sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Os 5 fofoqueiros que você encontrará



A fofoca é um problema sério. É um problema em casa, no trabalho, na igreja local e no evangelicalismo em geral. É um problema na blogosfera, nas mídias sociais e em muitos outros lugares. Em seu livro Resisting Gossip [Resistindo à fofoca], Matthew Mitchell define fofoca como “espalhar más notícias pelas costas de outra pessoa como fruto de um coração mau” e mostra que quando o livro de Provérbios usa a palavra “fofoca”, ele o faz na forma substantiva, não na verbal. Em outras palavras, a Bíblia se preocupa menos com as palavras que são ditas e mais com o coração e a boca que geraram tal destruição. Palavras importam, mas elas são simplesmente o que transborda do coração. Como sempre, o coração é o coração da questão.
Matthew Mitchell define fofoca como “espalhar más notícias pelas costas de outra pessoa como fruto de um coração mau”.

A seguir, há uma galeria de fofoqueiros retirada do livro de Mitchell, cinco diferentes fofoqueiros que você encontrará em sua vida.
FOFOQUEIRO #1: O ESPIÃO

O primeiro tipo de fofoqueiro, e eu sei que você já deu de cara com essa pessoa antes, é O Espião. Salomão o descreve em Provérbios 11.13: “Quem muito fala trai a confidência, mas quem merece confiança guarda o segredo.” O Espião é um informante, uma pessoa que acumula segredos para que ele possa usá-los para sua vantagem pessoal. É aquela pessoa que está sempre escutando os rumores e que parece sempre saber sobre a vida de todo mundo. Seus ouvidos estão sempre atentos. A principal motivação do Espião é o poder. Pode ser a emoção de saber algo antes de todo mundo, ou pode ser o poder que ele conquista quando ameaça outros de revelar seus segredos. Ele usa a informação para se elevar e para destruir outros.
FOFOQUEIRO #2: O RESMUNGÃO

O segundo fofoqueiro é O Resmungão e nós podemos encontrá-lo em Provérbios 16.28: “O homem perverso provoca dissensão, e o que espalha boatos afasta bons amigos.” O Resmungão reclama e critica. Ele critica outras pessoas e reclama delas pelas costas. Ele espalha todos os seus segredos, descreve exatamente como ele se sente sobre eles e, então, se justifica ao dizer: “Eu apenas precisava desabafar um pouquinho.” Porque ele é infeliz, e porque a infelicidade ama companhia, ele atrai outras pessoas às suas reclamações. Sua motivação é, geralmente, ciúme ou inveja. Ele quer o que a outra pessoa tem e resmunga porque não tem aquilo.
FOFOQUEIRO #3: O FALSO

Todos conhecemos O Falso, não é mesmo? O Falso é um reclamão, mas ele é mais do que isso. Ele também é bravo e malicioso e procura destruir os outros. Ele pode falar completas mentiras para deixar alguém para baixo, ou ele pode se envolver em uma campanha de difamação. Ele procura por alguma coisa, qualquer coisa, tudo que há de errado nos seus inimigos e faz questão de que todos saibam sobre essas coisas; se ele não consegue descobri-las, ele as inventa. O Falso é, muitas vezes, motivado pela vingança de alguma ofensa grave, uma oportunidade perdida ou alguma dificuldade adquirida. Essa ofensa, ou o que ele pensa ser ofensa, o levou à amargura, a qual se enraizou e motivou este desejo de vingança. Hoje, muitas dessas pessoas abrem web sites e fazem seu trabalho da forma mais barulhenta e pública possível.
O Falso é, muitas vezes, motivado pela vingança de alguma ofensa grave, uma oportunidade perdida ou alguma dificuldade adquirida.
FOFOQUEIRO #4: O CAMALEÃO

O Camaleão é a pessoa que usa a fofoca para se encaixar no grupo do trabalho, da escola, da igreja ou, até mesmo, da família. Ele é desesperado para se misturar e ser aceito. Já que todos fofocam, ele fofoca também, assim ele pode entrar na conversa. Já que o respeito vem através do compartilhamento de fatos quentes sobre os outros, ele os descobre e, então, compartilha tal informação. Sua motivação é o temor – o temor do homem. Ele teme o que os outros pensarão dele, e, especialmente, tem medo de ser excluído do grupo. Provérbios 29.25 o descreve bem: “Quem teme o homem cai em armadilhas, mas quem confia no Senhor está seguro.”
FOFOQUEIRO #5: O INTROMETIDO

