quarta-feira, 2 de abril de 2014

QUASE: Uma Exposição do Salmo 73





Asafe foi um dos principais cantores de Israel. É muito provável que ele tenha até mesmo fundado uma escola particular de composição de salmos. Sua idade devia oscilar entre os 60 e os 70 anos quando escreveu o Salmo 73 e, por isso, as expe­riências que ele narra nessa texto, em linguagem teológica filosófica e poética, se revestem de pro­funda significação; elas são a aglutinação de uma profunda experiência humana como a irretorquível inspiração do Espírito Santo retratando os fatos da alma.

"Com efeito Deus é bom para com Israel, para com os de coração limpo. Quanto a mim, po­rém, quase me resvalaram os pés; pouco faltou para que se desviassem os meus passos. Pois eu invejava os arrogantes, ao ver a prosperidade dos perversos. Para eles não há preocupações, o seu corpo é sadio e nédio. Não partilham das canseiras dos mortais, nem são afligidos como os outros homens. Daí a soberba que os cinge co­mo um colar, e a violência que os envolve como manto. Os olhos saltam-lhes da gordura; do co­ração brotam-lhes fantasias. Motejam e falam maliciosamente; da opressão falam com altivez. Contra os céus desandam a boca, e a sua língua percorre a terra. Por isso o seu povo se volta para eles, e os tem por fonte de que bebe a lar­gos sorvos. E diz: Como sabe Deus? Acaso há conhecimento no Altíssimo? Eis que são estes os ímpios; e sempre tranqüilos aumentam suas riquezas.

Com efeito, inutilmente conservei puro o cora­ção e lavei as mãos na inocência. Pois de con­tínuo sou afligido, e cada manhã castigado. Se eu pensara em falar tais palavras, já aí teria traído a geração de teus filhos.

Em só refletir para compreender isso, achei mui pesada tarefa para mim; até que entrei no santuário de Deus e atinei com o fim deles. Tu certamente os pões em lugares escorregadios, e os fazes cair na destruição. Como ficam de súbito assolados totalmente aniquilados de terror] Como ao sonho, quando se acorda, as­sim, ó Senhor, ao despertares, desprezarás a ima­gem deles.

Quando o coração se me amargou e as entranhas se me comoveram, eu estava embrutecido e ig­norante; era como um irracional à tua presen­ça. Todavia, estou sempre contigo, tu me se­guras pela minha mão direita. Tu me guias com o teu conselho, e depois me recebes na glória.

Quem mais tenho eu no céu? Não há outro em quem eu me compraz a na terra. Ainda que a minha carne e o meu coração desfalecem. Deus é a fortaleza do meu coração e a minha herança para sempre. Os que se afastam de ti, eis que perecem; tu destróis todos os que são infiéis para contigo.

Quanto a mim, bom é estar junto a Deus; no Se­nhor Deus ponho o meu refúgio, para proclamar todos os seus feitos.

Imagine-se com 60 anos e, de repente, perdendo a fé. Se, um dia, você, depois de séria e profunda reflexão, chegasse à conclusão de que toda a sua vida até àquele momento poderia nada mais ter si­do do que um terrível desperdício. Pois bem, foi exatamente assim que Asafe se sentiu. Durante toda a sua vida ele crera na bondade de Deus para com o seu povo, e especialmente, para com os homens de coração puro: "Com efeito, Deus é bom para com Israel, para com os de coração limpo," (v.1).

Subitamente, ele começa a colocar em dúvida essa bon­dade de Deus. Apesar de ter crido na justiça e mise­ricórdia do Senhor durante toda a existência, hou­ve um dia no qual pressentiu estar pisando o limiar da apostasia. "Quanto a mim, porém, quase me res­valaram os pés" (v.2).

Asafe percebeu que seus pensamentos o estavam guiando a um caminho escorregadio. Na realidade, ele descobriu que faltou muito pouco para que abandonasse a fé. A lição que daí obtemos é a de que os homens mais firmes e ortodoxos desse mun­do podem passar por terríveis momentos de con­flito filosófico e teológico. Por inferência, o salmista nos ensina ainda mais duas coisas: a primeira delas é não nos desesperarmos quando, porventura, virmo-nos assolados por esse tipo de sentimento em relação à justiça e à bondade de Deus no mundo presente. A outra é que devemos ser mais amorosos e compreensivos com aqueles que, ao nosso lado, encontram-se na dúvida.

No verso 3, Asafe nos dá a razão da sua "quase queda": "Pois eu invejava os arrogantes, ao ver a prosperidade dos perversos."

Sempre que um crente começa a cobiçar o estilo de vida nababesco de homens sem absolutos morais e espirituais, ele acaba na mesma situação conflituosa de Asafe e a pergunta que, normalmente, de­sencadeia tal processo de perturbação filosófica é a seguinte: Por que aquele homem prospera apesar da sua maldade? ou: Por que Deus não distribui as coi­sas equanimente manifestando assim a sua jus­tiça no tempo presente?

Vejamos quais os elementos específicos que mo­tivaram tal perturbação em Asafe. Um deles é o perfeito estado de saúde dos homens maus. "Para eles não há preocupações, seu corpo é sadio e nédio" (v.4). Se fosse no século XX, as questões de Asafe provavelmente se desenvolveriam da seguinte maneira: "Por que alguns conhecidos play-boys go­zam de perfeita saúde durante toda a vida ao passo que muitos homens de Deus estão morrendo de câncer no auge do ministério sagrado?" Foi exata­mente isto que a junta médica de um certo hospital colocou diante da família de um amigo meu que estava naquele lugar com câncer. Eles queriam sa­ber que "Deus-Bom" era esse que deixava um servo Seu morrer daquele jeito. Pois bem, essa questão também atordoava a mente de Asafe.

Por outro lado, o salmista concluiu que os maus ganhavam a vida apenas na base do emprego sem necessidade real de trabalho: "Não partilham das canseiras dos mortais, nem são afligidos como os outros homens" (v.5). A mesma pergunta poderia ser colocada a partir de várias situações diferentes. Talvez alguém dentro de um ônibus superlotado que vê o magnata explorador passar no seu "mercedão". É o proletário crente que tem de ir para o trabalho no sufoco de um trem da Central do Brasil, ou ainda um operário do ABC paulista, ou em qualquer outro lugar onde haja homens de Deus que não usam black-tie. Diante do confronto, surge a possibilidade de se levantara questão.

Asafe se atordoou ainda com a constatação de que a vida dos perversos é normalmente um suces­so. Não têm duplicatas vencidas, nem filhos com fome. Nenhum aperto financeiro lhes impossibili­ta a gozo das férias: "Não são afligidos como os outros homens" (v.5b). Aliás, além de serem eco­nomicamente tranqüilos, eles nem mesmo precisam lutar para ganhar dinheiro pois "sempre tranqüilos, aumentam suas riquezas" (v.12).

Esta comparação levou o velho Asafe a discernir algumas conseqüências deformadoras do caráter que essas facilidades provocam no espírito dos ho­mens distantes de Deus. Não foi difícil verificar a sua soberba: "Daí a soberba que os cinge como um colar" (v.6a). Aí está uma redundância: a vaidade de ser soberbo ou a soberba de ser soberbo. É sempre assim. A soberba gera soberba. Por isso, Asafe concluiu que os homens sem Deus exi­bem a sua soberba "como um colar". Quando o homem não tem o temor de Deus no coração, dá status ser soberbo e falar de grandes realizações com a boca cheia de arrogância. Somente quando o temor de Deus está no coração é que a soberba não é o sentimento natural de uma pessoa "bem-sucedida."

Outra característica que observamos nos homens maus e, ao mesmo tempo prósperos, é a violência: "A violência os envolve como manto (v.6b). Esta­mos outra vez diante de um processo: a violência. É por isso que o primeiro passo agressivo tende a ser acompanhado por uma interminável seqüência. 0 violento se veste de violência, ou seja, a violência é o seu "manto", a sua proteção.

A glutonaria também faz parte do caráter de tais pessoas. "Os olhos saltam-lhes da gordura" (v.7). O texto, evidentemente, não está dizendo que uma pessoa gorda não é de Deus mas faz uma associação entre os ideais dos maus e a comida. Tudo quanto são e planejam começa ou, pelo me­nos, acaba numa mesa farta. Nesses encontros, a comida, além de ser assunto das conversas, ocupa boa parte do tempo. Seu modelo de vida sempre vai do prato à boca. Sua filosofia não passa de "comamos e bebemos porque amanhã morrere­mos."

Mas há ainda uma quarta característica que poderíamos chamar de fantasia. "Do coração brotam-lhes fantasias" (v.7b) Esses homens sem Deus, nor­malmente, têm tudo quanto desejam e, por isso in­ventam novas formas de pecar. São os ricos distan­tes de Deus que criam as "novas fantasias" do pe­cado. Todas as perversões começam nos palácios e mansões. As favelas se limitam a importar esses "novos modelos".

O verso 8 diz: "Motejam e falam maliciosamen­te". A malícia no falar tão comum nas rodas dos arrogantes e escarnecedores também marca o cará­ter deles. Há sempre um toque de maldade no que dizem e a dubiedade faz parte do seu linguajar. A palavra motejar significa escarnecer, criticar, censu­rar e lançar em rosto. Pois bem, essa também, muitas vezes é uma característica de um homem sem abso­lutos que se torna "bem-sucedido".

Tais homens ainda se alegram e se distraem com a maneira rude e opressora como tratam os outros. "Da opressão falam com altivez" (v.8).

A essa altura da descrição do empresário sem cri­térios morais, ou do comerciante ambicioso, ou do "gatão" filhinho de papai, sua mente já deve ter sintonizado muitas imagens perfeitamente compa­tíveis com a descrição dos caracteres acima. E o surpreendente é percebermos que, em muitas oca­siões, já nos vimos invejando a posição dessas pes­soas. Ao falar em inveja, acho justo esclarecer o berço no qual ela nasce: a inveja é sempre uma ma­nifestação de admiração que se dissimulou. Se ela existe no coração do homem, antes de ter-se dege­nerado no sentimento mesquinho que a caracteri­za, houve uma admiração que ameaçou sua segu­rança e, daí, surgiu a inveja.

Mas a irreverência também faz parte do caráter deles. O verso 9 diz: "Contra os céus desandam a boca". Quando vejo as brincadeiras e piadas que alguns comediantes ricos e artistas famosos fazem com o nome de Deus, só posso pensar que eles se contam entre esses aos quais Asafe se referiu e dos quais invejou a prosperidade.

E, por fim, descubro ainda neste salmo uma re­ferência ao gosto pela difamação. "A sua língua percorre a terra" (v.9b). Eles assentam-se para falar dos seus casos amorosos ou das situações de humi­lhação e vexame na qual deixaram a mulher do pró­ximo. Em certas rodadas de cerveja, mais vitoriosos dos que os bem-sucedidos nos negócios são os con­quistadores de secretárias de empresas e agências de publicidade, por exemplo.

