quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

O jejum é bíblico. Está presente tanto no Antigo como no Novo Testamento. Os profetas, os apóstolos, o próprio Jesus, bem como muitos servos de Deus do passado como Agostinho, Lutero, Calvino, John Knox, John Wesley, Dwight Moody e outros mais através da história praticaram o jejum. Ainda hoje, o jejum é uma prática devocional importante que não pode ser esquecida pela igreja.

John Piper definiu jejum como fome de Deus e não apenas pelas bênçãos de Deus. O jejum cristão nasce exatamente da saudade de Deus. O jejum é um teste para conhecermos qual é o desejo que nos controla. Mais do que qualquer outra disciplina, o jejum revela as coisas que nos controlam. Firmado nessa compreensão Martyn Lloyd-Jones diz que o jejum não pode ser entendido apenas como uma abstinência de alimentos, mas deve também incluir abstinência de qualquer coisa que é legítima em si mesma por amor de algum propósito espiritual.

Na verdade, devemos comer e jejuar para a glória de Deus (1Co 10.31). Quando nós comemos, saboreamos o emblema do nosso alimento celestial, o Pão da Vida. E quando jejuamos, dizemos, “eu amo a realidade acima do emblema”. O alimento é bom, mas Deus é melhor (Mt 4.4). Na verdade quanto mais profundamente andamos com Cristo, mais famintos nós nos tornamos dele, mais saudade temos dele, mais desejamos da plenitude de Deus em nossa vida.

Nós vivemos numa geração cujo deus é o estômago (Fp 3.19). Muitas pessoas deleitam-se apenas nas bênçãos de Deus e não no Deus das bênçãos. Quem jejua tem mais pressa de desfrutar da intimidade com Deus do que alimentar-se. Quem jejua tem mais fome do Pão do Céu do que do pão da terra. Quem jejua tem mais saudade do Pai do que das suas bênçãos. Quem jejua está mais confiado no poder que vem do céu do que nos recursos que procedem da terra.

O propósito do jejum não é obter o favor de Deus ou mudar sua vontade (Is 58.1-12). Também não é para impressionar os outros com uma espiritualidade farisaica (Mc 6.16-18). Nem é proclamar a nossa espiritualidade diante dos homens. O jejum deve ser uma demonstração do nosso amor a Deus. Jejuar para ser admirado pelos homens é uma motivação errada. Jejum é fome de Deus e não de aplausos humanos (Lc 18.12). O jejum é para nos humilharmos diante de Deus (Dn 10-12), para suplicarmos sua ajuda (2Cr 20.3; Et 4.16) e para nos retornarmos para ele de todo o nosso coração (Jl 2.12,13). O jejum para reconhecermos nossa total dependência da proteção divina (Ed 8.21-23). O jejum é um instrumento para fortalecer-nos com o poder divino em face dos ataques do inferno (Mc 9.28,29).

Deus tem realizado grandes intervenções na história através da oração e do jejum do seu povo. Quando deu a lei para o seu povo, Moisés dedicou quarenta dias à oração e ao jejum no Monte Sinai. Deus libertou Josafá das mãos dos seus inimigos quando ele e seu povo se humilharam em oração e jejum (2Cr 20.3,4,14,15,20,21).

Deus libertou o seu povo da morte através da oração e jejum da rainha Ester e do povo judeu (Et 4.16). Deus usou Neemias para restaurar Jerusalém quando este orou e jejuou (Ne 1.4). Deus usou Paulo e Barnabé para plantar igrejas no Império Romano quando eles devotaram-se à oração e ao jejum (At 13.1-4). Os grandes reavivamentos na história da igreja foram respostas de oração e jejum. As campanhas evangelísticas com resultados mais promissores são regadas pela oração da igreja e o jejum dos fiéis. Aqueles que mais conhecem a intimidade de Deus e mais se deleitam nele são aqueles que praticam o jejum com certa regularidade.

Hoje temos muitos motivos que deveriam nos levar a jejuar. Precisamos urgentemente da intervenção de Deus em nossa vida, em nossa família, em nossa igreja, em nosso país. Que Deus nos desperte para orar e jejuar!

Que Deus nos leve a uma vida de quebrantamento e santidade! Que Deus sacie a nossa alma nos ricos banquetes da sua graça!

