quinta-feira, 25 de maio de 2017

Caio Fábio é preso e levado para a Papuda.


Pastor diz que é consequência do “dossiê Cayman”, de 1998


Caio Fábio é preso e levado para a Papuda
Um áudio enviado para a redação do portal Gospel Prime, por uma pessoa ligada ao pastor Caio Fábio dá conta que ele foi preso nesta quarta-feira (24) pela Polícia Federal.
A voz é inegavelmente do pastor.
“Aquela ação lá de [19]98 do dossiê Cayman, teve vigência hoje e eu estou sendo conduzido para a superintendência da [Polícia] Federal e depois para a Papauda, num regime semiaberto. Não teve ainda nenhuma ação do meu advogado e eu mesmo estava absolutamente certo que esse era um processo vencido há muito tempo e acabado. Então, com toda tranquilidade, gostaria só que vocês informassem o pessoal da igreja…. o que aconteceu”, diz o material.

Ouça na íntegra:

Entenda o caso

O dossiê Cayman, como ficou conhecido, foi revelado em 1998, nas vésperas da eleição presidencial. Ele continha dados sobre uma empresa e de contas que supostamente eram controladas por Fernando Henrique Cardoso, candidato à reeleição.
O conjunto de papéis também mostrava depósitos de US$ 368 milhões nessas contas, dinheiro arrecado por meio de propina recebida pela privatização de empresas do setor de telecomunicações.
Entre as pessoas que integram o inquérito estavam os adversários políticos de FHC: Luiz Inácio Lula da Silva, José Dirceu, Paulo Maluf, Ciro Gomes, Marta Suplicy, Marcio Thomaz Bastos, Leonel Brizola e Benedita da Silva.
Em seu depoimento ao caso, Lula afirmou ter tido um encontro com o pastor Caio Fábio e outro com o ex-ministro Luiz Gushiken. Ao perceber que os documentos eram falsos o PT não continuou as negociações sobre o dossiê.
Em 2011, a Folha de São Paulo divulgou que o pastor fora condenado pela juíza Léa Maria Barreiros Duarte a quatro anos de prisão por ser considerado o autor dos documentos, mas ele não foi preso.
“Essa sentença que saiu da parte desta juíza não tem nenhum fundamento na realidade do processo. A começar do fato de que esta ação foi movida contra mim em 1998 pelo então presidente Fernando Henrique Cardoso. Por volta de 2005/2006 ele determinou que o secretário da presidência da república fosse depor representando-o e me isentou de tudo”, contou.
“Meu coração está absolutamente em paz. Eu não irei a cadeia nenhuma”, garantia.
Caio Fábio disse na ocasião que mesmo se fosse preso receberia uma coroa de glória, pois a juíza agiu contrariando os depoimentos que o isentam da culpa. “No fim tudo isso vai contribuir para o meu bem porque eu amo a Deus”.
* As informações não são confirmadas pelo ministério de Caio Fábio nem nas mídias sociais. Mais informações a qualquer momento.
por Gospel Prime
https://noticias.gospelprime.com.br/caio-fabio-preso/

BREVE HISTÓRIA DA PALAVRA ARREPENDIMENTO.


