terça-feira, 13 de agosto de 2019

O caminho sombrio para o suicídio de pastores.


Por que pastores se deprimem? Como pode um homem de Deus ficar tão abatido assim?

Andrew Keller/Freeimages.com
Andrew Keller/Freeimages.com
De acordo com o Instituto Schaeffer, “70% dos pastores lutam constantemente contra a depressão, 71% se dizem esgotados, 80% acreditam que o ministério pastoral afeta negativamente suas famílias e 70% dizem não ter um amigo próximo”.
A causa mais comum noticiada para o suicídio de pastores e líderes é a depressão, associada a esgotamento físico e emocional, traições ministeriais, baixos salários e isolamento por falta de amigos.

DEPRESSÃO:
Por que pastores se deprimem? Como pode um homem de Deus ficar tão abatido assim?
– A Bíblia menciona homens e mulheres fiéis que ficaram neste estado e que desejaram morrer — entre esses estão Rebeca, Jacó, Moisés e Jó. — Gn 2522; 37.35; Nm 11.13-15; Jó 14.13. Especialmente Elias (1 Reis 19.4)
– Elias teve um ministério de sucesso: previsão da seca; ressuscitou uma criança; enfrentou os profetas de Baal; etc.
– Tinha vigor físico – correu à frente do carro de Acabe (1 Reis 18.46) – ou seja, não tinha problemas físicos;
– Uma ameaça real – jurado de morte – fez perder o sentido da vida em um escalonamento (1 Reis 19.3 e 4):
  • Preocupação com a vida
  • Isolamento social
  • Desistência da vida
– O medo de perder a vida paradoxalmente o fez perder o sentido da vida
– Escalonamento de vitimização:
  • Ocorre em relacionamentos simétricos quando não há concordância sobre as posições de superioridade e sujeição na relação
  • Podem brigar pelo controle em suas posições (de superioridade ou sujeição) – existe pouco consenso em relação às posições e ambos acabam se sentindo vítimas
  • A escalação sacrificial se dá quando quem ganha perde
– Ameaças reais que se interpõe na vida cotidiana – podem ser o ‘gatilho’ para desencadear a falta de desejo pela vida:
  • falência financeira
  • término de um relacionamento amoroso – divórcio
  • perda do emprego
  • perda de uma pessoa amada, de um filho
  • fracasso profissional – injustiças
  • abandono social – falta de amigos

ESGOTAMENTO FÍSICO E EMOCIONAL:
Descanso e saúde:
– Trabalho e descanso marcam um ritmo vital
  • São atitudes complementárias
  • Uma iniciativa humana que se articula complementarmente através do “descanso” com a natureza própria da vida
– Quando o homem descansa, ele não interrompe sua tarefa vital, apenas a significa
  • Outorga um sentido – trabalha confiante que sua tarefa é um prolongamento de uma bondade que se afirma no próprio Deus
  • O trabalho do homem não se assegura em um rendimento transacional, mas em uma mutualidade originada na doação do tempo que cada um de nós recebe com um presente.
– Descansar é um comportamento que surge de estar existencialmente “confiado”:
  • Crer que cada um faz o que faz a partir de uma “boa vontade”, ou seja, da própria espontaneidade da vida
  • É deixar que a beleza da rosa o atravesse, enquanto se trabalha e criar com o martelo que labora os ritmos de descanso que o florescer da rosa convida
  • Descansar é imprescindível para uma vida saudável:
    • Descansar significa “ser capaz de distanciar-se daquilo que nos torna obsessivos”
    • Esta disposição está ligada à nossa corporalidade e é independente de nossa vontade – não pode ser fabricado, apenas chega a nós
    • O descanso é aquilo que nos faz dormir em paz
  • As manobras da sociedade de consumo:
    • A tentativa de descanso através da “prótese”: excesso de álcool, tranquilizantes, compulsões (do turismo merecido até a religião tóxica, passando por uma sexualidade de performance)
  • O descanso é como uma visita que realça a hospitalidade própria do amor, criando uma nova fecundidade onde o cansaço havia obscurecido a esperança
  • Em síntese: descansar é RE-VIVER!