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Meras lembranças.

Salmo 145:4

Lembram-se quando o top era andar com um Walkman preso na cintura, com uma fita cassete gravada em gravador e para economizar a pilha se rebobinava a fita cassete com uma caneta ou um lápis?

Quem sabe você ainda se lembre quando para melhorar a recepção da imagem na televisão colocava-se Bombril na antena.

E o que dizer das antigas fichas telefônicas armazenadas nas bolsas e carteiras,

Do vídeo-cassete de quatro cabeças, dos moderníssimos aparelhos 3 em 1 ou das máquinas elétricas Olivetti e dos cursos de datilografia?

Houve um tempo em que o sonho de consumo do dia das crianças era ganhar um Atari ou jogar Super Mario em um Nintendo 64.

Todos esses produtos e os hábitos gerados por eles entraram em des uso num processo acelerado de inutilizarão. Tornaram-se, em menos de uma geração, peças de museu ou relíquias de colecionadores.


Evolução? Avanço Tecnológico? Criatividade humana? Consumismo? Qual a explicação? Para o abandono tão rápido assim?

O fato é que esses hábitos foram abandonados, perderam o sentido e seus atrativos minguaram à medida que novidades dos tempos mais modernos trouxeram novos hábitos.

É curioso e ao mesmo tempo desesperador.

Os novos hábitos é que nos deixa arrepiados. O normal é o velho dar lugar para o novo.

O grande problema não é saber que esses hábitos estão sendo abandonado, mas que outros hábitos muito mais importantes estão sendo abandonados.

É inofensivo o abandono do uso de bobs, Walkman, fichas telefônicas, vídeo-cassete.

Mas quando os hábitos estão relacionados a respeito, reverência, cordialidade entre outros, o cuidado deve ser maior.

1- Vai ficando difícil ver pessoas se cumprimentando, ou mesmo saudando aqueles que não conhecem.

2- É cada vez mais raro encontrar pessoas que cedem seus lugares a outros por cortesia ou educação.

3- Abrir portas para que outros passem,

4- agradecer um favor que nos foi oferecido, e outros pequenos hábitos que estão se tornando peças de museu do comportamento humano, meras lembranças.

Entre os hábitos que têm sido abandonados um deles merece maior atenção, o ato de servir.

Hoje é cada vez mais raro um serviço cuja recompensa e satisfação são os sentimentos de gratidão por ter podido servir.


Pedro afirmou, (1 Pd. 4:10).

Lucas por sua vez nos lembra " (At. 13:36).

Paulo confessou: (1 Cor. 9:15 e 23).

E Jesus falando de si mesmo disse, (Mc. 10:45 ).

E você o que tem a dizer

Uma geração louvará a Deus pelos seus feitos.

Com amor Pr. Márcio Gleison

Estudo Adaptado do livro “enquanto”. Aplicado na igreja de Utinga Bahia 2009.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Apascentando ovelha ou entretendo bode.