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Não é segredo que as palavras não se dão ao respeito: prestam-se a qualquer coisa e rebaixam-se a qualquer metáfora ou abuso (pressupondo-se que haja uma diferença). O problema apenas se acentua quando a comunicação é intermediada por milênios de distância cultural e o ruído babélico de traduções, traduções de traduções e lembranças de traduções. Mesmo levando-se tudo isso em conta, é unânime entre os que se preocupam com essas coisas que poucas palavras quanto esta sofreram maltratos tão acentuados e repetidos ao longo tempo.
A desfiguração do termo é tão completa que quem se depara hoje em dia com ele – tão simples: arrependimento – não apenas não tem como saber o que significava há dois milênios para os autores do Novo Testamento que semearam o seu uso na civilização ocidental; não há na verdade como determinar ao certo o que a palavra implica nos nossos dias.
Dependendo de quem está falando e de quem está ouvindo, “arrepender-se” pode significar “sentir remorso”, “lamentar e/ou abandonar uma vida ou conduta de pecado”, “converter-se [à religião de quem está falando]“,”voltar atrás [com relação a qualquer assunto ou posição]“. “Arrependimento” pode ser rigoroso ou ligeiro, sacro ou mundano, duradouro ou passageiro.
Os pregadores ainda esbravejam “arrependam-se”, mas não tem como estar certos de como são compreendidos. O que exigem com esse “arrependimento”? Contrição sincera? Culpa reconhecida? Pecado lamentado? Conduta reformada? Uma combinação de tudo isso? É algo que só deve ser experimentado uma vez, ou é uma atitude a ser renovada periodicamente? É trato da mente, da vontade ou do coração? Diz respeito à conduta passada ou à conduta futura? Passa apenas pela vida interior ou deixa impressões digitais na vida real? Quais são suas marcas e suas implicações, em todos os âmbitos?
Ninguém sabe e não teremos como saber, pelo menos enquanto estivermos dançando ao redor desta tradução. Inteiramente esvaziado de sentido pelos abusos a que o submetemos, o termo “arrependimento” deve aguardar sem rosto na beira do caminho, enquanto saímos pelo mundo em busca de conceito mais iluminador que possa recuperar-lhe as feições.
Podemos começar, por exemplo, pelas origens.
Mudei de idéia
Garantem-me os que se ocuparam de estudar essas coisas (e serve-me de guia Guy D. Nave, de cujo The role and function of repentance in Luke-Acts tirei todas as citações que seguem) que a palavra grega que foi traduzida como “arrependimento”, metanoia (bem como seu verbo correspondente, metanoeo), era utilizada pelos gregos (se bem que em menor escala) muito antes que a palavra fosse apropriada e popularizada pelos cristãos.
Mesmo os que afirmam que os autores do Novo Testamento e cristãos posteriores imprimiram à palavra novas e revolucionárias nuances concordam que esses partiram do peso que a palavra já carregava do seu uso anterior por poetas e filosófos pagãos.
E, para os gregos clássicos, metanoia significava mudar de pensamento, pensar diferente, reavaliar uma postura, mudar de idéia; implicava em mudança de mentalidade, de visão, de opinião, de propósito.
Escrevendo no quarto século antes de Cristo, o historiador Xenofonte diz assim:
Concluímos naquela ocasião ser mais fácil governar todas as outras criaturas do que governar homens. Porém, quando refletimos sobre a vida de Ciro, o persa, fomos levados a mudar de opinião, e julgar que governar homens pode ser tarefa nem impossível nem difícil.
Menandro, dramaturgo cômico do mesmo século, faz um de seus personagens dizer:
Deixo que você fique com uma de minhas possessões. Se gostar, fique com ela. Se não gostar, ou se mudar de idéia, devolva.
Falando a um tribunal, o orador Demóstenes, também do quarto século antes de Cristo, argumenta contra o seu oponente:
Que suspeito ele trouxe ao tribunal e foi capaz de condenar das acusações trazidas contra ele? Que decreto ele propôs do qual, depois de serem inicialmente persuadidos de sua legitimidade, vocês não escolheram mais tarde mudar de idéia?
Plutarco (45-125? d.C.):
Creio que os que, como homens que caem num poço, adentram irrefletidamente a vida pública, devem necessariamente experimentar confusão e começar a mudar de idéia sobre o acerto do seu curso de ação.
E:
Cypselus, pai de Periandro, quando era recém-nascido, sorriu aos homens que tinham sido enviados para matá-lo, e eles o pouparam. Quando esses mais tarde mudaram de idéia e foram procurá-lo, não o encontraram, porque sua mãe o tinha escondido num baú.
Fílon de Alexandria (25 a.C-50 d.C):
Deus não visita com a sua vingança aqueles que pecam contra ele, mas dá a eles tempo para que reavaliem a sua postura e remediem e corrijam sua conduta perversa.
Todos esses autores usam, nas palavras em negrito, o verbo grego cuja raiz é o substantivo metanoia, traduzido no Novo Testamento como “arrependimento”, e em cada caso o que querem denotar é uma mudança de idéia ou de postura.
As palavras só carregam sentido pelo seu uso anterior. Esse uso de metanoia pelos autores de fala grega sem dúvida orientou o a escolha da palavra por parte dos autores do Novo Testamento. Era como mudança de idéia ou reavaliação de postura que eles esperavam que metanoia fosse entendida pelos seus leitores.
Evidência ainda mais inequívoca disso é o uso de metanoia e seu verbo correspondente na Septuaginta, a tradução grega do Antigo Testamento que é a versão da Bíblia mais citada pelos autores do Novo Testamento.
E na Septuaginta metanoeo é usado consistentemente no sentido de mudar de idéia ou de opinião. Se não:
Também aquele que é a força de Israel não mente nem muda de idéia, porquanto não é homem para mudar de idéia (1. Samuel 15:29);
Por isso lamentará a terra, e os céus em cima se enegrecerão; porquanto assim o disse eu, assim o propus e não mudei de idéia, nem me desviarei desse propósito (Jeremias 4:28);
E rasgai o vosso coração, e não as vossas vestes; e convertei-vos ao Senhor vosso Deus; porque ele é misericordioso e compassivo, tardio em irar-se e grande em benignidade, e muda de idéia com relação ao mal [que pretendia fazer]. Quem sabe ele não se voltará e mudará de idéia, e deixará após si uma bênção, em oferta de cereais e libação para o Senhor vosso Deus? (Joel 2:13-14);
