quinta-feira, 11 de setembro de 2014

A Homossexualidade e a Teologia Gay -


Muito se tem falado nos últimos dias sobre tolerância aos homossexuais... Como cristãos devemos amar a todos, indiscriminadamente e incondicionalmente, como nos ensinou o mestre Jesus Cristo! Mas não podemos ficar impassivos diante da interpretação deturpada que fazem da Bíblia Sagrada, na tentativa de buscar apoio divino para um estilo de vida pecaminoso. O propósito deste artigo é fazer a defesa do evangelho diante de tais argumentações bíblicamente distorcidas (Fp 1.16).

Homossexualidade: Não há, na Bíblia, nenhuma só vez as palavras homossexual, lésbica ou homossexualidade. Todas as Bíblias que empregam estas expressões estão erradas e mal traduzidas. A palavra homossexual só foi criada em 1869, reunindo duas raízes linguísticas: Homo (do Grego, significando "igual") e Sexual (do latim). Portanto, como a Bíblia foi escrita entre 2 e 4 mil anos atrás, não poderiam os escritores sagrados terem usado uma palavra inventada só no século passado (GGB).
SABER: Esse argumento demonstra total falta de compreensão sobre o que significamterminologia e conceito. A palavra homossexual, ou homossexualismo, é termo recente, mas o conceito é antigo. É claro que na Bíblia Sagrada não existe a palavrahomossexual, pois este termo é moderno e o texto bíblico, antigo. O que não quer dizer que a Bíblia não a condene, pois, embora seja um termo novo, a prática é bem antiga... No decorrer deste artigo constataremos, sem sombras de dúvida, que a prática écondenada pela Bíblia Sagrada, mesmo sem usar o termo específico atualmente usado.

2. HÁ NA BÍBLIA INCENTIVO PARA A HOMOSSEXUALIDADE?
Homossexualidade: Também, se dois dormirem juntos, eles se aquentarão; mas um só, como se aquentará? (Ec 4.11).

SABER: Esse argumento tenta demonstrar que num clima quente como o da Judéia dormir juntos só pode ter conotação erótica revela um total desconhecimento da geografia da Terra Santa. Em Israel também neva. O livro de Eclesiastes foi escrito por Salomão, heterossexual com desejos incontroláveis, nunca teria escrito a favor da homossexualidade. Isso não encontra respaldo hermenêutico no contexto do versículo que, na verdade, fala de cooperação mútua.
Não se pode tomar um versículo de maneira isolada, fora do seu contexto, para se embasar uma doutrina ou prática. O capítulo 4 do livro de Eclesiastes trata dos males e das tribulações da vida, e não de práticas sexuais ou homossexuais.
Longe de ser um incentivo à homossexualidade, o contexto completo, ou perícope (Ec 4.9-12), trata de ilustrações sobre a necessidade do companheirismo, tendo em vista que viajar por aquelas terras inóspitas, acidentadas e pedregosas provocam quedas (versículo 10), além de ser uma região desértica de noites frias (v.11) e área de ataque de bandidos e salteadores (v.12). Estes eram alguns dos perigos enfrentados pelos viajantes de antigamente, e sugerem a necessidade de companhia por ocasião de acidentes, inconveniências e adversidades (CARSON, 2009, p.927).
Está claro que o sentido e a finalidade de dormirem juntos é para se aquentarem, não para fazerem sexo. Esse ensinamento é dado aos militares em guerra quando dormem ao relento; essa prática é utilizada por animais, a exemplo dos gatos, para dormirem aquecendo-se uns ao outros.

3. PAULO ERA HOMOSSEXUAL?
Homossexualidade: Há teólogos protestantes que chegam a diagnosticar Paulo de Tarso como homossexual latente (alusão feita por ele próprio ao misterioso "espinho na carne" que tanto o preocupava, além de sua manifesta e cruel "misoginia" ou ódio às mulheres).
SABER: O texto aludido é o seguinte:
E, para que não me exaltasse pela excelência das revelações, foi-me dado um espinho na carne, a saber, um mensageiro de Satanás para me esbofetear, a fim de não me exaltar (2Co 12.7).
Há muita especulação a respeito desse espinho na carne de Paulo, quase todas sem a menor base bíblica. Entretanto, era algo que naturalmente impunha a Paulo um reconhecimento de sua condição de homem falível e mortal, além de impedi-lo do orgulho espiritual.
O “espinho na carne” é uma metáfora aludindo a uma espécie de situação dura e de difícil convivência. Com uma indicação de provável complicação com os olhos:
E vós sabeis que primeiro vos anunciei o evangelho estando em fraqueza da carne; e não rejeitastes, nem desprezastes isso que era uma tentação na minha carne, antes me recebestes como um anjo de Deus, como Jesus Cristo mesmo. Qual é, logo, a vossa bem-aventurança? Porque vos dou testemunho de que, se possível fora, arrancaríeis os vossos olhos, e mos daríeis (Gl 4.13-15).
Vede com que grandes letras vos escrevi por minha mão (Gl 6.11).
O texto do capítulo 4 de Gálatas mostra que Paulo admitiu ter uma enfermidade física que lhe causava dificuldades, “seu estado de saúde” foi uma prova dura para os gálatas que, mesmo assim, o trataram com dignidade.
Logo, podemos entender o espinho na carne de Paulo como uma experiência dolorosa, que se constituía numa dificuldade que o acompanhava e o prejudicava muito, provavelmente uma enfermidade grave, difícil e dolorosa. Não há nada que relaciona o espinho na carne com homossexualidade. Essa afirmação redunda numa aberração hermenêutica e pura especulação infundada.

4. JESUS ERA HOMOSSEXUAL?
Homossexualidade: Jesus Cristo mostrou-se particularmente aberto à homossexualidade, revelando carinhosa predileção por João Evangelista, "o discípulo que Jesus amava", o qual, na última Ceia, esteve delicadamente recostado no peito do Divino Mestre. Há teólogos que chegam a sugerir que Jesus era homossexual, pois além de nunca ter condenado o homoerotismo, conviveu predominantemente com companheiros do seu próprio gênero, manifestou particular predileção pelo adolescente João e nunca se casou, além de revelar muita sensibilidade com as crianças e com os lírios do campo, comportamentos muito mais comuns entre homossexuais do que entre machões. O ensinamento do discípulo que Jesus amava não podia ser mais claro: "Filhinhos, amemo-nos uns aos outros, porque o amor vem de Deus e tudo o que é amor é nascido de Deus e conhece a Deus" (I João, 4:4) (GGB).
SABER: O fato de Jesus Cristo nunca ter falado contra a homossexualidade não significa sua aprovação. Ele também não se pronunciou claramente sobre muitos outros problemas sociais, tais como: sequestros, abuso sexual, prostituição infantil, tráfico de drogas. Entretanto, a Bíblia apresenta direta e indiretamente os princípios inegociáveis de Deus para a moralidade e dignidade humanas. Na verdade, ao se referir ao plano de Deus para a sexualidade, Jesus reafirmou o ensino veterotestamentário sobre o casamento heterossexual e monogâmico. Ele excluiu a suposta naturalidade das práticas homossexuais quando incentivou o casamento (CACP, 2012).
Jesus Cristo, que conhecia muito bem as Escrituras, sabia que desde o início, a ordenança para o relacionamento sexual tinha o caráter pós-nupcial, monogâmica e heterossexual:
Portanto deixará o homem o seu pai e a sua mãe, e apegar-se-á à sua mulher, e serão ambos uma carne (Gn 2.24).
Por isso ratificou essa ordenança nas suas mensagens:
Porém, desde o princípio da criação, Deus os fez macho e fêmea. Por isso deixará o homem a seu pai e a sua mãe, e unir-se-á a sua mulher, e serão os dois uma só carne; e assim já não serão dois, mas uma só carne. Portanto, o que Deus ajuntou não o separe o homem (Mc 10.6-9; Mt 19.4-6).
Deus Eterno que se fez homem jamais nutriria por suas criaturas qualquer tipo de amor que não fosse puramente ágape (amor de Deus pelos homens). E foi exatamente isso que Jesus demonstrou por todos. Essas interpretações deturpadas e essa cristologia distorcida perdem a oportunidade de ver a beleza do relacionamento Criador-criatura, Salvador-pecador, Senhor-servo, Mestre-discípulo e, especialmente, Pai-filho, inserindo a conotação homossexual nestas relações (CACP, 2012).