FALTA DE AMIGOS:
  • Pastores têm poucos amigos, às vezes nenhum.
  • Em reuniões exclusivas para pastores, a maioria conta proezas, sucessos, vitórias e conquistas na presença dos demais, num clima de competição para mostrar que possui êxito no exercício ministerial.
  • Na conversa íntima dos consultórios, o sofrimento se revela.
  • Pastores contemporâneos são cobrados como – e muitos se sujeitam a ser – executivos que precisam oferecer resultados numéricos às suas instituições.
  • Há uma relação circular perversa de falso significado de sucesso: pastor e instituição se conluiam em uma rota autodestrutiva
  • A figura do pastor-pai-cuidador está escassa; aquele que expõe a Palavra à comunidade-família, aconselha os que sofrem e cuida dos enfermos e das viúvas.
  • Há uma crise de identidade funcional entre o chamado pastoral e as exigências do mercado religioso institucional.

Estratégias de poder
Poder SOBRE:
Estratégias de compaixão
Poder COM:
curarcuidar
expertajudador
técnicointeração
distância emocionalenvolvimento
unidirecionalcircular
razãoimaginação
 
quando me sinto responsável
pelo outro “eu”
quando me sinto responsável
pelo outro “eu”
faloescuto
dirijoconvido
coloco/retirosintonizo
protejoanimo
resgatocompartilho
controlorelevo
interpretosou sensível
 
eu me sintoeu me sinto
ansiosolivre
cansadosolto
temerosoalerta
obrigadocorresponsável
 
eu estou comprometido comeu estou comprometido com
a soluçãorelacionar alma com alma
respostassentimentos
circunstânciaspessoas
estar bemter compaixão
 
espero que a persona viva minhas expectativasconfio que o  processo me permita dançar com…

ALGUMAS ALTERNATIVAS:
Pastores:
  • Encontrar um amigo que o aceite como é, com suas bobagens e defeitos, com quem se possa “jogar conversa fora” e não se saiba explicar o porquê da amizade.
  • Encontrar um conselheiro ou terapeuta de confiança para abrir a alma.
  • Ter tempo para o SHABATT – fora do padrão compulsivo
  • Descobrir a importância do “descanso relacional”
  • Estar atento às relações de escalonamento sacrificial – especialmente com a instituição (representada por dirigentes/membros obsessivos)
Instituições:
  • Promover encontros de pastores que possuam caráter terapêutico/curador. Com facilitadores habilitados na condução de compartilhamento de emoções que afetam a vida pastoral;
  • Diminuir as pressões de resultados numéricos sobre a função pastoral.
  • Estar atenta a um padrão mínimo de orçamento-salário pastoral, para que ele e sua família não sofram privações.
  • Desmitificar pseudo-hierarquizações: papéis x poder, realçando a humanidade de todos e o pertencimento mútuo.
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QUANDO UM PASTOR LUTA CONTRA A DEPRESSÃO.



