranças. Eu sempre me recordo do Seminário de Campinas, onde estudei 30 anos atrás, todas as vezes que sinto o cheiro de grama cortada.
O que este texto está dizendo é algo grandioso e assustador. “Somos para com Deus, o bom perfume de Cristo, tanto nos que se perdem, como nos que se salvam” (2.15). O que significa isto?
Ser o bom perfume de Cristo nos que se salvam não é muito difícil de entender. Muitas pessoas foram marcadas eternamente por causa da presença de Cristo que exala em nós. Muitos já foram atraídos à Jesus por causa desta essência divina que seu espírito pôs em nossas vidas, de tal forma que isto é inconfundível, já que os conduz à salvação eterna e ao entendimento do plano da salvação para suas vidas.
No dia do sepultamento de meu sogro (25 Junho 2009), apareceu um homem que tivera contacto com ele quando ainda era seminarista, isto é, cerca de 50 anos atrás, e desde aquele dia, aquele homem nunca se esqueceu do que meu sogro pregou, nem dos hinos cantados. O impacto do evangelho foi duradouro e eterno sobre sua vida.
Este é o lado positivo da mensagem. Mas o texto vai além: "tanto nos que se salvam,quanto nos que se perdem". E diz mais, “para uns, cheiro de vida para vida, para outros, cheiro de morte para morte”.
Paulo usa aqui uma figura muito conhecida naqueles dias. Quando os exércitos iam para guerras, ao vencerem a batalha, voltavam com preciosos despojos e eram recebidos como heróis pelas ruas da cidade. Na frente vinham os generais e comandantes, atrás os oficiais, os soldados e por fim, acorrentados, os guerreiros derrotados. As pessoas faziam festas nas ruas e jogavam flores, essências aromáticas, e quando os vencedores inalavam estas essências, sabiam que ela era sinal de vitória, mas para os perdedores tais essências significavam condenação. Para uns, o cheiro era para vida, para outros, para morte.
Assim faz o Evangelho. Ao ser pregado não apenas salva, mas também condena.
Jo 3.36 é uma palavra dura de Jesus: “Por isso, quem crê no Filho tem a vida eterna; o que, todavia, se mantém rebelde contra o Filho, não verá a vida, mas sobre ele permanece a ira de Deus”. No mesmo capitulo afirma: “Quem crê não é julgado, mas quem não crê, já está julgado, porquanto não crê no unigênito filho de Deus” (Jo 3.14).
Ao relatar a parábolas do semeador, Jesus afirma que ele narrava o reino de Deus daquela forma para que alguns, ao ouvirem a palavra, não a compreendessem e não viessem a crer (Mt 13.14-17). A mensagem do Evangelho não é apenas para salvação, mas para condenação. No dia do juízo, muitos ouvirão a sentença do reto juiz e vão tentar se defender, mas Deus lhes dirá, “O que se mantém rebelde contra o Filho, não verá a vida”.


Integridade irrefutável
“Porque nós não estamos, como tantos outros, mercadejando a palavra de Deus;
antes, em Cristo, é que falamos na presença de Deus, com sinceridade
e da parte do próprio Deus” (2 Co 2.17).


Esta é a terceira característica da vida cristã autêntica, que não pode ser imitada, nem falsificada. Integridade! Esta marca não é apenas um acessório da vida cristã, mas sua essência.
Paulo afirma que o Evangelho não é mercadoria (2 Co 4.2), um produto atraente, mas bugiganga de feira do Paraguai. Muitos testemunhos são mentirosos, e uma forma de vender o evangelho, como um que circula na internet onde um pregador fala da unção da galinha e dos galos no seu galinheiro, dando profecias e falando em línguas. Isto é bugiganga! Existem pessoas que se tornam “vendedoras” de determinados aspectos da fé cristã, que dizem ser verdade, mas se trata mercadores. Ganham a vida vendendo estes artigos como o homem da cobra faz com as pessoas incautas nas praças das grandes cidades.
Existem muitos pregoeiros da teologia da prosperidade, que vendem bençãos de Deus. Explorada mercantilmente através de movimentos de cura, ou atraem pessoas que não querem crescer espiritualmente, e vivem fascinadas por profecias e visões, correndo atrás de respostas rápidas para questões difíceis.
Mercadejar é adulterar. Vender algo que não corresponde com a aquilo que dizemos ser. Quando as pessoas levam isto para seu dia a dia, descobrem que não funcionam, porque são bugigangas, meras imitações daquilo que é verdadeiro.
Quando era menino, meu pai me levou a Brasília para comprar um carro. Eu me senti muito importante, numa cidade grande, cheia de atrativos, era tudo o que eu queria. As pessoas, os prédios, o movimento da cidade, tudo me fascinava. Ao passarmos pela torre de TV em Brasília, meu pai viu um lindo paraquedinha que era vendido e resolveu levar de presente para meu irmão mais novo. Realmente era muito bom na mão do vendedor, mas jamais funcionou em casa. Isto foi uma verdadeira frustração para todos.
Já viu aquelas “escadas mágicas” que os vendedores, rodeados de homens fortes e mulheres bonitas querem vender? Ou aquelas furadeiras impressionantes que são manuseadas por aqueles homens atléticos? Não compre! A não ser que você leve também o atlético e habilidoso homem que lida com a máquina. Elas não funcionam. São bugigangas atraentes, mas prometem o que não podem dar. É assim que os mercadores fazem com o Evangelho. Eles mercadejam.
Paulo fala de três características desta integridade:


· Falamos com sinceridade – Aquilo que dizemos tem que ser aquilo que pensamos. A palavra sinceridade vem do latim, “sem cera”. O mínimo que se espera de um crente é que ele creia naquilo que prega, e busque sempre praticar o que diz.


· Falamos na presença de Deus – Isso sugere uma abertura de total franqueza aos olhos de Deus. Caminhar à vista dos homens e enganá-los pode não ser difícil, mas enganar a Deus, não dá. A pessoa que anda na presença de Deus não está interessada em colocar uma fachada. É perfeitamente digno de confiança.


· Falamos da parte do próprio Deus – Temos uma tarefa específica. Dizer aquilo que Deus diz. Não inventamos fábulas, nem usamos argumentos filosóficos que não se coadunam com o pensamento de Deus. Nossa tarefa é declarar: “Assim diz o Senhor!”.


Esta marca da vida cristã autêntica repele a tentativa de se usar dos cosméticos diante de Deus, de se maquiar a verdade.