Se em qualquer tempo eu falar acerca duma nação, e acerca dum reino, para arrancar, para derribar e para destruir; e se aquela nação, contra a qual falar, se converter da sua maldade, também eu mudarei de idéia do mal que intentava fazer-lhe. E se em qualquer tempo eu falar acerca duma nação e acerca dum reino, para edificar e para plantar, se ela fizer o mal diante dos meus olhos, não dando ouvidos à minha voz, então mudarei de idéia do bem que lhe intentava fazer (Jeremias 18:7-10);
Laço é para o homem dizer precipitadamente: É santo; e, uma vez feitos os votos, mudar de idéia (Provérbios 20:25);
“Quem sabe se se voltará Deus, e mudará de idéia, e se apartará do furor da sua ira, de sorte que não pereçamos?” Viu Deus o que fizeram, como se converteram do seu mau caminho, e Deus mudou de idéia do mal que tinha dito lhes faria, e não o fez (Jonas 3:9-10).
Pœnitentiam agite
O problema começou, naturalmente, quando a palavra começou a navegar na nossa direção através de traduções. E logo na primeira instância, na tradução direta do grego original do Novo Testamento para o latim da Vulgata, a transição foi espetacular.
Se é preciso demonstrar o ponto de que toda tradução é ideológica, bastará este exemplo: os patriarcas latinos escolheram traduzir o grego metanoia pelo latim paenitentia. O que estamos habituados a ler como “arrependei-vos, porque é chegado o reino dos céus” é em latim Pœnitentiam agite: appropinquavit enim regnum cælorum. Isto é, o que era “reavaliem sua postura”, ou algo parecido, passou a ser, sem rodeios, façam penitência.
Essa tradução foi orientada, sem qualquer dúvida, pela teologia prevalente no quinto século (e dali em diante), segundo a qual a salvação só podia ser obtida mediante a execução dos atos de justiça, caridade ou mortificação, fossem esses voluntários ou prescritos pelo padre após a confissão.
Numa única tacada, de metanoia paenitentia, a percepção coletiva da humanidade sobre o sentido de metanoia/arrependimento foi alterada para sempre. Como se não bastasse, a própria integridade da mensagem bíblica em sua viagem pelo tempo estava agora em questão. Se os guardiões da ortodoxia podiam transformar “mudem de idéia” em “façam penitência”, estava agora claro que o próprio texto bíblico não estava imune, via tradução ou interpretação (visto que não há diferença), a virtualmente qualquer manipulação ideológica. “Amem os seus inimigos” podia muito bem ser reformado em “queimem-nos na fogueira” – como de fato acabou acontecendo.
Nosso problema, naturalmente, está em que as palavras e sentidos da Bíblia são ainda hoje submetidos a esse tipo de desfiguração. As palavras não se tornaram mais fixas, nós mais iluminados ou os portadores da ortodoxia mais dignos de confiança. Cada um persiste encontrando o que quer no texto que quer, e impingindo ao mundo a sua própria leitura. Se é Rick Warren que está lendo, Jesus aprova as guerras em geral e a do Iraque em particular; se é R.R. Soares quem está lendo, Deus quer que você seja rico, e o caminho é você dar o seu dinheiro para mim. As palavras prestam-se a qualquer coisa, e não é à toa que o Apóstolo concluiu, devidamente enojado, que a letra é letal em 100% dos casos. A mensagem da boa nova é de tal natureza que só pode ser transportada em palavras de carne embebidas no espírito – mas estou me adiantando.
Do arrependimento como sentimento até os nossos dias
Quando João Ferreira de Almeida escolheu traduzir o grego metanoia pelo português “arrependimento”, estava devidamente iluminado por traduções anteriores, como a inglesa de Tyndale (1526) e a Autorizada do Rei Tiago (1611), que usam os verbos correspondentes repent e o substantivo repentance.
Essas traduções foram instruídas, por sua vez, pelas ênfases da Reforma na importância da recuperação do sentido original dos textos bíblicos e, neste caso em especial, na rejeição da doutrina católica das obras como agentes da salvação.
Em todos os sentidos traduzir metanoeo como “arrepender-se” foi um tremendo avanço em relação ao latim “façam penitência”. A metanoia deixava de ser tráfico da carne e voltava a ser transação do espírito.
Porém já no tempo de Almeida “arrepender-se” podia significar tanto um remorso ligeiro quanto a contrição que patrocina uma reforma mais profunda. Longe do sentido pragmático do grego original, segundo o qual metanoia representava a conversão em si, o arrependimento passava a ser associado a uma sensação de remorso, ao espírito de contrição necessário (e que antecede) à conversão genuína.
Desse conceito de arrependimento como sentimento tentam nos salvar muitas traduções e paráfrases contemporâneas da Bíblia, que buscam ao seu modo recuperar o sentido original do grego metanoia. Como é muito difícil fazer-nos mudar de idéia com relação a um conceito tão arraigado quanto arrependimento, essas traduções recorrem a todo um leque de alternativas para verter o usual “arrependei-vos”: mudem de atitude, mudem de idéia, mudem de mentalidade, reavaliem a sua postura, deixem o pecado e voltem-se para Deus, corrijam-se, abracem a nova ordem das coisas – porque, naturalmente, é chegado o reino de Deus.
Novamente, essas novas traduções representam um avanço formidável em relação ao mais fraco (e apenas transversalmente acurado) “arrependam-se”. O problema (e a tremenda vantagem) com relação à tradução “mudem de idéia” e suas variações está em que ela também permanece aberta a todo o tipo de interpretação. Mudem de idéia, está certo, mas com relação a quê?
Esse caráter aberto não está ausente, na verdade, do próprio grego metanoia. Nossa sorte é que, dos autores do Novo Testamento, nenhum está mais preparado e disposto a nos explicar o que representa na vida prática a metanoia no sentido usado por Jesus – qual é o sentido e quais são as implicações dessa mudança de mentalidade – do que o autor do livro de Atos.
Por Paulo Brabo
retirado do site: https://renatim.wordpress.com