Quando um Pastor luta contra a Depressão
Depressão é um assunto controverso entre cristãos. Existe discordância quanto à natureza, às causas e aos tratamentos apropriados para esse mal. Mas, enquanto alguns debatem essas questões, outros sofrem intensamente lutando contra a depressão, inclusive pastores. De fato, esse é um assunto para o qual a igreja não pode fechar os olhos.
A depressão é uma das dores mais difíceis de suportar, pois sua própria natureza (a perda da esperança) milita contra a expectativa de recuperação. Em sua obra sobre o assunto, Ed Welch define depressão como “um sofrimento que não pode ser reduzido a uma causa universal”.[1]Assim, muito mais do que uma frustração ou desequilíbrio químico, a depressão é a intensa dor que nem mesmo o deprimido consegue explicar. Não se pode reduzir isso ao aspecto emocional, pois as emoções do deprimido estão em pleno funcionamento, em uma dinâmica tão intensa que não podem ser explicadas. Além do mais, o problema do deprimido não é falta de sensibilidade espiritual, pois as perguntas que ele faz, em sua maioria, possuem cunho espiritual e religioso: Por que Deus permitiu isso comigo? Até quando, Senhor? Por que estou aqui? Qual é a causa desse sofrimento? Dessa maneira, muito mais do que um sermão, uma confrontação ou o uso de um versículo bíblico como “vara-de-condão”, o processo de ajuda ao deprimido exige sensibilidade, generosidade, paciência e amor.
 Todavia, o propósito dessa reflexão não contempla uma discussão geral sobre a depressão, mas a consideração do que ocorre quando um pastor luta contra esse mal. De acordo com um estudo realizado pela Duke Divinity School em 2008 (e publicado em 2013), pastores possuem 1,6 a mais de probabilidade de experimentar depressão do que a população em geral (8,7% versus 5,5%).[2]Alguns estudiosos procuram explicações para esse fenômeno no fato de que diariamente os pastores se encarregam de atividades estressantes. Entretanto, a máxima de Welch deveria ser lembrada nesses casos também: não se pode identificar uma única causa para esse mal. Há pastores sofrendo na luta contra depressão e muitos membros de suas igrejas não fazem a mínima ideia disso. Alguns somente tomam conhecimento dessa realidade após evidências dramáticas desse mal: crises familiares, debilidades físicas, resignações no ministério e até casos de suicídio.
Como compreender o que ocorre quando um pastor luta contra depressão? O que se passa em sua mente e no íntimo de seu coração? O que poderia ser dito a ele nesses momentos? Como poderíamos começar a ajudar? De início, listo cinco observações a seguir que podem auxiliar nesse processo de compreensão e ajuda. Assim, tanto os que enfrentam a depressão quanto os que desejam ajudar pastores nessa luta poderão ter uma noção melhor do que ocorre nesses casos. Conquanto essas propostas não esgotem o assunto, elas indicam um caminho a ser trilhado nesses casos.
1. A dor do pastor é ampliada pelo mito de que pastor não fica deprimido
Para um pastor, confessar sua depressão equivale a admitir sua desqualificação para o ministério. Isso porque muitos cristãos insistem na ideia de que depressão é um mal que atinge apenas “outras pessoas” que não o pastor. Aqueles que pregam as boas-novas de alegria e paz nunca podem se sentir tristes e abatidos nem dominados pela ansiedade característica da depressão. Além do mais, algumas pessoas pensam que os servos de Deus vivem em perfeito equilíbrio e perfeita ordem o tempo todo. Nesse sentido, como eles poderiam experimentar a “noite escura da alma”? Como poderiam ser tomados pelo desespero se pregam a esperança? Todo esse questionamento revela o mito popular de que o pastor não fica deprimido.