Conclusão:


Estas marcas acima tentarão ser imitadas, mas elas só estarão presentes, naqueles que conheceram o autêntico. Determinados modelos de cristianismo que encontramos hoje estão gerando profunda crise no significado do que significa “vida cristã”. O resultado tem sido o vazio das experiências. Pessoas aparentemente “espirituais” mostram seus desvios simplesmente porque não experimentaram aquilo que é real.

Certo expert em dólar americano foi entrevista por um comentarista americano. Existem centenas de dólares falsificados ao redor do mundo, algumas destas imitações são quase perfeitas, mas este homem possui a destreza de não se confundir. Quando lhe perguntaram como fazia para reconhecer as notas falsas, ele afirmou: “Eu não conheço nenhuma nota falsa. Eu simplesmente conheço as verdadeiras. Isto é o bastante!”


Rev Samuel Vieira.

quinta-feira, 3 de setembro de 2015

Nunca ganharemos o Brasil para Cristo



brasilJornalista Maurício Zagari expõe seus pontos de vista e tese
Ouço frequentemente uma conclamação feita nos mais variados recônditos do universo evangélico: Vamos ganhar o Brasil para Cristo!!! Bem, lamento informar, mas nós nunca vamos ganhar o Brasil para Cristo. E antes que você, espantadíssimo com minha falta de fé, me acuse de derrotismo ou mesmo de estar a serviço do mal, deixe-me explicar.
Como não acredito na doutrina da confissão positiva (o hábito antibíblico de "decretar a vitória", "profetizar a bênção" e "tomar posse pela fé" que, se você não sabe, foi incorporado ao cristianismo a partir de práticas de religiões pagãs da Nova Era - mas essa é outra conversa) não vejo dolo em fazer essa afirmação, que é fruto de uma observação bíblica, histórica e contextual. E justifico minha posição, apresentando aqui as razões pelas quais não creio que o Brasil será ganho para Cristo:
1. Aspectos bíblicos:
A Bíblia nunca promete que nações inteiras se converteriam ao Senhor em nossos dias. Ela fala: "E este evangelho do Reino será pregado em todo o mundo como testemunho a todas as nações, e então virá o fim" (Mt 24.14) mas em momento algum promete que isso resultaria em conversões em nível nacional. Anunciar o Evangelho é uma coisa. Ele resultar em conversões é algo bem diferente. Pelo contrário. Como já abordei no post Louvados e glorificados sejam os números, a Palavra de Deus é clara ao afirmar que a minoria herdaria o Reino dos Céus:
-> "Entrem pela porta estreita, pois larga é a porta e amplo o caminho que leva à perdição, e são muitos os que entram por ela. Como é estreita a porta, e apertado o caminho que leva à vida! São poucos os que a encontram" (Mt 7.13,14).
-> "Alguém lhe perguntou: ‘Senhor, serão poucos os salvos?'. Ele lhes disse: ‘Esforcem-se para entrar pela porta estreita, porque eu lhes digo que muitos tentarão entrar e não conseguirão. Quando o dono da casa se levantar e fechar a porta, vocês ficarão do lado de fora, batendo e pedindo: ‘Senhor, abre-nos a porta'. ‘Ele, porém, responderá: ‘Não os conheço, nem sei de onde são vocês'. "Então vocês dirão: ‘Comemos e bebemos contigo, e ensinaste em nossas ruas'. "Mas ele responderá: ‘Não os conheço, nem sei de onde são vocês. Afastem-se de mim, todos vocês, que praticam o mal!'.". (Lucas 13.23-27).
-> "Não tenham medo, pequeno rebanho, pois foi do agrado do Pai dar-lhes o Reino" (Lucas 12.32).
-> "Pois muitos são chamados, mas poucos são escolhidos" (Mt 22.14).
Ou seja: não há na Bíblia nenhuma promessa ou sugestão de que haverá multidões de salvos entrando em nível nacional pelos portões do Céu. Não: a salvação é para poucos. Repare que na parábola do semeador (Mt 13) a maioria das sementes não frutifica, apenas uma pequena parte delas germina e dá frutos.
Gostaria eu que fosse diferente. E temos sempre que fazer de tudo e empreender todos os nossos esforços para que o máximo de pessoas receba a mensagem da Salvação. Temos que pregar o Evangelho a toda criatura. Mas no que tange à Biblia não posso afirmar o que ela não afirma só porque me faria sentir melhor. A verdade é o que é.
2. Aspectos históricos.
Fala-se muito de avivamento, de pátrias que foram sacudidas pelo poder do Espírito e que se transformaram em nações cristãs de fato, com milhares de conversões e manifestações inefáveis do poder de Deus. Isso é verdade. Moveres sobrenaturais de Deus levaram alguns países, em períodos determinados da História, a buscar coletivamente uma aproximação maior de Cristo e uma vida de santidade. Foi assim no Primeiro e no Segundo Grande Despertamentos dos séculos 18 e 19, por exemplo. Mas minha pergunta é: como estão essas nações hoje?
A verdade nua e crua? Espiritualmente falidas.
Os Estados Unidos, avivados pela pregação de bastiões como Jonathan Edwards e George Whitefield, são hoje um país cristão não-praticante, pérfido, devasso e sem nenhum tônus espiritual, que fez o que fez no Oriente Médio sob a direção de um presidente supostamente evangélico. Um país onde a Igreja tem aceito a ordenação de bispos cuja orientação sexual em outras épocas jamais seria aceita e que inventou a Teologia da Prosperidade. Um país espiritualmente e moralmente em bancarrota, que exporta para o mundo filmes, programas de TV e músicas abomináveis pela moral bíblica.
Já a Inglaterra, país que na época de John Wesley se viu renovado espiritualmente, hoje mal se lembra que há um Cristo. No restante da Europa, encontramos países como Espanha e Portugal, com menos de 1% de cristãos reformados. Nos berços da Reforma Protestante, Alemanha e Suíça, a Igreja evangélica tornou-se uma entidade fantasma, com igrejas vazias e nenhuma influência sobre a vida da sociedade.