5. O ANTIGO TESTAMENTO CONDENA A HOMOSSEXUALIDADE?
Homossexualidade: “A Bíblia não é interpretada adequadamente; o que a Bíblia condena é a homossexualidade promíscua”.
SABER: A Antiga Aliança condena a homossexualidade em todos os seus aspectos, não apenas as ocorridas em ritos idólatras, como afirmam alguns ativistas. Dentre os textos mais esclarecedores, destacamos:
E criou Deus o homem à sua imagem; à imagem de Deus o criou; homem e mulheros criou (Gn 1.27).
Portanto deixará o homem o seu pai e a sua mãe, e apegar-se-á à sua mulher, e serão ambos uma carne (Gn 2.24).
Com homem não te deitarás, como se fosse mulher; abominação é (Lv 18.22).
Quando também um homem se deitar com outro homem, como com mulher,ambos fizeram abominação; certamente morrerão; o seu sangue será sobre eles (Lv 20.13).
Não haverá traje de homem na mulher, e nem vestirá o homem roupa de mulher; porque, qualquer que faz isto, abominação é ao SENHOR teu Deus (Dt 22.15).

Confira duas passagens esclarecedoras sobre reprovação do comportamento homossexual no meio do povo de Deus:

E antes que se deitassem, cercaram a casa, os homens daquela cidade, os homens de Sodoma, desde o moço até ao velho; todo o povo de todos os bairros. E chamaram a Ló, e disseram-lhe: Onde estão os homens que a ti vieram nesta noite? Traze-os fora a nós, para que os conheçamos. Então saiu Ló a eles à porta, e fechou a porta atrás de si, e disse: Meus irmãos, rogo-vos que não façais mal; eis aqui, duas filhas tenho, que ainda não conheceram homens; fora vo-las trarei e fareis delas como bom for aos vossos olhos; somente nada façais a estes homens, porque por isso vieram à sombra do meu telhado (Gn 19.4-8). - Ver item 2, deste artigo, contendo mais esclarecimentos sobre esta passagem em Gn 19.

Estando eles alegrando o seu coração, eis que os homens daquela cidade(homens que eram filhos de Belial) cercaram a casa, batendo à porta; e falaram ao ancião, senhor da casa, dizendo: Tira para fora o homem que entrou em tua casa, para que o conheçamos. E o homem, dono da casa, saiu a eles e disse-lhes: Não, irmãos meus, ora não façais semelhante mal; já que este homem entrou em minha casa, não façais tal loucura. Eis que a minha filha virgem e a concubina dele vo-las tirarei fora; humilhai-as a elas, e fazei delas o que parecer bem aos vossos olhos; porém a este homem não façais essa loucura (Jz 19.22-24).
Note que um estupro era considerado um mal menor do que o relacionamento homossexual!

6. NÃO HÁ OUTROS VERSÍCULOS DO ANTIGO TESTAMENTO QUE REPROVAM A HOMOSSEXUALIDADE?
Homossexualidade: A questão bíblica contra a homossexualidade é baseada em alguns versículos isolados e obscuros do Antigo Testamento.
SABER: Há outros versículos que corroboram aos já apresentados neste artigo:
Havia também sodomitas [rapazes escandalosos, na ARC] na terra; fizeram conforme a todas as abominações dos povos que o SENHOR tinha expulsado de diante dos filhos de Israel (1Rs 14.24).
E Asa fez o que era reto aos olhos do SENHOR, como Davi seu pai. Porque tirou da terra os sodomitas [rapazes escandalosos, na ARC], e removeu todos os ídolos que seus pais fizeram (1Rs 15.11,12).
E andou em todos os caminhos de seu pai Asa, não se desviou deles, fazendo o que era reto aos olhos do SENHOR. (...) Também expulsou da terra o restante dos sodomitas [rapazes escandalosos, na ARC], que ficaram nos dias de seu pai Asa (1Rs 22.43,47).
O aspecto do seu rosto testifica contra eles; e publicam os seus pecados, como Sodoma; não os dissimulam. Ai da sua alma! Porque fazem mal a si mesmos (Is 3.9).

7. O VERBO “CONHECER” EM GN 19 NÃO SE REFERE À SEXUALIDADE?
Homossexualidade: Das 943 vezes que aparece esta palavra no Antigo Testamento ("yadac" em hebraico), em apenas 10 ela tem significado heterossexual - nenhuma vez o sentido homossexual. A associação do pecado dos "sodomitas e gorromitas" com a homossexualidade é um grave erro histórico, que tem sua oficialização pela igreja católica apenas na Idade Média, a "idade das trevas" (GGB).
O primeiro significado da palavra hebraica yada, “conhecer”, é “familiarizar-se” ou “ter conhecimento de”, e que tem pouca conotação sexual.
Por essa perspectiva, os sodomitas ficaram zangados com Ló por permitir que estranhos, cujos motivos, bons ou maus, que eram desconhecidos, entrassem na casa dele. Sendo assim, as pessoas da cidade exigiam “saber” o intento e o caráter dos estranhos.
SABER: As argumentações expostas pelos ativistas homossexuais não resiste à mínima análise do texto em questão
1)  O significado de uma palavra é determinado, não só pela definição e prioridade, mas também pelo contexto em geral. E nesse contexto yada designa somente o ato sexual;
2)  Diante daquela emergência, Ló tomou uma atitude desesperada oferecendo apressadamente as suas próprias filhas para suavizar o apetite sexual daqueles homens;
3)  Por que um pai ofereceria suas filhas para serem estupradas, se os sodomitas queriam apenas “conhecer” as intenções dos visitantes?
4)  Ló se refere à virgindade das suas filhas, entendendo, portanto, a conotação sexual do pedido sodomita e oferecendo um suborno sexual;
5)  No versículo 8 o mesmo verbo yada é utilizado quando Ló descreve suas filhas como “nunca tendo conhecido” um homem. Obviamente se referindo à relação sexual, já que conheciam homens no sentido social;
6)  Outras passagens bíblicas adicionais identificam que o pecado principal de Sodoma era a sexualidade pervertida:
E livrou o justo Ló, enfadado da vida dissoluta dos homens abomináveis (porque este justo, habitando entre eles, afligia todos os dias a sua alma justa, vendo e ouvindo sobre as suas obras injustas). Assim, sabe o Senhor livrar da tentação os piedosos, e reservar os injustos para o dia do juízo, para serem castigados; mas principalmente aqueles que segundo a carne andam em concupiscências de imundícia, e desprezam as autoridades; atrevidos, obstinados, não receando blasfemar das dignidades (2Pe 2.7-10);
Assim como Sodoma e Gomorra, e as cidades circunvizinhas, que, havendo-se entregue à fornicação como aqueles, e ido após outra carne, foram postas por exemplo, sofrendo a pena do fogo eterno (Jd 7).
7)  A tradição judaico-cristã testifica, invariavelmente, o pecado de Sodoma como sendo a homossexualidade. Filo, um judeu de Alexandria (25 a.C. – 45 d.C.), comentou que em Sodoma os homens se acostumaram a ser tratados como mulheres
8)  Se essa passagem nunca fez referência à homossexualidade, por que então o termo “sodomia” se tornou um sinônimo universal de homossexualismo? No Brasil, por exemplo, o Novo Dicionário Aurélio, define o termo assim:
“Conjunção sexual anal, entre homem e mulher, ou entre homossexuais masculinos.”