Todavia, a própria história do cristianismo revela que grandes homens de Deus que serviram no pastorado lutaram intensamente contra a angústia da depressão. Nessa lista estão incluídos Bernardo de Claraval, Martinho Lutero e Charles H. Spurgeon. Esse último, em um de seus sermões confessou aos ouvintes: “sou alvo de depressões de espírito tão assustadoras que espero que nenhum de vocês jamais tenha que passar por tais extremos de desgraça”.[3] Portanto, ainda que o mito persista, não corresponde à realidade.
2. A aflição do pastor é agravada pela dor que ele causa em seus familiares e pessoas próximas
O ministério pastoral implica cuidar de outros, mas quando o pastor não consegue cuidar nem de si mesmo, ele se sente fracassado por causar dor e tristeza naqueles que estão mais próximos, principalmente seus familiares. Na luta contra a depressão, a dor do pastor é agravada pelo fato de ele ver o sofrimento estampado nos olhos de quem ama e não conseguir fazer nada para mudar sua própria condição, causa da dor alheia. Notar a esposa triste pela casa, os filhos sem saber como se aproximarem do pai e a igreja sem compreender como cuidar do seu pastor nesses momentos é uma experiência dolorosa.
Para o ministro do Evangelho, necessitar receber cuidado intenso por quem deveria ser cuidado por ele pode ser excruciante. Além do mais, como se encontrar desorientado quando se sente responsável por orientar outros? Ao final de tudo, o pastor nem conseguirá dizer qual é a fonte de sua maior angústia e sofrimento: se algo interno ou externo, se algo existencial ou relacional? Enfim, isso se torna motivo de maior angústia e confusão.
3. O sofrimento do pastor é intensificado pela culpa que o esmaga
Pastores geralmente se sentem fracassados e culpados quando são tomados pela depressão. Muitos deles partilham da convicção popularizada por Martyn Lloyd-Jones de que “De certa forma, um cristão deprimido é uma contradição de termos, e é uma péssima recomendação do evangelho”.[4]Essa crença pode levar o pastor a questionar sua própria conversão e fé. Além do mais, ele se culpa por seus sentimentos e ações não corresponderem ao seu conhecimento da verdade. Em sua opinião, e certamente na opinião de muitos, ele deveria saber lidar com toda essa confusão que o assola. Mas o conhecimento teórico parece muito distante da ação efetiva nessas horas.
Nos momentos de depressão, a mente do pastor pode ainda ser tomada por uma avalanche de lembranças de quando ele negligenciou sua família em prol do rebanho, ocasiões em que ele não teve o tempo necessário para resolver as crises ou atentar para as necessidades familiares. A dor se mistura com culpa e a culpa gera mais dor ainda! Desolado, o pastor deprimido tende a fazer penitências com o objetivo de se livrar de tamanho fardo. A complexidade, porém, está no fato de que o componente da culpa nesse caso pode ser irreal, pois Deus não culpa uma pessoa por cair em depressão ou abatimento em si. Há, certamente, casos nos quais o abatimento resulta de pecados, mas nem sempre (cf. Sl 31, 32 e 38). Embora não se possa emitir diagnóstico de depressão aos personagens bíblicos, em seu abatimento eles foram ouvidos e não condenados pelo Senhor (cf. Sl 42 e Sl 88).
4. O suplício do pastor acaba tendo que ser processado por ele mesmo