E isso falando de nações que estão debaixo de nossos olhos. Se voltarmos alguns séculos no passado encontraremos os países do Oriente Médio com quase toda a população cristã. Você talvez não saiba disso, mas até o século VI d.C. regiões que hoje compõem países como Turquia, Irã, Iraque, Marrocos e Arábia Saudita, atualmente considerados não-alcançados pelo Evangelho, tinham suas populações quase que totalmente cristãs. Até que veio o islamismo e tomou esses países, transformando-os em nações muçulmanas.
O resumo da ópera é que para se "ganhar uma nação para Cristo" é preciso um milagre. Não só um milagre de conquista, mas um milagre de preservação. Ou seja: reconquista diária. E milagres são a exceção, não a regra.
3. Aspectos contextuais (atuais)
Este é o ponto principal desta reflexão. Para que se pregue o Evangelho a uma pessoa pecadora, mais do que proclamar a Verdade é preciso viver a Verdade. Se eu sou um homem notoriamente devasso, mentiroso, pérfido e sem caráter, de nada adiantará eu chegar para alguém e pregar o Evangelho. Pois ele dirá "ser cristão é isso aí? Tô fora, fala sério!". E essa mesma realidade se aplica a uma nação. Para que a Igreja de Jesus evangelize uma nação e a "ganhe para Cristo", ela tem que dar o exemplo. Isso é imperativo. Mais do que pregar a Verdade, tem que viver a Verdade. E é com muita dor no coração que constato que nós não temos feito isso. Não temos sido exemplo. Compartilho alguns sintomas que me mostram que a Igreja brasileira não está capacitada para ganhar a nação para Cristo:
● A maior parte da Igreja visível no Brasil de hoje é espiritualmente flácida e complacente com o pecado: o comportamento visível dos cristãos diante da sociedade não tem sido muito diferente do comportamento dos não-cristãos. Em geral, somos agressivos, arrogantes, vingativos, mentirosos e egocêntricos. Fraudamos impostos, passamos cheques sem fundos, não honramos nossa palavra. Nossos seminaristas colam nas provas. Não cedemos lugar no ônibus para o idoso, fingimos que não vemos o mendigo, jamais emprestamos o ombro a um órfão sequer e muito menos a uma viúva. Articulamos dentro das igrejas para conseguir ocupar cargos de destaque. Usamos a sexualidade de modo tão mundano como qualquer personagem da novela das oito. Nossas conversas são torpes, falamos mal dos outros pelas costas, jogamos irmãos contra irmãos, contamos anedotas pesadas e fazemos piada com a manifestação dos dons do Espírito Santo. E por aí vai. Uma Igreja assim não tem a menor moral de pregar o arrependimento de pecados para o mundo: primeiro ela própria tem de se arrepender.
● O modelo de igreja predominante no Brasil não forma cristãos sólidos. Como afirmou este ano em uma de suas palestras na Conferência da Sepal o Bispo Primaz da Igreja Cristã Nova Vida, Walter McAlister, o modelo de igreja-show não forma discípulos de Cristo. Enquanto formos aos cultos apenas para assistir a algo que se passa num palco e não para participar; enquanto não nos submetermos a um discipulado radical; enquanto não resgatarmos o papel de família de fé das nossas igrejas, nunca conseguiremos formar cristãos minimamente capazes de viver e compartilhar com eficiência sua fé com uma pessoa, que dirá com uma nação.
● O evangélico brasileiro não gosta de ler. Lidos sob o poder e a iluminação de Deus, livros são o alicerce da transformação. Mas nossos jovens preferem videogames, televisão, internet e no máximo inutilidades como a série "Crepúsculo" do que livros essenciais para a formação de um caráter cristão. E sem uma mente bem formada nos tornamos incapazes de pensar uma nação. Quanto mais transformá-la. O poder de Deus age, mas age por intermédio de seres humanos - que precisam ter bagagem intelectual para explicar e transmitir. E ainda lemos muito menos do que deveríamos. E a qualidade do que lemos, em geral, deixa muito a desejar.
● Somos analfabetos bíblicos. Uma pesquisa recente feita entre os líderes de jovens de certa denominação mostrou que menos de 30% deles tinham lido a Bíblia toda. Repare: estamos falando de líderes! Aqueles que deveriam ensinar os outros! Se não lemos, não conhecemos, e se não conhecemos... o que vamos pregar? Nossa teologia é formada a partir daquilo que ouvimos em corinhos, assistimos em péssimos programas evangélicos de TV, lemos em frasezinhas soltas no twitter e em adesivos de automóveis. Mas são poucos os que realmente se dedicam ao estudo sistemático e aprofundado das Escrituras. Então vamos ganhar o Brasil pra Cristo, mas... que Cristo? Se não conhecemos o Cristo segundo as Escrituras o apresentam, que Cristo é esse que estamos pregando? Se não entendemos a Palavra por não conhecê-la, que Palavra é essa que estamos pregando? Sem conhecer a Bíblia não temos absolutamente nada a oferecer em termos espirituais à nação.
● Grande parte da Igreja evangélica brasileira é egocêntrica. Ora por si e pelos seus. Pede bens materiais, emprego, carro e casa própria em suas orações. Quer a cura de suas enfermidades. Mas não se dedica muito a interceder pelo próximo, orar pelo arrependimento dos pecados e buscar sanar os males da sociedade. Não ora pelos pobres. Não estende a mão ao faminto. Não olha para o próximo. Não se devota. Não considera o outro superior a si em honra. E ganhar uma nação para Cristo exige olhar, antes de tudo e antes de si mesmo... para a nação.
● A Igreja está hedonista. Quer prazer. Quer alegria. Quer ser feliz da vida. Quer emoção. Que louvores vazios mas emocionantes. Quer cantores carismáticos, mesmo que pouco espirituais. Quer shows e não momentos de intimidade com Deus. Quer se sentir bem. Quer cultos que atendam às suas necessidades. Quer pregações que a faça sorrir. Quer enriquecer e ter uma vida abastada. Só que antes de ganhar uma nação para Cristo temos que chorar muito, nos humilhar, esquecer o que nos faz bem e buscar o que faz bem à nação. E orar. Orar! A Igreja hoje celebra muito, canta muito... mas ora de forma mirrada, esquelética. Só que pouca oração e muita celebração não farão nação alguma se converter. Se ganharmos o país para esse modelo de cristianismo o que faremos é transformar o Brasil numa grande rave gospel, com festa atrás de festa, celebração após celebração e pouca ou quase nenhuma vida íntima com Cristo.