Um mal acontece no arraial professo do Senhor, tão flagrante na sua impudência, que até o menos perspicaz dificilmente falharia em notá-lo. Este mal evoluiu numa proporção anormal, mesmo para o erro, no decurso de alguns anos. Ele tem agido como fermento até que a massa toda levede. O demônio raramente fez algo tão engenhoso, quanto insinuar à Igreja que parte da sua missão é prover entretenimento para o povo, visando alcançá-los. De anunciar em alta voz, como fizeram os puritanos, a Igreja, gradualmente, baixou o tom do seu testemunho e também tolerou e desculpou as leviandades da época. Depois, ela as consentiu em suas fronteiras. Agora, ela as adota sob o pretexto de alcançar as massas. Meu primeiro argumento é que prover entretenimento ao povo, em nenhum lugar das Escrituras, é mencionado como uma função da Igreja. Se fosse obrigação da Igreja, porque Cristo não falaria dele? "Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda criatura" (Lc.16:15). Isto é suficientemente claro. Assim também seria, se Ele adicionasse "e provejam divertimento para aqueles que não tem prazer no evangelho". Tais palavras, entretanto, não são encontradas. Nem parecem ocorrer-Lhe. Em outra passagem encontramos: "E Ele mesmo concedeu uns para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas e outros para pastores e mestres"(Ef.4:11). Onde entram os animadores? O Espírito Santo silencia, no que se refere a eles. Os profetas foram perseguidos por agradar as pessoas ou por oporem-se a elas? Em segundo lugar, prover distração está em direto antagonismo ao ensino e vida de Cristo e seus apóstolos. Qual era a posição da Igreja para com o mundo? "Vós sois o sal da terra" (Mt.5:13), não o doce açúcar – algo que o mundo irá cuspir, não engolir. Curta e pungente foi a expressão: "Deixa aos mortos o sepultar os seus próprios mortos"(Mt.8:22). Que seriedade impressionante! Cristo poderia ter sido mais popular, se tivesse introduzido mais brilho e elementos agradáveis a sua missão, quando as pessoas O deixaram por causa da natureza inquiridora do seu ensino. Porém, eu não O escuto dizer: "Corre atrás deste povo Pedro, e diga-lhes que teremos um estilo diferente de culto amanhã; algo curto e atrativo, com uma pregação bem pequena. Teremos uma noite agradável para eles. Diga-lhes que, por certo, gostarão. Seja rápido, Pedro, nós devemos alcançá-los de qualquer jeito!". Jesus compadeceu-se dos pecadores, lamentou e chorou por eles, mas nunca pretendeu entretê-los. Em vão as epístolas serão examinadas com o objetivo de achar nelas qualquer traço do evangelho do deleite. A mensagem que elas contêm é: "Saia, afaste-se, mantenha-se afastado!" Eles tinham enorme confiança no evangelho e não empregavam outra arma. Depois que Pedro e João foram presos por pregar o evangelho, a Igreja reuniu-se em oração, mas não oraram: "Senhor, permite-nos que pelo sábio e judicioso uso da recreação inocente, possamos mostrar a este povo quão felizes nós somos". Dispersados pela perseguição, eles iam por todo mundo pregando o evangelho. Eles "viraram o mundo de cabeça para baixo". Esta é a única diferença! Senhor, limpe a tua Igreja de toda futilidade e entulho que o diabo impôs sobre ela e traze-a de volta aos métodos apostólicos.
Por fim, a missão do entretenimento falha em realizar o objetivo a que se propõe. Ela produz destruição entre os jovens convertidos. Permitam que os negligentes e zombadores, que agradecem a Deus porque a Igreja os recebeu no meio do caminho, falem e testifiquem! Permitam que falem os negligentes e zombadores, que foram alcançados por um evangelho parcial; que falem os cansados e oprimidos que buscaram paz através de um concerto musical. Levante-se e fale o bêbado para quem o entretenimento na forma de drama foi um elo no processo de sua conversão! A resposta é óbvia: a missão de promover entretenimento não produz convertidos verdadeiros.O que os pastores precisam hoje, é crer no conhecimento aliado a espiritualidade sincera; um jorrando do outro, como fruto da raiz. Necessitam de doutrina bíblica, de tal forma entendida e experimentada, que ponham os homens em chamas.

Quem está no controle?


Quem está regendo os acontecimentos na terra hoje? Deus ou o Diabo?
Que Deus reina supremo no céu é geralmente reconhecido, mas que ele reina soberano sobre esse mundo é quase universalmente negado.
Para muitas pessoas, Deus a muito deixou de reinar nesse mundo. É preferível crer que as leis da natureza está governando esse cosmo. Os homens com seu “livre arbítrio” excluem Deus do âmbito das atividades humanas.
O homem decide sua sorte.
O homem decide seu destino.
Os homens dos nossos dias estão cada vez mais “independentes” de YAVEH, estão totalmente alienadas de seu Criador, esses homens responsabilizam Satanás por boa parte do mal existente no mundo. Negando sua própria responsabilidade, se esquecendo do que diz Marcos 7:21 a 23.
Quem está no controle? Deus ou Diabo?
Se for Deus porque muitos fazem orações amarrando demônios territoriais, indo para saídas ou entradas das cidades declarando, profetizando, destronando o principado que alguns afirmam ser o soberano de tal cidade. Saindo as ruas, avenidas chamando demônios por nomes que a própria Bíblia desconhece, dizendo jargões do tipo: “eu declaro minha cidade pertence ao senhor Jesus”.
Mas se olharmos para a Bíblia (I Crônicas 29:11) (Salmo 24:1) (1 Cor 10:26) nossa cidade nunca deixou de ser do Senhor. O Senhor Deus é dono de tudo. Satanás tenta usurpar como ladrão que ele é, mas de fato ao Senhor nosso maravilhoso YAVEH pertence a terra e tudo que nela há. Muitos ficam dando poder, posses, legados para o inimigo, coisas que ele mesmo não tem, nunca teve ou jamais terá, YAVEH é o Senhor, é o dono, é o proprietário soberano de tudo, nada escapa do seu controle até mesmo a conversão das pessoas está no controle do nosso Deus.
Queridos, lembre-se quando YAVEH quer até o inferno tem querer, tem que se dobrar. Porque quando YAVEH manda todos obedecem. A minha oração é que nossa igreja esteja vivenciando dia a dia o que diz Daniel 11: 32b “mas o povo que conhece ao seu Deus se tornará forte e ativo.” Quanto mais se conhece mais reconhecemos sua soberania e nos submetemos a ela.
Sola Scriptura.
Com amor Pr. Márcio Gleison