Em razão de todo este luxo e prosperidade, o povo simples das ruas deduz que Deus não está preocupado com as particularidades da vida moral dos homens, já que permite o sucesso dos arrogan­tes. O nome filosófico que se dá a este tipo de ra­ciocínio é deísmo. "Por isso o seu povo se volta para eles, e os tem por fonte de que bebe a largos sorvos. E diz: Como sabe Deus? Acaso há conheci­mento no Altíssimo?" (v. 10-11).

Asafe declara que a filosofia dos ímpios estava sendo absorvida como um copo d'água por um ho­mem sedento. Aliás, é isso que diz Jó 15:16: "O homem ... bebe a iniqüidade como água".

Ao acreditar, por um momento, que Deus não se preocupa com a vida moral dos homens, Asafe lamentou o tempo que tinha perdido, pois sua vida tinha sido pura, digna e honesta até aquele dia. Pensou que todo o "esforço" tinha sido em vão. Observemos o verso 13: "Com efeito, inutilmente conservei puro o coração e lavei as mãos na inocên­cia."

Sua luta em conservar puro o coração implicava em não pensar no pecado que o atraia, em evitar olhar com cobiça para objetos sexuais cobiçáveis e fazer tudo para não sentir prazer e gosto pela idéia do pecado. Infelizmente, pensava Asafe, tudo tinha sido inútil, pois Deus não estava preocupado com esse tipo de abstenção, já que aqueles que praticam o mal não são impedidos por Deus de prosperar.

As boas ações de Asafe, sempre que ele "lavara as mãos na inocência", também não se revestiam de nenhum significado, do ponto de vista de Deus, de acordo com a "teologia" que os fatos demonstra­vam ao desolado salmista. Suas tentativas para ser justo, imparcial e criterioso perderam toda razão de ser, pois Deus não estaria atento a essas minúcias comportamentais dos homens. E, no verso 14, o salmista dá aparentes justificativas para suas con­clusões até àquele momento: "Pois de contínuo sou afligido e cada manhã castigado."

Faltava à mente do salmista a teologia do sofri­mento diante da qual o Novo Testamento nos co­loca em muitos textos. Vejamos um exemplo disso em II Coríntios 4:8,9, 10 e 16 a 18.



"Em tudo somos atribulados, porém, não angus­tiados; perplexos, porém não desanimados; perse­guidos, porém não desamparados; abatidos, porém não destruídos; levando sempre no corpo o morrer de Jesus para que também a sua vida se manifeste em nosso corpo.

Por isso não desanimamos: pelo contrário, mes­mo que o nosso homem exterior se corrompa, con­tudo o nosso homem interior se renova de dia em dia. Porque a nossa leve e momentânea tribulação produz para nós eterno peso de glória, acima de toda comparação, não atentando nós nas cousas que se vêem, mas nas que se não vêem; porque as que se vêem são temporais e as que se não vêem são eternas."

Asafe não conhecia Romanos 8:18, texto que também nos traz alentadora promessa: "Porque para mim tenho por certo que os sofrimentos do tempo presente não são para comparar com a gló­ria por vir a ser revelada em nós".

Tiago também nos ensina uma sucessão maravi­lhosa de virtudes que o sofrimento produz:

(Tiago 1:2 a 4) "Meus irmãos, tende por motivo de toda a alegria o passardes por várias provações, sabendo que a provação da vossa fé, uma vez confirmada, produz perseverança. Ora, a perseverança deve ter ação completa, para que sejais perfeitos e íntegros, em nada deficientes."

Finalmente acho bom darmos a palavra ao após­tolo Pedro para que nos diga algo sobre o assunto:

"Não sofra, porém, nenhum de vós como assassino, ou ladrão ou malfeitor, ou como quem se introme­te em negócio de outrem; mas, se sofrer como cris­tão, não se envergonhem disso, antes glorifique a Deus com esse nome." (I Pedro 4:15,16).

Essa teologia, no entanto, não estava muito nítida na mente do salmista. Na realidade são pouquís­simas as pessoas que pensam assim. Especialmente neste tempo de tanta propaganda de uma espécie de "hedonismo evangélico" com toda a massificante literatura do "cristianismo da prosperidade", em cujo ensino não há lugar para sofrimento e para a pobreza material, conforme Paulo nos ensina ser possível na vida cristã:

"De fato, grande fonte de lucro é a piedade com o contentamento. Porque nada temos trazido para o mundo, nem cousa algu­ma podemos levar dele; tendo sustento e com que nos vestir, estejamos contentes. Ora os que querem ficar ricos caem em tentação e cilada, e em muitas concupiscências insensatas e perniciosas, as quais afogam os homens na ruína e perdição. Porque o amor do dinheiro é raiz de todos os males; e alguns, nessa cobiça, se desviaram da fé, e a si mesmo se atormentaram com muitas dores. Tu, porém, ó homem de Deus, foge destas coisas; antes, segue a justiça, a piedade, a fé, o amor, a constância, a mansidão." (I Tm 6:6, 11).

Além da ausência da teologia do sofrimento, Asafe também não estava ciente da bênção que a disciplina de Deus produz no homem quando o "castiga". Hebreus 12:11 diz:

"Toda disciplina, com efeito, no momento não parece ser motivo de alegria, mas de tristeza; ao depois, entretanto, pro­duz fruto pacífico aos que têm sido por ela exerci­tados, frutos de justiça."

A despeito de todas as suas dúvidas e conflitos, Asafe permaneceu calado. Não tinha ninguém com quem desabafar suas angústias e perplexidades. Re­ceava ser julgado como cético e apóstata e tenta es­candalizar os mais simples e ingênuos irmãos da congregação que nunca tinham tido aquele tipo de questionamento: "Se eu pensava em falar tais pala­vras, já aí teria traído a geração dos teus filhos" (v. 15-16).

Há muita gente vivendo o drama de Asafe. Nos­sas igrejas estão cheias de pessoas conflitadas e, lite­ralmente, suando frio as suas dúvidas teológicas. Não são poucos os que temem trair o povo que acha que vale a pena viver da maneira pura e justa dizendo-lhe que Deus não se preocupa com o com­portamento moral dos homens. Basicamente, todos os teologicamente liberais que não se manifestam publicamente vivem o medo de Asafe, o temor de trair o povo de Deus, por isso é que continuam ca­lados sobre o seu liberalismo filosófico baseado na inocuidade de atos morais como, por exemplo, a castidade.

Como esses, pode ser que alguém que esteja len­do este opúsculo se encontre na mesma situação: não acredita que Deus dê atenção a coisas como pureza, moral, etc..., entretanto, mantém-se calado para não escandalizar ninguém ou apenas pela ques­tão meramente romântica de viver no sério padrão que norteou durante muito tempo a sociedade.

Asafe estava preso à fé por "um fio". Todavia, não deixou de freqüentar o templo. E foi numa das suas idas ao santuário de Deus que o seu ponto de vista sobre a prosperidade dos maus mudou completamente. Observe atentamente os versos 16 e 17: "Em só refletir para compreender isso, achei mui pesada tarefa para mim: até que entrei no santuário de Deus e atinei com o fim deles."

Realmente, há certos questionamentos na vida que são imensamente maiores do que a capacidade humana de carregá-los durante toda a existência, e muitos são completamente esmagados pelo conflito existencial que se trava em suas almas. Pensar nas questões da existência é "tarefa pesada" para um homem em dúvidas.

Houve, porém, um dia quando a carga filosófica de Asafe foi retirada. Naquela manhã, ao se dirigir para o Templo, não poderia imaginar que Deus o visitaria dando-lhe um profundo espírito de discer­nimento. A palavra mais significativa do verso 17 é "atinei". Está ligada à percepção, à capacidade de vislumbre da existência e de suas verdadeiras leis e caminhos.

Vejamos o que Asafe discerniu quando foi medi­tar no Templo:

Primeiramente entendeu que Deus é soberano, e que coloca soberbos no caminho da queda e da des­truição repentinas: "Tu certamente os pões em lugares escorregadios, e os fazes cair na destruição. Como ficam de súbito assolados! Totalmente ani­quilados de terror!" (v. 18-19). A vereda de um ho­mem sem Deus é lodocenta e escorregadia. Seus negócios, fama e glória estão construídos sobre bases "lisas". Seus pés podem desusar a qualquer momento.

Ah! se pudéssemos participar dos últimos mo­mentos de uma pessoa que viveu longe de Deus e que "usufruiu" dos prazeres e das facilidades do pecado durante toda a sua vida! A morte lhes vem como um laço. Podemos mesmo chegar em casa e avisar: "Eu não estou para ninguém. Nem para Deus". E morrer em seguida. Repentinamente. É drástico imaginar, mas pense no fim dessa pessoa. A morte chegou de súbito. Ela sente que está mor­rendo... escorregando da estrada da vida para o desfiladeiro da morte. É o fim. Resta-lhe somente o terror.

Em segundo lugar, Asafe captou a idéia de que a vida do soberbo é tão desprezível e irreal diante de Deus quanto um sonho para quem acaba de acor­dar e diz: "Foi somente um sonho". "Como ao sonho, quando se acorda, assim, ó Senhor, ao des­pertar, desprezarás a imagem deles" (v. 20).

Eu mesmo, quando encontrei Jesus como Salva­dor e Senhor, tive um tempo de intensa euforia que foi seguido de um período de profunda reflexão sobre o meu novo estilo de vida. Naqueles dias, ocorreu-me o seguinte: "Por que devo viver uma vi­da de abstenção dos prazeres? Por que devo desviar os olhos da mulher seminua que passa diante de mim? Por que razão não posso estimular nenhum dos olhares lascivos que se dirigem a mim? Por que devo contentar-me no tempo com a idéia de uma recompensa na eternidade? Que tipo de recompensa pode ser interessante num mundo onde não há ninguém para aplaudir ou sentir inveja? Qual a vantagem em se vencer uma corrida onde não há nenhum sentimento mundano de "sucesso" na che­gada?

Diante desta reflexão, pareceu-me, por um mo­mento, que a vida eterna só era eterna na duração, e que a vida terrena, conquanto fosse passageira, era eternamente intensa em sentimentos e realiza­ções. Confesso-lhes que esse raciocínio, mais do que qualquer outro, foi o meu mais forte adversá­rio nos primeiros seis meses de vida cristã. Até que, num certo dia, veio-me o discernimento do ponto de vista de Deus em relação à vida dos ho­mens que passam a existência distantes do Senhor. Somente muito tempo depois consegui correlacio­nar aquela percepção a um texto bíblico:

"Filho, lembra-te de que recebeste os teus bens em tua vida, e Lázaro igualmente os males, porém, aqui, ele está consolado; tu, em tormento" (Lc 16:25).

Uma das mais inteligentes e fortes mentiras do diabo é fazer-nos pensar que não haverá nenhuma empolgação e alegria num mundo sem competições como o céu. E que, quando nos chamarem ao pó­dio para recebermos as honras de vencedores, ne­nhuma emoção sentiremos. O inimigo sempre tenciona fazer-nos crer que será o evento mais frio e pouco emocionante que se pode imaginar. Algo como promoção em mosteiro. E assim, consegue nos estimular à intensidade de uma conquista tem­poral, ainda que, do ponto de vista de Deus, tal "realidade" não passe de um sonho; algo que de­pois de ser vivido por nós será lembrado por Deus como uma "imagem de ser desprezada". Como a memória de seres e entidades que não existem no Seu verdadeiro mundo.