● Grande parte da Igreja tem pregado um evangelho mentiroso. O que se tem divulgado é um Jesus fictício, complacente, eternamente alegre e exultante, que nos garante "plenitude de alegria, todo dia". Mas o Cristo de verdade quer que tomemos nossa cruz para segui-lo. Que morramos para nós mesmos. Que deixemos pai e mãe para ir após Ele. Mas a nação não quer fazer nada disso. E para ganhar a nação para Cristo ela tem que saber que terá de abrir mão de muita coisa, de esvaziar-se de suas vontades e desejos e seguir um caminho de renúncia e muitas vezes de sofrimento. Ganhar a nação para Cristo significa propor a ela: tome sua Cruz e siga-me. Arrependa-se de seus pecados, abra mão de seu eu e mude de vida. Honestamente: é isso que temos pregado?
● A Igreja está dividida. A Palavra nos diz que "Se um reino estiver dividido contra si mesmo, não poderá subsistir" (Mc 3.24). Mas deixamos nossas paixões denominacionais suplantarem a unidade. Nós, pentecostais, fazemos piada com os tradicionais. Os tradicionais ridicularizam os pentecostais. Todos menosprezamos os neopentecostais. Nos tornamos "anti" qualquer coisa que não sejamos nós mesmos. Nas tentativas de unir a Igreja perde-se tempo com discussões inócuas e vaidosas. Esquartejamos o Corpo de Cristo. E ainda assim queremos acrescentar uma nação inteira a esse Corpo? Como? Se não depusermos as hostilidades e buscarmos a unidade - verdadeira e sincera - uma nação ganha para Cristo sob esses moldes de igreja desunida seria um grande frankenstein.
● Nossas motivações são equivocadas. Queremos ganhar o Brasil pra Cristo não por amor às almas perdidas, mas sim para garantir nosso galardão no céu ou para finalmente fazermos parte do clube que representa a maioria e não a minoria. Queremos é estar por cima. Falta-nos, mais do que amor pelo Brasil, amor por cada brasileiro.
● Estamos tentando avançar na sociedade utilizando cargos políticos e legislações. Queremos ganhar o Brasil não para Cristo, mas para projetos de poder mascarados de cristianismo. E isso elegendo políticos supostamente comprometido com o Evangelho, fazendo marchas e protestos, usando de politicagens e chantagens políticas e organizando lobby no Planalto. E nada disso são armas espirituais. Nada disso nunca vai, de modo algum, glorificar o Senhor. Apenas cumprirá uma agenda política e nada mais.
Haveria muitos outros problemas que poderíamos desenvolver aqui, mas não quero me alongar mais. Não quero parecer um profeta do apocalipse, pintando um cenário pessimista. Minha intenção não é essa. Mas me atreveria a perguntar: será que os problemas que apontei acima são fruto da minha imaginação ou você consegue enxergá-los ao seu redor? Alguns poderiam dizer que o que escrevi não é nada edificante, mas... Há algo mais edificante que reconhecer nossos pecados para que possamos refletir sobre eles, arrepender-nos e consertar os erros? Não é isso que significa edificar? Construir? E, se preciso for, reconstruir? Parar de varrer a sujeira para baixo do tapete e acertar as coisas?
Há focos de resistência. Pequenos grupos que buscam viver uma espiritualidade real, profunda, desinteressada. Mas são grupos desconhecidos, pequenas igrejas escondidas, pastores que pregam para poucos e que proclamam o Evangelho como ele é, sem o desejo de agradar mais ao homem que a Deus. Cristãos que se abraçam e se amam de modo entregue e que se devotam à causa de Cristo e ao próximo. Esses são o remanescente fiel. São o último alento. Mas estão longe das câmeras de TV, das grandes gravadoras, dos eventos faraônicos, reunidos em silêncio, buscando a face de Deus sem fazer balbúrdia, sob as sombras do bem-aventurado anonimato. Eles são a semente da minha esperança.
Acredite: eu gostaria de que o Brasil fosse ganho para Cristo. Gostaria imensamente. Gostaria de viver numa pátria onde o Evangelho ditasse o procedimento das pessoas. Gostaria de poder afirmar: "Feliz é a minha nação, pois seu Deus é o Senhor". Mas o que vejo ao meu redor não me permite fingir que está tudo bem. Não está. A Igreja de Cristo precisa se repensar e se acertar antes de empreender projetos de conquista. E isso urgentemente. Um exército desorganizado, desunido e despreparado não conquistaria nem um vilarejo, quanto mais uma nação.
Precisamos de um milagre. É caso de vida ou morte. E morte eterna. Precisamos nos arrepender dos caminhos pop e egoístas que estamos trilhando. Precisamos voltar a orar com um coração generoso. Precisamos nos humilhar. Precisamos clamar por misericórdia. Precisamos parar de tentar vencer o mundo no peito e na raça e tentar vencer, antes de qualquer outra coisa, nossas próprias concupiscências com o rosto no pó e os joelhos calejados. Essa luta não se vence com gritos, protestos, marchas, lobbies políticos e partidarismos, mas com lágrimas. Até caírem as escamas de nossos olhos e enxergarmos a dimensão espiritual que existe por trás da cortina da matéria continuaremos agindo como o servo de Eliseu, que não via o exército celestial do lado de fora de sua casa e desejava agir segundo os métodos do mundo e não os do Espírito.
Até lá, antes de pensarmos em ganhar o Brasil para Cristo, deveríamos nos preocupar em ganhar a nós mesmos para Ele. E isso diariamente. Pois é mediante a transformação pessoal, de um a um, alma a alma, no campo do micro, que alcançaremos o macro. Caráter. Espiritualidade. Intimidade com Deus. Estudo aprofundado das Escrituras. Leitura de autores sérios. Menos exultações e mais contrição. Amor ao próximo de fato, comprovado em atos. Sem atitudes como essas, ganhar a nação para Cristo é um sonho distante. E, honestamente, impossível.
Paz a todos vocês que estão em Cristo.
{jcomments on}
fonte: www.creio.com.br