O último tipo de fofoqueiro é O Intrometido. O Intrometido é a pessoa que é ociosa, e sua ociosidade leva à intromissão e à fofoca. Provérbios 26.17 lhe diz: “Como alguém que pega pelas orelhas um cão qualquer, assim é quem se mete em discussão alheia.” Nós vemos O Intrometido nas duas cartas de Paulo aos Tessalonicenses e nós vemos A Intrometida na primeira carta a Timóteo.



O Intrometido ama a excitação que vem da fofoca e adora viver vicariamente através das histórias de outras pessoas. O Intrometido adora estar online, onde ele pode vasculhar sites de fofocas de celebridades em nome da diversão e sites de fofocas de celebridades cristãs em nome do discernimento.

Muitos de nós já conhecemos essas pessoas. Muitos de nós já fomos essas pessoas.Cada um de nós precisa desesperadamente do perdão de Deus e de Sua graça santificadora.

POR TIM CHALLIES
Traduzido por Ju Néris | Reforma21.org 

O escândalo dos semi-igrejados



Este é um daqueles posts que queria escrever há algum tempo, mas não tinha certeza de como dizer o que acho que precisa ser dito. O perigo do legalismo e da falsa culpa é muito real. Mas, o perigo da desobediência e do auto-engano também é.
Eu quero falar sobre os membros de igreja que frequentam sua igreja com grande irregularidade. Eles não são desigrejados, desviados ou sub-igrejados. Eles são semi-igrejados. Eles aparecem algumas vezes, mas não toda semana. Eles estão dentro e fora, estão ligados e desligados, um domingo aqui e dois sumidos. Este é o escândalo dos semi-igrejados. Na verdade, Thom Rainer defende que a razão principal para o declínio de comparecimento à igreja é que os membros não vão tanto à igreja quanto costumavam.
Nós temos cristãos que só aparecem no Natal e na Páscoa provavelmente desde que temos Natal e Páscoa. Algumas pessoas sempre serão intermitentes em relação à sua presença na igreja. Eu não estou falando sobre cristão nominais que aparecem na igreja uma ou duas vezes ao ano. Estou falando sobre pessoas que passam por todo o processo de fazer parte de uma igreja, não têm qualquer problema com a igreja, mas, ainda assim, só entram por suas portas uma ou duas vezes ao mês. Se há igrejas com róis de membro muito maiores que a frequência média de domingo, ou seus sub-pastores abandonaram suas obrigações, ou há membros infiéis em seu meio, ou os dois.
Eu sei que não vamos à igreja, nós somos a igreja (blá, blá, blá), mas ser preciosista com nosso vocabulário não muda a exortação de Hebreus 10.25: Não devemos deixar de congregar-nos, como é costume de alguns. Reunir-se a cada Dia do Senhor com a nossa família da igreja é um dos pilares do cristianismo maduro.
Então, faça a si mesmo algumas perguntas.
1. Você estabeleceu a presença na igreja como um hábito inviolável em sua família? Sabe quando você acorda de manhã e pensa: “talvez eu dê uma corridinha hoje” ou “acho que vou fazer torradas esta manhã”?  Não é assim que o comparecimento à igreja deveria ser. Não deveria ser uma proposição “se eu sentir vontade”. Eu sempre serei grato por meus pais tratarem a presença na igreja (de manhã e de noite) como um padrão inalterável. Não estava aberto a discussão. Não era baseado em circunstância extenuantes.  Nunca foi um talvez. Nós íamos à igreja. Era isso que fazíamos. Isso tornava a decisão de todo domingo uma decisão simples, porque não havia realmente decisão. Exceto por doenças desesperadoras, nós sempre íamos. Dar à sua família o mesmo tipo de hábito é um dom que eles não apreciarão agora, mas normalmente te agradecerão depois.
2. Você planeja adiantado no sábado para que a igreja seja uma prioridade no domingo? Todos nós somos ocupados; por isso, pode ser difícil ir para igreja, especialmente com uma casa cheia de crianças. Nunca aproveitaremos o máximo dos nossos domingos se não nos prepararmos para eles no sábado. Isso provavelmente significa terminar o dever de casa, ir para cama na hora e abdicar de um pouco do futebol. Se a igreja só é lembrada mais tarde, você não pensará nela até que seja muito tarde.

