Sermões expositivos, esboços de sermões, preeleções, pregações, mensagens e reflexões bíblicas...
terça-feira, 12 de novembro de 2013
PASTORA RASPA CABEÇA COM O PROPÓSITO DE GANHAR ALMAS
Acabei de assistir o vídeo no Púlpito Cristão.
O vídeo é protagonizado por uma pastora que resolveu oferecer a Deus um sacrifício especial.
A pastora de nome Luciana, desejosa em experimentar as bênçãos de Deus resolveu "oferecer" ao Senhor o seu cabelo. Isto mesmo, a pastora, num "ato profético" raspou a cabeça como oferenda ao Senhor. Para a religiosa, o ato foi feito em sacrifício pelas almas. Segundo a ela mesmo afirmou, Deus a levantou como pastora no Brasil e no momento em que raspou a cabeça, Ele abençoou o povo que se encontra debaixo de sua cobertura.
O vídeo é protagonizado por uma pastora que resolveu oferecer a Deus um sacrifício especial.
A pastora de nome Luciana, desejosa em experimentar as bênçãos de Deus resolveu "oferecer" ao Senhor o seu cabelo. Isto mesmo, a pastora, num "ato profético" raspou a cabeça como oferenda ao Senhor. Para a religiosa, o ato foi feito em sacrifício pelas almas. Segundo a ela mesmo afirmou, Deus a levantou como pastora no Brasil e no momento em que raspou a cabeça, Ele abençoou o povo que se encontra debaixo de sua cobertura.
Quanta bobagem não é verdade?
Veja bem, ao escrever este texto não o fiz acreditando que Luciana tenha agido de má fé. Na verdade, acredito que ela tenha tido boa intenção em raspar a cabeça, contudo, o fato de ser bem intencionada não exclui o seu erro doutrinário,
Meus irmãos, fatos como esse aponta o quão sincretizado encontra-se o Evangelho de Cristo. Sinceramente hábitos e práticas de religiões antagônicas ao Cristianismo se multiplicam em nossas igrejas. Além disso, atitudes deste nipe nos mostram claramente que parte da Igreja de Cristo desconhece as doutrinas fundamentais das Escrituras que ensinam que o único sacrifício aceito por Deus foi o de Jesus na Cruz do Calvário.
Verdadeiramente precisamos regressar as Escrituras e fazer dela novamente nossa única e exclusiva regra de fé.
Que Deus nos livre deste Cristianismo adoecido, desprovido de Cristo, de graça e de vida.
Com lágrimas nos olhos,
Renato Vargens
sexta-feira, 8 de novembro de 2013
OS PERIGOS NO MAU USO DA DOUTRINA DA PREDESTINAÇÃO
Há uma vanglória por parte de alguns a despeito da “Doutrina da Predestinação” muito perigosa e nociva à mensagem das “Boas-Novas” em Cristo, O Salvador. Alguns pregadores focam na “eleição”, mas esquecem da “justificação”. A doutrina da predestinação é bíblica, e seu tema encontra-se com contundência em várias passagens das Escrituras sem precisar de muito esforço exegético para o entendimento (At 4.28; Rm 8.29,30; 9.11-13; Ef 1.4-6).
A questão é como pregar e expor estes textos. Precisamos ter discernimento! Não sabemos quem são os “escolhidos” de Deus, e sem a justificação das boas novas, a reprovação fará o ouvinte olhar para si ao invés de olhar para o Salvador. Charles Spurgeon na sua refutação contra o hipercalvinismo disse:
“Sou calvinista, gosto do que alguém chamou ‘calvinismo glorioso’, mas ‘hiperismo’ é quente demais para o meu paladar” [1].
A doutrina da predestinação é o baluarte do crente em meio a dificuldades e tentações, lembrando-o constantemente que sua salvação pertence a Cristo que o escolheu e não na da força de seu braço. Este é o contexto que ela deve ser apresentada. Não há como pregar o evangelho por meio da predestinação sem antes falar da graça de Deus disponível a todos os homens [sem entrar no mérito do chamado eficaz e o chamado externo]. Para alguns pregadores a proclamação do evangelho é unicamente o meio para juntar os eleitos de Deus. Uma pregação sem misericórdia e desprovida da graça de salvadora de Deus-Pai.