10 mandamentos para pastores

dez_mandamentos1 – Não amarás mais sua igreja do que sua família
Família e igreja são instituições criadas por Deus, é verdade. Infelizmente encontramos pastores que canalizam mais o seu amor e atenção à igreja, esquecendo que a família deve ser, depois de Deus, a instituição que deve ser priorizada na vida, seja de pastor ou não.
2 – Nunca permita que sua esposa faça na igreja algo apenas porque é a esposa do pastor
Lembro-me que certa vez fui sondado para ser pastor de uma igreja e a comissão de sucessão perguntou a Bete se ela tocava piano, porque queriam um pastor que fosse casado com uma pianista. Esposa de pastor deve ser envolver nos trabalhos da igreja, antes de tudo, como crente que recebeu de Deus dons e talentos como todos os crentes.
3 – Nunca deixe de tirar férias com sua família
Uma vez ouvi um pastor falando a plenos pulmões que se orgulhava em dizer que seu cuidado para com a igreja era tanto que havia anos que não tirava férias com a família. Foi-se o tempo que isso soava bem aos ouvidos do povo de Deus.
4 – Mostre sempre para a igreja que você também é marido e pai
A igreja precisa entender de que como marido e pai você não vai ter condições de participar de todos os cultos, reuniões da igreja. Você precisa ter coragem para dizer à sua igreja que num determinado sábado você sairá para jantar com sua esposa.
5 – Jamais passe para a igreja que você tem um casamento e uma família perfeita
Por quê? Porque todos nós somos pecadores. A igreja não quer um pastor perfeito. Os casais precisam saber que como todos os mortais, você tem conflitos e desafios pessoais para melhorar sua vida conjugal e familiar a cada dia.
6 – Nunca se esqueça: Existem centenas de igrejas, mas família você só tem uma
O maior legado que você deve deixar é no seio de sua família. O que adianta ser lembrado pela igreja ou denominação, mas não encontrar com seus filhos no céu? Seja um pastor aprovado por Deus na igreja e na família.
7 – Nunca pense que você está imune a um envolvimento sexual ilícito
Esteja atento. O Diabo vai querer derrubar você na área moral. Muito cuidado com o relacionamento com o sexo oposto. Lembre de tratar as mulheres mais idosas como mães e as mais novas como irmãs.
8 – Quando chegar em casa, seja esposo e pai
Se usa terno e gravata, tire assim que chegar em casa. Beije sua esposa, abrace seus filhos. Ajude sua esposa no cuidado da casa e com as crianças. Role no chão com seus filhos se ainda são pequenos. Converse com seu filhos adolescente.
9 – Mostre para seus filhos que há coerência entre o que você prega e o que vive em casa
Seus filhos estão percebendo se aquilo que você fala do púlpito é vivido dentro de casa. Sua esposa também. Não seja um fariseu, pregando algo que não vive no casamento e na família.
10 – Nunca se esqueça de que quem sustenta sua família é Deus e não a igreja a que serve
Trabalhe na igreja como um homem chamado por Deus, não para ganhar dinheiro. Nunca se esqueça de quem o sustenta é Deus. Se um dia a igreja deixar de sustentar sua família, saiba que Deus irá providenciar outras fontes. O seu sustento vem de Deus e não da igreja.

fonte: www.clickfamilia.org.br

sábado, 15 de agosto de 2015

É FÁCIL JULGAR PELAS APARÊNCIAS



Uma mulher, usando um vestido de algodão barato, e seu esposo, vestindo un humilde terno, desceram do trem em Boston e caminharam timidamente até o escritório do Reitor da Universidade de Harvard e falaram com a secretária dele, mesmo sem ter uma reunião agendada.
A secretária adivinhou, no mesmo instante, que esses camponeses vindos das florestas não tinham nada a fazer em Harvard.
- Gostariamos de ver o Reitor, disse suavemente o homem.
- Ele está ocupado, respondeu a secretária.
- Vamos esperá-lo, replicou a mulher.
Durante horas a secretária os ignorou, esperando que o casal finalmente ficaria desanimado e iria embora.
Eles não o fizeram, e como a secretária viu aumentar sua frustração, finalmente decidiu interromper o Reitor, mesmo sendo uma tarefa que ela sempre evitava.
- Tal vez se o senhor conversa com eles por alguns minutos eles decidem ir embora, disse a secretária ao Reitor.
Ele fez uma careta e concordou em falar-lhes.
Alguém tão importante quanto ele, obviamente não tinha tempo para atender pessoas com vestidos e ternos baratos.
No entanto, o Reitor com a cara carrancuda e empolada, dirigiu-se com passo arrogante até o casal.
A senhora lhe disse:
- Um filho nosso cursou Harvard somente por um ano. Ele amava Harvard. Ele era feliz aqui.
Mas, um ano atrás ele morreu em um acidente.
Meu esposo e eu desejaríamos erigir alguma coisa, em algum lugar do campus, em memória do nosso filho.
O reitor não se interessou.
- Senhora, disse de forma áspera, não podemos colocar uma estátua para cada aluno que cursou Harvard e tiver falecido.
Se assim o fizermos, este lugar iria parecer um cemitério.
- Oh não, explicou a senhora rapidamente.
Não desejamos levantar uma estátua. Pensamos em doar um edificio para Harvard!
O Reitor revirou os olhos. Olhou com desdém para o vestido e o terno barato do casal e então falou:
Um edifício!! Vocês tem alguna idéia de quanto custa um edifício?
Gastamos mais de sete milhões e meio de dólares nos prédios aqui em Harvard! A senhora ficou em silêncio por alguns instantes.
O Reitor ficou feliz. Pensou que tal vez agora poderia se livrar desses dois.
A senhora olhou para seu esposo e disse suavemente: tão pouco custa fundar uma universidade? Por que não fundamos a nossa própria universidade?
Seu esposo concordou. O rosto do Reitor ficou fechado, confuso e desconcertado.
O Sr. Leland Stanford e sua esposa se levantaram e foram embora viajar para Palo Alto, California, onde estabeleceram a universidade que leva seu nome, a Universidade Stanford, em memória de seu filho, pelo qual Harvard não se interessou.
A universidade 'Leland Stanford Junior' foi inaugurada em 1891, em Palo Alto. 'Junior' porque ser em homenagem ao falecido filho do rico senhor latifundiário.
Esse foi seu 'memorial'. Hoje a universidade Stanford é a quarta melhor do mundo, e algumas vezes tem sido a segunda ou a número um do mundo, superando Harvard.
QUE FÁCIL É JULGAR PELAS APARÊNCIAS….. !!
QUÉ FÁCIL É EQUIVOCAR-SE AO JULGAR PELAS APARÊNCIAS!!!

sexta-feira, 14 de agosto de 2015

CO-DEPENDÊNCIA






Não era a primeira vez que ele apresentava estranhos comportamentos que deixavam toda a família em desequilíbrio. Ele sabia como controlar o humor da casa. Sua reação violenta aconteceu depois dos pais lhe negarem o pedido para ir a uma festa que seus pais julgaram inadequada para sua idade. Ele saiu de casa aos berros, empurrando a cadeira para o lado, entrou no seu quarto reclamando e bateu a porta, trancando-se num típico e conhecido comportamento já manifesto.

Todos sabiam que este dia e talvez os próximos dias seriam insuportáveis naquela casa. Toda vez que isto acontecia a casa ficava completamente desestabilizada, ele sabia como manipular estranhos sentimentos de culpa e raiva e os pais não sabiam como agir nestas situações. Ele era o termômetro da família.