Asafe entendeu ainda que as conclusões a que chegou sobre a prosperidade dos maus não passa­vam de raciocínios resultantes de uma atitude de amargura, pois o azedume espiritual embota os sentidos e a percepção da alma: "Quando o cora­ção se me amargou e as entranhas se me comove­ram eu estava embrutecido e ignorante; era como um irracional à tua presença" (v. 21-22).

Há três palavras nesses versículos que bem expli­cam a confusão de Asafe: embrutecido, ignorante e irracional.

Quando o homem fica amargurado de inveja, seu espírito perde a sensibilidade e, por isso, pode con­duzi-lo a conclusões falsas. Por outro lado, a igno­rância é a total ausência de conhecimento do cami­nho e da vontade de Deus. A amargura promovida pela inveja pode apagar todos os princípios de sabe­doria e de discernimento amealhados durante anos. Assim, é possível o homem se tornar ignorante da vontade de Deus. E, finalmente, a palavra irracional que, no hebraico é behemoth, equivale a ficar "sem comunhão com Deus como um animal".

São trágicas as conseqüências imediatas de se sentir inveja dos maus mas, graças a Deus, Asafe discerniu isso a tempo e entendeu que a maior in­tervenção de Deus em sua vida esteve no fato de que, apesar de todas as suas dúvidas e conflitos, o Senhor o segurou no caminho dos justos: "Todavia, estou sempre contigo, tu me seguras pela minha mão direita" (v.23).

Na realidade, nenhuma intervenção de Deus po­de ser mais forte e significativa do que manter no caminho um crente divergente, duvidoso e revol­tado. É sutilmente majestosa a ação de Deus que faz permanecer na fé um homem totalmente em dúvida sobre a verdade de seus pressupostos.

Asafe compreendeu também que a verdadeira riqueza e prosperidade não é a dos soberbos, mas daqueles que têm a Deus como sua herança: "Quem mais tenho eu no céu? Não há outro em quem eu me compraza na terra. Ainda que a mi­nha carne e o meu coração desfalecem, Deus é a fortaleza do meu coração e a minha herança para sempre" (v. 25-26). Estes versos nos apresentam três maravilhosas perspectivas através das quais Deus deve ser visto. Uma delas é que "Deus é úni­co no céu" (v. 25). Só os que podem concentrar toda a fé no Senhor é que são verdadeiramente feli­zes. A vida eterna consiste nisso: "em conhecer ao Pai como o único Deus e a Jesus Cristo como seu enviado" (João 17:3). A ênfase deste texto recai sobre a palavra "conhecer" que, no original, equivale a "conhecimento profundo ou experimental". Trata-se não apenas de um monoteísmo teórico mas de uma profunda experiência com o Único do céu.

A segunda perspectiva que o verso 25 nos indica é a seguinte: Deus deve ser o nosso maior prazer na vida. Ele é Aquele em quem eu devo ter minha mais intensa satisfação. Quem tem este sentimento em relação a Deus não olhará para os bens mate­riais como a recompensa do viver. E, por fim, o verso 26 declara que Deus é a nossa herança perpé­tua. Quem tomou posse de Deus como sua riqueza é que é o homem verdadeiramente próspero na vida.

Finalmente, foi meditando no Templo que Asafe entendeu que a infidelidade provoca afastamento de Deus e sofrerá a penalidade da destruição eter­na: "Os que se afastam de ti, eis que perecem: tu destrói todos os que são infiéis para contigo" (v. 27). Bom é que todos saibamos que Deus é paciente e misericordioso com todos os que estão na dúvida, mas que não justificará a infidelidade da­queles que, tendo estado no conflito, optaram pelo caminho dos maus e soberanos.

Diante de tudo isso, Asafe resolveu assumir posi­ções bem definidas. A primeira delas foi a de estar junto de Deus com prosperidade ou não: "Quanto ao mais, bom é estar junto a Deus" (v. 28a). E; a se­gunda, a de refugiar-se em Deus sempre que fosse assolado por qualquer dúvida: "No Senhor Deus ponho o meu refúgio" (v. 28b).

A grande finalidade da pureza e da santidade dos crentes é não nos deixarmos levar pelo pecado e pelo espírito competitivo que os soberbos e maus, às vezes, infundem em nós, e é sermos para o lou­vor da glória de Deus, "proclamando todos os seus feitos" (v.28c).

Consideremos que o maior "feito de Deus" é manter-nos de pé e salvos. Na realidade, nossa sal­vação é uma das coisas "impossíveis para os ho­mens e possíveis para Deus". (Mc 10:23 a 31). Tre­mendamente mais significativo do que uma ação de juízo de Deus esmagando os maus é aquela que me mantém de pé.

Sim, eu me refugiarei em Deus, para que eu mes­mo seja a mais veemente pregação de que ele é real e intervém na vida dos homens. Apesar de mim, Deus me tem feito permanecer em pé, sem deslizes ou quedas. Glória ao seu nome.

Caso você tenha lido esse opúsculo tendo na alma a dor e angústia de Asafe, abra o coração e a mente para as singelas verdades por ele discernidas. Se você fizer isso, certamente o Espírito Santo lhe trará sabedoria e discernimento para compreender qual é o ponto de vista de Deus sobre questões se­melhantes as de Asafe e que estão perturbando a sua vida.

Para isso, ouça a voz de Jesus quando diz:

"Não acumuleis para vós outros tesouros sobre a terra, onde a traça e ferrugem corroem e onde la­drões escavam e roubam; mas ajuntai para vós outros, tesouros no céu, onde a traça nem ferru­gem corroem, e onde ladrões não escavam e nem roubam; porque onde está o teu tesouro, aí estará também o teu coração.

Ninguém pode servir a dois senhores; porque ou há de aborrecer-se de um, e amar ao outro; ou se devotará a um e desprezará ao outro. Não podeis servir a Deus e às riquezas.

Por isso vos digo: Não andeis ansiosos pela vossa vida, quanto ao que haveis de comer e beber; nem pelo vosso corpo quanto ao que haveis de vestir. Não é a vida mais que o alimento, e o corpo mais que as vestes?

Portanto, não vos inquieteis dizendo: que come­remos? que beberemos? ou: com que nos vestire­mos? Porque os gentios é que procuram todas estas coisas; pois vosso Pai celeste sabe que necessitais de todas elas; buscai, pois, em primeiro lugar, o seu reino e a sua justiça, e todas essas coisas vos serão acrescentadas. Portanto, não vos inquieteis com o dia de amanhã, pois o amanhã trará os seus cuida­dos; basta ao dia o seu próprio mal."

(Mt 6:19-21,24,25,31-34).

Se você é um "cristão bem sucedido", saiba o que a Palavra de Deus diz sobre a sua prosperidade material:

"Exorto aos ricos do presente século que não sejam orgulhosos, nem depositem as suas espe­ranças na instabilidade da riqueza, mas em Deus que em tudo nos proporciona ricamente para nosso aprazimento, que pratiquem o bem, sejam ricos de boas obras, generosos em dar e prontos a repartir, que acumulem para si mesmos tesouros, sólido fundamento para o futuro, a fim de se apoderarem da verdadeira vida." (I Timóteo 6:17 a 19).

Concluindo digo aos "Asafes contemporâneos" o seguinte: a grande manifestação de Deus no tem­po presente não é enriquecer o crente ou empobre­cer o descrente, mas é conservar no caminho que conduz ao verdadeiro e incorruptível tesouro pes­soas tão frágeis como eu e você.

Que Deus nos ajude a não ambicionarmos a prosperidade dos maus, substituindo tal perspectiva pelo saudável desejo de sermos fiéis a Deus no tem­po presente a fim de recebermos no céu a coroa da vida. Deus o abençoe!

Rev. Caio Fábio D'Araújo Filho

quarta-feira, 26 de março de 2014

QUANDO A CERIMÔNIA DE CASAMENTO VIRA UM CIRCO





Não. Eu não creio que a cerimônia de casamento seja um sacramento. Eu não creio como os católicos creem. Eu também não creio que a cerimônia de casamento seja somente uma prestação de contas a sociedade. Eu creio que é bem mais do que isso. Creio que um homem e uma mulher ao contraírem matrimônio o fazem desejosos de que o Eterno abençoe seu relacionamento conjugal. Nessa perspectiva, num lugar definido, diante de um ministro do evangelho , além é claro de amigos e familiares, ambos felizes, porém contritos; alegres, porém temerosos, rogam ao Todo-poderoso que abençoe a nova família que se inicia. Contudo, para nossa tristeza, um número incontável de cristãos transformaram esse momento ímpar na vida de um casal, num grande espetáculo circense.


Ora para piorar a situação, lamentavelmente não são poucos aqueles que vencidos pelo secularismo banalizaram o casamento. Nessa perspectiva , relativizam a cerimônia, ridicularizam os votos diminuindo o valor da aliança bem como o compromisso assumido diante de Deus.


Outro dia participei como convidado de uma cerimônia de um casamento em que em meio a muita bagunça, música, irreverência e algazarra os votos foram "esquecidos".


Votos? Isso é coisa do passado, afirmarão alguns.


Caro amigo, bem sei que os relativistas de plantão vão me apedrejar, mas, os votos são fundamentais a uma cerimônia que pretende diante de Deus unir um casal. Como bem outrora afirmou o meu amigo Solano Portela,  o momento dos votos para nós cristãos, envolve mais do que um contrato horizontal fechado entre dois lados – Solano afirma, e eu concordo com ele, que Deus está envolvido na cerimônia e nas promessas proferidas e isso é um pacto solene feito na sua presença (Ml 2.13-16). Nesse pacto, Deus está bem mais comprometido, do que as partes humanas poderiam estar, com o cumprimento do acordo.


Doutra feita assisti um casamento em que a impressão que tive é que aquela cerimônia não focava na aliança e sim na efemeridade da relação. Ora, o casamento é uma aliança. A cerimônia de um matrimônio é a celebração do acordo que um homem e um mulher estão fazendo diante de Deus. O casamento é um compromisso indissolúvel feito por um casal diante do Criador, onde juntos prometem permanecerem firmes mesmo diante das lutas, dificuldades e problemas inerentes ao dia-a-dia.


Isto posto afirmo sem titubeios que casamento é coisa séria. E mais, digo também que o espetáculo circense encontrado em algumas cerimônias de casamento apontam para o fato inequívoco de que a Igreja de Cristo banalizou o que em hipótese alguma deveria ser banalizado.


É o que penso, é que digo!


Renato Vargens

O EXÍLIO BABILÔNICO




O exílio marcou profundamente o povo de Israel, embora sua duração fosse relativamente pequena. De 587 a 538 a E.C., Israel não conhecerá mais independência. O reino do Norte já havia desaparecido em 722 a.E.C. com a destruição da capital, Samaria. E a maior parte da população dispersou-se entre outros povos dominados pela Assíria, o reino do Sul também terminará tragicamente em 587 a.E.C. com a destruição da capital Jerusalém, e parte da população será deportada para a Babilônia. Tanto os que permaneceram em Judá como os que partirem para o exílio carregaram a imagem de uma cidade destruída e das instituições desfeitas: o Templo, o Culto, a Monarquia, a Classe Sacerdotal. Uns e outros, de forma diversa, viveram a experiência da dor, da saudade, da indignação, e a consciência de culpa pela catástrofe que se abateu sobre o reino de Judá.

