quarta-feira, 13 de março de 2013

DONS, SONHOS E VISÕES





Fiquei imaginando o que eu diria se fosse entrevistado sobre a cessação e a continuação dos dons espirituais mencionados na Bíblia, e daí nasceu esta sessão fictícia de perguntas e respostas. As perguntas estão em negrito e itálico.

Pastor Augustus, os dons espirituais cessaram?
Primeiro é necessário definir a que dons nos referimos. Acredito que o Espírito continua até hoje a conceder à Igreja a maioria dos dons mencionados na Bíblia. Mas, tenho a impressão que outros dons foram concedidos somente por um tempo a determinadas pessoas, para atender aos propósitos de Deus para aquela época. Estes não estariam mais disponíveis hoje. Por isto, é necessário, antes de qualquer coisa, esclarecer a que dons estamos nos referindo quando dizemos que os dons cessaram ou que continuam.

Outra coisa a ser levada em consideração é que, de acordo com a história bíblica, Deus não agiu sempre da mesma maneira em todas as épocas. Há muitas ações miraculosas e sobrenaturais que ocorreram somente uma vez ou durante um tempo específico e não foram repetidas. Portanto, por princípio, devemos admitir que Deus é soberano para agir de diferentes maneiras através da história, e que dentro desta ação, ele concede diferentes dons a diferentes pessoas em diferentes épocas. Assim, não podemos nem restringir a ocorrência de determinados dons somente a um período da história e nem requerer que todos os dons terão necessariamente de ocorrer em todos estes períodos.

Então, você não se definiria como um cessacionista?
Se por cessacionista você quer dizer uma pessoa que não acredita que o Espírito Santo conceda dons espirituais à sua Igreja nos dias de hoje, é claro que não sou cessacionista. Se, por outro lado, um continuísta seria alguém que acredita que todos os dons espirituais mencionados na Bíblia estão disponíveis hoje à Igreja, bastando ter fé para recebê-los, é claro que também não sou um continuísta. Creio num caminho intermediário para o qual ainda não achei um nome. Não posso ser chamado de cessacionista e nem de continuísta, pois creio que alguns dons continuam como eram no Novo Testamento, outros cessaram e outros continuam apenas em parte.

Bem, a discussão moderna gira mais em torno dos dons chamados sobrenaturais, como curas, línguas, profecias... se Deus é o mesmo hoje, ontem e eternamente, estes dons não estariam disponíveis hoje, como estavam na época dos apóstolos?
Poderíamos perfeitamente aplicar a estes dons e outros o princípio acima, de que Deus age de maneiras diferentes em épocas diferentes. Não podemos confundir a imutabilidade de Deus - que significa que ele não muda em seu ser e seus atributos - com a “mesmice” de Deus, que significa que ele sempre age da mesma forma. Teoricamente, ele poderia ter concedido os dons relacionados com curas, línguas e profecias a algumas pessoas durante o período apostólico e uma vez cessado aquele período, suspendido a atuação dos mesmos. Não vejo em que admitir isto afeta a imutabilidade de Deus ou diminui o seu poder e sua glória. Querer que Deus sempre atue da mesma maneira, isto sim, engessa Deus num padrão rígido e não admite que Ele tenha maneiras diferentes de agir em épocas diferentes para atingir seus propósitos.

Mas o que havia de tão especial no período apostólico para Deus conceder estes dons sobrenaturais?
Foi o período de transição entre a antiga e a nova alianças. Teve a ver com a vinda de Jesus Cristo ao mundo e o cumprimento de todas as promessas que Deus havia feito a seu povo pelos profetas de Israel. Foi a inauguração dos últimos dias, do fim dos séculos, da última hora e do fim dos tempos. Foi a época em que o Espirito prometido foi derramado. Deus levantou os Doze e Paulo para através deles explicar e registrar estes fatos no Novo Testamento. Era necessário, portanto, que o período mais importante da história da redenção fosse marcado por sinais, prodígios e maravilhas feitos por pessoas extraordinárias como os apóstolos e seus associados. Era preciso deixar claro que era Deus quem estava por detrás daqueles acontecimentos e da mudança da aliança. Uma parte dos dons mencionados no Novo Testamento está relacionada diretamente com este período e com os apóstolos, como o dom de curar e fazer milagres e a profecia como veículo de novas revelações. O dom de línguas, aparentemente, estava também associado àquela época, como sinal externo da chegada do Espírito Santo aos diferentes grupos que compunham a Igreja em seu início (judeus, samaritanos, gentios e discípulos de João Batista). Mas, parece que ele servia a outros propósitos além deste mencionado. 