8. AS PASSAGENS DE LEVÍTICO CONDENAM APENAS A PROSTITUIÇÃO CULTUAL MASCULINA?
Homossexualidade: As passagens de Levítico não condenam a homossexualidade em si, numa base moral, mas sim a prostituição cultual masculina, ou a impureza ritual associada à idolatria cananita.
Desde que as práticas religiosas idólatras cananitas que o Levítico condena cessaram milhares de anos atrás, elas não podem se aplicar aos “relacionamentos homossexuais amorosos e compreendidos” nos dias de hoje.
SABER: Até mesmo muitos ativistas da homossexualidade reconhecem a falta de base para essas argumentações. Não existe nada no texto que evidencie tais ideias. Confira:
Com homem não te deitarás, como se fosse mulher; abominação é (Lv 18.22).
Quando também um homem se deitar com outro homem, como com mulher, ambos fizeram abominação; certamente morrerão; o seu sangue será sobre eles (Lv 20.13).
Quando Deus quer mencionar especificamente as práticas de prostituição cultual, Ele o faz claramente, não misturando o sagrado com o profano:
Não haverá prostituta dentre as filhas de Israel; nem haverá sodomita dentre os filhos de Israel. Não trarás o salário da prostituta nem preço de um sodomita à casa do SENHOR teu Deus por qualquer voto; porque ambos são igualmente abominação ao SENHOR teu Deus (Dt 23.17,18).
Finalizando, todo o contexto de Levítico 18 e 20 trata, principalmente, de moralidade, e não de adoração idólatra. As passagens de Levítico lidam com interesses morais, não meramente com o fato de participação em rituais cananeus idólatras.

9. RUTE E NOEMI TINHAM RELACIONAMENTO HOMOSSEXUAL?

Homossexualidade: Disse, porém, Rute: Não me instes para que te abandone, e deixe de seguir-te; porque aonde quer que tu fores irei eu, e onde quer que pousares, ali pousarei eu; o teu povo é o meu povo, o teu Deus é o meu Deus; onde quer que morreres morrerei eu, e ali serei sepultada. Faça-me assim o SENHOR, e outro tanto, se outra coisa que não seja a morte me separar de ti” (Rt 1.16,17).
SABER: Noemi era viúva com dois filhos. Rute é a viúva de um dos filhos de Noemi.
Rute, sabendo que Noemi iria sofrer muito naquela região inóspita por volta do ano 1.000 a.C. por já ser idosa e viúva, dispôs-se a acompanhá-la, indicando uma amizade muito forte entre elas.
A tese homoafetiva é destruída com as palavras de Noemi, nos versículos que antecedem aos utilizados acima, no momento em que permite às suas noras, também viúvas, que voltassem para suas terras de origem e procurassem novos maridos:
Porém Noemi disse: voltai, minhas filhas. Por que iríeis comigo? Tenho eu ainda no meu ventre mais filhos, para que vos sejam por maridos? Voltai, filhas minhas, ide-vos embora, que já mui velha sou para ter marido; ainda quando eu dissesse: Tenho esperança, ou ainda que esta noite tivesse marido e ainda tivesse filhos, esperá-los-íeis até que viessem a ser grandes? Deter-vos-íeis por eles, sem tomardesmarido? Não, filhas minhas, que mais amargo me é a mim do que a vós mesmas; porquanto a mão do SENHOR se descarregou contra mim (Rt 1.11-13).
A própria Noemi diz que permanecer sem marido é uma situação muita amarga. E Rute não voltou para sua terra, não para manter um relacionamento homossexual com Noemi, mas para não abandoná-la num momento tão difícil para ambas. Rute casa com Boaz, parente do marido falecido de Noemi.
Assim tomou Boaz a Rute, e ela lhe foi por mulher; e ele a possuiu, e o SENHOR lhe fez conceber, e deu à luz um filho (Rt 4.13).
Assim, Rute torna-se, por sua fidelidade, antecessora do Rei Davi:
E Salmom gerou a Boaz, e Boaz gerou a Obede, e Obede gerou a Jessé, e Jessé gerou a Davi (Rt 4.21,22).