Este é um conhecido ambiente controlado pela co-dependência.

Este termo é usado em psiquiatria para lares dominados por um membro que não apenas enfrenta uma situação de tensão, mas que afeta diretamente todo seu contexto. Pode ser alguém drogado, viciado em álcool, gênio explosivo ou amargurado, forte depressão ou tendência suicida, ou até mesmo por causa de uma longa enfermidade como uma doença crônica que exige muito tempo, atenção e cuidado. Uma pessoa com síndrome de down ou doença degenerativa pode deixar toda a família em suspense, se os demais membros não souberem como agir e não se prepararem para lidar adequadamente com os cuidados necessários em tais situações. Por isto é que em psiquiatria, quando uma pessoa é trazida para ser tratada, algumas clinicas preferem usar o termo “paciente identificado”, ao invés de colocar meramente o título “paciente”, porque eventualmente a doença é sistêmica, tem a ver com a hostilidade do ecossistema e o suposto paciente é apenas a ponta do iceberg, ele reflete toda a conflitividade da familia.

“Sempre que uma criança é trazida para tratamento psiquiátrico, é habitual refere-se a ela ou ele como o “paciente identificado”. Por esse termo nós, os psicoterapeutas, queremos dizer que os pais – ou outros identificadores – rotularam a criança como o paciente – isto é, alguém que tem algo de errado e tem necessidade de tratamento. A razão de usarmos esse termos é havermos aprendidos a sermos céticos quanto à validade desse processo de identificação. Com mais frequência que não, à medida que prosseguimos com a avaliação do problema, descobrimos que a origem do problema não está na criança, mas sim em seus pais, família, escola ou sociedade. Colocando em termos mais simples, em geral descobrimos que a criança não é tão doente quanto seus pais. Embora os pais tenham identificado a criança como a pessoa necessitando de corretivo, em geral são eles, os identificadores, que tem, maior necessidade de reforma. São eles que deveriam ser os pacientes” (Peck, M. Scott – O Povo da Mentira, Rio de Janeiro, Ed. Imago, 1983, pg 68)

Por isto, co-dependência é normalmente associada a pessoas que são compulsivamente dependentes de outros ou dependentes de alguma coisa (drogas, alimentação, pornografia, álcool). É sistêmico, porque relaciona-se com todo o ambiente do qual a pessoa participa.

A família do co-dependente precisa se adaptar de diferentes formas para equilibrar o comportamento embaraçoso de membros da família que apresentando disfuncionalidade ou graves neuroses. Cria-se uma espécie de acordo macabro para proteger a reputação da família perfeita. Na Bíblia temos o caso dos irmãos de José, que o venderam como escravo aos mercadores midianitas, e por anos, criaram uma farsa e um acordo impedindo que o pai soubesse da verdade – que eles eram responsáveis pelo desaparecimento do seu irmão.

Muitas vezes, na tentativa de proteger a família de escândalos, cria-se um código não falado, mas compreendido, no qual a pessoa não pode chorar, desabafar, confessar a dor para qualquer outra pessoa fora do círculo restrito em que vive, criando assim um código de regras restritas, impedindo que a pessoa possa fale de forma aberta e honesta de suas emoções, gerando repressão emocional que causa grande stress para toda casa, ou adoecendo outros. Fala-se de co-dependência também quando uma pessoa não fumante, por conviver com o fumante, passa a desenvolver doenças típicas do tabagismo, porque inalou e absorveu a nicotina e o alcatrão da pessoa ao lado.
As forças da co-dependência são fortíssimas. Uma definição possível para esta atitude é "Um comportamento emocional e espiritual que impossibilita a pessoa de expressar seus sentimentos de forma aberta, bem como de discutir seus problemas pessoais e interpessoais[1]

Muitos grupos espirituais podem desenvolver tais atitudes. Por exemplo, não se pode confessar e discutir tentações como luxúria, dúvida ou medo dentro de certas comunidades porque tais coisas são próprias de gente espiritualmente fraca. Isto traz como resultado um sentimento constante de fracasso e de vergonha oculta. As pessoas passam pela crise, mas não podem tocar nestas áreas proibidas. O conceito de tabu normalmente associa-se a atitudes como estas. Todos são proibidos de falar do tema.

Co dependentes tendem a reagir mais que tomar iniciativa. Reagem a comportamentos de pessoas dependentes, a dores, problemas e comportamento de outros, num esforço para equilibrar o sistema familiar, acobertar comportamentos e manter paz nos relacionamentos. Ainda que esta paz seja fictícia e apenas de aparência.

Co-dependentes assumem responsabilidade pela ação e emoção dos outros, frequentemente culpando a si mesmos pelo comportamento inapropriado que alguém da sua comunidade ou família venha a emitir, e frequentemente tendem a ter enorme tolerância pelo comportamento bizarro dos outros desde que isto mantenha a aparência do grupo com o qual encontra-se vinculado. Eles podem até se ferir no processo, desde que não firam outros ou que outros se firam. Encontram ainda grande dificuldade em confrontação e querem sempre ser pacificadores. Como resultado tornam-se depositários de ira reprimida e frustração.

Por exemplo: Se uma pessoa pede ajuda, mesmo que ela não possa atender irá dizer sim, e depois ficar irada consigo mesma por não ter dito não e ter aceitado a tarefa de auxiliar aquele que o procurou. Preocupam-se excessivamente com o sentimento dos outros até o ponto de se tornarem enfermas e se sacrificarem, trazendo prejuízos a si mesmos, e quando encontram alguma pessoa que consegue expressar ira, não conseguem entender como alguém pode ter o direito de ficar irado.

O exemplo fictício relatado acima demonstra como famílias podem adoecer por causa deste mecanismo patológico. Assim, quando o filho dá um espirro, a família contrai uma pneumonia ou tuberculose. A doença de um filho, ou sua atitude não convencional ou contraventora, passa a ser de toda família, que não consegue olhar o comportamento como da responsabilidade daquele que cometeu o ato. A ordem doméstica é alterada por causa da variação de humor de um de seus membros. Se ele está feliz, todo o ambiente é bom – se está deprimido, toda a casa entra em colapso.

Como lidar com conflitos desta natureza?

Para se livrar da co-dependência, é imprescindível aprender a ver o problema “de fora” e não como parte problema.