A questão é que estes dons aparecem em algumas das listas de dons espirituais do Novo Testamento como ferramentas do Espírito dadas a todos os crentes para edificar a igreja de Cristo. E agora?
Não vejo dificuldades. Estas listas aparecem em Efésios 4, Romanos 12, 1Coríntios 12 (2 listas) e 1Pedro 4. O que precisamos é definir com mais precisão o que significam cada um destes dons. O que significa, por exemplo, o dom de profetizar, que aparece nestas listas? Os crentes que tinham o dom de profetizar nas igrejas cristãs eram profetas iguais a Isaías e Jeremias, que foram capazes de predizer o futuro de Israel e das nações com incrível precisão? Ou será que os profetas cristãos se limitavam a edificar, exortar, consolar e instruir as igrejas, como Paulo diz em 1Coríntios 11:3 e 31? E o que significa o dom de curar e de realizar milagres? Por que só encontramos este dom associado ao ministério dos apóstolos? E por falar nisto, o que significa “apóstolo” na lista de Efésios 4? O termo pode significar tão somente enviados, missionários, sem qualquer relação com os Doze e Paulo. Infelizmente as pessoas não levam em conta que existem determinados aspectos da função do profeta, do ofício do apóstolo e mesmo do dom de línguas, os quais parecem estar relacionados somente àquela época. Se levarmos em conta estas coisas, podemos até dizer que todos os dons continuam hoje, mas que alguns aspectos ou atributos deles cessaram após o período dos apóstolos.

E qual seria então o critério para dizermos quais os dons que permanecem para os dias de hoje e quais os que cessaram?
Acredito que a regra de ouro é esta: todos os dons que foram veículos de novas revelações ou que estavam ligados diretamente aos instrumentos das revelações, que foram os apóstolos, cessaram com a morte deles. Ilustrando, o dom de profecia continua hoje, conforme entendo, mas somente enquanto exortação, consolo, confrontação pela Palavra. Já o aspecto revelatório da profecia que vemos, por exemplo, em João ao escrever Apocalipse, ou em Paulo e Pedro ao prever como será o futuro, a vinda de Cristo, a ressurreição dos mortos, etc., isso certamente não faz parte da profecia hoje. Já cessou.

Da mesma forma o dom do apostolado. Se entendermos apóstolo como missionário, enviado das igrejas para pregar o Evangelho aos povos (é este o sentido básico do termo em grego), não vejo problemas em dizer que ainda hoje temos apóstolos entre nós, que são os missionários que vão desbravar campos ainda não atingidos pelo Evangelho. Mas, certamente não existem mais apóstolos no sentido dos Doze e Paulo, que viram o Senhor Jesus ressurreto, foram chamados diretamente por Ele pessoalmente ou numa aparição após a ressurreição, e que receberam não somente poderes extraordinários de curar e realizar milagres, como foram também veículos da revelação divina, tendo profetizado acerca do futuro de Deus para seu povo e o mundo. E mais, seus escritos às igrejas foram inspirados pelo Espírito Santo, de forma que são infalíveis e inerrantes, sendo a própria Palavra de Deus. Obviamente, nenhum dos que se intitulam de apóstolo hoje tem estas credenciais. Portanto, não podem ser considerados apóstolos como Pedro, Tiago, João e Paulo. Este é um dos dons que permanece hoje somente em parte.