Precisamos ter outra abordagem para com os de fora. A ministração com a pressuposição de que nossa pregação deve alcançar os “pecadores eleitos” se tornará tendenciosa conspirando aos nossos conceitos e estado de “humor”. Certa vez perguntaram para Spurgeon “como é possível oferecer aos pecadores uma salvação que Cristo não realizou a favor deles”? Iain Murray no seu livro “Spugeon versus hipercalvinismo”, conta que ele pôs de lado essa questão como sendo uma coisa que Deus não quis explicar. Para ele era suficiente saber que o próprio Cristo Se oferece a todos; que o evangelho é para “toda criatura”, que todos os que vierem a Ele serão salvos, e que todos o que rejeitarem estão sem escusa. Ele disse que uma proclamação universal da boa notícia, das boas novas, com uma garantia para toda criatura, está no cerne do seu entendimento das Escrituras. Em acréscimo à argumentação bíblica segundo a qual os convites do evangelho não devem limitar-se aos que possuem certas experiências, Surpegeon adicionou o argumento de que tal limitação está sujeita a confundir almas necessitadas e a pô-las em perigo com uma forma de legalismo.
Spurgeon disse que os homens mais penitentes são os que se consideram os mais impenitentes. Uma exposição da predestinação sem a justificação para os incrédulos é joga-los no inferno com a probabilidade de que Deus já tenha reservado uma morada no céu a eles. O príncipe dos pregadores prossegue neste argumento:
“Se começássemos a pregar aos pecadores que eles precisam ter certo senso de pecado e certa medida de convicção, esse ensino faria com que o pecador fugisse de Deus em Cristo para si mesmo. O homem começaria logo a indagar: ‘Teria eu coração partido, estaria abatido’? Essa é apenas outra forma da pessoa olhar para si mesma. O homem não deve examinar a si mesmo para encontrar motivos para a graça de Deus” [2]
A capacidade de crer pertence unicamente aos eleitos por revelação do Espírito de Deus, e isto tem um tempo determinado; “há tempo para todo proposito debaixo do sol”. Por isso, o pregador que quer chamar seus ouvintes ao imediato arrependimento e fé, tendo isto por base para saber se o mesmo é um predestinado ou não, estará negando tanto a depravação humana como a Soberania de Deus. Um erro grave possa ser cometido neste contexto: “Predestinar um Judas Iscariotes e reprovar um ladrão arrependido nos últimos minutos de sua vida”.
A respeito da soberania de Deus e da responsabilidade humana, Spurgeon, introduziu seu assunto com estas palavras:
A respeito da soberania de Deus e da responsabilidade humana, Spurgeon, introduziu seu assunto com estas palavras:
“O sistema da verdade não é uma linha reta, mas duas. Nenhum homem chegará a ter uma correta visão do evangelho enquanto não souber ver as duas linhas ao mesmo tempo… Ora, se eu declarasse que o homem é tão livre para agir que não há presidência nenhuma de Deus sobre suas ações, eu seria levado para muito perto do ateísmo; e se, por outro lado, eu declarasse que Deus governa de tal modo todas as coisas que o homem não é livre para ser responsável, eu seria levado direto para o antinomianismo ou para o fatalismo. Que Deus predestina e que o homem é responsável são duas coisas que poucos conseguem enxergar. Estas verdades são tidas como incongruentes e contraditórias; contudo não são. É defeito do nosso fraco julgamento… é minha tontice que me leva a imaginar que duas verdades podem, alguma vez, contradizer-se uma a outra”. [3]
A Soberania de Deus não contradiz o seu caráter. Os homens sem ao menos entender a “doutrina da predestinação” imaginam um Deus severo, zangado e feroz, muito facilmente levado à ira, mas não tão facilmente induzido ao amor. O puritano John Owen sempre aconselhava:
“Não enredemos o nosso espírito limitando a Sua graça… Somos aptos a pensar que estamos sempre dispostos a ter perdão, mas que Deus não Se dispõe a concedê-lo”. [4]
O reformador João Calvino, nas últimas edições das Institutas, mudou o seu tratamento da eleição para fazê-lo seguir-se ao ensino da justificação. Ele dizia que quando a eleição é consequentemente introduzida como preliminar em relação a fazer ouvir o evangelho, inevitavelmente será como se fosse designada para limitar ou obstruir a salvação dos homens e das mulheres.