quinta-feira, 23 de março de 2017

MARTYN LLOYD-JONES SOBRE O DOM DE PROFECIA.




Aqui está o que Lloyd-Jones afirmou:

“Podemos dizer, contudo, que o profeta era uma pessoa a quem a verdade era dada pelo Espírito Santo [...] Vinha-lhes uma revelação ou mensagem ou algum discernimento da verdade e, cheios do Espírito, podiam fazer declarações benéficas e proveitosas para a igreja. Certamente está claro que também isto era temporário, e por esta boa razão, que naqueles primeiros dias da Igreja não havia Escrituras do Novo Testamento, a verdade ainda não tinha sido exposta em palavras escritas.Tente imaginar a nossa posição se não possuíssemos estas cartas do Novo Testamento, mas apenas o Antigo Testamento. Era essa a posição da igreja primitiva. A verdade foi dada a ela, principalmente pelo ensino e pregação dos apóstolos, mas ela foi suplementada pelo ensino dos profetas aos quais foi dada a verdade e também a capacidade de falar com clareza e poder na demonstração e autoridade do Espírito.Mas uma vez que estes documentos do Novo Testamento foram escritos, o ofício de um profeta não era mais necessário. Por isso, nas Epístolas Pastorais, que se aplicam a uma etapa posterior na história da Igreja, quando as coisas haviam se tornado mais estáveis e fixas, não há nenhuma menção aos profetas. É evidente que mesmo o ofício de profeta não sendo mais necessário, a chamada foi para os mestres, pastores e outros exporem as Escrituras e transmitirem o conhecimento da verdade.Mais uma vez temos que observar que muitas vezes na história da Igreja o problema surgiu porque as pessoas pensavam que eram profetas no sentido do Novo Testamento, e que tinham recebido revelações especiais da verdade. A resposta para isso é que, na perspectiva das Escrituras do Novo Testamento, não há necessidade de verdades adicionais. Essa é uma proposição absoluta. Nós temos toda a verdade no Novo Testamento, e não temos necessidade de quaisquer outras revelações. Tudo foi dado, tudo o que é necessário para nós está disponível. Portanto, se alguém alega ter recebido uma revelação de alguma nova verdade, devemos suspeitar dele imediatamente [...]A resposta para tudo isso é que a necessidade de profetas terminou uma vez que temos o cânon do Novo Testamento. Não precisamos mais de revelações diretas da verdade; a verdade está na Bíblia. Nunca devemos separar o Espírito da Palavra. O Espírito nos fala através da Palavra, por isso, devemos sempre duvidar e consultar qualquer suposta revelação que não seja completamente consistente com a Palavra de Deus. Na verdade, a essência da sabedoria é rejeitar completamente o termo ‘revelação’, no que nos diz respeito, e só falar de ‘iluminação’. A revelação foi dada de uma vez por todas, e o que precisamos e o que pela graça de Deus podemos ter, e temos, é a iluminação do Espírito para entender a Palavra” (D. Martyn Lloyd-Jones. Christian Unity. Grand Rapids: Baker, 1987. pp. 189-91).[i]