3. Você organiza seus planos de viagem de maneira a minimizar a ausência no domingo? Eu não quero ser legalista com essa pergunta. Eu já viajei no domingo antes (embora tente evitar). Eu tiro férias e recesso para estudos, e perco 8 ou 9 domingos da minha igreja por ano. Eu entendo que vivemos em uma cultura móvel. Eu entendo que as pessoas querem visitar seus filhos e netos no final de semana (e como sou grato quando os nossos vêm e visitam). A época em que as pessoas estavam na cidade por 50 a 52 semanas por ano é passado. Viajar é muito fácil. Nossas famílias estão muito dispersas. Mas, escute: isso não significa que não podemos nos esforçar um pouco para estar por lá no domingo. Talvez você possa tirar a sexta para visitar as crianças e poder retornar na noite de sábado. Talvez você precise pensar duas vezes sobre investir numa chácara que te afastará da igreja por várias semanas durante o ano. Talvez você possa reavaliar sua suposição de que o período entre sexta à noite e domingo à noite é seu para fazer o que você quiser. É quase impossível crescer em amor por sua igreja e servir efetivamente na sua igreja se você está regularmente ausente.
4. Você está disposto a fazer sacrifícios para reunir-se com o povo de Deus para adorar a cada domingo? “Mas você não espera que eu cancele meus planos para sábado à noite, certo? Sem chance de reorganizar minha agenda de trabalho. Este emprego exige que eu trabalhe todo domingo – eu teria que arrumar um novo emprego se quisesse estar regularmente na igreja. Domingos são meus dias de recarregar. Eu não cuidarei de tudo na casa se eu for para a igreja toda semana. Meus filhos não poderão jogar futebol se não formos nos jogos de domingo. Se eu tiver que terminar meu dever de casa antes do domingo, não poderei descansar na sexta à noite e o sábado todo. É claro que Deus não quer que eu sacrifique tanto só para poder aparecer na igreja!”. Não é exatamente o caminho da cruz, é?
5. Você já considerou que talvez você possa não ser um cristão? Quem sabe quantas pessoas Deus salva “como pelo fogo” (1 Co 3.15)? Ir à igreja toda semana te torna um cristão? Absolutamente não. Perder 35 domingos por ano te torna um não-cristão? Isso já dá o que pensar. O povo de Deus ama estar com o povo de Deus. Eles amam cantar louvores. Eles amam comer à Mesa. Eles amam ser alimentados com a Escritura. Falta de frequência à igreja – ou seja, andar sem rumo – é, na melhor das hipóteses, sinal de imaturidade e, na pior, incredulidade. Sempre que Deus chama pessoas das trevas, ele as chama para a igreja. Se o culto de domingo é a comunidade dos redimidos, o que seu padrão semanal sugere a Deus sobre do que você realmente faz parte?
POR KEVIN DEYOUNG 
Traduzido por Josaías Jr | Reforma21.org |

QUEBRA DE MALDIÇÕES: É BÍBLICO?