A Nova Terra. Onde você vai passar a sua eternidade?

Introdução:
Passamos agora a examinar mais completamente o que a Bíblia ensina acerca da nova terra. Desde o capítulo de abertura do livro de Gênesis aprendemos que Deus prometeu ao homem nada menos do que a própria terra como sua herança e habitação adequado: “E Deus os abençoou e lhes disse: Sede fecundos, multiplicai-vos, enchei a terra e sujeitai-a; dominai sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus e sobre todo animal que rasteja sobre a terra” (Gn 1.28). Deus também ambientou o homem no Jardim do Édem. A partir desse jardim, como seu centro, o homem deveria governar e dominar sobre toda a terra. Esta era a sua tarefa, seu mandato da criação. Mas o homem caiu no pecado, foi expulso do Jardim do Édem e foi-lhe dito que agora, por causa do seu pecado, ele teria de morrer. Quando o homem pecou, seu domínio sobre a terra não foi removido. Mas a terra sobre a qual ele governava passou a estar sob maldição, conforme vemos em Gênesis 3.17 (“Maldita é a terra por tua causa”).

Imediatamente após a queda Deus deu ao homem o assim chamado “proto-Evangelho”: “Porei inimizade entre ti e a mulher, entre a tua descendência e o seu descendente. Este te ferirá a cabeça e tu lhe ferirás o calcanhar” (Gn 3.15). As palavras são dirigidas à serpente que, no livro do Apocalipse, é identificada como Satanás: “Ele segurou o dragão, a antiga serpente que é o diabo, Satanás”(20.2; cp. 12.9). Esta promessa afirmou claramente que a cabeça da serpente - aquela que levou o homem a se rebelar contra Deus - seria finalmente esmagada pelo descendente da mulher e que, por isso, indubitavelmente se vislumbrava a vitória final sobre a força do mal que tinha perturbado a tranqüilidade do paraíso.
Como, pois, poderiam Adão e Eva, juntamente com outros que ouvissem esta primeira promessa, visualizar essa vitória final?

Somente podemos especular acerca dessa questão. Mas poderia parecer que uma vez que um dos resultados do pecado foi a morte, esta vitória prometida tivesse de alguma forma que envolver a remoção da morte. Além disso, uma vez que outro resultado do pecado fora a expulsão de nossos primeiros pais do Jardim do Édem de onde eles deveriam governar o mundo para Deus, pareceria que a vitória também devesse significar a restauração do homem a algum tipo de paraíso recuperado, do qual ele novamente poderia governar adequadamente, e sem pecado sobre a terra. O fato de que a terra fora amaldiçoada por causa do pecado do homem também pareceria implicar que, como parte da vitória prometida, esta maldição e todos os outros resultados do pecado que a maldição envolvia fossem removidos. Num certo sentido, portanto, a expectação de uma nova terra já estava implícita na promessa de Gênesis 3.15.
Em Gênesis 15 e 17 lemos acerca do estabelecimento formal da aliança da graça com Abraão e seu descendente. Ao estabelecer sua aliança com Abraão, Deus estava estreitando, temporariamente, o escopo da aliança da graça com o objetivo de preparar para um alargamento último da aliança. Na promessa de Gênesis 3.15 Deus tinha anunciado que ele estava graciosamente inclinado para com o homem apesar da queda deste no pecado. Esta inclinação graciosa foi definida nos termos mais amplos possíveis, dirigindo-se para “o descendente da mulher”. Ao estabelecer sua aliança formalmente com Abraão, entretanto, Deus introduziu temporariamente uma etapa particularizadora da aliança da graça - com Abraão e com os seus descendentes naturais - para que estes descendentes de Abraão pudessem ser uma bênção para todas as nações (veja Gn 12.3; 22.18).