Os escritos que surgiram em Judá no período do exílio revelam a intensidade do sofrimento e da desolação que o povo viveu. São os livros de: Lamentações, Jeremias e Abdias. Os exilados na Babilônia igualmente recordaram na dor os que viveram: “A beira dos canais de Babilônia nos sentamos, e choramos com saudades de Sião; nos salgueiros que ali estavam penduramos nossas harpas. Lá, os que nos exilaram pediam canções, nossos raptores queriam alegria: Cantai-nos um canto de Sião! Como poderíamos cantar um canto do Senhor numa terra estrangeira?” (Sl 137).

A experiência foi vivida pelos que ficaram e pelos que saíram como provação, castigo e reconhecimento da própria infidelidade à aliança com Deus. Pouco a pouco foram retomando a confiança em Deus que pode salvar o seu povo e os conduzirá nesse Êxodo de volta a Sião, conforme afirma o Segundo Isaías. “Deus novamente devolverá a terra ao povo como a deu no passado.” (Ez 48). De fato, no Segundo Isaías já se entrevê a libertação do povo que virá por meio de Ciro, rei da Pérsia. Ele será o novo dominador não só de Judá e Israel, mas de todo o Oriente. Ciro será, de fato, o “ungido”, o salvador do povo de Judá e dos exilados?

Entretanto, os Caldeus, um povo que tinha se instalado na Babilônia alguns séculos antes (naquelas civilizações, as mudanças eram percebidas depois de séculos), acabaram assumindo o controle da região. Nínive foi invadida e incendiada. Nem as crianças assírias foram poupadas das degolas. Assim, os Caldeus utilizaram a guerra para dominar a Mesopotâmia. Esse novo império da Babilônia foi conquistado durante o reinado caldeu de Nabucodonosor. Ele dominou regiões distantes, onde hoje estão o Líbano, a Síria e Israel. Esse fato está registrado na Bíblia, que fala da invasão da cidade de Jerusalém e escravidão dos habitantes do povo Hebreu (Judeu). A cidade foi melhorada, ganhou grandes períodos. O mais famoso foram os Jardins Suspensos da Babilônia, um Ziguarte com plantas e árvores trazidas da Pérsia. Verdadeira montanha artificial. A distante Pérsia estava mais próxima do que parecia. Depois da morte de Nabucodonosor, os persas chefiados pelo rei Ciro dominaram a região em 538 a.C.. Assim, o cativeiro da Babilônia, período entre a deportação dos judeus da palestina para a Babilônia, efetuada pelo rei Nabucodonosor II, e a libertação em 538 a.C., pelo rei da Persa, Ciro. No entanto, Nabucodonosor II (reinou de 605-562 a.C.), fundador da dinastia Caldeia do novo Império Babilônico, que conquistou a maior parte do sudoeste da Ásia Menor; conhecido também como grande construtor do Império da Babilônia.


Exílio à Cativeiro

Exílio em Babilônia, Cativeiro em Babilônia ou Exílio Babilônico é o nome geralmente usado para designar a deportação em massa e exílio dos judeus do antigo Reino de Judá para a Babilônia por Nabucodonosor II. Este período histórico foi marcado pela atividade dos profetas do Antigo Testamento, Jeremias, Ezequiel e Daniel. A primeira deportação teve início em 598 a.C.. Jerusalém é saqueada e o jovem Joaquim, Rei de Judá, rende-se voluntariamente. O Templo de Jerusalém é parcialmente sitiada e uma grande parte da nobreza, os oficiais militares e artífices, inclusive o Rei, são levados para o Exílio em Babilônia. Zedequias, tio do Rei Joaquim, é nomeado por Nabucodonosor II como rei vassalo. Precisamente 11 anos depois, em resultado de nova revolta no Reino de Judá, ocorre a segunda deportação em 587 a.C. e a conseqüente destruição de Jerusalém e seu Templo.

Naquele tempo, os oficiais de Nabucodonosor, rei da Babilônia, marcharam contra Jerusalém e a cidade foi sitiada. Nabucodonosor, rei da Babilônia, veio em pessoa atacar a cidade, enquanto seus soldados a sitiavam. Então Jeeonias, rei de Judá, foi ter com rei de Babilônia, ele e sua mãe, seus oficiais, seus dignitários e seus eunucos, e o rei da Babilônia os fez prisioneiros [...]. Levou para o cativeiro Jerusalém inteira. (II Reis 24, 10-14).

Governando os poucos judeus remanescentes da terra de Judá, os mais pobres, ficou Gedalias nomeado por Nabucodonosor II. Dois meses depois, Gedalias é assassinado e os poucos habitantes que restavam fogem para o Egito com medo de represálias, deixando a terra de Judá (ex-Reinado de Judá) efetivamente sem habitantes e suas cidades em ruínas. É certo que o período de cativeiro “em Babilônia” terminou no primeiro ano de reinado de Ciro II (538 a.C./537 a.C.) após a conquista da cidade de Babilônia (539 a.C.). Em conseqüência do Decreto de Ciro, os judeus exilados foram autorizados a regressar à terra de Judá, em particular a Jerusalém, para reconstruir o Templo.


Nabucodonosor II (632 a.C. – 562 a.C.) é o filho e sucessor do Rei Nabopolasar, e governou durante 43 anos o Império Neobabilônico, entre 604 a.C.. Não deve ser confundido com Nabucodonosor I. É o mais conhecido governante do Império Neobabilônico. Casou-se em 612 a.C. com a filha de Ciáxares, rei da Média. Foi sucedido pelo seu filho Evil-Merodaque. Ficou famoso pela conquista do Reino de Judá e pala destruição de Jerusalém e seu Templo em 587 a.C., além de suas monumentais construções na cidade da Babilônia: entre elas, os Jardins Suspensos da Babilônia, que ficaram conhecidos como uma das sete maravilhas do mundo antigo.


No entanto, seu reinado após a morte do rei assírio Assurbanipal em 631 a.C., o Império Assírio entrou em declínio, devido às revoltas dos povos dominados. Nabopolassar conquista Nínive em 612 a.C. com a ajuda dos Medos, seus vizinhos. O que resta do Império Assírio sucumbe definitivamente em 605 a.C.. Assim nasceu o Império Neo-babilônio, muito mais grandioso que o de Hamurabi. Nabucodonosor II expandiu seu império, conquistando boa parte da Cicília, síria, Fenícia e Judeia. Tomou Jerusalém e levou em cativeiro um grande número de seus habitantes, episódio conhecido como a primeira Diáspora Judaica ou o “cativeiro babilônico.”

Nabucodonosor, rei da Babilônia, veio atacar Jerusalém com todo o seu exercito; acampou diante da cidade e levantou trincheiras ao seu redor. A cidade ficou sitiada até o décimo primeiro ano de Sedecias. No dia nove do mês quando a fome se agravava na cidade e a população não tinha mais nada para comer, abriram uma brecha nas muralhas da cidade. Então todos os guerreiros escaparam de noite pela porta que há entre os dois muros perto do jardim do rei – os caldeus ainda cercavam a cidade -, e tomou o caminho da Arabá. O exercito dos caldeus perseguiu o rei e o alcançou nas planícies de Jericó, onde todos os soldados se dispersaram para longe dele. [...] degolaram os filhos de Sedecias na presença dele, depois Nabucodonosor furou os olhos de Sedecias, algemou-o e o conduziu para Babilônia. (II Reis 25, 1-7).

Já o Reinado de Judá conseguiu sobreviver até 587 a.C., quando foi dominado pelos neobabilônios, que destruíram o templo de Jerusalém e levaram os hebreus como prisioneiros para o seu território. Esse episódio tornou-se conhecido como Cativeiro da Babilônia. Esse cativeiro dos hebreus durou até 539 a.C., ano em que os persas, um povo que habitava o leste da Mesopotâmia, conquistaram a Babilônia e permitiram a volta dos hebreus para seu território, onde eles reconstruíram o templo de Jerusalém. Mais tarde, foram dominados sucessivamente por outros povos, como os macedônicos e os romanos. No ano 70, os judeus revoltaram-se contra a dominação romana. Os romanos responderam destruindo o segundo templo de Jerusalém e reprimindo duramente os rebeldes. Os judeus foram escravizados e dispersos pelo Império Romano. Desta maneira, ocorreu um grande impacto na cultura judaica.


Quando o povo judeu (israelitas) regressou à terra de Judá, encontrou uma mescla de povos, os samaritanos – que praticava uma religião com alguns pontos comuns com a religião do Antigo Israel. As hostilidades cresceram entre os judeus que regressavam e os samaritanos, uma divisão religiosa que permanece. O cativeiro em Babilônica e o regresso do povo judeu à terra de Judá foram entendidos como um dos grandes atos centrais no drama da relação entre o Deus de Israel e o seu povo arrependido. O caso do Reino de Judá foi muito diferente do destino das 10 Tribos que formavam o Reino de Israel Setentrional. Tal como o Antigo Egito, agora os judeus estavam predestinados a serem punidos por Deus usando o Império Neo-babilônio e, mais uma vez, libertos. Esta experiência coletiva teve efeitos muito importantes na sua religião e cultura. Assim marca o surgimento da leitura e estudo da Torá nas sinagogas locais na vida religiosa dos judeus dispersos pelo mundo.


Por isso, trata do exílio da Babilônia é colocar em evidência uma experiência do povo de Jerusalém, o que pede uma breve contextualização nacional e internacional daquele período, isto é, uma pequena análise de conjuntura e ainda o peso dessa experiência para o povo da gola (do exílio), para os dispersos e para as gerações futuras. Assim, o exílio que aconteceu no século VI a.C., foi fruto da expansão territorial imperialista da Babilônia, mas antes da Babilônia convém fazer colocações sobre a Assíria.


Judá já havia se livrado da destruição Assíria por volta do ano 701, ficando somente sob o estado de vassalagem, o que aconteceu devida uma política interna estável e boas relações externas. Já no período próximo à invasão babilônica, a situação política de Judá estava um tanto instável. No século VII a.C., Manassés tinha imprimido um regime opressor ao povo (II Reis 21,1-18; 21-16). Após a sua morte, o seu sucessor é assassinado por seus ministros (II Reis 19-26), o que causa grande tensão interna e proporcionará a intenção do povo da terra, ou seja, os chamados Judaístas, que entronam uma criança de oito anos, Josias. Isso implica o “povo” no poder. Josias instala uma reforma que visa a atender parte das reivindicações do povo da terra, contudo acontece nessa reforma uma centralização do culto e investido militares, que desembocou na vitória dos egípcios em 609 a.C.. Nessa época Josias é morto e os Javistas voltam a proclamar um rei, dessa vez é Jeocaz, que ocupou o trono por três meses, foi deposto pelo Egito (Jr 22,10-12), que impõe Joaquim como rei, iniciando mais um período de opressão para o povo de Judá exploração tributaria e repressão até sua morte em 598 a.C.. Seu filho Joaquim é quem colherá o fruto de sua política externa e aparente diplomacia. Joaquim vai investir em uma política contra a Babilônia, o que vai ressaltar na ação Babilônica para evitar avanços do Egito. Em 597 a.C. Jerusalém é desmilitarizada e cerca de 10 mil pessoas são deportadas, como já vimos anteriormente em (II Reis 24, 14-16). Por volta de dez anos depois Zedequias é o líder político imposto e que vai se rebelar contra os Babilônicos, resultando na destruição e desurbanização de Judá em 587 a.C. e consequentemente o segundo exílio, mas ao que indica Jeremias (52,30) aconteceu outro exílio em 582 a.C., chegando a somar 15 mil pessoas de Jerusalém na Babilônia.