10. DAVI E JÔNATAS ERAM HOMOSSEXUAIS?
Homossexualidade: Angustiado estou por ti, meu irmão Jônatas; quão amabilíssimo me eras! Mais maravilhoso me era o teu amor do que o amor das mulheres” (2Sm 1.26).
SABER: A homossexualidade não resiste à análise do texto.
A palavra hebraica ahaváh, traduzida por amor, no Antigo Testamento, não tem apenas um único sentido, mas vários: 
a) Amor paternal:
"E amava Isaque a Esaú, porque a caça era de seu gosto, mas Rebeca amava a Jacó" (Gn 25.28).
b) Amizade (neste caso, entre o próprio Davi e o pai de Jônatas, o rei Saul):
"Assim Davi veio a Saul, e esteve perante ele, e o amou muito, e foi seu pajem de armas" (2Sm 16.21).
c) Amor a Deus:
"Amarás, pois, o SENHOR teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todas as tuas forças" (Dt 6.5).
d) Amor ao próximo:
"Não te vingarás nem guardarás ira contra os filhos do teu povo; mas amarás o teu próximo como a ti mesmo. Eu sou o SENHOR" (Lv 19.18).
Em todos estes exemplos, o verbo usado na Bíblia é ahaváh. Portanto, necessitamos do contexto particular do versículo, ou, até mesmo, do contexto geral da Bíblia para determinar o seu real significado.
No caso de Davi, ao declarar que o amor que sentia por Jônatas ultrapassaria o de mulheres, ele não quis inserir nenhuma conotação erótica, e sim, algo muito diferente de atração física:
E sucedeu que, acabando ele de falar com Saul, a alma de Jônatas se ligou com a alma de Davi; e Jônatas o amou, como à sua própria alma. (…) E Jônatas e Davi fizeram aliança; porque Jônatas o amava como à sua própria alma (1Sm 18.1,3)
Creio que ninguém tem desejos sexual pela sua própria alma!
Esse amor perdurou e foi demonstrado, até mesmo, muito tempo após a morte de Jônatas, através de benevolência feita por Davi ao filho de Jônatas (isso mesmo, ele era pai):
E disse Davi: Há ainda alguém que tenha ficado da casa de Saul, para que lhe façabenevolência por amor de Jônatas? (…) E disse-lhe Davi: Não temas, porque decerto usarei contigo de benevolência por amor de Jônatasteu pai, e te restituirei todas as terras de Saul, teu pai, e tu sempre comerás pão à minha mesa (2Sm 9.1,7).
Será que, com os versículos que se seguem, devemos deduzir que Davi também tinha uma relação homossexual com o rei Saul e com Hirão, rei de Tiro?
Assim Davi veio a Saul, e esteve perante ele, e o amou muito, e foi seu pajem de armas (1 Sm 16.21).
E enviou Hirão, rei de Tiro, os seus servos a Salomão (porque ouvira que ungiram a Salomão rei em lugar de seu pai), porquanto Hirão sempre tinha amado a Davi (1 Rs 5.1).
A relação afetiva e sexual de Davi era com sua(s) esposa(s) e o mesmo acontecia com Jônatas.
Aliás, o amor das mulheres era algo que Davi apreciava de maneira exacerbada. Sua poligamia com Mical, Abigail, Ainoã, Maaca, Agita, Abital e Eglá e seu adultério com Bate-Seba são provas cabais da forte atração que Davi sentia pelo sexo oposto (1Sm 18.27; 25.42-43; 2Sm 3.2-5; 11.1-27).

11. OS BEIJOS ENTRE DAVI E JONATAS PROVAM QUE ELES ERAM HOMOSSEXUAIS?

Homossexualidade: E, indo-se o moço, levantou-se Davi do lado do sul, e lançou-se sobre o seu rosto em terra, e inclinou-se três vezes; e beijaram-se um ao outro, e choraram juntos, mas Davi chorou muito mais.

SABER: No Oriente Médio (e até em outras regiões do mundo, como a Rússia, por exemplo), o beijo sempre foi uma demonstração de afeto, independente do sexo das pessoas envolvidas.
No Novo Testamento os cristãos foram ordenados a se beijarem como saudação, não significando que a homossexualidade estivesse sendo ordenada entre os cristãos:
Saudai-vos uns aos outros com santo ósculo. As igrejas de Cristo vos saúdam (Rm 16.16).
Todos os irmãos vos saúdam. Saudai-vos uns aos outros com ósculo santo (1Co 16.20).
Saudai-vos uns aos outros com ósculo santo. Todos os santos vos saúdam (2Co 13.12).
Saudai a todos os irmãos com ósculo santo (1Ts 5.26).
Saudai-vos uns aos outros com ósculo de amor. Paz seja com todos vós que estais em Cristo Jesus. Amém (1Pe 5.14).
Jesus reclamou a Pedro:
Não me deste ósculo, mas esta, desde que entrou, não tem cessado de me beijar os pés (Lc 7.45).
Veja como é comum a prática do beijo nas Escrituras Sagradas:
Então Esaú correu-lhe ao encontro, e abraçou-o, e lançou-se sobre o seu pescoço, e beijou-o; e choraram (Gn 33.4).
beijou a todos os seus irmãos, e chorou sobre eles; e depois seus irmãos falaram com ele (Gn 45.15).
Então José se lançou sobre o rosto de seu pai e chorou sobre ele, e o beijou (Gn 50.1).
Disse o SENHOR a Arão: Vai ao deserto, ao encontro de Moisés. E ele foi, e encontrou-o no monte de Deus, e beijou-o (Ex 4.27).
Então saiu Moisés ao encontro de seu sogro, e inclinou-se, e beijou-o, e perguntaram um ao outro como estavam, e entraram na tenda (Ex 18.7).
Então levantaram a sua voz, e tornaram a chorar; e Orfa beijou a sua sogra, porém Rute se apegou a ela (Rt 1.14).
Então tomou Samuel um vaso de azeite, e lho derramou sobre a cabeça, e beijou-o, e disse: Porventura não te ungiu o SENHOR por capitão sobre a sua herança? (1Sm 10.1).
Havendo, pois, todo o povo passado o Jordão, e passando também o rei, beijou o rei a Barzilai, e o abençoou; e ele voltou para o seu lugar (2Sm 19.39).

12. O NOVO TESTAMENTO NÃO CONDENA A HOMOSSEXUALIDADE?
Homossexualidade: “O Antigo Testamento possui regras que não se aplicam mais. No Novo Testamento Jesus mandou-nos amar uns aos outros”.
SABER: Para efetivarmos uma doutrina para o período atual, ela tem que estar confirmada no Novo Testamento. E ele confirma claramente a condenação ao ato homossexual, confirmando a heterossexualidade:
Ele, porém, respondendo, disse-lhes: Não tendes lido que aquele que os fez no princípio macho e fêmea os fez, e disse: Portanto, deixará o homem pai e mãe, e se unirá a sua mulher, e serão dois numa só carne? (Mt 19.4,5).
E mudaram a glória do Deus incorruptível em semelhança da imagem de homem corruptível, e de aves, e de quadrúpedes, e de répteis. Por isso também Deus os entregou às concupiscências de seus corações, à imundícia, para desonrarem seus corpos entre si; pois mudaram a verdade de Deus em mentira, e honraram e serviram mais a criatura do que o Criador, que é bendito eternamente. Amém. Por isso Deus os abandonou às paixões infames. Porque até as suas mulheres mudaram o uso natural, no contrário à natureza. E, semelhantemente, também oshomens, deixando o uso natural da mulher, se inflamaram em sua sensualidade uns para com os outros, homens com homens, cometendo torpeza e recebendo em si mesmos a recompensa que convinha ao seu erro. E, como eles não se importaram de ter conhecimento de Deus, assim Deus os entregou a um sentimento perverso, para fazerem coisas que não convêm (Rm 1.23-28).
Não sabeis que os injustos não hão de herdar o reino de Deus? Não erreis: nem os devassos, nem os idólatras, nem os adúlteros, nem os efeminados, nem os sodomitas, nem os ladrões, nem os avarentos, nem os bêbados, nem os maldizentes, nem os roubadores herdarão o reino de Deus (1Co 6.9,10).
Sabemos, porém, que a lei é boa, se alguém dela usa legitimamente; sabendo isto, que a lei não é feita para o justo, mas para os injustos e obstinados, para os ímpios e pecadores, para os profanos e irreligiosos, para os parricidas e matricidas, para os homicidas, para os devassos, para os sodomitas, para os roubadores de homens, para os mentirosos, para os perjuros, e para o que for contrário à sã doutrina, conforme o evangelho da glória de Deus bem-aventurado, que me foi confiado (1Tm 1.8-11).