Encontramos em Gênesis 17.8 a seguinte promessa feita a Abraão: “Dar-te-ei e à tua descendência a terra das tuas peregrinações, toda a terra de Canaã, em possessão perpétua...” Observe-se como Deus prometeu dar a terra de Canaã não somente aos descendentes de Abraão, mas também ao próprio Abraão. Mesmo assim, Abraão nunca possuiu nem um metro quadrado de terra na terra de Canaã (cp. Atos 7.5) - com exceção da caverna-túmulo que ele teve de comprar dos hititas (veja Gn.23). Qual, pois, foi a atitude de Abraão com relação a esta promessa da herança da terra de Canaã, que nunca foi cumprida durante o período de sua vida? Recebemos uma resposta a esta questão no livro de Hebreus. No capítulo 11, versos 9,10, lemos: “Pela fé Abraão peregrinou na terra da promessa como em terra alheia, habitando em tendas com Isaque e Jacó, herdeiros com ele da mesma promessa; porque aguardava a cidade que tem fundamentos, da qual Deus é o arquiteto e edificador”. Por “a cidade que tem fundamentos” devemos entender a cidade santa ou a nova Jerusalém que se encontrará na nova terra.

Em outras palavras, Abraão aguardava o advento da nova terra como o verdadeiro cumprimento da herança que lhe tinha sido prometida - e assim procederam os outros patriarcas. O fato de que os patriarcas assim fizeram, é citado pelo autor de Hebreus como uma evidência de sua fé: “Todos estes morreram na fé, sem ter obtido as promessas, vendo-as, porém, de longe, e saudando-as, e confessando que eram estrangeiros e peregrinos sobre a terra. Porque os que falam desse modo manifestam estar procurando uma pátria. E, se, na verdade, se lembrassem daquela de onde saíram, teriam oportunidade de voltar. Mas agora aspiram a uma pátria superior, isto é, celestial. Por isso, Deus não se envergonha deles, de ser chamado o seu Deus, porquanto lhes preparou uma cidade” (11.13-16).

Uma questão que deveríamos encarar neste momento é se a nova terra será outra totalmente diferente desta terra atual, ou será uma renovação da presente terra. Tanto em Isaías, 65.17, como em Apocalipse, 21.1, ouvimos acerca de “novos céus e uma nova terra”. A expressão “céus e terra” deveria ser entendida como um modo bíblico de designar o universo inteiro: “Céus e terra conjuntamente constituem o cosmos” . Mas então a questão é: O universo atual será totalmente aniquilado, de forma que o novo universo será completamente outro do que o cosmos atual, ou será o novo universo essencialmente o mesmo cosmos que o presente, apenas renovado e purificado?
Os teólogos luteranos, freqüentemente, favoreceram a primeira destas duas opções. G.C.Berkouwer menciona vários escritores luteranos que favoreceram o conceito do aniquilamento do presente cosmos e de uma descontinuidade completa entre a velha terra e a nova. Estes teólogos apelam para passagens tais como Mateus 24.29 (“O sol escurecerá, a lua não dará a sua claridade, as estrelas cairão do firmamento e os poderes dos céus serão abalados”) e 2 Pedro 3.12 (“Os céus incendiados serão desfeitos e os elementos abrasados se derreterão”) . Fica claro que eventos cataclísmicos acompanharão a destruição da terra atual - eventos que continuarão um julgamento divino sobre esta terra, com todo o seu pecado e imperfeição.
Entretanto, temos de rejeitar o conceito de aniquilamento total em favor do conceito de renovação, pelas seguintes 3 razões:

A primeira: tanto em 2 Pedro 3.13 como em Apocalipse 21.1 o termo grego utilizado para designar a novidade do novo cosmos não é neos mas sim kainos. A palavra neos significa novo em tempo ou origem, enquanto que a palavra kainos significa novo em natureza ou em qualidade12. A expressão ouranon kainon kai gen kainen (“Novo céu e nova terra”, Ap. 21.1) significa, portanto, não a emergência de um cosmos totalmente outro, diferente do atual, mas a criação de um universo que, embora tenha sido gloriosamente renovado, está em continuidade com o universo presente.