Tomado pela vergonha e medo, o pastor em luta contra a depressão geralmente se isola e se afasta das pessoas ao redor. A resposta mais comum nesses casos é o silêncio e a reclusão. As programações da igreja se tornam cansativas e encontrar os amigos acaba sendo arriscado, pois em qualquer momento ele pode “perder o controle” e revelar o verdadeiro estado do seu coração. Até as conversas em família parecem ameaçar, pois na tentativa de auxiliar, as pessoas próximas acabam apresentando uma série de perguntas que incomodam: por que você está se sentindo assim? Por que não ora e busca a Deus para te livrar disso? Até quando você acha que isso durará? etc. Ainda que bem-intencionadas, perguntas como essas indicam que o inquiridor realmente não compreende o que está acontecendo. Pior ainda, para um abatido, interrogações diretas podem ferir como espadas pontiagudas.
Em sua solidão, o pastor erroneamente prega para si mesmo: “médico, cura-te a ti mesmo”. Nesse ponto, a esperança de auxílio de um conselheiro, amigo e ajudador, se esvai. Ele sempre pareceu dar atenção às pessoas, mas, agora que sua alma realmente necessita de atenção, não sabe para quem correr. Nem percebe o pastor deprimido que, em sua angústia, acabou se afastando das pessoas, inclusive daqueles que poderiam lhe prestar alguma assistência. Ele imagina que terá que processar sua própria dor em quietude.
5. O tormento do pastor precisa ser processado à luz das Escrituras
Em meio ao emaranhado de fatores complicadores, durante sua luta contra a depressão, o pastor corre o risco de se esquecer do poder vivificador das Escrituras. Essa lição foi claramente ensinada pelo salmista que orou: “O que me consola na minha angústia é isto: que a tua palavra me vivifica” (Sl 119.50). Em sua Palavra, o Senhor Deus concede recursos para que nossa depressão seja processada. Menciono aqui apenas três desses elementos de ajuda.
Em primeiro lugar, é bom trazer à memória que, em sua angústia, você nunca está só. O Deus Emanuel nunca abandona os seus servos. É importante lembrar que a invisibilidade de Deus não é sinônimo de indiferença e que sua demora em atender não significa que Ele não se importa! Ao contrário, Ele nos cerca com o seu cuidado providencial carregando-nos durante os momentos mais aflitos de nossa vida (cf. Is 43.2-3).
Outra verdade a ser lembrada é que nós não somos nossos próprios salvadores. Ou seja, não somos os responsáveis por nos trazer alívio, Cristo é. Somente o Redentor é poderoso e capaz de livrar a alma da morte, pois Aquele que venceu a morte também graciosamente concede vida. Nesse sentido, deixar de esperar em nós mesmos e em nossos próprios esforços e lançar toda a confiança em Deus é a atitude mais sábia nesses momentos. Essa lição foi claramente deixada pelo apóstolo Paulo em 2Coríntios 1.8-10.
Em terceiro lugar, é necessário lembrar que até nossas lágrimas não são desperdiçadas por Deus (cf. Sl 56.8). Em outras palavras, Deus não apenas não desiste do aflito como é poderoso para usar até sua aflição para sua edificação espiritual (como aconteceu com Jó) e para impactar outros ao redor (como no caso de Estêvão e Paulo). Por isso, é importante que o pastor deprimido faça uma distinção entre seus sentimentos e os fatos afirmados pela Palavra de Deus. As promessas de Deus são verdadeiras, enquanto os sentimentos são projeções da dor alojada no coração.
A depressão entre pastores não é uma impossibilidade. A ordenação pastoral não é um manto sagrado a proteger os servos de Deus dos sofrimentos e aflições nesse mundo. Ademais, o selo do Espírito no coração do crente não o torna imune às dores comuns nessa vida terrena. O que o servo de Deus, comprometido em lutar contra o abatimento e depressão de alma, pode fazer é pregar para si mesmo aquilo que constantemente prega para outras pessoas e dizer assim como o salmista: “Por que estás abatida, ó minha alma? Por que te perturbas dentro de mim? Espera em Deus, pois ainda o louvarei, a ele, meu auxílio e Deus meu” (Sl 42.5). Dessa forma, que a graça do Altíssimo repouse sobre os seus benditos pastores!
 