13. PAULO CONDENA APENAS A MUDANÇA DE “OPÇÃO” SEXUAL EM RM 1?

Homossexualidade: Paulo não estava condenando a homossexualidade em si, mas a prática “não natural” de heterossexuais se tornando homossexuais. Os homossexuais, portanto, estariam agindo em harmonia com a sua natureza. A prática se tornaria pecaminosa somente quando os heterossexuais se envolvessem em atividades homossexuais, porque para eles essas atividades não seriam naturais.
SABER: Esse argumento é o mesmo que afirmar que o estupro é moral e natural para os estupradores, mas imoral para não estupradores; ou que a pedofilia é natural para os pedófilos e contra a natureza dos não pedófilos. Não há justificativa para nenhum dos casos!
Paulo, culto e cheio de discernimento que era, faria essa distinção citada pelos ativistas, caso realmente existisse... Paulo, realmente, está condenando a homossexualidade em si.
Por isso Deus os abandonou às paixões infames. Porque até as suas mulheres mudaram o uso natural, no contrário à natureza. E, semelhantemente, também os homens, deixando o uso natural da mulher, se inflamaram em sua sensualidade uns para com os outros, homens com homens, cometendo torpeza e recebendo em si mesmos a recompensa que convinha ao seu erro (Rm 1.26,27).
O apóstolo Paulo está ensinando que os homossexuais não têm desculpa porque compreendem que tais atos são errados e são passíveis de morte:
Os quais, conhecendo a justiça de Deus (que são dignos de morte os que tais coisas praticam)... (Rm 1.32a).
Mesmo assim, deliberadamente, não consideram tal conhecimento, continuam sua prática e incentivam outra a fazerem o mesmo:
Porque do céu se manifesta a ira de Deus sobre toda a impiedade e injustiça dos homens, que detêm a verdade em injustiça (Rm 1.18).
E, como eles não se importaram de ter conhecimento de Deus, assim Deus os entregou a um sentimento perverso, para fazerem coisas que não convêm (Rm 1.28).
...não somente as fazem, mas também consentem aos que as fazem (Rm 1.32b).

14. AS PALAVRAS DE 1CO 6.9,10 ESTÃO MAL TRADUZIDAS?

Homossexualidade: As mais modernas e abalizadas pesquisas exegéticas concluem que, se Paulo de Tarso quisesse condenar especificamente os praticantes do homoerotismo, teria empregado o termo corrente em sua época e de seu perfeito conhecimento, "pederastas". Em vez desta palavra, Paulo usou as expressões gregas "malakoi", "arsenokoitai" e "pornoi" - que as melhores edições da Bíblia em português traduzem por "pervetores", "pervertidos" e "imorais". Portanto, foram estes pecadores que Paulo incluiu na lista dos afastados do Reino dos Céus, e não os "pederastas", e muito menos os "homossexuais", palavra desconhecida na Antiguidade (GGB).
SABER: Não sabeis que os injustos não hão de herdar o reino de Deus? Não erreis: nem os devassos, nem os idólatras, nem os adúlteros, nem os efeminados, nem os sodomitas, nem os ladrões, nem os avarentos, nem os bêbados, nem os maldizentes, nem os roubadores herdarão o reino de Deus (1Co 6.9,10).
A palavra grega malakoi significa literalmente “macio ao tato”, que na cultura grega era usada de forma metafórica para homens que assumiam o papel passivo no ato homossexual.
No termo arsenokoitai, arsen se refere a “macho” e koitai a “cama”, portanto, numa clara referência à pessoa que assumia o papel ativo no ato homossexual.
 
15. NÃO HÁ OUTROS VERSÍCULOS DO NOVO TESTAMENTO QUE REPROVAM A HOMOSSEXUALIDADE?
Homossexualidade: A questão bíblica contra a homossexualidade é baseada em alguns versículos isolados e obscuros.
SABER: Além dos muitos textos que foram tratados de forma específica neste artigo, há vários versículos adicionais que são aplicáveis à prática homossexual apesar do termo em si não ser usado. Vejamos alguns:
Assim como Sodoma e Gomorra, e as cidades circunvizinhas, que, havendo-se entregue à fornicação como aqueles, e ido após outra carne, foram postas por exemplo, sofrendo a pena do fogo eterno. E, contudo, também estes, semelhantemente adormecidos, contaminam a sua carne, e rejeitam a dominação, e vituperam as dignidades (...). Estes, porém, dizem mal do que não sabem; e, naquilo que naturalmente conhecem, como animais irracionais se corrompem. (...) Os quais vos diziam que nos últimos tempos haveria escarnecedores que andariam segundo as suas ímpias concupiscências. Estes são os que causam divisões, sensuais, que não têm o Espírito (Jd 7,8,10,18,19).
Não reine, portanto, o pecado em vosso corpo mortal, para lhe obedecerdes em suas concupiscências; nem tampouco apresenteis os vossos membros ao pecado por instrumentos de iniquidade; mas apresentai-vos a Deus, como vivos dentre mortos, e os vossos membros a Deus, como instrumentos de justiça. Porque o pecado não terá domínio sobre vós, pois não estais debaixo da lei, mas debaixo da graça (...). Falo como homem, pela fraqueza da vossa carne; pois que, assim como apresentastes os vossos membros para servirem à imundícia, e à maldade para maldade, assim apresentai agora os vossos membros para servirem à justiça para santificação. Porque, quando éreis servos do pecado, estáveis livres da justiça. E que fruto tínheis então das coisas de que agora vos envergonhais? Porque o fim delas é a morte (Rm 6.12-14,19-21).
Rogo-vos, pois, irmãos, pela compaixão de Deus, que apresenteis os vossos corpos em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional. E não sede conformados com este mundo, mas sede transformados pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus (Rm 12.1-2).
Ou não sabeis que o vosso corpo é o templo do Espírito Santo, que habita em vós, proveniente de Deus, e que não sois de vós mesmos? Porque fostes comprados por bom preço; glorificai, pois, a Deus no vosso corpo, e no vosso espírito, os quais pertencem a Deus (1Co 6.19,20).
Segundo a minha intensa expectação e esperança, de que em nada serei confundido; antes, com toda a confiança, Cristo será, tanto agora como sempre, engrandecido no meu corpo, seja pela vida, seja pela morte (Fp 1.20).
Mortificai, pois, os vossos membros, que estão sobre a terra: a prostituição, a impureza, a afeição desordenada, a vil concupiscência, e a avareza, que é idolatria; pelas quais coisas vem a ira de Deus sobre os filhos da desobediência (Cl 3.5,6).
Mas, quanto aos tímidos, e aos incrédulos, e aos abomináveis, e aos homicidas, e aos fornicadores, e aos feiticeiros, e aos idólatras e a todos os mentirosos, a sua parte será no lago que arde com fogo e enxofre; o que é a segunda morte (Ap 21.8).

Por Joel Alexandre.