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O movimento de “batalha espiritual” ensina a necessidade de se quebrar maldições hereditárias e de se anular compromissos que ficaram pendentes com o diabo, mesmo após a pessoa ter sido convertida a Cristo. Ensina-se que herdamos as maldições que acompanharam nossos antepassados, por causa de seus pecados e pactos demoníacos, e que precisamos anular estas maldições hereditárias.
Um dos textos usados para defender este ponto é Êxodo 20.5, onde Deus ameaça visitar a maldade dos pais nos filhos, até a terceira e quarta geração dos que o aborrecem.
Entretanto, ensinar que Deus faz cair sobre os filhos as consequências dos pecados dos pais, é só metade da verdade.
A Escritura nos diz igualmente que se um filho de pai idólatra e adúltero vir as obras más de seu pai, temer a Deus, e andar em Seus caminhos, nada do que o pai fez virá cair sobre ele. A conversão e o arrependimento individuais “quebram”, na existência das pessoas, a “maldição hereditária” (um efeito somente possível por causa da obra de Cristo). Este foi o ponto enfatizado pelo profeta Ezequiel em sua pregação ao povo de Israel da época (leia cuidadosamente Ezequiel 18).
Através do profeta Ezequiel, Deus os repreendeu, afirmando que a responsabilidade moral é pessoal e individual diante dele: “A pessoa que pecar, é ela quem morrerá — não o seu pai ou a sua mãe” (Ez 18.4b, 20). E que pela conversão e por uma vida reta, o indivíduo está livre da “maldição” dos pecados de seus antepassados, ver 18.14-19. Esta passagem é muito importante, pois nos mostra de que maneira o próprio Deus interpreta (através de Ezequiel) o significado de Êxodo 20.5.
Aplicando aos nossos dias, fica evidente que o crente verdadeiro já rompeu com seu passado, e com as implicações espirituais dos pecados dos seus antepassados, quando, arrependido, veio a Cristo em fé.
Tem mais. O apóstolo Paulo nos esclarece que o escrito de dívida que nos era contrário, a maldição da lei, foi tornado sem qualquer efeito sobre nós: Jesus o anulou na cruz (Cl 2.13-15; Gl 3.13). Ou seja, toda e qualquer condenação que pesava sobre nós foi removida completamente quando Cristo pagou, de forma suficiente e eficaz, nossa culpa diante de Deus. Ora, se a obra de Cristo no Calvário em nosso favor foi poderosa o suficiente para remover de sobre nós a própria maldição da santa lei de Deus, quanto mais qualquer coisa que poderia ser usada por Satanás para reivindicar direitos sobre nós, inclusive pactos feitos com entidades malignas, por nós, ou por nossos pais, na nossa ignorância.
Basta um estudo simples nas Escrituras, da linguagem usada para descrever nossa redenção, para que não fique qualquer dúvida de que o crente, à semelhança de um escravo exposto à venda na praça, foi comprado por preço, e que, agora, passa a pertencer totalmente ao seu novo senhor. O antigo patrão não tem mais qualquer direito sobre ele, como rezava a legislação romana da época. Assim, Paulo diz que fomos comprados por preço (1 Co 6.20; agorazo, comprar, redimir, pagar um resgate — termo usado para o ato de comprar um escravo na praça, ou pagar seu resgate para libertá-lo), e que sendo agora livres, não devemos nos deixar outra vez escravizar (1 Co 7.23). Fomos resgatados (lutrou) pelo precioso sangue de Cristo (1 Pe 1.18; cf. Ap 5.9).
Em resumo: “se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas antigas passaram: eis que se fizeram novas”. Não há nenhuma maldição que Cristo já não tenha quebrado na cruz e que não tenha já sido desfeita na hora da conversão (novo nascimento). O que os crentes precisam é santificação, e não quebra de maldição, para crescerem mais em mais no conhecimento de Deus e no serviço dele.
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07 COISAS QUE TODO CRISTÃO DEVERIA ALMEJAR EM 2014