[1] WECH, Edward. Depressão: A tenebrosa noite da alma. São Paulo: Cultura Cristã, 2014, p. 11.
[2] Duke Today Staff. Clergy more likely to suffer from depression and anxiety. Disponível em: https://today.duke.edu/2013/08/clergydepressionnewsrelease. Acesso em: 20.01.2019.
[3] SPURGEON, Chales H. Joy and peace in believing. Metropolitan Tabernacle Pulpit, vol. 12, sermão 692.
[4] LLOYD-JONES, Martyn. Depressão spiritual. São Paulo: PES, 1987, p. 5.

- Valdeci Santos

sábado, 10 de agosto de 2019

QUANDO SURGIU O DIA DOS PAIS

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Em 1909, em Washington, Estados Unidos, Sonora Louise Smart Dodd, filha do veterano da guerra civil, John Bruce Dodd, ao ouvir um sermão dedicado às mães, teve a idéia de celebrar o Dia dos Pais. Ela queria homenagear seu próprio pai, que viu sua esposa falecer em 1898 ao dar a luz ao sexto filho, e que teve de criar o recém-nascido e seus outros cinco filhos sozinho. Já adulta, Sonora se sentia orgulhosa de seu pai ao vê-lo superar todas as dificuldades sem a ajuda de ninguém. Então, em 1910, Sonora enviou uma petição à Associação Ministerial de Spokane, cidade localizada em Washigton, Estados Unidos. E também pediu auxílio para uma Entidade de Jovens Cristãos da cidade. O primeiro Dia dos Pais norte-americano foi comemorado em 19 de junho daquele ano, aniversário do pai de Sonora. A rosa foi escolhida como símbolo do evento, sendo que as vermelhas eram dedicadas aos pais vivos e as brancas, aos falecidos. A partir daí a comemoração se difundiu da cidade de Spokane para todo o estado de Washington. Por fim, em 1924 o presidente Calvin Coolidge, apoiou a ideia de um Dia dos Pais nacional e, finalmente, em 1966, o presidente Lyndon Johnson assinou uma proclamação presidencial declarando o terceiro domingo de junho como o Dia dos Pais (alguns dizem que foi oficializada pelo presidente Richard Nixon em 1972). O Dia dos Pais no Brasil, foi importado pelo publicitário Sylvio Bhering. Instituído no dia 14 de Agosto de 1953, atualmente é comemorado no 2º domingo do mês de agosto, sendo a data brasileira diferente da americana e europeia.

quinta-feira, 8 de agosto de 2019

Relativize o relativismo!


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A geração atual, também conhecida por millenial, é avessa às regras. Na visão do filósofo Norman Doidge, esta é “a primeira geração diligentemente ensinada sobre duas ideias aparentemente contraditórias sobre moralidade... Essa contradição deixou-os, em geral, desorientados e inseguros... Veem a moralidade como relativa, no mínimo um ‘julgamento de valor’ pessoal... A moralidade de cada grupo não é nada além da tentativa de exercer poder sobre o outro... portanto, o mais decente a ser feito é demonstrar tolerância com as pessoas que pensam de modo diferente... Uma vez que não sabemos diferenciar o certo do errado ou o que é bom, a coisa mais inadequada que um adulto pode fazer é dar conselhos aos mais jovens sobre como viver.”

E Doidge continua: “infelizmente as pessoas não conseguem tolerar o caos inerente à vida, não conseguem viver sem uma bússola moral, sem um ideal para guiar suas vidas e assim surge o niilismo e o desespero. O resultado é uma geração sem direção, achando que a única virtude existente é não possuir qualquer concepção ou ideia formada sobre os assuntos mais palpitantes da vida.”

Então, o problema do relativismo é sua relatividade. Irônico, não? Ao dizer que “tudo é relativo!”, esbarramos na compreensão de que, até mesmo tal afirmação precisa ser relativizada, portanto, ela não é essencialmente verdadeira. Você não pode se firmar nesta afirmação. Não porque ela seja falsa, mas porque ela não é verdadeira. É possível tal dialética!?

A verdade é que todos nós precisamos de regras e princípios básicos que norteiem nossa caminhada, embora reconheçamos que costumes específicos variem de lugar para lugar. Ainda assim, podemos perceber que em todas as culturas, por mais primitivas ou sofisticadas que sejam, é preciso criar regras, leis e costumes.

O escritor C. S. Lewis tenta exemplificar isto da seguinte forma: “todos já viram pessoas discutindo. Às vezes, a discussão soa engraçada; em outras, apenas desagradável. Dizem, por exemplo: “Você gostaria que fi­zessem o mesmo com você?”; “Desculpe, esse banco é meu e eu sentei aqui primeiro”, “Por que você teve de entrar na frente?” Essas coisas são ditas todos os dias por pessoas cultas e incultas, por adultos e crianças.”

Ao fazer isso a pessoa apela para um padrão de compor­tamento que o outro deveria conhecer, mas raramente responde-se: “ao inferno com o padrão!”. Está claro que os envolvidos na dis­cussão conhecem uma lei ou regra de conduta leal, de comportamento digno ou moral, ou, como quer que queiramos chamar, há um padrão com o qual efetivamente concordam. Ora, essa lei ou regra do certo e do errado era cha­mada de Lei Natural.