Inain Murray no mesmo livro disse “a conclusão final só pode ser que quando o calvinismo deixa ser evangelístico, quando se torna mais preocupado com a teoria do que com a salvação dos homens e das mulheres, quando a aceitação de doutrinas parece tornar-se mais importante do que a aceitação de Cristo, ele passa a ser, então, um sistema falido e invariavelmente vai perdendo seu poder de atração” [5]
Precisamos chorar pelos perdidos ao invés de ostentar nossa eleição a eles. O sentimento de Cristo a vista de Jerusalém, o de Paulo para com os seus compatriotas e o de Moisés para com o seu povo, este choro e lamento, por aqueles que vão rejeitando a graça rumo ao inferno. A doutrina da predestinação é bíblica e uma segurança para o crente; mas quando contemplamos pessoas que amamos fora do aprisco do “Bom Pastor”, o desespero bate em nossa porta. Isso é um bom sinal! Do contrário seria preocupante.
Que Deus nos dê graça para sermos mais prudentes ao expor essa doutrina tão preciosa dada a nós. Não sejamos inconsequentes ostentando “o saber” atribulando aqueles que ainda não foram iluminados no seu entendimento a respeito da sua salvação.
Fica a frase do reformador inglês John Bradford para o nosso aprendizado:
“Que o homem vá primeiro à escola secundária da fé e do arrependimento, antes de ir à universidade da eleição e da predestinação” [6].
Soli Deo Gloria!
Fabio Campos
fabio.solafide@gmail.com
fabio.solafide@gmail.com
Referência bibliográfica das citações:
[1] Spurgeon Versus Hipecalvinismo, a Batalha pela Pregação do Evangelho; Murray, IAIN; Ed. PES; P. 63
[2] Spurgeon Versus Hipecalvinismo, a Batalha pela Pregação do Evangelho; Murray, IAIN; Ed. PES; P. 94
[3] Spurgeon Versus Hipecalvinismo, a Batalha pela Pregação do Evangelho; Murray, IAIN; Ed. PES; P. 99
[4] Spurgeon Versus Hipecalvinismo,a Batalha pela Pregação do Evangelho; Murray, IAIN; Ed. PES; P. 108
[5] Spurgeon Versus Hipecalvinismo, a Batalha pela Pregação do Evangelho; Murray, IAIN; Ed. PES; P. 138
[6] Spurgeon Versus Hipecalvinismo, a Batalha pela Pregação do Evangelho; Murray, IAIN; Ed. PES; P. 134
***
SONHOS

Sem que nossas roupas estejam alvejadas no sangue do cordeiro, não poderemos comparecer e ficar em pé, diante de Deus.
Um dos cânticos mais tocantes dos nossos poetas brasileiros, foi escrito por Stênio Marcius, chamado “Sonhos, ele diz o seguinte:
Sonhei que eu tinha morrido
Não lembro direito de quê
Me vi frente a um alto e belo portão
Com uma placa escrito: Céu
Bati com um certo receio
Um anjo saiu pra atender
Me disse: " Pois não ? " - eu falei; quero entrar
Pois aí é o meu lugar
O anjo me disse: "curioso,
Eu não acho o seu nome em nossos registros"
Eu disse: procure num livro antigo
Escrito antes que houvesse mundo
E ali achará com a letra do Rei
Meu nome com tinta vermelha
Alguém entregou para o anjo
Registros que eu reconheci
Compêndio de todas as leis que eu quebrei
E os pecados que cometi
O anjo olhava os registros
Visivelmente assustado
E me perguntou: "Foi assim que viveu? "
E eu então respondi que sim
" Então como é que você tem coragem
De vir nessa Porta bater? "
Eu disse: olhe bem no final dessa lista
Você reconhece esta letra?
E o anjo sorrindo me disse:
" É verdade!!! O Rei escreveu: Perdoado! "
E ao som dessa bela palavra
Aquele portão se abriu
Então eu entrava cantando um hino
Que pena que o sonho acabou
Ficaram comigo aquelas palavras:
" Primeiro eu quero ver meu Salvador"
Rev Samuel Vieira.
quarta-feira, 6 de novembro de 2013
THALLES ROBERTO E ALINE FRANZOI NO PROGRAMA DO JÔ: UM SHOW DE IRRELEVÂNCIA EVANGÉLICA
Ontem foi a noite da irrelevância evangélica no Programa do Jô. Isto por que entrevistar numa só edição o Thalles Roberto e a Aline Franzoi só nos revelou o quanto o mundo gospel faliu para Deus e surgiu imponente para Mamom. Astros multicoloridos, um com a capa do sagrado, outra se despindo para o profano.