Segunda razão para favorecer o conceito de renovação ao invés do aniquilamento é o argumento de Paulo em Romanos 8. Quando ele nos diz que a criação aguarda, com ansiedade, pela revelação dos filhos de Deus a fim de que possa ser liberta do cativeiro da corrupção (vv. 20,21), ele está dizendo que é a criação atual quem será libertada da corrupção no eschaton, não uma criação totalmente diferente.

Terceira razão para preferirmos mais o conceito da renovação do que o do aniquilamento é esta: Se Deus tivesse de aniquilar o presente cosmos, Satanás teria conquistado uma grande vitória. Pois então Satanás teria tido sucesso em corromper tão devastadoramente o cosmos presente e a terra atual que Deus não poderia mais fazer nada com isso a não ser extingui-los totalmente da existência. Mas Satanás não conquistou essa vitória. Pelo contrário, Satanás tem sido decisivamente derrotado. Deus revelará a plenitude das dimensões essa derrota ao renovar exatamente a mesma terra na qual Satanás enganou a humanidade, banindo, finalmente dessa terra, os resultados das maquinações diabólicas de Satanás.

Quando entendermos adequadamente os ensinos bíblicos acerca da nova terra, várias outras passagens das Escrituras começam a se encaixar num padrão significativo.

Por exemplo, no salmo 37.11 lemos: “Mas os mansos herdarão a terra”. É importante observar como Jesus parafraseia esta passagem em seu Sermão do Monte, refletindo a expansão neotestamentária do conceito dessa terra: “Bem-aventurados os mansos, porque herdarão a terra” (Mt 5.5).

Vemos em Gênesis 17.8 que Deus prometeu dar a Abraão e à sua descendência toda a terra de Canaã por possessão eterna; mas, em Romanos 4.13, Paulo fala da promessa a Abraão e a seus descendentes, dizendo que eles deveriam herdar o mundo - observe que a terra de Canaã, de Gênesis, tornou-se o mundo em Romanos.
Após a cura do coxo no templo, Pedro fez um discurso aos judeus reunidos no pórtico de Salomão, no qual ele disse: “Arrependei-vos, portanto, e convertei-vos, para que seus pecados sejam cancelados, a fim de que da presença do Senhor possam vir tempos de refrigério; e que ele possa enviar o Cristo que vos foi apontado, Jesus, a quem o céu precisa receber até à época da restauração de todas as coisas” (Atos 3.19-21). A expressão “a restauração de todas as coisas” (no grego, apokatastaseos panton) sugere que a volta de Cristo será seguida pela restauração de toda a criação de Deus à sua perfeição original - dessa forma apontando para a nova terra.

Foi feita anteriormente referência ao ensino de Paulo, em Romanos 8.19-21. Aqui Paulo descreve a expectação da nova terra pela criação atual em termos vívidos: “A ardente expectativa da criação aguarda a revelação dos filhos de Deus. Pois a criação está sujeita à vaidade, não voluntariamente, mas por causa daquele que a sujeitou, na esperança de que a própria criação será redimida do cativeiro da corrupção, para a liberdade da glória dos filhos de Deus”. Em outras palavras, não é só o homem que aguarda por essa nova terra; toda a criação também aguarda por ela. Quando os filhos de Deus receberem sua glorificação final, na ressurreição, toda a criação será libertada da maldição sob a qual tem labutado.

Para parafrasear as notáveis palavras de Philips, toda a criação “está na ponta dos pés” esperando que isso aconteça. Quando Paulo, mais adiante, nos diz que a criação inteira geme como nas dores de parto, ele sugere que as imperfeições da criação presente, que são resultado do pecado, devem propriamente ser vistas por nós como as contrações do parto de um mundo melhor. Novamente vemos a redenção em dimensões cósmicas.