Para exemplificar isto, uso o exemplo de uma criança brincando num parque infantil e que sofre um acidente: um corte, um braço quebrado, e exige cuidados e atendimento. Se a mãe está ao lado, ela é peça fundamental para cuidar da criança e confortá-la, mas se a mãe é neurótica ou histérica, pode desmaiar, chorar ou entrar num colapso nervoso tão grande que eventualmente serão necessárias duas equipes para resolver o problema: Uma para socorrer a criança, outra para lidar com a mãe, que deixa de ser parte da solução para se tornar parte do problema.

Geralmente não existem filhos problemas, mas pais problemas. Comportamentos disfuncionais de filhos geralmente revelam a falta de estrutura emocional da casa. Em algum momento a autoridade se perdeu ou talvez nunca tenha existido. Faltou o elemento moderador para o ambiente. Isto acontece muitas vezes em casas nas quais os pais decidem se tornar psicólogo de seus filhos. Na verdade, filhos não precisam de psicólogos, mas de pais; mas na ausência efetiva do presença paterna, em geral se contrata psicólogo.

Na co-dependência, o problema se amplia. No caso da criança acidentada a mãe é um problema a mais que se insere numa situação de urgência. Ela se torna um problema adicional, porque suas emoções se “co-fundiram” (esta divisão do termo é intencional) com a dos filhos. O problema primário, o acidente da criança pode até tornar-se menor, dependendo do grau de histeria e reação da mãe. Temos aqui aquilo que Erich Fromm chama de “simbiose incestuosa”, um dos três componentes da “síndrome do declínio”, ou tipo de caráter maligno.

 Betty e Mike

Betty Lee Esses fala de uma situação análoga a esta, experimentada em sua família[2].

Seu marido, Mike, era um pastor temperamental e exigente. Por ser sua esposa, durante muito tempo entendia que deveria poupar e protegê-lo nas suas frequentes manifestações de mau humor e ira. Ela entendia que isto era sua responsabilidade e viveu escravizada por este sentimento durante anos. Para ser efetiva na sua ajuda, leu artigos que falavam do assunto, conversou com conselheiros tentando encontrar a fórmula certa, leu manuais de casamento e respondeu a todos os questionários que encontrava, tentando ajudar seu marido.

Usou ainda todas as manobras psicológicas possíveis e mudava frequentemente a abordagem para alcançar sucesso na sua tarefa. Nada acontecia. Lia textos em revistas que falava da ira, gritaria e raiva e deixava em lugares onde ela esperava que ele tivesse acesso, porque sabia que se indicasse a leitura ele se recusaria a fazê-la, mas seu esforço era inútil, só a ajudou a perceber que geralmente os maridos são defensivos ou alheios demais ao que sua esposa espera dele ou faz.

Durante muitos anos ele vivia como se fosse um urso pardo com um espinho na pata, ou um animal acuado, e apesar de ser cristão, seu gênio era incontrolável, instável e agressivo. Ela estudou muitas teorias sobre como libertar seu marido destas trevas emocionais, mas nada funcionava. Ia à igreja, orava por ele, jejuava, mas ao voltar para casa a vida continuava como antes. Ela realmente achava que era sua responsabilidade fazer alguma coisa para resgatar seu marido.

Certa noite Mike deveria dar uma palestra numa cidade vizinha e insistiu com Betty para que fosse com ele. Ela então contratou a babá para ficar com a criança e pediu que ela chegasse meia hora antes, porque seu marido ficava furioso quando não cumpria o horário, e ela não queria correr o risco de qualquer atraso.

Apesar da recomendação, a babá não aparecia e os nervos foram ficando à flor da pele, e quando ela chegou, pediu desculpa afirmando que tivera um problema com seu carro. Betty afirma que na medida em que a babá não chegava, tanto ela quanto seu marido ficaram extremamente tensos. Ele porque não queria atrasar, e ela porque sabia como ele estava, e que a estas alturas já estava emocionalmente alterado, o seu motor emocional já havia explodido e o piloto estava girando em órbita, sem o foguete. Ele não apenas estava irritado, mas começou a verbalizar em voz alta, como era seu costume, sem nenhuma ambiguidade e educação, para que todos soubessem o que ele sentia. Você já esteve numa situação como esta?

Vendo o ambiente tenso, ela sugeriu que ele fosse embora e a deixasse. Tentou justificar-se com ele e falar com muito cuidado e serenidade, porque sabia que ele estava irado com ela, embora ela não tivesse feito nada de errado. Betty tentava trazer um pouco de razão ao marido nervoso, disse que não sabia o que havia acontecido com a babá, que tudo estava devidamente acertado, mas nada funcionava. Sua irritação só aumentava e os impropérios proferidos.

Mais uma vez tentou convencê-lo a seguir para seu compromisso, tentando ser o mais amável possível, mas ele decidira que seria assim, e assim seria, não importando com o que pudesse acontecer.

Finalmente a babá chegou, e enquanto ela dava as últimas instruções para apressadamente sair, Mike já estava com o carro ligado, acelerando impacientemente e nem sequer quis saber se a babá tinha ou não uma desculpa legítima. Betty tentava proteger seu marido para a babá, diante da sua deselegância e grosseria, mas realmente não havia como justificar seu comportamento agressivo e infantil. Ela afirma que, naquela hora, daria tudo para que Mike fosse seu filho e ela pudesse colocá-lo no colo e dar-lhe uma surra bem dada pela birra que estava fazendo.

Finalmente saíram, e ele passou a dirigir sem cuidado, rápida e agressivamente, ultrapassando irritadamente os outros carros e por um triz não se acidentaram, e naquele momento tão tenso, por mais estranho que pudesse parecer, ela começou a sentir uma enorme calma se apossar de seu coração.

Foi então que resolver quebrar o paradigma de sua dependência afetiva e decidiu “soltá-lo”, e entregá-lo realmente a Deus. Compreendeu que não precisava aceitar a responsabilidade pelo seu comportamento e não precisava tentar mudá-lo. Ele agia como um garoto mal educado e estragado, e isto nada tinha a ver com ela. Ela não tinha que responder por ele, e nem era culpada. Percebeu que nem mesmo precisava estar ao seu lado e assistir sua atitude desprezível.

Ao se aproximar de um cruzamento, tiveram que parar no sinal vermelho, e ela, calmamente saiu do carro, se despediu do marido e lhe disse: “O Senhor está me dizendo que eu não preciso mais ouvir seus impropérios e nem participar de seu mau humor, e ele quer que eu volte para casa. Boa viagem. Até logo!”, não houve alteração de voz, nem estava irada, apenas tomou esta decisão de forma consciente. E começou a andar de volta para casa.