A “lezeragem” começa no próprio apresentador. Quem tem o mínimo de senso crítico percebe o quanto Jô Soares tem o “dom” de estar diante de um vaso de ouro mas preferir por dentro dele os diferentes tipos de coliformes fecais. Não que o Thalles seja o vaso ou coliforme, mas, dei-me paciência, quanta “água” para uma conversa com o maior astro gospel nacional dos últimos meses, não é verdade?
A noite foi decepcionante para os que aguardaram até tarde ver o ‘Thalleco pressão’, cheio do espírito santo. Ali jazia um cantor que vive seu auge de fama, só. Talvez um pouco perdido pelo próprio conflito de estar entre ser “o astro” ou um simples servo que almeja falar de Cristo e de sua beleza. Seu suposto lado pastor inexistiu naquele sofá, e os 18 minutos de entrevista se resumiram em falar de tampinha de garrafa, mijada, capiroto, e uma triste cagada no palco em Fortaleza-CE ao executar um daqueles agudos na canção “ô meu irmãozinho” – bizarro!
Façamos jus a péssima qualidade da entrevista e reconheçamos que os ventos daquele bate-papo foram soprados pelo entrevistador, mas, tristemente, em nenhum momento Thalles demonstrou vontade de pegar o leme do barco e ir para outra direção. Ali não se viu a postura de alguém que levanta a bandeira do Evangelho genuíno e vive para ele, mas a de um mero representante do segmento gospel encharcado de vaidade, glória e fama que tá curtindo a vida nas melhores demandas que antes o mundo não lhe concedera.
Concordemos que novamente o Thalleco perdeu uma ótima oportunidade para falar da maravilhosa Graça de Deus em sua vida (se é que ele a conheceu), situação esta que já passa a ser coerente com o que ele tem nos apresentado em suas aparições na mídia.
No bloco seguinte veio a pior parte, a modelo dita evangélica, Aline Franzoi, que popularizou sua beleza atuando como ring girl nas competições de UFC, que terminou por melar tudo. No entanto, paradoxalmente ela foi mais coerente e direta. Note, ela deixou seu recado bem exposto ao mundo e ainda arrancou suspiros do apresentador, da platéia e segundo insinuou Jô (acredito eu por pura malvadeza), até do Thalles: – “Você precisa ver a cara to Thalles Roberto quando você fala isso”, disse ele a modelo em relação à depilação de suas partes íntimas quando olhava sua playboy (o que fez com que Thalles percebendo a armadilha e sagacidade do gordo, prontamente desconversasse a questão e falasse da depilação em seu rosto que teria doido pacas…)- clique aqui e veja no min 7.
Depois de tanta irrelevância, oremos e ao mesmo tempo pensemos se estas palavras do mestre: “Pai, perdoai-os porque eles não sabem o que fazem.” (Lucas 23:34) fossem em relação a estes famosos que levam o nome de “evangélicos” no Brasil – será que elas serviriam para esse contexto?
Por Antognoni Misael
quarta-feira, 30 de outubro de 2013
Igreja Jedi já é a 7ª maior da Inglaterra, com 175 mil fiéis

Os "cavaleiros de Jedi" acreditam que
todos são possuidores de uma "Força"
O censo de alguns países mostra que tem aumentado o número de adeptos da Igreja Jedi, com destaque para a Inglaterra, onde a denominação já é a sétima maior, com 175.000 “cavaleiros”.
Trata-se de uma religião cuja origem vem dos filmes de ficção científica da série Star Wars (Guerra nas Estrelas).
George Lucas, o criador da série, cunhou a palavra “jedi” inspirado em “jidaigek”, que é um gênero japonês de filmes e teatro cujos personagens são os samurais do período Edo.
Na Austrália os cavaleiros de Jedi também são em número expressivo, 65.000. Na República Checa são 15.000 e no Canadá, 9.000. O censo brasileiro — como o de outros países — não considera a Igreja Jedi como religião.
Na série, os cavaleiros de Jedi são os guardiões da paz da República Galáctica interplanetária. Com o poder de uma energia, a “Força”, eles influenciam pessoas e objetos. Os Jedi têm um código de conduta, mas não um livro sagrado.
Ally Thompson, 28, americano de Tennessee que foi soldado na guerra do Iraque, deu uma entrevista à Details Magazine dizendo que os cavaleiros de Jedi não adoram Yoda (um dos personagens).