metas
Como dizia Carlos Drummond de Andrade, “quem teve a ideia de cortar o tempo em fatias, a que se deu o nome de ano, foi um indivíduo genial.” Isto porque, segundo o poeta, “doze meses dão para qualquer ser humano se cansar e entregar os pontos. Aí entra o milagre da renovação e tudo começa outra vez com outro número e outra vontade de acreditar que daqui para adiante vai ser diferente…
À meia noite do dia 31 de dezembro deve ser muito mais do que o fim de um ano e inicio de outro. Na verdade, ao adentrar em 2014, eu e você, o devemos fazer na perspectiva da mudança. Ora, sonhos, metas e objetivos devem fazer parte de nossos projetos e expectativas. No entanto, é indispensável que neste momento da vida cada um de nós se preocupe com aquilo que Deus diz e pensa a respeito da gente.
Na verdade, o final de ano é uma oportunidade impar que Deus nos dá para refletirmos sobre nossas ações, atitudes e caminhos percorridos no ano em que se encerra. Em momentos como estes, a oração de Davi é absolutamente propicia:
“Sonda-me, ó Deus, e conhece o meu coração; prova-me e conhece os meus pensamentos; vê se há em mim algum caminho mau e guia-me pelo caminho Eterno”. Salmos 139:23-24
Bem sei que geralmente as pessoas estão muito mais preocupadas com o que poderão conquistar no novo ano, do que pedir a Deus que perscrute as profundezas do ser. Davi, ao compor este salmo preocupava-se em descortinar sua vida diante do Senhor, até porque, ele sabia que pra ser bem sucedido na vida é indispensável andar nos caminhos do criador.
Diante do exposto gostaria de elencar 07 coisas que todo cristão deveria ansiar no ano novo.
1- Viver para a glória de Deus. Todo cristão deve ter isso em mente, isto é, tudo aquilo que fizer deve visar a exaltação do nome do seu Salvador.
2- Uma vida mais santa e consagrada aos pés do Senhor.
3- Aprofundamento das relações interpessoais proporcionando assim o fortalecimento da igreja local, onde amizade, companheirismo e fraternidade se fazem presentes.
4- Maior dedicação a família e as relações familiares. Mais riso, menos choro; mais festa, menos brigas; mais cumplicidade, menos discussões.
5- Maior compromisso com a Palavra de Deus e o Deus da Palavra.
6- Uma vida mais profícua de oração.
7- Um desejo de crescer no conhecimento e na graça de Deus a fim de que Cristo seja glorificado através da pregação, testemunho e evangelização.
Pense nisso!
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Renato Vargens

JESUS, O DEUS QUE VESTIU PELE HUMANA


Jesus lavando os pés dos discipulos









O apóstolo João, mais do que os outros evangelistas, falou-nos acerca da divindade de Jesus Cristo. No prólogo de seu evangelho já deu o rumo de sua obra: “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus e o Verbo era Deus” (Jo 1.1). Depois de falar que esse Verbo foi o agente criador e também o doador da vida, anunciou de forma magistral: “E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade, e vimos a sua glória, glória como do Unigênito do Pai” (Jo 1.14). Destacamos, portanto, aqui, quatro grandes verdades sobre o Verbo de Deus.
Em primeiro lugar, a eternidade do Verbo. “No princípio era o Verbo…” (Jo 1.1). Quando tudo teve o seu começo, o Verbo estava lá, não como alguém que passou a existir, mas como o agente de tudo o que veio à existência. O Verbo não foi causado, mas ele é causa de tudo o que existe. O Verbo não foi criado antes de todas as coisas, mas é o criador do universo no princípio (Jo 1.3). Se antes do princípio descortinava-se a eternidade e se o Verbo já existia antes do começo de tudo, o Verbo é eterno. A eternidade é um atributo exclusivo de Deus. Só Deus é eterno!
Em segundo lugar, a personalidade do Verbo. “… e o Verbo estava com Deus…” (Jo 1.1). No princípio o Verbo estava em total e perfeita comunhão com Deus. A expressão grega pros ton Theon traz a ideia que o Verbo estava face a face com Deus. Como Deus é uma pessoa e não uma energia, o Verbo é uma pessoa. O Verbo é Jesus, a segunda Pessoa da Trindade. Isso significa que antes da encarnação do Verbo, ele já existia e, isso, desde toda a eternidade e em plena comunhão com o Pai. Jesus não passou a existir depois que nasceu em Belém. Ele é o Pai da eternidade. Nas palavras do Concílio de Nicéia, ele é co-igual, co-eterno e consubstancial com o Pai.
Em terceiro lugar, a divindade do Verbo. “… e o Verbo era Deus” (Jo 1.1). O Verbo não é apenas eterno e pessoal, mas, também, divino. Ele é Deus. Ele é a causa não causada. A origem de todas as coisas. O criador do universo. Ele é o verbo, ou seja, o agente criador de tudo que existe, das coisas visíveis e invisíveis. O Deus único e verdadeiro constitui-se em três Pessoas distintas, porém, iguais; da mesma essência e substância. O Verbo não é uma criatura, mas o criador. Não é um ser inferior a Deus, mas o próprio Deus. Embora, distinto de Deus Pai, é da mesma essência e substância. Ele é divino!
Em quarto lugar, a encarnação do Verbo. “E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade, e vimos a sua glória, glória como do unigênito do Pai” (Jo 1.14). Aqui está o sublime mistério do Natal: O eterno entrou no tempo. O transcendente tornou-se imanente. Aquele que nem o céu dos céus pode contê-lo foi enfaixado em panos e deitado numa manjedoura. Deus se fez homem, o Senhor dos senhores se fez servo. Aquele que é santo, santo, santo se fez pecado por nós e o que é exaltado acima dos querubins, assumiu o nosso lugar, como nosso fiador. Ele se fez maldição por nós e, sorveu, sozinho, o cálice amargo da ira de Deus, morrendo morte de cruz, para nos dar a vida eterna. Jesus veio nos revelar de forma eloquente o amor de Deus. Não foi sua encarnação que predispôs Deus a nos amar, mas foi o amor de Deus que abriu o caminho da encarnação. A encarnação do Verbo não é a causa da graça de Deus, mas seu glorioso resultado. Jesus veio ao mundo não para mudar o coração de Deus, mas para revelar-nos seu infinito e eterno amor. Essa é a mensagem altissonante do Natal. Esse é o núcleo bendito do Evangelho.
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Hernande Dias Lopes