Em Judá permaneceu, sobretudo, o povo do campo, pois a mesma (Judá) foi desurbanizada por grupos proféticos, litúrgicos e cantores. É desses grupos que surgirá a literatura renascente, ou seja, a leitura do exílio a partir dos que ficaram na terra. Não havia mais o Estado de Israel, havia grupos que viviam nos campos, o que traz uma semelhança com o sistema tribal. Por outro lado, os moradores das cidades que ficaram estava arrasados, tudo tinha sido destruído: o templo, os prédios, a estrutura urbana. Tudo estava em ruínas após 587 a.C., do povo das cidades é que surgem as lamentações, pois para os que serviam o templo restou a oração de lamentações (Jr 41,4-7). Temos ainda o grupo dos que fugiram para o Egito ou outras partes, estes compõem a diáspora (II Reis 25,25-26), também a estes o texto de Segundo Isaías se dirige quando trata do segundo Êxodo, (Is 48,21; 52,12; 55,12). Já o povo do exílio não ficou distanciado, mas agrupado em uma só região. Provavelmente ficaram às margens de rios (Sl 137), e outros estiveram na corte da Babilônia. Com essas “regalias” de exilados, o povo de Judá pode se reunir e retornar a sua história de povo que assume como único Deus. Portanto,

No período histórico do ano 400 na narrativa do profeta Isaías, o povo de Judá experimenta a dominação assíria, depois a caldeia e finalmente a persa, de características diferentes cada uma, mas todas elas imperialistas. No meio desse trajeto situa-se o exílio babilônico de Judá. Este país viveu o fim da monarquia, a escravidão do exílio e as tentativas de restauração sob a administração persa. (CROATTO, 1989, p. 11).

Um dos períodos mais difíceis e dolorosos foi o exílio, quando Jerusalém e o Templo foram destruídos, o povo perdeu a terra e foi deportado. Mas também foi motivo de renovação e retomada da fidelidade a Deus. Com isso, as causas dos exílios do povo de Israel no decorrer da sua historia foram: o Clima (A busca de sobrevivência – fome) “Houve uma fome na terra e Abraão desceu ao Egito, para aí ficar, pois a fome assolava a terra.” (Gn 12,10; Rt 1,16); a posição geográfica (Favorecia o intercâmbio com outros povos e continentes) “Por isso desci a fim de libertá-lo da Mao dos egípcios, e para fezê-lo subir desta terra para uma terra boa e vasta, terra que mana leite e mel, o lugar dos cananeus, dos heteus, dos amorreus, dos ferezeus, dos heveus e dos jebuseus.” (Ex 3,8); a expansão territorial dos povos vizinhos (Exerceram seu domínio político sobre a região de Canaã. Assim, deportando e expulsando parte da população). Outra causa foi o serviço militar (Trocas de favores por recompensas de terras); a busca de melhores condições econômicas (As famílias encontraram boa situação econômica em outros países), e por fim, a perseguição e outros fatores (Levaram muitos israelitas saírem de suas terras, sobretudo no período dos Selêucidas). Desta forma, o exílio é uma experiência que marca não só Israel, mas grande parte da população de todos os tempos e povos em contextos similares.


Na angústia da destruição surge a esperança de sobreviver na terra. Esse contexto marca a lamentação do povo exilado (Lm 1, 1-3.11; 2, 6.14.11-12.19-20; 5,11-12).


Nossa herança passou a estranhos, nossas casas a desconhecidos. Somos órfãos, já não temos pai; nossas mães são como viúvas. Nossa água por dinheiro a bebemos, nossa lenha entra como pagamento. O julgo está sobre nosso pescoço, empurraram-nos; estamos exaustos, não nos dão descanso. (Lm 5,2-5).

A destruição não havia poupado nenhuma cidade importante de Judá. (2Rs 24,13-17; 25,8-12). As áreas que ficaram desocupadas com a saída dos deportados foram povoadas não só pela população camponesa que ficou de Judá, mas também pelos povos vizinhos (Jr 47. 48. 49). Povos filisteus, moabitas e amonitas, edomitas, assírios e árabes. Assim, “Os sobreviventes recomeçaram lentamente a povoar as cidades e reconstruí-las. Os assentamentos judaicos concentraram-se nas regiões periféricas e em algumas distantes, provavelmente causando a separação com Judá logo na primeira deportação em 597 a.E.C. (CROATTO, 1989, p. 25). Desta maneira, Godolias iniciou seu governo com um programa de reconstruções, convidando os remanescentes da catástrofe a repovoar as cidades e a retomar as atividades cotidianas. Assim, alicerçou seu império de forma distributiva em relação a classe de proprietários locais, cujo direito não se fundamentava na herança nem na compra, mas na ordem dada pelo imperador da Babilônia. Portanto, a morte de Godolias (2Rs 25,25; Jr 40-44) expressa o medo de uma repressão maior, muitas famílias judias fugiram para o Egito, refugiando-se na colônia de Elefantina.


No entanto, o povo viveu neste período uma grande crise de fé devido os acontecimentos. Revolta contra Deus, ora de reconhecimento de sua culpa e por fim, um pedido de socorro.


Iahweh tencionou destruir o muro da filha de Sião: estendeu o prumo, não retirou sua Mão destruidora; enlutou baluarte e muro: juntos desmoronaram. Por terra derrubou suas portas, destruiu e quebrou seus ferrolhos; seu rei e seus príncipes estão entre os pagãos: não a Lei! E seus profetas já não recebem visão de Iahweh. [...] de lagrimas consomem-se meus olhos, de tremor minhas entranhas, por terra derrama-se meu fígado por causa da ruína da filha de meu povo enquanto pelas ruas da cidade desfalecem meninos e lactentes. Perguntam às suas mães: “onde há pão?” enquanto, como feridos, desfalecem pelas ruas da Cidade, exalando sua vida no regaço de sua mãe. [...] Seus profetas viram para ti vazio e aparência: não revelaram tua falta para mudar tua sorte, serviram-te oráculos de vazio e sedução. [...] Iahweh realizou o seu desígnio, executou sua palavra decretada desde os dias antigos; destruiu sem piedade; fez o inimigo alegrar-se às tuas custas, exaltou o vigor de teus adversários. (Lm 2,8-17).

Por isso o desespero do povo – tenta chamar a atenção de Deus. O povo se culpa – infidelidade a Deus; o povo renova a confiança em Deus. “O Senhor é bom para quem nele confia, para aquele que o busca. É bom esperar em silencio a salvação do Senhor.” (Lm 3-25s). Enquanto isso, um resto será salvo da catástrofe, porque Deus ama o seu povo. “O resto que escapou da casa de Judá tornará a lançar raízes em terra e a produzir frutos em cima. Com efeito, de Jerusalém saíra um resto e do monte Sião os sobreviventes. O zelo de Iahweh dos exércitos fará isto.” (Is 37,31-32; 2Rs 19,4; Mq 5,2; Is 4,3). Mas, desse resto nasceria uma nação forte e poderosa. “Odiai o mal e amai o bem, estabelecei o direito à porta; talvez Iahweh, Deus dos Exércitos, tenha compaixão do resto de José.” (Am 5,15).

Depois da destruição do reino de Judá em 587 a.C., nasce a consciência de serem eles o resto que foi disperso por Deus entre as nações. (Br 2,13; Ez 12,16) Israel se converterá. (Ez 6,9-10) Saberão então que eu sou o Senhor dos Exércitos. (Jr 23,3.5-6) O resto purificado para a restauração messiânica. Mas depois do exílio o “resto” é novamente infiel e será dizimado e purificado, como expressa bem o profeta Zacarias (13,8-9; 1,3; 8,11; 14,2). Deste resto final nascerá o rei Messias, o Emanuel comparado a uma pedra angular (Is 28,16-17) e ao broto em rebento de um povo Santo (Is 6,13; 11,1.10). Por isso, a promessa de que “um resto voltará” lembra retrospectivamente o nome de um filho de Isaias (7,3; 8,18).

Naquele dia, o resto de Israel, os sobreviventes da casa de Jacó não continuarão a apoiar-se sobre aquele que os fere; apoiar-se-ão sobre Iahweh, o Santo de Israel, com fidelidade. Um resto, o resto de Jacó, voltará ao Deus forte. Com efeito, ò Israel, ainda que o teu povo seja como a areia do mar, só um resto dele voltará, pois a destruição está decidida: a justiça transborda! Sim a destruição está decidida; o Senhor Iahweh dos Exércitos a fará executar no meio de toda a terra. (CROATTO, 1989, p. 83-84).

Portanto, mesmo exilado, o povo de Deus prosperou e cresceu. O exílio da Babilônia deixou marcas não só no povo que ficou na terra de Judá, mas também nos que foram deportados. Os remanescentes tinham a realidade de destruição sob os olhos. Já os que foram deportados carregaram consigo as imagens da cidade destruída, do povo disperso e massacrado, do culto desfeito. Estavam agora fora da terra, sem Templo, sem culto e sem os seus dirigentes. Muitos sonhos construídos ao longo dos anos foram desfeitos.

Em análise desse contexto, observamos que os babilônios não dispersaram os exilados, como fizeram os assírios. Surge um regime de servidão (Ez 1,1s; Ne 7,61; Is 42,22). Com isso, eles foram assentados em comunidades agrícolas (Ez 3,24; 33,30). Tudo isso favoreceu a conservação do patrimônio espiritual, religioso e cultural. Podiam falar a própria língua, observar seus costumes e suas práticas religiosas. Podiam livremente reunir-se, comprar terras, construir casas e comunicar-se com Judá, sua pátria. “Construí casas e instalai-vos; plantai pomares e comei os seus frutos.” (Jr 29,5). Na realidade, na Babilônia, conseguiram até certa prosperidade econômica num tempo relativamente curto.