Portanto, se o relativismo se torna o fundamento social, ideias como moral, valores e princípios nada mais são que formulações teóricas e preconceituosas. Tudo é válido porque ninguém pode dizer se isto é correto ou não... Aliás, para que serve sistema judiciário, polícia, família, casamento? Para que servem mesmo as regras? Se tudo é relativo, não há regras nem leis...

Rev Samuel Vieira

terça-feira, 23 de julho de 2019

Equívocos



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Uma das conhecidas máximas de Sócrates, filósofo grego, é a seguinte: “Quanto mais sei, mais sei que nada sei”.
Como facilmente julgamos erroneamente o que vemos, ou interpretamos de forma incorreta o que nos é dito. É fácil se equivocar no julgamento dos fatos, assim como é fácil se equivocar acerca das pessoas.

Na Bíblia há um relato interessante sobre isto. O profeta Samuel é enviado por Deus à casa de Jessé para ungir um de seus filhos para ser rei em Israel. Eram oito filhos, incluindo Davi que não estava presente, e quando Eliabe entrou, Samuel disse consigo: “Certamente, está perante o Senhor o seu ungido. Porém, o Senhor disse a Samuel: Não atentes para a sua aparência, nem para a sua altura, porque o rejeitei; porque o Senhor não vê como vê o homem. O homem vê o exterior, porém o Senhor, o coração”.

O grande problema é que não seguimos o que é verdade, mas o que julgamos ser a verdade. Não necessariamente julgamos os fatos corretamente, mas damos a interpretação dos fatos; nem avaliamos corretamente as pessoas, mas a visão que desenvolvemos acerca delas.

Por isto é que você já teve ter vivido situações nas quais posteriormente admitiu que estava equivocado em relação a alguém, tanto por dar crédito a alguém duvidoso, quanto para suspeitar de alguém fidedigno.

Errar na interpretação é errar na vida. Nossos pressupostos e valores nos guiam e passamos a viver baseados naquilo que cremos e aceitamos como verdadeiro. Por isto, errar na avaliação cobra um dividendo tão caro. Quando a realidade vem à tona e revela o equívoco, ficamos irritados, frustrados ou nos tornamos vitimizados. 

Mark Twain afirma: “O que nos causa problemas não é o que não sabemos. É o que temos certeza que sabemos e que, no final, não é verdade”.  O pensamento é o produto mental decorrente da capacidade que todos os seres humanos possuem de trabalhar com a sua mente. Infelizmente muitas vezes cometemos “erros de pensamento”.

Em outras ocasiões, consideramos que existe somente o preto e o branco e nos esquecemos do cinza. Na verdade, existe uma zona cinzenta na qual as cores não são muito definidas mas ainda assim queremos afirmar que são pretas ou brancas.

A verdade é que todos nós, cometemos equívocos. Uma atitude de humildade e confissão, pode ser redentora. Muitas vezes o problema não é apenas cometer equívocos, mas insistir em sustentar uma mentira, mesmo depois que já entendemos nosso erro, simplesmente porque somos incapazes de dizer: “Me perdoa!”, ou “eu reconheço minha falha”, ou ainda “me ajude!” O equívoco pode real, mas a cura também pode ser completa, quando deixamos de sustentar aquilo que, no final, descobrimos que é falso. Isto é libertador!

Rev Samuel Vieira.

quinta-feira, 4 de julho de 2019

Não te impacientes...



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Peter Marshal, capelão do Senado americano foi um brilhante orador. Um dos seus sermoes mais marcantes foi: “Pecado no tempo presente!”.

Ele narra a história de um pai e seu filho interagindo. Eles costumavam levar suas colheitas para venderem na cidade num determinado dia da semana. O filho era extremamente agitado, ao passo que o pai era calmo e paciente.
Muitos anos atrás, no Japão, havia um rapaz que cultivava um pequeno canto de terra.