REFERÊNCIAS

ANKERBERG, John & WELDON, John. Os fatos sobre a homossexualidade.Chamada da meia-noite.
BAILEY, D. Sherwin. Homossexuality and the western Christian TraditionHamden, CT: Shoe String Press, 1975.
CACP - Centro Apologético Cristão de Pesquisas. A Teologia Gay. Disponível em: . Acesso em: 24.set.2012
CARSON, D.A. et al. Comentário bíblico Vida Nova. São Paulo: Vida Nova, 2009.
GGB, Grupo Gay da Bahia. O que todo cristão deve saber sobre homossexualidade. Disponível em: <www.ggb.org.br/cristao>. Acesso em: 19.set.2012.
HOLANDO, Aurélio Buarque. Novo Dicionário Aurélio.

terça-feira, 9 de setembro de 2014

COREOGRAFIA NA IGREJA A DANÇA DA IGNORÂNCIA.




Muito comum em grupos carismáticos, o uso deste recurso em seus cultos; dança de louvor, ou melhor, o requebro, o meneio, o trejeito. Recorrem aos textos do Velho Testamento, onde supostamente encontram suporte bíblico para esta prática.

O vocábulo “dança” é uma das possíveis traduções da palavra grega "paizo" e seus correlatos, bem como da palavra "shireh" da língua hebraica. São elas comumente traduzidas por: “agir como criança”, “brincar”, “dançar”, “gesticular”, “zombar”, “imitar”. É relacionada com o substantivo "paidía" ou "paidiá" trazendo sempre a idéia de “jogos eróticos”.

"Paizo" tal como foi usada pelos gregos, muito comumente denota este verbo, “falta de seriedade com alguma coisa em termos de atitude ou conduta”. Significa também, “saga levianamente tratada ou inventada”, “gesticular”, “zombar”, “ridicularizar”, “lascívia”, “libertinagem”, “licenciosidade”, “tolice” e “estupidez”.

No contexto do Velho Testamento e da Septuaginta, a brincadeira encontra expressão na natureza religiosa e cúltica dos jogos de danças no mundo oriental primitivo e antigo. Os deuses eram venerados por meio de jogos e danças. No culto do mundo ao redor do Velho Testamento e do Novo Testamento encontramos muitos jogos e danças como meio de expressar a religiosidade.

Encontramos também no Velho Testamento danças por ocasião das celebrações de vitória (Ex. 15:20; Jz 11:34). Duas razões juntas, para a manifestação pela dança. A primeira, a demonstração da alegria pela vitória alcançada. A segunda, uma tremenda zombaria pelo inimigo derrotado. Dançar como expressão de escárnio era algo que, de fato, ofendia os brios do inimigo. Quanto a isso tem muito a dizer o Dr. W. O. E. Oesterday em seu elucidativo livro “The Sacred Dance” (1923). Estas celebrações são encontradas especialmente nos contextos de guerra, tal como, por exemplo, I Crônicas 13:8; 15:29; e II Samuel 6: 14. De acordo com o articulista no dicionário teológico de Kittel, a manifestação “mais festiva foi a dança diante da arca, relatada em II Samuel 6:14-16”, também num contexto de vitória de guerra. Por ocasião da festa da colheita haviam manifestações de dança, como registra Juizes 21:21. Estas manifestações eram sempre de uma dança harmoniosamente desenvolvida por um grupo, a qual narrava uma história. Eram manifestações legítimas do folclore. Há que se fazer uma distinção entre a dança como expressão artística e o requebro sem arte, que tem como intenção carnal, dar evidência às curvas do corpo e destaque às suas partes eróticas.

Nos Salmos cúlticos (26:6; 42:4; 149:3; 150:4) aparece a palavra "shireh". Estes contextos nos fazem lembrar as procissões promovidas pelo povo, rumo ao templo. No templo, o culto era o mais impeditivo possível. Os que entravam no átrio eram somente os sacerdotes, dentre esses somente o sumo-sacerdote adentrava ao santo dos santos. Do “auditório” não se ouvia nenhum som de louvor. Os cantores, ministros do canto, entoavam os louvores (estes eram também sacerdotes). Ao povo em geral não se lhe era dado o direito de pisar o átrio. Os homens tinham o seu espaço, as mulheres outro mais atrás, os gentios atrás do muro. (Jesus revela sua indignação no templo, pois, o lugar dos gentios estava ocupado pelos vendedores. Jesus afirma, então, que aquela casa será chamada “casa de oração para todos os povos”). Sendo assim, se o povo não participava da “cerimônia” propriamente, encontraram eles uma maneira de expressão, e esta foi no “caminhar para o templo”. Ajuntando a multidão, engrossando a procissão, cantavam salmos. Os salmos cúlticos se reportam a isso, e a palavra acima mencionada é assim traduzida “andarei”, “passava eu com a multidão do povo”, “com adufes e harpa”, “com adufes e danças”. Somente o Salmo 150:4, em algumas versões, a palavra "shireh" é traduzida por dança. Nas passagens escatológicas encontramos as seguintes traduções para a mesma palavra: Jeremias 31:4 “dança”; 30:19 “júbilo”; e Zacarias 8:5 “brincarão”.

Outras passagens são encontradas, a saber: I Reis 18:26; onde lemos a referência ao “manquejar” dos profetas ao redor do altar de Baal. Em Juizes 16:25-27 que narra o infortúnio de Sansão, quando é trazido para o palácio. Ali a palavra é traduzida por “divertir”, “escárnio”. Em Êxodo 32:6, o povo de Israel, recém liberto do cativeiro egípcio, dança diante do bezerro de ouro. Ilustrativas são as passagens de Gênesis 21:9 e 26:8. A primeira fala de Ismael que “caçoava” (ridicularizava) de Isaque, o que provoca em Sarah uma profunda indignação. A passagem seguinte ilustra o porque desta indignação, pois em 26:8 esta palavra é traduzida por “acariciava”. É Isaque, agora casado, acariciando Rebeca. O motivo da indignação, portanto, estava no fato de Ismael ridicularizar Isaque com meneios, trejeitos, passando-lhe a mão, dançando ao seu derredor. No livro do profeta Isaías este sentido vem ainda mais à luz. No capitulo 3, verso 16 há uma descrição daquelas mulheres que com disposição frívola “andam a passos curtos” (a mesma palavra é aqui usada). Seus meneios e trejeitos, passos afetados, com intenção de minar a moral do povo.

No Novo Testamento a palavra "paízo" ocorre somente em I Coríntios 10:7, fazendo citação do Velho Testamento em Êxodo 32:6. É o repudiar de todo culto pagão. Aqui está relacionado com a idolatria. O texto de Êxodo se refere a uma dança cúltica. Como em Gênesis 26:8; 39:14-17, a palavra que ali aparece tem um sentido erótico. Assim pode ela denotar, tanto idolatria como licenciosidade cúltica: freqüentemente com ela associada. Tertuliano, em De Jejunio, fala seis vezes do Lusus Impudidus, se referindo ao acontecimento narrado em Êxodo 32:6, descrevendo aquela manifestação, portanto, como danças vergonhosas. Para os crentes de Corinto, também, a diversão das festas sacrificiais era uma grande tentação à idolatria.