Um dos personagens que marcaram àquele tempo, foi o profeta Ezequiel. O profeta vivia entre os exilados e os ajudava a alimentar a esperança do retorno à terra prometida. (Ez 48,1-29). Ainda que os deportados tivessem encontrado a possibilidade de reconstruírem suas vidas, viveram a experiência do exílio como uma grande catástrofe. Mas a saudade de Deus alimentava a fé e a esperança daquele povo. Assim, com o exílio, o povo pensava que todas as promessas de Deus tivessem falido: terra, descendência e um grande nome. Viveu uma enorme crise de fé no Senhor, seu Deus. Pois o deus da Babilônia, Marduc, havia vencido o Deus de Israel, tinha mais poder do que ele. Por isso, muitos exilados aderiram à religião de Marduc, não só por ele ser mais poderoso, mas porque poderiam obter alguns privilégios de seus senhores babilônios. “Que vem a ser este provérbio que vós usais na terra de Israel: os pais comeram uvas verdes e os dentes dos filhos ficaram embotados?” (Ez 18,2). “Assim diz o Senhor Iahweh: Tu beberás a taça da tua irmã – taça funda e larga. Tornar-te-ás objeto de escárnio e zombaria, tão grande será o seu conteúdo.” (Ez 23,32). Estamos pagando pelos nossos pecados ou dos nossos antepassados?

O que restar de um lado e do outro da porção sagrada e da propriedade reservada para a cidade, pertencerá ao príncipe. Assim, desde a propriedade dos levitas e desde a propriedade da cidade, que ficam no meio da porção pertencente ao príncipe, entre os limites de Judá e Benjamim estará a porção do príncipe. (Ez 48,21).

O chefe da nova terra não será mais um rei, e sim um príncipe. No exílio reafirmaram a identidade israelita mediante algumas práticas culturais e religiosas, como a circuncisão, a observância do sábado e da lei mosaica. O referencial não era o Templo, mas o Livro da Lei, as escrituras sagradas, anunciadas principalmente pelos profetas do exílio, Ezequiel e o Segundo Isaías. Mesmo assim, os exilados mantinham viva a fé pelas celebrações litúrgicas, orações e cânticos, embora não conseguissem esquecer Sião (Sl 137). Conservava a firme esperança de retornarem a ela, pois Deus havia prometido a eles, que se consideravam descendentes de Abraão (Gn 12,7). Isaías via o retorno do exílio como um novo êxodo, em cujo deserto haveria abundancia de água e toda espécie de Plantas. (Is 41,18-20).

Com o exílio na Babilônia surgiriam importantes escritas como de Ezequiel, o Segundo Isaías, partes do Levítico e Salmos. Eles infundem a esperança do retorno, de um novo êxodo em que Deus mesmo vai reunir o seu povo como o pastor reúne o seu rebanho. (Is 40,10-11). “Eis aqui o Senhor Deus.” Portanto, no exílio da Babilônia os sacerdotes e teólogos, formados em Jerusalém, interpretam a seu modo as antigas tradições patriarcas com a intenção de infundir fé nos exilados submersos pela apatia e pela dispersão. As promessas de numerosa descendência e de posse da terra se realizariam porque a Palavra de Deus é infalível.

Conclusão

O Exílio marcou profundamente o povo de Israel, embora sua duração fosse relativamente pequena. De 587 a 538 a.E.C., Israel não conhecerá mais a independência. O reino do Norte já havia desaparecido em 722 a.E.C. com a destruição da capital Samaria. E a maior parte da população dispersou-se entre outros povos dominados pela Assíria. O reino do Sul também terminará tragicamente em 587 a.E.C com a destruição da capital Jerusalém, e parte da população será deportada para a Babilônia. Assim, tanto os que permaneceram em Judá como os que partiram para o exílio carregaram a imagem de uma cidade destruída e das instituições desfeitas. A experiência foi vivida pelos que ficaram e pelos que saíram, como provação, castigo e reconhecimento da própria infidelidade à aliança com deus. Pouco a pouco foram retomando a confiança em Deus que pode salvar o seu povo e os conduzirá nesse Novo Êxodo de volta a Sião, conforme afirma o segundo Isaías. Deus novamente devolverá a terra ao povo como a deu no passado (Ez 48).

Portanto, os judeus deportados foram implantados numa região situada entre a Babilônia e o Uruk, ao longo do canal que Ezequiel 1,1 designa sob o nome de rio Kebar. Para todos aqueles exilados, a verdade é que a Babilônia, com seus canais, os seus jardins e os seus imponentes edifícios, devia construir um espetáculo pelo menos inesperado. Aos olhos de muito deles aquela cidade devia representar uma civilização e uma religião superiores às de Judá. Contudo, apesar do desastre que implicava o Exílio não deixou de ser para os judeus fieis, um período de intensa atividade e de reflexão. Foi nesta época, nomeadamente, que foi reunido o essencial dos elementos que permitiram levar a cabo a composição do Antigo Testamento sob a sua forma atual.

O exílio corresponde igualmente ao início da dispersão mundial dos judeus. Quando a Babilônia foi vencida, em 540 a.E.C. por Ciro, rei dos persas, e os exilados foram autorizados a regressar à sua terra, uma parte deles decidiu permanecer onde estava. Por outro lado, uma colônia judaica constituir-se-ia no século V, no Egito, em Elefantina, a norte da primeira catarata do Nilo. Composta Poe mercenários que tinham servido no exercito persa, possuía o seu próprio Templo. Já os que regressaram ao país, por volta de 539 a.E.C., tiveram de enfrentar numerosas dificuldades e o Templo só pôde ser reconstruído em 516 a.E.C. Neemias tinha encontrado Jerusalém num estado desolador. As muralhas estavam arruinadas e os raros habitantes que restavam tinham deixado de respeitar qualquer lei. Com a ajuda de Esdras, que foi seu sucessor, restabeleceu a ordem social e religiosa e permitiu assim a Judá sobreviver ao seu desastre.


Bibliografia


MÁRCIO, Xavier Lima da. Aluno do 2° Período de Teologia do Seminário Maior Nossa Senhora da Conceição. Arquidiocese de Aracaju, Se.


AUTH, Romi. Deus Também Estava Lá: Exílio na Babilônia. São Paulo: Paulinas, 2002. (Col. Bíblia em Comunidade). v. 3.


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CARDOSO, Ciro Flamarion S. Sociedades do Antigo Oriente Próximo. São Paulo: Scipione, 2006.


CROATTO, J. Severino. Isaías. A Palavra profética e sua Hermenêutica. O Profeta da Justiça e da Fidelidade. Tradução Jaime A. Clasen. São Paulo: Sinodal, 1989.


ISRAEL e JUDÁ: Textos do Antigo Oriente Médio. Tradução Benôni Lemos. São Paulo: Paulus, 1985. (Documentos do mundo da Bíblia).


MONTELLATO, Andrea Rodrigues Dias. História Temática. São Paulo: Scipione, 2006.


SCHMIDT, Mário Furley. Nova História Crítica. São Paulo: Nova Geração, 2005.


PETTA, Nicolina Luiza e OJEDA, Eduardo Aparíco Baez. História: Uma abordagem integrada. 2. Ed. São Paulo: Moderna, 2008

terça-feira, 25 de março de 2014

Renato Vargens chama Abílio Santana de "Herético" e critica mensagem sobre prosperidade


O blogueiro Renato Vargens, pastor presidente da Igreja Cristã da Aliança, publicou uma postagem criticando uma mensagem pregado pelo pastor Abílio Santana. Renato afirma que a mensagem é uma aberração e que o pastor Abílio fundamentou a mensagem em um relato apócrifo e que ficou assustado com as bobagens do pastor, que ele chama de herege.

Pr. Abílio Santana
Pr. Abílio Santana
“O cara fundamentou sua pregação num relato apócrifo de que Jesus assumiu aos 12 anos a carpintaria de seu pai e enriqueceu fazendo mesas e cadeiras”, escreveu o pastor Renato.
 
“Sinceramente a ignorância bíblica dos presentes a esse culto me fez ruborizar de vergonha. Onde já se viu tamanha besteira? Pois é, para defender essa funesta teologia os ‘pastores de Genésio’ estão dispostos a fazer qualquer coisa”, escreveu.
 
Na mensagem o pastor ilustra uma revelação sobre a casa de Jesus e o exercício de sua profissão. A polêmica está na casa que Jesus teria comprado com o dinheiro que ele guardou durante o período que trabalhava como carpinteiro. Famoso por parafrasear histórias bíblicas e contar com humor suas histórias pessoais, Abílio Santana, que já foi um dos principais conferencista do Congresso dos Gideões Missionário da Última Hora, já foi criticado por acrescentar as histórias bíblicas situações que não são narradas no Livro Sagrado.
 
“Caro leitor, diante do exposto, repito: Eu odeio a Teologia da Prosperidade. Repudio veementemente seus conceitos e doutrinas. Na pregação, só faltou o cara defender a tese de que Jesus possuía uma casa com 20 quartos, piscina, sala de jogos, sauna e campo de futebol”, critica o blogueiro Renato Vargens.
25/03/2014 10:03:09

sexta-feira, 21 de março de 2014

CRIANDO OS FILHOS.



ORDEM DE NASCIMENTO DOS FILHOS

O 1º filho é de vidro
O 2º é de borracha
O 3º é de ferro

Planejamento
O 1º filho é (em geral) desejado
O 2º é planejado
O 3º é escorregado

O TRATAMENTO (PELA ORDEM DE NASCIMENTO DAS CRIANÇAS)

1º- Irmão mais velho têm um álbum de fotografia completo, um relato minucioso do dia que vieram ao mundo, fios de cabelo e dentes de leite guardados.
2º – O segundo mal consegue achar fotos do primeiro aniversário.
3º- Os terceiros, não fazem idéia das circunstâncias em que chegaram à família

O que vestir
1º bebê – Você começa a usar roupas de grávidas assim que o exame dá positivo.
2º bebê – Você usa as roupas normais o máximo que puder.
3º bebê – As roupas para grávidas são suas roupas normais, pq vc já deixou de ter um corpinho de sereia e passou a ter um de baleia.

Preparação para o nascimento
1º bebê – Você faz exercícios de respiração religiosamente.
2º bebê – Você não se preocupa com os exercícios de respiração, afinal lembra que, na última vez, eles não funcionaram.
3º bebê – Você pede para tomar a peridural no 8º mês pq se lembra que dói demais.

O guarda-roupas
1º bebê – Você lava as roupas que ganha para o bebê, arruma de acordo com as cores e dobra delicadamente dentro da gaveta.
2º bebê – Você vê se as roupas estão limpas e só descarta aquelas com manchas escuras.
3º bebê – Meninos podem usar rosa, né? Afinal o seu marido é liberal e tem certeza que o filho vai ser macho igual ao pai! (será que vai mesmo?)

Preocupações
1º bebê – Ao menor resmungo do bebê, você corre para pegá-lo no colo.
2º bebê – Você pega o bebê no colo quando seus gritos ameaçam acordar o irmão mais velho..
3º bebê – Você ensina o mais velho a dar corda no móbile do berço ou manda o marido ir até o quarto das criança.

A chupeta
1º bebê – Se a chupeta cair no chão, você guarda até que possa chegar em casa e fervê-la..
2º bebê – Se a chupeta cair no chão, você a lava com o suco do bebê.
3º bebê – Se a chupeta cair no chão, você passa na sua camiseta, dá uma lambida, passa na sua camisa desta vez para dar uma secadinha pra não pegar sapinho no nenê, e dá novamente ao bebê, pq o que não mata, fortalece (vitamina B, de Bicho, off course!)