Claramente, a explicação de Lloyd-Jones acerca da profecia do Novo Testamento é contrária à posição continuísta.

Porque o seu nome é levantado muitas vezes por aqueles que defendem uma posição continuísta, a sua descrição de profecia se torna especialmente pertinente na atual discussão sobre os dons.

UPDATE: Alguns comentaristas têm sugerido que Lloyd-Jones estava se referindo apenas à profecia escriturada e, portanto, suas declarações acima não se aplicam à posição continuísta contemporânea. No entanto, este não é o caso. Num parágrafo da introdução da discussão acima, Lloyd-Jones descreveu o tipo de profecia do Novo Testamento ao qual ele estava se referindo:

“No Novo Testamento os profetas geralmente são unidos aos apóstolos, como no segundo capítulo desta epístola: ‘Edificados sobre o fundamento dos apóstolos e profetas, sendo ele próprio a pedra angular, Jesus Cristo’ (Ef 2.20). Mas, embora estejam junto dos apóstolos, os profetas são obviamente diferentes. Por exemplo, não era necessário que um profeta tivesse visto o Senhor ressuscitado. Na verdade, em geral, ele não precisava ter muitas das qualificações do apóstolo. Essencialmente, um profeta era um homem que falava sob a inspiração direta do Espírito Santo. É claro que, algumas vezes, um profeta era uma mulher. Somos informados no segundo capítulo de Lucas, que Ana era uma ‘profetisa’. De igual modo, é dito em Atos que Filipe, o evangelista, tinha quatro filhas que ‘profetizavam’ (21.9). Existem muitas referências a profetas no Novo Testamento. Por exemplo, em Atos nos é dito que havia vários profetas na igreja de Antioquia, alguns dos quais tinham vindo de Jerusalém (11.27; 13.1). Um deles, chamado Ágabo, profetizou que uma grande fome estava para vir sobre a terra, e ele exortou os cristãos sobre isso. Há um ensino específico sobre os profetas no capítulo catorze da Primeira Epístola aos Coríntios” (D. Martyn Lloyd-Jones. Christian Unity. Grand Rapids: Baker, 1987. p. 188).[ii]

Observe que Lloyd-Jones vê uma distinção entre apóstolos e profetas em Efésios 2.20. Isto vai contra a comum interpretação continuísta desta passagem. Além disso, observe que Lloyd-Jones inclui as filhas de Filipe, Ágabo e até mesmo os profetas congregacionais de 1Coríntios 14 sob a égide da profecia do Novo Testamento que ele está discutindo.

Nada nos comentários de Lloyd-Jones (ao menos nesta seção em particular) sugere que ele abraçou a visão dos dois níveis da profecia do Novo Testamento, que caracteriza a posição continuísta contemporânea.


Por Nathan Nusenitz
O Dr. Eryl Davies faz a seguinte afirmação em seu artigo publicado no jornal Themelios, intitulado Dr. Martyn Lloyd-Jones: Uma Introdução“Embora carismáticos e pentecostais o reivindiquem como defensor dos seus pontos de vista, uma leitura cuidadosa dos escritos de M. L-J deixa claro que eles o entenderam mal”.

Davies fundamenta a sua afirmação (em parte) apontando para uma seção da obra Unidade Cristã, de Lloyd-Jones, na qual o Doutor (como ele era frequentemente chamado) discute a natureza da profecia do Novo Testamento.

retirado: http://www.cristaoreformado.com/2016/02/martyn-lloyd-jones-sobre-o-dom-de.html

quinta-feira, 9 de março de 2017

07 características de uma igreja que é dirigida por um falso pastor



Quantas igrejas nesse país não tem sido dirigidas por falsos pastores não é mesmo? Na verdade a quantidade de pastores desqualificados, despreparados e sem caráter que dirigem igrejas nesse país é de impressionar qualquer um. Pensando nisso, resolvi elencar sete características de uma igreja dirigida por um falso pastor:

1- Uma igreja dirigida por um falso pastor é  aquela que não faz das Escrituras sua única e exclusiva regra de fé. 