O CARNAVAL DA MORTE




O livro de Daniel, no capítulo 5, fala de uma festa feita por Belsazar, rei da Babilônia. O rei trouxe seus convidados, e naquela festa não faltou música, danças, bebedeiras e orgias. Até mesmo os vasos do templo de Jerusalém que foram saqueados foram profanados. Naquela festa dos excessos, todos os códigos da decência foram rasgados. Naquela mesma noite de embriaguez e imoralidade, o juízo de Deus caia sobre a Babilônia. Dario comandava as tropas invasoras que tomariam naquela noite a inexpugnável cidade da Babilônia e matariam o rei Belsazar. Quando todos estavam no auge de sua diversão pagã, a mão de Deus apareceu escrevendo na parede do rico salão de festas a sentença de morte para o rei e o fim do seu império. Essa cena é um alerta acerca do juízo de Deus. Aqueles que agora vivem desatentamente no pecado serão surpreendidos com o justo e reto juízo de Deus!

Hernandes Dias Lopes.

Sexo e dinheiro, futebol e borracha: o ano do redescobrimento do Brasil


“Os brasileiros têm os dois pés no chão… E as duas mãos também.” Desde quando as primeiras caravelas dos europeus atracaram no Brasil, mais de cinco séculos atrás, muitos narradores tentaram compreender e descrever o caráter de nosso povo. Navegadores, jesuítas, piratas, garimpeiros, naturalistas, traficantes de escravos, aventureiros, filósofos, antropólogos, escritores: cada um deles tentou explicar aos seus semelhantes os traços marcantes do Brasil e do nosso povo pitoresco. Pouquíssimos conseguiram.
2014 será o ano da redescoberta do Brasil. Cronistas oriundos dos lugares mais improváveis irão atravessar o oceano e por seis meses, precisamente até o final da Copa do Mundo, 13 de julho, irão encher seus desinteressados e desinformados compatriotas com notícias sobre o Brasil. Recomenda-se a todos que renunciem imediatamente a qualquer tentativa de originalidade e passem a plagiar despudoradamente o mais feroz dos nossos humoristas, Ivan Lessa, que foi capaz de resumir a essência da nossa espécie em uma única frase: “Nós temos os pés no chão e as mãos também.”
Se Ivan Lessa, o nosso Apuleio, se destacou pela capacidade de revelar nossa natureza quadrúpede – os jumentos verde-amarelos – o historiador Paulo Prado, muito antes dele, deve ser lembrado por uma façanha igualmente relevante: ele diagnosticou nossa psique patologicamente melancólica. O seu “Retrato do Brasil”, com o subtítulo “Um ensaio sobre a tristeza brasileira” de 1926, é ainda hoje um guia insuperável para orientar os observadores menos afeitos às questões nacionais. A introdução não deixa dúvidas: “Em uma terra radiante, vive um povo triste”. Os brasileiros não são normalmente associados a estados de humor mais depressivos. Na verdade, é exatamente o oposto: somos festejados em todo o mundo pela nossa ritmada e ensurdecedora despreocupação, pelos nossos modos festivos e lascivos. Mas a tristeza mencionada por Paulo Prado não é fruto de uma angústia existencial, reflexiva, leopardiana; antes, é o resultado da própria luxúria. Sexo, sexo, sexo. Na nossa história não existe mais nada. O Brasil será sempre e só isso: o lugar onde o homem é livre para se comportar como “um bode em um cercado cheio de cabras, sem ideais, sem preocupações estéticas, políticas, intelectuais e artísticas.”