Em Efésios 1.13,14, Paulo fala acerca de nossa herança: “Nele fostes selados com o Santo Espírito da promessa; o qual é o penhor da nossa herança até o resgate da sua propriedade, em louvor da sua glória”. Nesta tradução, da Versão Revised Standard, a expressão grega eis apolytrosin tes peripoieses (literalmente: até à redenção da possessão) é traduzida como se significasse: até que resgatemos o que é nossa possessão. Outras versões sugerem uma interpretação diferente. A Versão New International traduz assim a frase em questão: “até à redenção daqueles que são possessão de Deus”. Seja qual for a versão que adotarmos, porém, é claro nesta passagem que o Espírito Santo é a garantia ou penhou da nossa herança. O que, pois, é esta herança? Geralmente, consideramos a herança aqui mencionada como apontando para o céu. Mas porque esse termo deveria ser tão restringido? À luz do ensino do Antigo Testamento, não é verdade que esta herança inclua a nova terra com todos os seus tesouros, belezas e glórias?
Existe uma passagem, no livro do Apocalipse, que fala acerca de nosso reinado sobre a terra: “Digno és [Cristo] de tomar o livro e de abrir-lhe os selos, porque foste morto e com teu sangue compraste para Deus os que procedem de toda tribo, língua, povo e nação, e para o nosso Deus os constituíste Reino e sacerdotes; e reinarão sobre a terra (Ap. 5.9,10). Embora alguns manuscritos tragam o verbo “reinarão” no tempo presente, os melhores textos trazem o tempo futuro. O reinado sobre a terra desta grande multidão redimida é representado aqui como a culminação da obra redentora de Cristo por seu povo.
As principais passagens bíblicas que falam da nova terra são as seguintes: Isaías 65.17-25 e 66.22,23 2 Pedro 3.13 e Apocalipse 21.1-4. Isaías 65.17-25,

Em 2 Pedro 3, o apóstolo enfrenta a objeção dos escarnecedores que dizem: “Onde está a promessa da sua vinda?” (v.4). A resposta de Pedro é que o Senhor adia a sua vinda porque ele não deseja que ninguém pereça, mas deseja que todos venham ao arrependimento (v.9). Entretanto, Pedro continua dizendo, o dia do Senhor virá, e naquela ocasião a terra e as obras que nela estão serão destruídas pelo fogo (v.10). Agora acompanhe estas palavras: “(11) Visto que todas essas coisas hão de ser assim desfeitas, deveis ser tais como os que vivem em santo procedimento e piedade, (12) esperando e apressando (ou desejando ansiosamente, variante) a vinda do dia de Deus, por causa do qual o céus incendiados serão desfeitos e os elementos abrasados se derreterão. (13) Nós, porém, segundo a sua promessa, esperamos novos céus e nova terra, nos quais habita justiça”. A ênfase de Pedro é que, embora a terra atual será “incendiada”, Deus nos dará novos céus e uma nova terra que nunca será destruída, mas que durará para sempre. Desta nova terra tudo o que for pecaminoso e imperfeito terá sido removido, pois será uma terra onde habita a justiça.

Portanto, a atitude adequada para com estes eventos vindouros não é de escarnecer do seu atraso, mas de estar ansiosamente esperando pela volta de Cristo e pela nova terra que virá à existência após essa volta. Tal espera deveria transformar a qualidade da vida aqui e agora: “Por essa razão, pois, amados, esperando estas coisas, empenhai-vos por ser achados por ele em paz, sem mácula e irrepreensíveis” (v.14).

Conclusão:
A descrição mais arrebatadora de toda a Bíblia sobre a nova terra é encontrada em Apocalipse 21.1-4:

(1) Vi novo céu e nova terra, pois o primeira céu e a primeira terra passaram, e o mar já não existe. (2) vi também a cidade santa, a nova Jerusalém, que descia do céu, da parte de Deus, ataviada como noiva adornada para o seu esposo. (3) Então ouvi grande voz vinda do trono, dizendo: Eis o tabernáculo de Deus com os homens. Deus habitará com eles. Eles serão povos de Deus e Deus mesmo estará com eles. (4) E lhes enxugará dos olhos toda lágrima e a morte já não existirá, já não haverá luto, nem pranto, nem dor, porque as primeiras coisas passaram.




Estudo retirado do livro a Bíblia e o futuro.
Aplicado na igreja Presbiteriana de Utinga Ba.
Primeiro semestre de 2009

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

AVIVAMENTO

O trecho abaixo foi retirado do livro "Avivamento Urgente", escrito por Hernanddes Dias Lopes, publicado pela editora Betânia.