2- Uma igreja dirigida por um falso pastor é aquela que substituiu as verdades do evangelho, pelo culto ao dinheiro e a Mamon.

3- Uma igreja dirigida por um falso pastor é aquela que abandonou as doutrinas fundamentais à fé cristã em detrimento a falsas doutrinas, cuja existência deve-se exclusivamente à satisfação do homem.

4- Uma igreja dirigida por um falso pastor é aquela cuja liturgia, ensino, doutrina e fundamentos são eminentemente antropocêntricos culminando de forma velada com o culto ao homem ou a personalidade.

5- Uma igreja dirigida por um falso pastor é aquela que administra de forma errada o batismo e a Ceia do Senhor.

6- Uma igreja dirigida por um falso pastor é aquela onde a Palavra de Deus não é exposta com fidelidade.

7- Uma igreja dirigida por um falso pastor é aquela que dentre outras coisas,  nega a divindade de Cristo, a Trindade Santa, a salvação pela graça mediante a fé em Cristo Jesus, a volta corporal de Cristo e Juízo final.

Pense nisso!

Renato Vargens

Por uma REFORMA na Igreja Brasileira.




Assim como foi necessária uma Reforma contra os abusos da igreja católica romana no século XVI, a igreja hoje clama por uma reforma contra as distorções dos ensinamentos do verdadeiro evangelho.


 Este livro de Renato Vargens não é apenas uma denúncia do estado em que segmentos da igreja evangélica brasileira se encontra. A história desta lembra a descrição oferecida pelo mártir cristão Dietrich Bonhoeffer, ao falar do estado da religião que ele encontrou nos Estados Unidos em meados de 1930:Protestantismus ohne Reformation, “protestantismo sem reforma”.
Tristemente, vocábulos importantes da fé cristã, como pecado, arrependimento, juízo, justiça, cruz, e até mesmo Cristo e ressurreição vão desaparecendo do discurso de parte dos evangélicos brasileiros.
Em algumas faculdades teológicas e mesmo denominações há aqueles, associados ao liberalismo teológico, que substituíram a confiança na revelação pela suposição de que se pode encontrar a verdade por meio da racionalidade, como se, do começo ao fim, Deus não viesse a nós, em revelação. Entre os novos movimentos religiosos neopentecostais há aqueles que supõem poder controlar pelo uso de palavras mágicas o Deus vivo, o Senhor dos exércitos, o todo-poderoso Pai, Filho, Espírito Santo. Melancolicamente, estas palavras, definidoras do cristianismo, foram esvaziadas e substituídas por todos aqueles associados a estes grupos.
Todos estes abandonaram o Evangelho, correndo atrás de outro tipo de anúncio (Gl 1.6-9), mera perversão ou caricatura, mas não a boa nova da salvação de que, por meio da morte e ressurreição de Cristo, pecadores podem ser justificados pela fé somente.
O que essa obra oferece é um chamado ao fundamento da fé cristã, como encontrado nos famosos lemas que resumem o cerne da mensagem bíblica e evangélica: Deus fala a todos somente na Escritura (sola Scriptura); somos salvos somente
pela graça imerecida (sola gratia), que vem aos pecadores somente por meio da morte de Cristo (solus Christus); e este é recebido pela fé somente (sola fide); para que em tudo somente Deus receba o louvor e a glória (soli Deo gloria).
Precisamos receber e nos agarrar esta mensagem bíblica e evangélica com toda a seriedade. E sobre isso faríamos bem em ouvir com temor o reformador Martinho Lutero. Em 1522, ele preparou uma série de sermões de Natal para sua congregação, e num deles afirmou:
O guarda de um bordel público é menos pecador que o pregador que não entrega o verdadeiro Evangelho, e o bordel não é tão ruim assim como a igreja do falso pregador. (…) Isto os surpreende? Lembrem-se de que a doutrina do falso pregador não causa nada mais que dia-a-dia desviar e violar almas recém-nascidas no batismo — cristãos jovens, almas tenras, noivas virgens, puras e consagradas a Cristo. Considerando que o mal é feito espiritualmente e não fisicamente como num bordel, ninguém o observa: mas Deus está incomensuravelmente descontente.
Que Deus use esta nova obra de meu querido irmão Renato Vargens para quebrantamento, renovação e retorno a Deus, que é rico em misericórdia, não apenas para renovar nossa alegria nele, mas também para nos conceder novo alento
e renovada paixão para pregar a Escritura Sagrada, “o berço pelo qual o Cristo vem a nós” (Lutero).
Franklin Ferreira
Diretor do Seminário Martin Bucer

Apresentação do livro “Reforma Agora” de Renato Vargens por Franklin Ferreira.