Nas primeiras páginas de “Retrato do Brasil”, carregadas com um pesado e obsoleto sentido de moralidade, Paulo Prado cita o testemunho de Américo Vespúcio sobre os costumes lascivos dos nossos antepassados: “Eles têm tantas esposas quanto queiram, o filho vive com sua mãe, o irmão com a irmã, a prima com seu primo, e todo homem com a primeira que aparece.” Em 14 de junho de 2014, após o jogo entre Itália e Inglaterra, um padeiro de Castelfranco Veneto, em visita à cidade de Manaus, próximo de onde estava Américo Vespúcio quinhentos anos atrás, poderá repetir as impressões do navegador italiano, usando as mesmas palavras daquele. O sexo, portanto, é o primeiro fator para explicar a nossa tristeza atávica, segundo Paulo Prado. Post coitum animal triste. Mas há um segundo fator não menos importante: a ganância. Enquanto a carnalidade selvagem estrangulou nossas escassas capacidades mentais, a ganância contaminou o nosso precário equilíbrio social. O Brasil foi fundado por bodes gananciosos e sem escrúpulos, dispostos a qualquer ignomínia a fim de conseguir acumular a maior quantidade possível de dinheiro o mais rápido possível e depois voltar com os despojos às suas terras de origem. Os ecos dessa gênese saqueadora são ouvidos ainda hoje na vida cotidiana. De fato, mais que os cinquenta mil assassinatos cometidos todos os anos – em 2013 foram assassinadas mais pessoas no Brasil que na Síria, e será assim também em 2014 –, o que realmente desconcerta é a aceitação resignada desse massacre permanente, como se fosse um elemento inevitável da natureza.
Mas a ganância descrita por Paulo Prado não produz apenas a ruína social: ela também produz frustração pessoal. Porque quase nunca é recompensada. Ciclicamente, o Brasil teve saltos de desenvolvimento e de dinheiro fácil, durante os os quais foi aclamado como o novo Eldorado, mas todos acabaram em poucos anos. Em nossa história tivemos o ciclo da madeira, o ciclo da cana-de-açúcar, o ciclo do ouro, o ciclo da borracha. Todos acabaram, deixando apenas desolação. Recentemente, houve um novo momento de euforia econômica em relação ao Brasil: o ciclo das commodities.
A opulência criada pela bolha das matérias-primas foi representada na capa da The Economist, que em novembro de 2009, estampou a imagem da estátua do Cristo Redentor decolando como um foguete em direção a um futuro magnífico. Quatro anos depois, a mesma revista precisou se retratar, mostrando o Cristo Redentor despencando tragicamente rumo ao chão, enquanto o título indaga: “o Brasil desperdiçou tudo?” Ao longo da história, o Brasil sempre passou desapercebido, uma espécie de apêndice da humanidade, um adendo estranho e inútil. Tudo vai mudar em 2014. Até meados do ano, o país será analisado e debatido por uma multidão de incautos cheia de opiniões equivocadas a nosso respeito. Então vamos submergir uma vez mais. Em outubro serão realizadas as eleições presidenciais, mas essas não interessam a ninguém, nem mesmo aos brasileiros. Apesar de a cúpula do seu partido ter sido presa por corrupção há alguns meses, Dilma Rousseff vai ganhar de novo, porque os eleitores estão acostumados há séculos com bodes gananciosos e desprovidos de escrúpulos. Então, para nossa sorte, 2014 vai terminar sem deixar vestígios. Como disse Ivan Lessa: “A cada quinze anos o Brasil esquece o que aconteceu nos últimos quinze anos.”
Texto de Diogo Mainardi 

CORONEL JOÃO DOURADO (1854-1927)

Alderi Souza de Matos João da Silva Dourado nasceu em Caetité, sul da Bahia, no dia 7 de janeiro de 1854. Era filho de João José da Silva Do...