Troca de fraldas
1º bebê – Você troca as fraldas a cada hora, mesmo se elas estiverem limpas.
2º bebê – Você troca as fraldas a cada duas ou três horas, se necessário.
3º bebê – Você tenta trocar a fralda somente quando as outras crianças começam a reclamar do mau cheiro.

Banho
1º bebê – A água é filtrada e fervida e sua temperatura medida por termômetro.
2º bebê – A água é da torneira e a temperatura é fresquinha.
3º bebê – É enfiado diretamente embaixo do chuveiro na temperatura que vier, pq vc, seu marido e seus pais foram criados assim, e ninguém morreu de frio.

Atividades
1º bebê – Você leva seu filho para as aulas de musica para bebês, teatro, contação de história, natação, judô, etc…
2º bebê – Você leva seu filho para a escola e olhe lá…
3º bebê – Você leva seu filho para o supermercado, padaria, manicure,e o seu marido que se vire para levá-lo à escola e ao campo de futebol…

Saídas
1º bebê – A primeira vez que sai sem o seu filho, liga cinco vezes para casa da sua mãe (sua sogra não pode ficar com a criança pq na sua cabeça, ela nunca foi mãe), para saber se ele está bem.
2º bebê – Quando você está abrindo a porta para sair, lembra de deixar o número de telefone pra empregada.
3º bebê – Você manda a empregada ligar só se ver sangue.

Em casa
1º bebê – Você passa boa parte do dia só olhando para o bebê.
2º bebê – Você passa um tempo olhando as crianças só para ter certeza que o mais velho não está apertando, mordendo, beliscando, batendo ou brincando de supermam com o bebê, amarrando uma sacola do carrefour no pescoço dele e jogando ele de cima do beliche.
3º bebê – Você passa todo o tempo se escondendo das crianças.

Engolindo moedas
1º bebê – Quando o primeiro filho engole uma moeda, você corre para o hospital e pede um raio-x.
2º bebê – Quando o segundo filho engole uma moeda, você fica de olho até ela sair.
3º bebê – Quando o terceiro filho engole uma moeda, você desconta da mesada dele

quarta-feira, 19 de março de 2014

SPURGEON E A TEOLOGIA DA PROSPERIDADE





















A teologia da prosperidade é um câncer. Ela tem feito inúmeros males a comunidade Cristã. Lamentavelmente um número impressionante de pastores, líderes e igrejas reduziram o cristianismo a uma conta corrente farta, a propriedades variadas e a riquezas mil. 
Esse falso evangelho pregado por pseudo-pastores e falsos profetas tem gerado no coração de muita gente a uma imagem distorcida daquilo que seja o Evangelho da Salvação Eterna. 
Quão angustiado me sinto em perceber que as Boas Novas de Cristo foram trocadas por mensagens de prosperidade, riquezas e autoajuda. 
Isto posto, faço minhas as palavras do príncipe dos pregadores que com brilhantismo e autoridade espiritual costumava dizer: 
"Ah hipócrita, você menospreza a Cristo se você pensa que Ele é um pretexto para obter riquezas! Se você sonha que colocará sela e rédea em Cristo, e cavalgar até as riquezas nEle, comete um grande erro, pois Ele nunca teve intenção de levar os homens a parte alguma exceto ao céu. Se você supõe que a religião foi destinada a adornar sua casa, encarpetar seus pisos e forrar suas carteiras, se equivocou grandemente. Ela tem o propósito de ser proveitosa para a alma. E aquele que pensa em usar a religião em benefício próprio, menospreza a Cristo; e no último dia, este crime lhe será imputado: “ele O menosprezou”. E o Rei enviará seus exércitos para cortar-lhe em pedaços, entre aqueles que desprezaram Sua Majestade, e não quiseram obedecer às Suas leis!" (charles Spurgeon)
Que o Eterno tenha misericórdia de cada um de nós e que pela sua graça possa nos reconduzir as verdades inequívocas da cruz. 

Pense nisso, 

Renato Vargens

domingo, 16 de março de 2014

Billy Graham alerta contra uma epidemia de “crendismo fácil”



O evangelista fala sobre obediência, céu e inferno e sobre sua campanha My Hope (Minha Esperança).


No ápice de seu ministério de cruzadas, Billy Graham viajava pelo mundo todo pregando para grandes multidões. Agora, apesar de confinado em sua casa nas montanhas do oeste da Carolina do Norte, o evangelista ainda é capaz, através da tecnologia moderna, de continuar proclamando o evangelho. Novembro marca o início da campanha "My Hope America with Billy Graham", um curso de evangelismo em vídeo projetado para uso individual ou de pequenos grupos. Em conjunto com o lançamento da campanha, Graham lançou o que pode ser o seu último livro, The Reason for My Hope: Salvation. Christianity Today perguntou a ele sua opinião sobre o estado atual da fé cristã e sobre sua confiança, em meio à confusão teológica e cultural, na mensagem essencial do evangelho.

Você se considera, em primeiro lugar, um evangélico ou cristão? Por quê?

O que realmente importa é como Deus me vê. Ele não está preocupado com rótulos; ele está preocupado com o estado da alma humana. A Bíblia diz que sou, antes de tudo, um pecador. "Porque todos pecaram e estão destituídos da glória de Deus". (Romanos 3:23). Mas devido à graça salvadora que Jesus estendeu a mim, e ao meu arrependimento do pecado, me tornei seu filho – sendo salvo pelo sangue do meu Salvador na cruz. Naquele momento, eu entrei em um relacionamento com ele que transformou a minha vida. Aqueles que lerem The Reason for My Hope verão claramente nas escrituras como ser salvo e viver a vida cristã.

Jesus Cristo é meu Senhor e Mestre. Eu me arrependi de meu pecado, entreguei minha vida a Cristo e procuro diariamente obedecer à sua Santa Palavra. Eu sou seu seguidor. Antes da minha conversão, em 1de novembro de 1934, como conto no livro, eu sempre me considerei cristão. Foi só quando fui confrontado e convencido do meu pecado que percebi que Cristo faz a diferença na vida daqueles que não apenas se dizem cristãos, mas que obedecem à Sua Palavra. Se não houver mudança na vida de uma pessoa, ela deve se perguntar se de fato tem a salvação que o Evangelho proclama. Muitos dos que vão à igreja não experimentaram uma transformação de vida em Cristo. Aqueles que não fazem parte da igreja esperam que os seguidores de Cristo vivam de maneira diferente, no entanto, muitas pessoas que estão na igreja estão indo atrás do mundo – não para ganha-lo para Cristo, mas para serem iguais a ele. Isso é muito perigoso e a Bíblia fala sobre o resultado trágico que tal atitude traz.

No Novo Testamento, quando as pessoas ouviam a verdade que Jesus ensinava e recebiam a gloriosa dádiva do perdão e da esperança de vida eterna no Céu, as outras pessoas que observavam a mudança em suas vidas, as chamavam de cristãs – seguidoras de Cristo. (Atos 11:26). Assim como Jesus veio voluntariamente para salvar a humanidade do pecado, eu, de bom grado, o sirvo e procuro glorifica-lo com minha vida, porque sou um filho do Rei. Sermos chamados de cristãos deve fazer com que nos identifiquemos com as exigências que Cristo faz àqueles que lhe pertencem. Ele diz que pagamos um preço por segui-lo.

A minha pregação é de evangelista e eu sinceramente acredito no ensino fundamental das Sagradas Escrituras. Essa é a base do meu livro. Espero que as pessoas o leiam. Meu desejo é que os leitores compreendam o privilégio e a responsabilidade da vida cristã. Quando Jesus se torna nosso Mestre deixamos de lado nosso velho caminho e passamos a trilhar o seu. Nem sempre é fácil, mas é extremamente produtivo e desafiador, porque aqueles que o seguem tornam-se luzes brilhantes em um mundo repleto de escuridão. É por isso que os cristãos têm esperança. A razão de eu ter esperança para o mundo é porque Cristo morreu pelo mundo inteiro e está chamando os perdidos e cansados para se aproximarem dele. Jesus disse que "veio buscar e salvar o que estava perdido". (Lucas 19:10).


Por que, de acordo com o título do livro, é a salvação a razão da sua esperança?

À medida que fui me aproximando de completar 95 anos de idade, eu sentia uma necessidade de escrever um livro que abordasse a epidemia do "crendismo fácil". A mentalidade que existe hoje é que se as pessoas acreditam em Deus e fazem boas obras, elas vão para o Céu. Mas existem muitas questões que devem ser respondidas. Existem duas necessidades básicas que todas as pessoas têm: a necessidade de esperança e a necessidade de salvação. Não me surpreende nem um pouco que as pessoas creiam com facilidade em um Deus que não faz exigências, mas esse não é o Deus da Bíblia. Satanás têm, de maneira ardilosa, enganado as pessoas, as fazendo acreditar que podem crer em Jesus Cristo sem serem transformadas, mas essa é uma mentira do Diabo. Aqueles que dizem que se pode ter Cristo sem abrir mão de nada estão sendo enganados. Embora eu não seja mais capaz de pregar em um púlpito, Deus colocou no meu coração um desejo ardente de dividir essa mensagem no formato de um livro – mensagem esta que ecoa dentro de mim toda vez que assisto ao noticiário. Quando visito pessoas com diferentes histórias de vida, ouço a mesma pergunta: "O que está acontecendo com o mundo?".

Muitos políticos e líderes do governo já me fizeram essa pergunta. Inúmeros estudantes em campus universitários imploraram para ouvir a verdade. Eu sempre expliquei que o Deus Todo-Poderoso é o arquiteto da Terra, o Criador da humanidade e quem formou a alma. Ele é o Princípio e o Fim, o Doador e Consumador da Fé. Todas as respostas estão na Palavra revelada de Deus. A salvação é uma dádiva de Deus para o mundo, mas a dádiva do Seu amor e perdão deve ser aceita em Seus termos – não nossos. Dádivas nunca são forçadas, pois são oferecidas e recebidas. Muitos hoje dizem que a ideia de redenção é antiquada. Escrevo no livro sobre Hollywood, e até mesmo sobre futebol americano profissional, adoráveis histórias de redenção. Por quê? Um crítico de cinema afirmou que as pessoas desejam superar aquilo que as aflige no interior. Cristo é o único que pode tirar o desespero que existe dentro de nossos corações. Esta é a razão da minha esperança, que pessoas de todos os lugares abram seus corações à salvação de Cristo – a dádiva redentora que oferece paz e a certeza da vida eterna.

Por que você acha que Deus achou por bem dar-lhe mais tempo na terra antes de chama-lo para o Céu?

Por passar mais de 70 anos viajando e pregando ao redor do mundo, não tive muito tempo para refletir. Mas não importa onde eu estivesse, quando voltava para casa, Ruth estava sempre aqui me esperando. Nós apreciamos esses momentos, e sempre encontrávamos tempo para buscar ao Senhor juntos, nos alegrando com as respostas às nossas orações. Sinto falta dessa comunhão com ela. Ela era uma guerreira de oração e adorava conversar sobre a Bíblia. Ruth foi para o Céu há seis anos e eu acredito que o Senhor me deu esse período da vida para considerar tudo o que ainda resta a fazer e a ser fiel à mensagem de Cristo, enquanto ainda tenho vida. Quer preguemos em um púlpito ou nos sentemos em contemplação silenciosa, há sempre muito mais a aprender à medida que buscamos a face do Senhor. Ao olhar para trás, vejo que houve momentos em que não fui tão forte quanto deveria, mas meu coração e meu ministério sempre estiveram enraizados na Palavra de Deus. A mensagem que eu prego está ancorada no que "a Bíblia diz".
Eu tento usar meus dias para encorajar outros a servirem a Jesus Cristo de todo coração, orando por aqueles que trabalham em seu nome e pedindo que muitos mais respondam ao chamado de Deus para pregar a verdade do evangelho, declarando o que a Bíblia diz. É a verdade. Sua Palavra é vida.