Diversas vezes por ano, carregavam o carro de boi com verdura e iam à cidade mais próxima. A não ser o nome e o pequenino canto de terra, pai e filho tinham muito pouca coisa em comum. O velho cria em não trabalhar demais...e o filho era ativo.

Certa madrugada carregaram o carro, atrelaram o boi, e saíram a caminho. O jovem calculou que, se acordassem cedo, logo poderiam estar na cidade para vender seus produtos. Andava ao lado do boi, picando-o com o aguilhão para andar.

-“Calma”, dizia o velho. “Você viverá mais”

-“Se chegarmos ao mercado antes dos outros”, disse seu filho, “teremos a oportunidade de conseguir melhores preços”.

O velho puxou o chapéu sobre os olhos e pôs-se a dormir no banco. Seis quilômetros depois, chegaram a uma pequenina casa.

-“Cá está a casa de seu tio”, disse o pai. “Vamos parar e dizer bom dia?”.

-“Já perdemos uma hora”, retrucou o rapaz.

- “Então mais alguns minutinhos não farão diferença”, replicou o pai. Meu irmão e eu vivemos tão perto e quase nunca nos vemos”.

O moço se movia impaciente enquanto os dois senhores conversavam e davam boas risadas, tomando o seu chá. A caminho outra vez, o pai, por sua vez se incumbiu do boi. Um pouco mais adiante, chegaram a uma encruzilhada. O velho tocou o boi à direita.

-“O caminho à esquerda é mais curto”, disse o rapaz.

-“Eu sei”, disse o velho, mas este é mais bonito.

-“Você não faz caso tempo, faz?”, perguntou, impaciente, o jovem.

-“Faço muito caso” disse o velho. “É por isso que eu gosto de usá-lo para ver coisas bonitas”.

O caminho a direita passava por florestas e flores do mato. O jovem estava tão ansioso que não reparou quão belo era a natureza.

-“Esta é a última viagem que faço com o Senhor”, disse zangado o filho. O senhor se incomoda muito mais com flores de que com ganhar dinheiro”.
-“Isso é a coisa mais amável que você me diz há muito tempo” sorriu o velho.
Dois quilometros adiante, encontraram um fazendeiro tentando tirar seu carro de um buraco.

-“Vamos ajudá-lo”, disse o pai.

-“...e perder mais tempo?” explodiu o filho.

-“calma” disse o velho. “você poderá cair num buraco também algum dia”.

Quando conseguiram tirar o carro, tinham perdido um tempo precioso, na visão daquele rapaz, eram quase 8 horas da manhã, iam chegar tarde à feira, apesar de terem acordado tão cedo. Iam perder bons negócios...

Repentinamente um som estranho e um risco estranho rasgou o céu. Ouviu-se um trovão, assustador.

Além das montanhas, os céus ficaram negros.

-“Parece que vai chover muito na cidade”, disse o velho.

-“Se não tivéssemos perdido tempo, teríamos vendido tudo já!  resmungou o filho.

-“Calma, disse o velho, você viverá mais”.

Quando alcançaram, ainda bem distante, o topo do morro, ficaram perplexos com um o que viram. Por detrás daquele trovão, daquele barulho, e das nuvens escuras nos céus, viram uma cidade completamente destruída.

Ficaram olhando por longo tempo, nenhum deles falou.

Finalmente o moço que estivera com tanta pressa disse. “compreendo o que o Senhor quis dizer, papai”.

Viraram o carro e afastaram da cidade que tinha sido Hiroshima. 

Rev Samuel Vieira.

CORONEL JOÃO DOURADO (1854-1927)

Alderi Souza de Matos João da Silva Dourado nasceu em Caetité, sul da Bahia, no dia 7 de janeiro de 1854. Era filho de João José da Silva Do...