Ela afirma que noutros tempos, se tivesse que tomar uma atitude como esta, e se conseguisse a coragem para sair do carro, teria andando atônita e às cegas pelas ruas, chorando e se sentindo miserável, porém, não naquela hora. Ela entendia que o problema do Mike era dele, e ele, e não ela, teria de resolvê-lo. Ela não era responsável pelo seu chilique e birra.

Voltou para casa rindo da bizarra situação mas sentindo-se absolutamente livre. Estava radiante por não ter que ficar encolhida, sentindo-se ameaçada e se justificando. Não sentia necessidade de acalmá-lo nem de tentar dar alguma racionalidade para suas alteradas emoções. Ele não era, em última instância, sua responsabilidade. Ela não sabia o que ele faria, se ainda continuaria sendo seu marido, ou se voltaria para casa aquela noite, e se voltasse, que reações teria, mas no fundo, ela não se importava. Não era sua responsabilidade.

Quando chegou em casa, as crianças preocupadas ficaram ao seu lado, porque notaram como o pai estava nervoso ao sair de casa, mas ela os acalmou dizendo que Deus iria cuidar dele, e os convidou a ajoelharem e orarem por ele.

Mais tarde, ao deitar-se, começou a se perguntar se ele voltaria para casa. Afinal, ele já estava nervoso antes dela sair do carro, e com sua atitude as coisas poderiam ter ficado ainda pior, mas pela primeira vez acalmou-se e entendeu que não era sua responsabilidade. Se ele voltaria ou não era problema dele e de Deus.

Sentia que estava livre da co-dependência e que Mike também estava livre. Ela se libertara de ser uma esposa/mãe, tentando criar um homem, e ele estava livre de ser um marido/filho, que podia dar birras toda vez que sofria irritações ou frustrações. Entendeu realmente, pela primeira vez, que Deus seria capaz de lidar com ele.
Ela acordou no meio da noite, quando ele deitou-se ao seu lado, com um sorriso meio constrangido. Perguntou-lhe como fora a reunião, e depois de seu pequeno relato, ele lhe perguntou porque ela havia saído do carro, e ela calmamente respondeu: Deus libertou as minhas mãos das suas, e de hoje em diante não serei mais negativa para você. Jesus me mostrou que sua reação na noite de ontem não era de minha conta, mas um assunto entre você e Deus. O único direito que eu tinha era de orar por você. Torná-lo bom ou ter comportamentos certos era responsabilidade de Deus.  

Aprendera que quando não tentamos controlar, ameaçar, justificar ou manipular os outros, nos tornamos livres e transferimos estas coisas para Deus.  


Liderança co-dependente

Durante muito tempo sofri no ministério por causa de comportamentos pecaminosos e escândalo de membros da minha comunidade. Sempre que havia um adultério, ou um casal se divorciava, ou fazia mau uso do dinheiro, era rebeldia ou se envolvia com drogas, álcool, ou uma jovem que se engravidava antes do casamento, ou era necessário intervir por saber de algum quadro de violência doméstica meu mundo se desmoronava. Cada vez que isto acontecia eu me revolvia na cama perguntando em que havia falhado como pastor, se não deveria ter sido mais atento, acompanhar aquela pessoa mais de perto, orado mais por aquela família. Sempre me sentia culpado pelo erro dos outros.

Ultimamente penso de forma diferente: Não sou parte do problema. Se possível, quero ser parte da solução. (Eventualmente nem para isto me chamam, ou porque acham que não precisam de ajuda, ou porque se sentem envergonhados de fazer confissões). Nestes casos, não é minha tarefa ser juiz ou policial tentando investigar a vida dos outros.

Alguns anos atrás vi um casal idoso, massacrado pelo bizarro comportamento do filho que era líder na sua igreja local, e aos 42 anos se envolveu num escândalo público, que atingiu toda família e se tornou um escândalo na comunidade. Ao ver a tristeza dos pais, sentindo-se culpado pela atitude do filho, tentando entender o porquê de sua atitude e pecado, fiquei me perguntando se era justo que fossem tão atingidos pela sua “reputação”, mesmo sendo seu filho um homem formado e responsável por si mesmo. Até onde deveriam assumir a responsabilidade do filho? Éntendo ser natural a tristeza diante destas situações, mas sentir-se responsável pelo seu fracasso não seria uma forma “respeitável” de co-dependência?

Por que um co-dependente assume liderança? Essencialmente para cuidar dos outros. Infelizmente tal pessoa sentirá grande frustração no ministério, porque, como pastor é difícil manter sempre a paz, e algumas vezes nossas atitudes alienarão pessoas. A confrontação se torna necessária quando existe um comportamento pecaminoso, as pessoas cometem deslizes e fazem tolices e o medo de ferir e perder a aprovação dos outros pode ser demoníaco, assim como é sentir-se culpado pelo que a comunidade fez. Um co-dependente sempre se julgará errado do mal comportamento e atitudes erradas dos amigos e membros da família. Quando uma pessoa decide sair da igreja e se mudar para outra comunidade ou cai em pecado um líder co-dependete se sentirá extremamente culpado.

A tendência de sempre querer ser agradável não é também uma forma de co-dependência? Qual é a causa de nossa dor? Não seria isto uma forma patológica de dirigir uma comunidade ou de se relacionar com as pessoas?

Conclusão

Uma forma saudável de lidar com pressões é aprender a ver o problema do outro como algo que ele precisa tratar. Pais podem ajudar muito a seus filhos no caso de birras e irritabilidade. A atitude saudável ajuda aquele que erra ou precisa de cuidado, sem ter que se tornar parte do problema e adoecer com ele. Isto me parece uma forma muito positiva de ajuda-lo a superar a manipulação e enfraquecer comportamentos inadequados.

Estar perto, oferecer suporte, aconselhar, quando convidado e se necessário, é sempre uma atitude positiva. Se tornar parte do problema e adoecer juntos é neurótico. Assumir a responsabilidade pelo erro do outro revela o quanto estamos mal resolvidos enquanto ser humano. É um grande alivio quando nos vemos não como responsáveis e parte do problema, mas agentes externos que podem ajudar aqueles que insistem em viver na sua doença e insistem em transformar todo o agradável ambiente de alegria de uma casa em um funeral

Rev. Samuel Vieira.

CORONEL JOÃO DOURADO (1854-1927)

Alderi Souza de Matos João da Silva Dourado nasceu em Caetité, sul da Bahia, no dia 7 de janeiro de 1854. Era filho de João José da Silva Do...