Como você selecionou os temas e ilustrações que tratam tão especificamente das necessidades das pessoas?

Este livro aborda muitas questões e preocupações que pesam no meu coração e, apesar de já ter escrito mais de 30 livros, acredito que este se concentra em questões presentes nas mentes de pessoas de todos os lugares. Há tantas religiões no mundo e eu nunca presenciei tanta confusão como existe hoje sobre onde encontrar a verdade. Vemos pessoas pregando que Deus é um Deus de amor, não de ira. Pessoas que proclamam que o Céu é real, mas que o inferno é apenas um produto da imaginação. À medida que fazia a pesquisa para esse livro, meu coração partia ao ouvir várias pessoas preconizando que o inferno será um happy hour sem fim, comediantes famosos afirmando que estão felizes em saber que irão para lá um dia.
Este livro foi escrito para soar como um aviso – um aviso amoroso do Céu – de que o Céu foi criado para aqueles que se humilham diante de Deus, e o inferno, criado para Satanás e para aqueles que o servem. Cristo veio para livrar a humanidade das amarras que Satanás coloca em suas vidas. Jesus Cristo é a resposta para o mundo – ele é a âncora da alma – ele é o Deus da esperança, que veio em forma humana para nos resgatar das garras de Satanás. Certa vez, um professor de um seminário fez uma declaração profunda para seus alunos: "Nunca pregue sobre o inferno sem ter lágrimas nos olhos". A minha mensagem é proclamar que somos todos pecadores com necessidade de um Salvador e perguntar a cada um esta pergunta: Você já foi salvo?

Em seu livro, você levanta a seguinte questão: Quem se recusaria de ser livrado de uma tragédia? Por que isso?

Não parece razoável alguém recusar ser resgatado de um navio naufragando, mas algumas pessoas já fizeram isso, por não acreditarem realmente que se afogariam. Da mesma maneira, o mundo está cheio de pessoas que não acreditam que se morrerem em pecado irão para o inferno e, portanto, se recusam a serem salvas pela Cruz do Senhor Jesus Cristo.

Eu conheci muitas pessoas interessantes e escrevo sobre algumas delas no livro, como o herói de guerra americano Louis Zamperini, que foi resgatado do Oceano Pacífico apenas para ser capturado pelo inimigo durante a Segunda Guerra Mundial. Mas ele descobriu mais tarde que um inimigo ainda maior controlava a sua alma, e ele não estava disposto a ser liberto do alcoolismo até encarar o inimigo e ser resgatado pelo amor salvador de Deus.

Assim que comecei a trabalhar no livro, o Costa Concordia afundou na costa da Itália. Um terror como esse, que atinge os corações humanos, é indescritível. De repente, as pessoas começam a perceber que a "vida boa" não pode salva-las. Elas gritam por socorro, mas aqueles à sua volta estão na mesma situação e não podem ajuda-las. Onde podem conseguir auxílio? Este é o estado do nosso mundo, e o único que pode salvar é aquele que nasceu com esse único propósito, como nos conta a história do Natal. "E dará à luz um filho e chamarás o seu nome JESUS; porque ele salvará o seu povo dos seus pecados". (Mateus 1:21).

A Bíblia continua sendo o livro mais vendido de todos os tempos, e ainda assim as pessoas se recusam a acreditar. Elas se recusam a aceitar o maior presente que já foi oferecido à humanidade. Por quê? Porque isso exige a confissão do pecado e a entrega total de nossa vida egoísta. Exige o arrependimento do pecado contra Deus. Muitos preferem viver ao máximo durante o curto período aqui na terra, na esperança de que não exista um inferno de sofrimento na vida após a morte. Elas acreditam na mentira do Diabo de que nada acontece depois que morremos. Mas Jesus falou mais sobre o inferno do que sobre o Céu. É por esse motivo que eu passei a minha vida convidando as pessoas do mundo: Venha a Jesus como você é, e ele lhe receberá e fortalecerá a cada passo do caminho.

Você escreve que o "pecado está na moda". O que quer dizer com isso?

Na sociedade do século 21, as pessoas fizeram uma transformação no pecado, o chamando de erro. Deus chama de iniquidade. É uma doença da alma. A sociedade geralmente deseja fazer campanha contra doenças, levantar dinheiro para erradica-la. Mas a doença do pecado é celebrada e glorificada pela sociedade, especialmente dentro da cultura popular atual, e o preço que se paga nos âmbitos físico, emocional e espiritual é totalmente ignorado. A sociedade pode se gabar de que o "pecado está na moda", mas a verdade é que o pecado está em você, em mim e em todas as pessoas.
A mídia secular conta, frequentemente, histórias de homens e mulheres que cometem crimes horríveis, e a humanidade exige que essas pessoas paguem pelo que fizeram. No entanto, a humanidade se ressente por Deus exigir que paguemos pelos pecados cometidos contra Ele. Deus se mostra um Pai amoroso ao enviar o seu próprio sacrifício, seu único Filho, para morrer no lugar do homem, pagando a penalidade do pecado que a Bíblia diz que "tão de perto nos rodeia". (Hebreus 12:1). Muitas pessoas que transgridem as leis de Deus se ressentem por seus pecados serem julgados por um Deus justo. Rejeitamos a ideia de nossas próprias transgressões, mas quando se trata de faltas cometidas em um jogo de futebol, por exemplo, nós aceitamos as regras; na verdade as amamos. Se estamos torcendo pelo nosso time e a equipe adversária comete uma falta, nós comemoramos. Isso está no coração do homem, mas posso garantir que Deus não se alegra quando cometemos faltas (pecados) contra Ele. Seu coração se entristece. O pecado é veneno e destrói. A salvação é o antídoto que purifica.

A sociedade de hoje é obcecada pela tecnologia, tema que você comenta em detalhes. Existe uma visão bíblica acerca da tecnologia?

A Bíblia declara que "não há nada de novo debaixo do sol" (Eclesiastes 1:9). Nada surpreende Deus. Ele permite que sua criação explore os recursos que ele nos deu na terra. Nós certamente observamos a infinidade dos recursos de comunicação explodir quando entramos no século 21. Eu sempre amei a arte da comunicação, e não há dúvida de que meu ministério se beneficiou muito através da utilização da amplificação e ampliação em arenas e estádios ao redor do mundo. A televisão e o rádio permitiram que o evangelho alcançasse os confins da terra, como a Bíblia previu. Mas apesar de Deus permitir que venham bênçãos de invenções tão grandiosas, como dispositivos móveis e sem fio, Satanás também tem usado a tecnologia para avançar, de maneira inteligente, o seu engano. Há gerações hoje que se orgulham de sua capacidade de se comunicar instantaneamente através do Facebook ou Twitter, mas são incapazes de se comunicar pessoalmente. As pessoas estão encontrando consolo sentadas em frente à tela do computador dispostos a falar com estranhos sobre qualquer coisa, através da comunicação eletrônica, mas não acreditam que Deus pode ouvir seu clamor de solidão, tristeza e dor.

Um presidente da Universidade de Harvard, uma vez me disse que o que os jovens mais desejam é "pertencer". Multidões estão dispostas a pertencer a praticamente qualquer coisa, exceto a Deus. A raça humana sempre esteve em uma busca por verdade e aceitação, no entanto, homens e mulheres não estão dispostos a aceitar Aquele que é a verdade. Em vez disso, estão se voltando para uma nova mistura de fé que está na moda, um pouco de cristianismo, um pouco de budismo e um pouco de nova era. Esse é um truque do diabo, que adora misturar um pouco da verdade com suas mentiras. A Bíblia nos adverte sobre isso e nos diz que devemos nos agarrar à verdade e lutar pela fé. "Nos últimos tempos apostatarão alguns da fé, dando ouvidos a espíritos enganadores, e a doutrinas de demônios... tendo cauterizada a sua própria consciência". (1 Timóteo 4:1-2).

Mas a tecnologia é um presente de Deus quando é usada para proclamar o evangelho. É por isso que estou animado com o My Hope, um programa evangelístico desenvolvido pelo nosso ministério e que tem sido usado em todo o mundo. Através de todos os meios confiáveis de comunicação, estamos proclamando as Boas-Novas de que Deus ama os pecadores e chama homens e mulheres de todos os lugares a se arrependerem e se voltarem a Ele, recebendo a verdadeira esperança que vem de Deus. Tenho me preparado há meses para pregar essa mensagem através do My Hope America, um especial de televisão que será assistido nos lares de toda a nação americana na semana do meu aniversário de 95 anos. Não consigo pensar em nada melhor para comemorar mais um ano de vida do que proclamar a verdade de Deus. Oro para que todos os cristãos abram suas casas para seus familiares e vizinhos que precisam de Cristo e assistam o que Deus está fazendo nos dias de hoje, que podem até parecer tenebrosos, mas que estão cheios de esperança.

Essa é a mensagem do livro e do nosso próximo especial de televisão desse ano. "Esperança e mudança" tornou-se um clichê nos Estados Unidos nos últimos anos. No livro, eu escrevo sobre as decepções que os americanos experimentaram quando a esperança e a mudança prometidas pelos homens falharam. Mas não há nenhuma decepção no Deus da esperança. A Bíblia diz que é em Jesus, o Filho de Deus, que o mundo pode ter esperança e que o "Deus da esperança" pode nos encher de alegria e paz em nossa crença nessa grande verdade por meio de seu poder. (Romanos 15:12-13).

Sessenta anos atrás, você acordou no meio da noite com um sonho de começar a revista Christianity Today. A revista ainda está em circulação, agora alcançando milhões de pessoas, juntamente com uma série de publicações irmãs. Isso é surpreendente e encorajador para você?

Eu agradeço a Deus e dou toda a glória a Ele por todos os meios que levam a Sua mensagem aos corações e mentes das pessoas. A Christianity Today tem sido boa para mim e para o ministério que Deus nos deu. Estou grato pela revista estar apoiando My Hope. Agradeço pela oportunidade de compartilhar sobre esse livro que é tão importante para meu coração.

É sempre um prazer ler artigos que exaltam a Jesus Cristo e indicam as pessoas à cruz, e eu encorajo os editores, escritores, colaboradores, pesquisadores e o conselho de administração a sempre manterem Cristo no centro de tudo. Honremos a ele, e a ninguém mais.

Fonte: Christianity Today


CORONEL JOÃO DOURADO (1854-1927)

Alderi Souza de Matos João da Silva Dourado nasceu em Caetité, sul da Bahia, no dia 7 de janeiro de 1854. Era filho de João José da Silva Do...