07 razões porque os cristãos estão procurando igrejas sérias.



Em todo lugar no Brasil cresce o número de cristãos procurando igrejas sérias. Tornou-se comum, ouvir irmãos dizendo que cansaram do evangelho da autoajuda, do entretenimento, da prosperidade, do gospel e da libertinagem. De fato há uma enorme procura por igrejas bíblicas e centradas nas Escrituras, cujos pastores pregam as maravilhosas verdades do evangelho. 

Isto posto, resolvi elencar sete razões porque os cristãos estão procurando igrejas sérias, senão vejamos:

1- Os cristãos estão procurando igrejas sérias porque cansaram de ouvir pregadores  fracos e despreparados tanto bíblica quanto teologicamente, 

2- Os cristãos estão procurando igrejas sérias porque não suportam mais ouvir mensagens antropocêntricas cujo foco é a satisfação do freguês e não a glória de Deus.

3- Os cristãos estão procurando igrejas sérias porque não suportam mais uma igreja com louvores ensimesmados, cujo conteúdo encontra-se absorto em autoajuda.

4- Os cristãos estão procurando igrejas sérias porque não suportam mais ver o dinheiro e os recursos do Reino de Deus sendo mal administrados por pastores inescrupulosos. 

5- Os cristãos estão procurando igrejas sérias porque não suportam mais ouvir heresias, distorções teológicas, e absurdos doutrinários dos mais variados possíveis.

6- Os cristãos estão procurando igrejas sérias porque estão cansados de mensagens legalistas, desprovidas de graça e sabedoria.

7- Os cristãos estão procurando igrejas sérias porque estão cansados de apóstolos, bispos e pastores messianistas, cuja o evangelho pregado é espúrio, "coronelesco", despótico e ditatorial. 

Pense nisso!

Renato Vargens

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

Orare et Labutare!!! (Oração e Trabalho!!!)