“Mas não posso negar que a Força está muito presente em nossos ensinamentos”, disse. “Algumas pessoas chamam essa Força de ‘mágica’, mas para a maioria é uma energia que vem da mente.”
Afirmou que há registros dessa energia em fenômenos científicos e em escrituras como a Bíblia. “Quando separou o mar Vermelho, Moisés fez uso da Força.”
A Igreja Jedi não tem templos físicos, e seus membros se encontram pela internet. Em seu site oficial, a Igreja afirma que todos os seres vivos compartilham entre si uma Força e que as pessoas já nascem tendo conhecimento do que é certo e errado.
domingo, 27 de outubro de 2013
Revista ISTOÉ ESCULACHA Valdemiro Santiago
À espera de um milagre
ISTOÉRodrigo Cardoso
Quadrilhas de pastores ladrões, dívidas milionárias com as tevês, administração amadora e investimentos equivocados na construção de grandiosos templos. O que está por trás da crise financeira da Mundial, uma das mais poderosas igrejas evangélicas do País
PASTOR
Valdemiro Santiago criou um império religioso, viu seu rebanho se
expandir por cerca de cinco mil templos e, agora, tenta colocar a
casa em ordem ao ver sua igreja sangrar em milhões de reais
Chorar durante a pregação é um dos traços mais marcantes da performance de Valdemiro Santiago de Oliveira, o todo-poderoso da Igreja Mundial do Poder de Deus (IMPD), no púlpito. Criticado por abusar dessa prática, o autointitulado apóstolo tem motivos mais terrenos para derramar suas lágrimas atualmente. O império neopentecostal construído por esse mineiro de 49 anos, nascido em Cisneiros, distrito de Palma, a 400 quilômetros de Belo Horizonte, vive a maior crise da sua história. O mais recente indício de que a IMPD está fragilizada foi a decisão do Grupo Bandeirantes de encerrar, na semana passada, a parceria que mantinha com Valdemiro, que alugava quase a totalidade da grade da programação do Canal 21 e ocupava cerca de quatro horas diárias nas madrugadas da Band. Motivo do fim do acordo: atrasos no pagamento.
Valdemiro até que tentou impedir o fato. De microfone em punho, o comedor de angu que cuidava de marrecos na roça antes de se converter evangélico usou toda a sua empatia com o povão. No início do mês, pôs o rosto no vídeo, caprichou na voz chorosa e iniciou uma campanha conclamando seus fiéis a ajudá-lo a arrecadar R$ 21 milhões para honrar compromissos com o aluguel de horários na mídia. A Mundial já devia R$ 8 milhões ao Grupo Bandeirantes referentes a setembro. No fim deste mês, outro boleto a vencer: R$ 13 milhões. A emissora paulista não confirma oficialmente, mas a Igreja Universal do Reino de Deus, de Edir Macedo, concorrente direta da Mundial, teria entrado na disputa por esses horários e conseguido vencer a briga sobre a maior concorrente na disputa por almas. “Pegaram a gente em um momento de fraqueza”, diz uma liderança da IMPD. “Gastamos R$ 300 milhões com templos ultimamente e vivemos um tempo de estruturação e amadurecimento.”
PODER
Diante da crise, Valdemiro nomeou Jorge Pinheiro (acima), marido da irmã
de sua esposa, para gerir o setor financeiro e administrativo da IMPD no
lugar do bispo Josivaldo (abaixo), transferido para Lisboa
"Cerca de 30% dos recursos que arrecadamos são desviados
por bispos e pastores. Por mês, R$ 30 milhões saem pelo ralo",
afirma um alto dirigente da IMPD do Rio de Janeiro
Quisera Valdemiro Santiago, porém, que seus problemas fossem revezes restritos apenas ao campo administrativo da sua igreja. Em São Paulo, o líder evangélico é alvo de uma investigação do Ministério Público estadual e da Polícia Civil. Desde janeiro de 2013, diligências feitas pelo Grupo Especial de Delitos Econômicos (Gedec) e pela Divisão de Investigações sobre Crimes contra a Fazenda, da Polícia Civil, apuram um suposto crime de lavagem de dinheiro e ocultação de bens, direitos ou valores. O dono da Mundial virou alvo das autoridades quando elas descobriram que a Fazenda Santo Antonio do Itiquira, localizada em Santo Antônio do Leverger (MT), um conglomerado de 10.174 hectares de terras ocupado por milhares de cabeças de gado, foi comprado por R$ 29 milhões à vista pela empresa W. S. Music, cujos representantes são o apóstolo e sua mulher, a bispa Franciléia. O caso, que pode configurar uso do dinheiro de fiéis para enriquecimento pessoal, corre em sigilo.