Se a palavra "paizo" é encontrada uma única vez, sua correlata "empaizo" é encontrada mais vezes. Seus significados são: “jogar”, “dançar ao redor”, “caçoar”, “ridicularizar”, “iludir”, “defraudar”. Esta palavra pertence ao grupo das usadas para “depreciação” ou “ridicularizar”, “levantar o nariz”, “balançar a cabeça”, “bater as mãos como sinal de insulto ou escárnio”, “fazer brincadeiras”. Deriva de “arrogância”, “mostrar superioridade”, “hostilidade” e “aversão” (Gn. 19:14; Is. 28:7 e seguintes).

O Verbo "empaizein" ocorre somente nos evangelhos sinóticos. Sua primeira ocorrência se dá em Mateus 2:16, quando Herodes é enganado pelos sábios, que ao invés de voltarem por Jerusalém, deixam-no a esperar. Em Lucas 14:29, encontramos a parábola do construtor imprudente que é ridicularizado por seus circunstantes pelo fato de não poder levar a cabo o término da construção.

Todas as outras passagens se referem a Jesus Cristo. Na predição de sua paixão a encontramos Mateus 20:19; Marcos 10:34 e Lucas 18:32. Ali esta palavra é sempre traduzida por “escarnecer”. Também na história de sua paixão, cumprindo suas próprias predições – Marcos 15:16-20, e Mateus 27:27-31. O ato dos soldados colocando uma coroa de espinhos, um manto de púrpura, saudando-o, golpeando-o com um caniço, cuspindo e curvando-se diante dele – constitui o escárnio. O texto de João 19:1-3 usa esta palavra para descrever o incidente como um todo. É o espetáculo. Mateus 26:67-68, Marcos 14:65 e Lucas 22:63-65 tem sua contra partida em Jeremias 51:18, pois os ídolos são objetos de escárnio “obra ridícula”. Assim tratavam a Cristo, representando um macabro bailado ao seu derredor. Este Jesus que arroga ser Deus, não é outra coisa nesta sanha diabólica senão “obra ridícula”. É o inferno que se levanta contra o Ungido de Deus. Cristo em sua agonia é a ridícula personagem da coreografia satânica.

Mas ali, quem de fato, estava sendo exposto ao vexame, era a “antiga serpente”. Três dias depois o drama se conclui e os bailarinos do “dragão” perdem o ritmo. A “cabeça da serpente” está esmagada.

Outros textos onde a palavra aparece são os seguintes: Hebreus 11:36 (escárnio); 11:26 (prazeres transitórios); Judas 18 (escarnecedores - andando) e II Pedro 3:3 (escarnecedores... com escárnios. Andando).


Concluímos, afirmando que, não há uma referência sequer que no culto do Novo Testamento tenha havido manifestação da dança cúltica. Nem mesmo na Igreja dos Pais Apostólicos, e nem ainda na Reforma Protestante do Século XVI. Interessante! Por que não? Pelo menos por quatro razões:


Primeiro
, a dança era um costume pagão e procurou-se na Igreja Apostólica evitar qualquer associação. O princípio da associação deveria ser levado em conta. Não somente aquilo que era mal, mas também tudo aquilo que pudesse se parecer com o mal. Se fizesse o povo lembrar dos cultos pagãos dos quais muitos crentes eram egressos, evitar-se-ia!

Em segundo lugar
, pelo fato, que foi deixado em relevo por Paulo aos Coríntios. A dança tentava-lhes a idolatria, abria-lhes as portas à licenciosidade e dava vazão ao erotismo. Nada de dança, a Igreja de Jesus é uma comunidade de separados, chamados à pureza e à santidade!

Em terceiro lugar
, porque o culto do Novo Testamento é adjetivado como “Logikem Latria” (culto racional), ou melhor, supra-sensual [acima daquilo qque atinge os sentidos]. Não necessitamos mais dos recursos visuais externos. Nosso culto é em espírito e em verdade. A palavra usada por Jesus Cristo em sua conversa com a mulher samaritana é significativa. Várias são as palavras que poderiam ser traduzidas pelo vocábulo “verdade” na língua grega. A palavra, no entanto, usada por Jesus, não se contrapõe à idéia de “mentira”. A palavra é contraposta, sim, a “símbolo”, “tipo”, “figura”; recursos estes usados no culto do Velho Testamento. Arrependimento era o “por cinzas na cabeça, vergonha era simbolizada pelo” rasgar das vestes “submissão era o” orar com o rosto em terra “, a remissão dos pecados se dava pelo” derramar do sangue de animais “, etc. Nosso culto hoje não necessita destas figuras, pois, é um culto supra sensual, a” verdade “anteriormente apresentada por símbolos encontra sua expressão. Jesus! Quem tem Cristo adora” em espírito e em verdade ““.

Em quarto lugar
, e mais importante que tudo mais, o culto no Novo Testamento não permita a manifestação de “dança sagrada” pelo fato de que toda dança, meneio de corpos, requebro, fazia lembrar o escárnio de Cristo. O Dicionário Teológico do Novo Testamento de Kittel afirma: “Seja o fato dos soldados aqui estarem observando um costume (religioso), específico, ou seguindo práticas do sacrifício persa, por exemplo, ou estarem simplesmente expondo o suposto rei dos judeus ao ridículo, é muito difícil ter qualquer certeza. Contudo, é certo de que este escárnio se dava num contexto de dança e drama. Um show, um espetáculo, um ato público civil e religioso. A dança cúltica fazia os crentes da Igreja Apostólica lembrarem-se da horripilante coreografia desenhada ao derredor do Salvador”.

Pastor Ludgero Bonilha Morais

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

Na véspera da Parada, Igreja Católica lança nota em apoio à comunidade gay


Na véspera da Parada, Igreja Católica lança nota em apoio à comunidade gay



A Comissão Justiça e Paz da Arquidiocese de São Paulo publicou nesta quarta-feira (30), uma nota em "defesa da dignidade, da cidadania e da segurança" dos homossexuais. O texto foi publicado às vésperas da 18.ª Parada do Orgulho de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais de São Paulo, que vai acontecer neste domingo (4), na Avenida Paulista.

"Não podemos nos calar diante da realidade vivenciada por esta população, que é alvo do preconceito e vítima da violação sistemática de seus direitos fundamentais, tais como a saúde, a educação, o trabalho, a moradia, a cultura, entre outros", afirma, em nota, a entidade da Igreja Católica.

A comissão diz também que LGBTs "enfrentam diariamente insuportável violência verbal e física, culminando em assassinatos, que são verdadeiros crimes de ódio".

A entidade convida "pessoas de boa vontade e, em particular todos os cristãos, a refletirem sobre essa realidade profundamente injusta das pessoas LGBT e a se empenharem ativamente na sua superação, guiados pelo supremo princípio da dignidade humana".