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“E nos dedicaremos à oração e ao ministério da palavra” (At 6.4).
Esse foi o discurso dos apóstolos no tocante a disputa que havia na igreja primitiva acerca da distribuição diária dos alimentos. Temos aqui a instituição do diaconato. Mas, o que queremos ressaltar é a fala dos apóstolos: “E nos dedicaremos à oração e ao ministério da palavra” (At 6.4). Não que seja algo degradante ou humilhante servir as mesas, pelo contrário era algo de suma importância. Todavia os apóstolos sabiam da importância e tinham convicção daquilo para o qual foram chamados.
Esse discurso dos apóstolos precisa ser resgatado urgentemente. Há uma falência grande nos púlpitos hoje. Vemos pessoas sendo mal alimentadas por mera negligência ou até por falta mesmo de conhecimento por parte de seus líderes. Se por um lado há uma falência, por outro há o terrível perigo de uma ortodoxia seca, árida e por muitas vezes morta. Uma ortodoxia exacerbada sem nenhum grau de piedade.
No texto de Atos (At 6.4) vemos o equilíbrio dos apóstolos em regar o ministério da palavra com uma vida de oração. Não há como divorciar a oração da palavra e ao mesmo tempo ter um ministério frutífero. É-nos mais do que necessário uma vida séria de oração aos pés da cruz de Cristo para que o Espírito Santo nos traga iluminação acerca da palavra de Deus. Se olharmos para a história da igreja, perceberemos que todo grande expositor das Escrituras eram homens de oração. Calvino, Lutero, Wesley, Whitefield, Spurgeon, Edwards e tantos outros, tinham vidas regadas pela oração.
O ativismo tem roubado de nós horas preciosas na presença do Senhor. Temos tempo pra tudo em nosso tão atarefado dia, menos para nos debruçarmos sobre o Santo Livro e nem para dirigirmos súplicas ao Santo Deus. O que eu acho incrível e ao mesmo tempo muito triste é que Deus vem falando desde o Antigo Testamento sobre isso e até hoje fazemos ouvido de mercador. O profeta Malaquias nos exorta da seguinte forma: “Porque os lábios do sacerdote devem guardar o conhecimento, e de sua boca todos esperam a instrução na lei, porque ele é o mensageiro do Senhor do Exércitos” (Ml 2.7), e como se não bastasse essa exortação de Malaquias ainda temos a assertiva dos apóstolos.
A dedicação ao estudo da Palavra e à oração é algo raro hoje em dia. Vemos um combate infantil no meio cristão entre dois grupos. Aqueles que estudam e se dedicam à busca do conhecimento e os que se dedicam apenas a buscar uma espiritualidade profunda. E em meio a esses dois grupos, um combate, os que buscam o conhecimento chama os espirituais de ignorantes bíblicos, já os que buscam a espiritualidade profunda se defendem dizendo que “a letra mata!” E quem perde com o isso? O Reino de Deus. 
Atentemos para as palavras dos apóstolos... “oração e palavra”. A ortodoxia deve sempre ser acompanhada pela vida de piedade. Esse foi um dos legados dos puritanos. Eles procuravam viver uma vida de intensa piedade alicerçada, é claro, nas Escrituras. Eles entenderam a assertiva dos apóstolos e a viveram intensamente para a glória de Deus. Infelizmente hoje mais do que qualquer outra época vivenciamos esse combate infantil em uma larga e crescente escala. Aqueles que alcançaram um certo grau de conteúdo teológico se julgam melhores que os demais. No meio reformado, infelizmente ao que parece, as pessoas são medias pelos títulos e não pelo seu caráter, testemunho e frutos. Não estou desmerecendo o conhecimento, de maneira nenhuma, pois a exortação de Oséias queima em meu coração: “O meu povo está sendo destruído porque lhe falta conhecimento!” (Os 4.6) O conhecimento é mais do que necessário, mas sem a iluminação e a unção do Espírito Santo não passa de mero conhecimento.
Outro exemplo de comunhão entre a ortodoxia e a piedade vem dos Morávios. Eles passaram 120 anos em oração ininterruptamente, tudo isso para que fossem revestidos de poder do alto para que pudessem se entregar sem reservas ao serviço do Senhor. Voltando à Bíblia encontramos Jesus exortando os seus apóstolos que para que pudessem realizar a obra de Deus necessitariam de revestimento de poder do alto. Esse revestimento ocorreu no dia de pentecoste e após o ocorrido Pedro se levantou e pregou poderosamente a Palavra e, pela graça, 3000 almas foram salvas por Deus, mas para que tão extraordinária salvação ocorresse foi preciso revestimento de poder. Pedro já tinha o conhecimento, pois tinha sido doutrinado pelo Supremo Pastor e Mestre, mas lhe faltava poder. E o revestimento só veio (claro que era uma promessa e certamente iria acontecer) depois de intensas reuniões de oração. Oração e Palavra não podem ser divorciadas pelo ego humano. Quer seja pela ênfase dada ao conhecimento pelos reformados quer seja pelas experiências espirituais dos pentecostais, precisamos entender que o que os apóstolos propuseram em At 6.4 está longe de ambas as ênfases. Sou reformado e creio numa ortodoxia regada pela fervorosa e sincera oração, e não somente no conhecimento pelo conhecimento como muitos reformados creem. Creio no Santo Espírito de Deus, mas não posso concordar com as sandices e os desatinos promovidos pelos pentecostais. As coisas de Deus requerem decência e ordem (I Co 14.40).
Nesse primeiro artigo de 2017 quero que repensemos nossas atitudes no tocante a nossa vida devocional. Temos muito o que aperfeiçoar e em contrapartida (e acima de tudo) mais ainda para sermos aperfeiçoados por Deus. O tempo que dedicamos à oração e estudo da palavra precisam ser revistos. A qualidade desse tempo também precisa ser corrigida. Tudo isso deve ser revisto. 
A nossa negligência deve ser abandonada e precisamos voltar as Sagradas Letras o quanto antes.  Precisamos também entrar em nossos quartos fechar a porta e orar ao Pai que está em secreto (Mt 6.6).

Que Deus tenha misericórdia de nós e nos ajude!!!

Soli Deo Gloria!!!

Joel da Silva Pereira

CORONEL JOÃO DOURADO (1854-1927)

Alderi Souza de Matos João da Silva Dourado nasceu em Caetité, sul da Bahia, no dia 7 de janeiro de 1854. Era filho de João José da Silva Do...