A Mundial, fundada em 1998 – antes dela, Valdemiro fora pastor na Igreja Universal por 18 anos (leia quadro) –, viveu um avanço muito grande em um curto espaço de tempo. De 500 templos em 2009, hoje a denominação computa mais de cinco mil unidades, segundo seus membros. Acontece que a vida de uma igreja não se resume ao púlpito ou aos cultos. Administrativa e financeiramente falando, a IMPD não evoluiu. “Cerca de 30% dos recursos que arrecadamos são desviados. Por mês, R$ 30 milhões saem pelo ralo”, afirma um alto dirigente da denominação, lotado no Rio de Janeiro. De acordo com ele, a devoção em torno dos cultos, espécie de pronto-socorro espiritual, onde fiéis garantem ter alcançado a cura divina para alguma enfermidade graças à intercessão de Valdemiro, trouxe notoriedade à igreja e atraiu quadrilhas de pastores que se infiltraram em seus templos para se apropriar das doações. “Há dois anos e meio, por exemplo, o Valdemiro descobriu uma dessas quadrilhas no ABC paulista liderada pelo bispo e por seus auxiliares e os expulsou.”
PREGAÇÃO
Com fama de milagreiro, Valdemiro fez fama ao se aproximar
dos mais humildes. Abaixo, sua esposa, a bispa Franciléia
Esse mesmo dirigente lembra do dia em que, ao manobrar seu carro na saída de um culto, uma fiel bateu no vidro para alertar que pessoas traíam a confiança do líder evangélico: “Pastor, está vendo esse carnê da Mundial? A conta corrente aqui escrita não é a da igreja. Estão distribuindo carnês falsos para o povo pagar! Avisa o apóstolo, por favor!” Ou seja, o dinheiro estava sendo desviado num esquema paralelo ao de Valdemiro. Professor da pós-graduação de Ciências da Religião da Universidade Presbiteriana Mackenzie, Ricardo Bitun se deparou com essa prática ao ir a campo para a confecção de sua tese de doutorado. Intitulado “Igreja Mundial do Poder de Deus: Continuidades e Descontinuidades no Neopentecostalismo Brasileiro”, o estudo defende que Valdemiro foi o único dissidente da Universal que conseguiu alcançar sucesso. E assim o fez graças, principalmente, à remasterização da cura divina, uma prática bastante difundida no Brasil nos anos 1970. “Um bispo me contou que havia pastores infiltrados em igrejas e até mesmo bispos cobrando propinas de pastores”, diz Bitun.
SUSPEITA
Uso do dinheiro de fiéis para enriquecimento pessoal, como a compra de uma
fazenda de R$ 29 milhões (à esq., o documento de compra em seu nome),
é investigado pelo Ministério Público e pela Polícia Civil de São Paulo
Valdemiro é um líder religioso onipresente no altar e nos programas televisivos e demorou a perceber que estava sendo traído por pessoas muito próximas a ele – e do alto escalão da igreja. Havia um grupo próximo a Josivaldo Batista de Souza, que era considerado o número 2 da Mundial, agindo como lobos em pele de cordeiro. “Ele se deu conta de que o problema advinha da concentração de poder em torno dessa turma”, diz um membro da hierarquia paulista da Mundial. “Era gente pedindo avião para fazer não sei o quê, para ter programa na televisão não sei onde, para abrir igreja em um grotão aí...” Segundo esse integrante da IMPD, Valdemiro cometeu erros próprios de líderes que sobem muito e rapidamente. “Ele se cercou de um estafe pequeno que blindava o acesso a ele. E, assim, passou a ouvir pouco outras opiniões. Precisa amadurecer.”