Ainda de acordo com a nota, o posicionamento da entidade, "fiel à sua missão de anunciar e defender os valores evangélicos e civilizatórios dos direitos humanos, fundamenta-se na Constituição Pastoral Gaudium et Spes, aprovada no Concílio Vaticano II: "As alegrias e esperanças, as tristezas e angústias dos homens de hoje, sobretudo dos pobres e de todos aqueles que sofrem, são também as alegrais e as esperanças, as tristezas e as angústias dos discípulos de Cristo", diz o documento.

O diretor da Comissão Justiça e Paz da arquidiocese, Geraldo Magela Tardelli, afirmou que esta é a primeira vez que a comissão escreve "formalmente" a favor dos homossexuais. "A comissão tem uma missão, segundo D. Paulo Evaristo Ars: 'temos que dar voz aqueles que não tem voz'. Neste momento, o que estamos percebendo é que há um crescimento de violência contra homossexuais, então a gente não pode se omitir em relação a essa violação dos direitos humanos", afirmou o diretor.

Segundo ele, a realização da Parada Gay determinou a divulgação da nota. "Nós achamos que esse era o momento correto de colocar essa nota em circulação. Nós da Igreja estamos engajados na defesa dos direitos humanos e não compactuamos com nenhuma violação, independentemente da cor e da orientação sexual das pessoas", disse Tardelli.

Retirado site: http://www.superpride.com.br/2014/05/na-vespera-da-parada-igreja-catolica-lanca-nota-em-apoio-a-comunidade-gay.html

sexta-feira, 5 de setembro de 2014

Jesus, a porta para a Vida Eterna

Qualquer pessoa sabe o que é uma porta e qual a sua utilidade: um instrumento de passagem que abre e fecha, impedindo ou permitindo o acesso a determinado lugar. Este vocábulo também pode ser usado no sentido figurado, pois, quando alguém diz que uma porta de emprego lhe foi aberta, está querendo dizer que uma oportunidade de trabalho lhe foi oferecida.
A Bíblia fala muito sobre portas, em vários sentidos: nos muros de Jerusalém havia doze portas; Paulo disse aos coríntios que uma porta grande e oportuna se lhe abriu para a pregação do Evangelho; em Apocalipse, João diz que a porta que Jesus abre ninguém fecha e a porta que Ele fecha ninguém abre. Até na eternidade há portas, pois João disse que bem-aventurados são aqueles que lavam as suas vestiduras no sangue do Cordeiro, para que tenham direito à árvore da vida, e entrem na cidade pelas portas (Ap 22.14).
Na realidade, a vida é uma constante caminhada em direção às portas que se abrem e se fecham. Alguns pequenos exemplos: Você tomou café hoje? Você almoçará amanhã? Vai estudar ou trabalhar esta semana? Mora em uma casa e tem uma família? Tem amigos? Pois bem, tudo isso são portas que o Eterno tem colocado diante de nós, as quais estão inclusas no pacote de suas bênçãos chamado graça comum, ou seja, graça disponível para todos, indistintamente.
Esteja, porém, certo de que a bondade de nosso Deus não se limita apenas às portas que se abrem nesta vida. Ele providenciou uma porta singular, diferente de todas, superior a todas as demais, e que se abre para a eternidade. Ela é suprema e elevada. Mais importante do que todas as que encontramos neste mundo. Esta porta é Jesus! Ele mesmo atribuiu a si este título dizendo: “Em verdade, em verdade vos digo: eu sou a porta das ovelhas. Todos quantos vieram antes de mim são ladrões e salteadores; mas as ovelhas não lhes deram ouvido. Eu sou a porta. Se alguém entrar por mim, será salvo; entrará, e sairá, e achará pastagem” (João 10.7-9).
Não adianta passar por todas as portas que a vida oferece se não passar pela suprema porta, chamada Jesus. Não adianta passar pela porta da instrução, da saúde, da prosperidade e do casamento, sem passar por Jesus, a porta para a vida eterna. Existem muitas portas boas, mas só uma é excelente. Em outras palavras, não adianta o homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma.
Quando Jesus disse que Ele era a porta das ovelhas, estava usando uma linguagem figurada que aponta para a entrada do aprisco, lugar em que as ovelhas são guardadas e cuidadas. Ele quer ajuntar suas ovelhas em um mesmo lugar, para que todas sejam cuidadas por Ele, o Bom Pastor. Só há uma maneira para entrar no “aprisco” do Senhor, no “rebanho” de Jesus: através da porta que o Eterno estebaleceu: o próprio Senhor Jesus. O Apóstolo Paulo disse, ao escrever aos romanos, que se confessarmos a Jesus como Senhor e crermos n’Ele com todo o nosso coração, então seremos salvos e seremos para sempre suas ovelhas. (Rm 10.9-10). Anuncie esta porta, fale de Jesus a todas as pessoas, pois enquanto ela estiver aberta, todos os que crerem terão a oportunidade de passar por ela.
Pr. Eloizio Coelho

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

A Liberdade de Barrabás


Aconteceu depressa demais. Num minuto Barrabás estava na cela da morte, com os pés batendo na parede, e no seguinte foi solto; piscando os olhos por causa do sol brilhante.
"Você está livre."
Barrabás coçou a barba. "O quê?"
"Você está livre. Eles ficaram com o Nazareno em seu lugar."
Barrabás tem sido muitas vezes comparado com a humanidade e isso é certo. De muitas maneiras ele nos representa: um prisioneiro libertado porque alguém que jamais vira tomou o seu lugar.
Penso porém que Barrabás era provavelmente mais esperto que nós em um aspecto.
Quanto sabemos, ele aceitou sua repentina liberdade pelo que era, um presente não merecido. Alguém lhe atirou um salva-vidas e ele agarrou-o, sem perguntas. Não é possível imaginá-lo usando alguns de nossos truques. Nós recebemos nosso presente gratuito e tentamos ganhá-lo, diagnosticá-lo, ou pagar por ele, em vez de dizer simplesmente "obrigado" e aceitá-lo.
Por mais irônico que pareça, uma das coisas mais difíceis é ser salvo pela graça. Há alguma coisa em nós que reage negativamente ao dom gracioso de Deus. Temos uma compulsão estranha que nos leva a criar leis, sistemas, regulamentos, para nos tornar "dignos" de nosso dom.
Por que agimos assim? A única razão em que posso pensar é o orgulho. Aceitar a graça significa aceitar a sua necessidade e a maioria das pessoas não gosta disso. Aceitar a graça também significa que o indivíduo compreende o seu desespero e quase ninguém aprecia isso também.
Barrabás, porém, foi mais sabido. Perdido para sempre na cela da morte, ele não recuou ao ver-se libertado. Ele talvez não compreendesse a misericórdia e certamente não a merecia, mas não a recusou. Devemos procurar entender que nossa dificuldade não é muito diferente da de Barrabás. Nós também somos prisioneiros sem possibilidade de apelação. Mas porque alguns preferem continuar presos quando a porta da cela foi aberta é um mistério que vale a pena ser estudado. - Max Lucado em "Seu Nome É Salvador", Copyright 1987 Editora Vida Cristã

CORONEL JOÃO DOURADO (1854-1927)

Alderi Souza de Matos João da Silva Dourado nasceu em Caetité, sul da Bahia, no dia 7 de janeiro de 1854. Era filho de João José da Silva Do...