Em tempos de avivamento, a igreja não se satisfaz com nada menos do que o próprio Deus. Deus é a sua busca, sua sede, seu alvo, sua meta, sua paixão.

Hoje instalou-se na igreja um deserto. Em muitos lugares, a vida da igreja parece o deserto do Saara, sem as águas do Nilo. Tudo é aridez, sequidão. Não há verdor, não há vida exuberante, não há fruto. Há estiagem e sequidão espiritual. Há um agreste cinzento. Muitos de nós levam uma vida vazia. Estamos desfalecendo. Estamos estiolados.

Temos tudo: templos modernos, boa organização, púlpitos eruditos, conjuntos corais maravilhosos, mas nossa alma está murcha. Ela só se satisfaz com a intimidade de Deus. Temos necessidade de Deus. Carecemos do orvalho fresco do céu (Os 14:5).

"Como o corpo necessita de pão e os rios correm para o mar, como as águias tem sede das alturas, e as flores carecem do orvalho e do sol, nossa alma busca ansiosamente por Deus". Criada por Deus, vivificada pelo Seu sopro, a nossa alma clama por Deus. "... a minha alma anseia por ti como terra sedenta". (Sl 143:6) "Ó Deus ... eu te busco ansiosamente; a minha alma tem sede de ti; meu corpo te almeja numa terra árida, exausta, sem água" (Sl 63:1).

Essa sede de Deus vai além da moralidade, do bom comportamento social, do religiosismo. É mais do que ortodoxia teológica; mais do que ser membro da igreja; mais do que trabalhar na igreja e ter ali importantes cargos de liderança.

Intimidade com Deus é viver com Deus. É viver em Deus. É viver para Deus. É ser tragado por Deus. É abeberar-se de Deus. É mergulhar no inesgotável oceano da comunhão com Deus.

Conhecemos nós essa sede de Deus? Nosso coração o anseia? Nossa alma clama pela presença de Deus? Temos orado para que Deus resplandeça sobre nós o seu rosto? Desejamos o Senhor mais do que os guardas pelo romper da manhã? Temos buscado mais a Deus do que os prazeres, do que o dinheiro e do que a fama? Temos nós priorizado mais o Senhor da obra do que a obra do Senhor? Temo-nos reclinado no peito de Jesus? Temo-nos assentado aos seus pés? Temos feito de Deus o nosso maior tesouro, a nossa suprema herança, o maior deleite da nossa alma?

Jonathan Edwards, aos vinte anos, dedicou-se inteiramente a Deus, e o fez por escrito. Embora fosse o maior teólogo do seu tempo, orava com sofreguidão, com o rosto banhado em lágrimas, buscando conhecer a intimidade de Deus. Porventura não é essa a marca de todos aqueles que experimentaram o avivamento na própria vida?

O grande sinal do avivamento é que o povo sempre quer mais de Deus. Como Moisés, mesmo depois de estupendas revelações no Sinai, ainda queria mais, esperava mais, buscava mais, ainda pedia para ver a glória de Deus.

No avivamento, o nosso coração não se distrai com banalidades. Paulo disse que os seus troféus do passado, ele os considerava como refugo, esterco, por causa da sublimidade do conhecimento de Cristo (Fp 3.8). "... para mim o viver é Cristo...", disse ele (Fp 1:21).

E para você, leitor, Deus é o maior prazer da sua vida? Você se deleita na contemplação da bondade de Deus? Deus é o centro das suas conversas? Deus é o conteúdo das suas aspirações? Você conhece a intimidade de Deus? Já experimentou o derramamento de amor de Deus em seu coração? Já foi banhado pelo óleo da alegria indizível e cheia de glória da presença do Espírito em seu coração? Já ficou extasiado de gozo diante da meditação e compreensão das insondáveis riquezas de Cristo?

Que o nosso coração corra agora para o Deus vivo, manancial de águas vivas! (Jr 2:13

CORONEL JOÃO DOURADO (1854-1927)

Alderi Souza de Matos João da Silva Dourado nasceu em Caetité, sul da Bahia, no dia 7 de janeiro de 1854. Era filho de João José da Silva Do...