FLAGRA
Membros da Mundial chegaram a clonar carnês para desviar
o dinheiro que era arrecadado dos fiéis nos cultos
Diante das dívidas, dos calotes e das traições, o líder da IMPD está tentando conter a sangria da sua igreja do jeito que pode. Transferiu para Lisboa o pastor Josivaldo, um ex-membro da Universal que o acompanha desde o começo dos trabalhos da denominação em Pernambuco, segundo Estado onde ele fincou sua bandeira. Para substituir Josivaldo, que era responsável pela gestão administrativa e financeira e cuidava do dia a dia da Mundial, além dos bispos e pastores, Valdemiro achou por bem recorrer a um familiar. Empossou o bispo Jorge Pinheiro, marido da irmã da sua esposa Franciléia. Para tentar se reequilibrar financeiramente, conta um bispo paulista, ele decidiu se desfazer de duas Cidades Mundiais, como são chamados os megatemplos da IMPD, em São Paulo e no Paraná. Elas se encontram fechadas pelos órgãos públicos locais, após pouco tempo de funcionamento, por não preencherem requisitos para receber o público. Um claro erro de avaliação que onerou a igreja. “A Cidade Mundial paulista está fechada desde fevereiro de 2012. Mas Valdemiro, todo mês, tem de pagar R$ 5 milhões das parcelas da compra dela”, diz o bispo. Missionário da IMPD, o deputado estadual Rodrigo Moraes (PSC-SP), que foi designado pela igreja para fazer “a coisa caminhar” junto aos órgãos públicos, segue na sua empreitada. “Não recebi o comando de parar o trabalho ainda. Mas a vontade do apóstolo é que fala mais alto”, afirma. Templos pequenos e mal localizados, que não condiziam com a orientação de Valdemiro, também deixaram de ser usados. “Cerca de 15% deles tiveram de ser fechados ou reestruturados”, diz uma liderança da igreja. Pode ser uma saída para que a fama de caloteiro não suplante a de apóstolo milagreiro.
NA JUSTIÇA
Faz três meses que a Mundial não paga o aluguel do imóvel (acima),
localizado em Pirituba (SP): ação de despejo e cobrança de R$ 34 mil.
Abaixo, Cidade Mundial em São Paulo, que será fechada
Não são poucos os templos ocupados pela IMPD que têm problemas com aluguel atrasado ou ações de despejo em curso na Justiça. Em Pirituba, por exemplo, bairro da capital paulista, o proprietário impetrou na justiça uma ação de despejo contra a igreja por não receber o aluguel de seu imóvel desde julho. E cobra, ainda, o pagamento de R$ 34.538,64. De acordo com um de seus representantes legais, essa é terceira vez que a justiça é acionada desde 2010, quando o local passou a ser ocupado pela Mundial. “Não entendo a falta de organização da igreja. Não acredito que ela não tenha caixa para pagar o aluguel”, diz ele, que prefere não se identificar. “Esses problemas diminuíram 70% nos últimos tempos”, garante Dênis Munhoz, advogado da Mundial. À frente também do cargo de vice-presidente da Mundial, Munhoz refuta a ideia de a denominação viver uma crise, argumentando que a IMPD é a evangélica que mais cresce no Brasil. Sobre as quadrilhas de pastores, afirma: “Se existe esse problema, a igreja sempre tomou as providências rapidamente.” Prefere, no entanto, não comentar a perda dos espaços no Canal 21 e na Band. Quem falou sobre o assunto foi o presidente da IMPD, o deputado federal José Olímpio (PP-SP). “Estamos pagando muitas prestações, os valores de aluguéis aumentaram, temos muitas obras em andamento e acabou atrasando alguma coisa. Aí, deixa de pagar um mês e vira um problema para a mensalidade seguinte”, diz.
Para se ver livre de mais problemas, Valdemiro, que, procurado por ISTOÉ, não se manifestou, entregou os horários que possuía na Rede TV! e na CNT. Deixou também de alugar espaço em dezenas de retransmissoras de diferentes estados e recuou no projeto de ocupar a programação de tevês da Argentina, Colômbia e do México. “Muitas vezes, é melhor dar um passo atrás para, depois, dar um maior à frente”, diz o alto dirigente da Mundial do Rio. “Valdemiro me disse que estava, inclusive, vendendo a sua fazenda no Mato Grosso.” Essa informação não foi confirmada pelo presidente nem pelo vice-presidente da IMPD. Mas, na atual situação, receber R$ 33 milhões, valor estimado da Fazenda Santo Antonio do Itiquira, seria como um milagre para o líder evangélico.
Istoé bateu forte, parece até texto do Genizah!
Corja! Depois de tantos anos descendo o porrete nestes caras é uma alegria ver estes falsos profetas, um-a-um, dando com a cara no pó!
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