Por este critério o dom de línguas teria cessado também?
Não necessariamente, pois, até onde eu entendo, ele não era revelacional, isto é, não era veículo de novas revelações, como a profecia. Acredito que o relato de Atos e de 1Coríntios 14 nos dão informações suficientes de que o conteúdo das línguas era o louvor a Deus (Atos 2:11; 10:46). O dom consistia na capacidade de louvar e exaltar as grandezas de Deus num idioma que a pessoa desconhecia, e que tinha de se traduzido para a edificação da igreja. Portanto, teoricamente, este dom não precisaria ter cessado pois não era revelacional. Todavia, temos indícios significativos da história da igreja de que ele cessou após o período apostólico. Na eventualidade de uma ocorrência genuína deste dom hoje, esperaríamos que fosse de acordo com as regras bíblicas de 1Coríntios 14: dois ou três falando, em sequência, e com interpretação. Como normalmente não é este o caso nas igrejas que dizem ter este dom, continuo tendo dúvidas de que o que está acontecendo nelas é a manifestação do genuíno dom de línguas. Mas, em tese, estou aberto para a ocorrência do dom genuíno.

Mas, então, isto quer dizer que os crentes que falam em línguas são mentirosos ou estão sendo influenciados pelo diabo?
Claro que não. Seria uma temeridade afirmar este tipo de coisa. Prefiro pensar que em boa parte das ocorrências são irmãos em Cristo sinceros que pensam estar de fato falando em línguas por terem sido ensinados desta forma dentro de determinados ambientes. Eles foram ensinados que falar em línguas é balbuciar palavras sem sentido num êxtase emocional. Há alguns que inclusive foram ensinados por seus pastores a como fazer isto, tipo “relaxe a língua, forme uma palavra desconhecida em sua mente e repita até que saia espontaneamente da sua boca...”

Não consigo perceber qual é o mal em se falar em línguas hoje nas igrejas. Qual o problema?
Se as línguas faladas não forem de Deus, a imitação delas deve trazer algum prejuízo ou perigo de natureza espiritual. Não posso afirmar ao certo, mas imagino que pode produzir arrogância, falsa espiritualidade, e abrir a porta para a atuação de demônios ou da natureza pecaminosa do homem. Na verdade, estes perigos estão presentes em qualquer manifestação que seja meramente humana, e não somente línguas.

Alguns diriam que você nunca falou em línguas porque nunca foi realmente batizado com o Espírito Santo...
Hehe, eu sei, já me disseram isto na cara, num congresso de irmãos pentecostais onde estive como visitante. Bom, a minha resposta é que acordo com Paulo todos os crentes verdadeiros já foram batizados com o Espírito Santo (1Cor 12:13) mas nem todos falam em línguas (1Cor 12:30). Se não for assim, terei de dizer que os reformadores e os grandes missionários da história da igreja nunca foram batizados com o Espírito Santo, pois nunca falaram em línguas. Todavia, se formos fazer uma comparação, eles fizeram mais pelo Reino de Deus do que estes que hoje insistem em dizer que as línguas são o sinal inequívoco do batismo com o Espírito Santo...

Mudando de assunto... Deus cura hoje?
Sem dúvida alguma. Eu mesmo já fui curado por Deus. Todavia é preciso fazer a diferença entre o dom de curar e as curas que Deus faz em resposta à oração. Aqueles que tinham o dom de curar - e parece que estava restrito aos apóstolos e seus associados - nunca falhavam. Cada vez que determinavam a cura, ela acontecia. Não há caso registrado de alguém com dom de curar, como Paulo e Pedro, terem comandado a cura que ela não tenha acontecido. E estamos falando da cura de cegos, coxos, aleijados, surdos e mudos, muitos dos quais nem tinham fé. E mesmo da ressurreição de mortos. Obviamente não apareceu depois dos apóstolos ninguém na história da Igreja, até os dias de hoje, com este mesmo poder. E estou falando de homens como Agostinho, Lutero, Calvino, Wesley, Whitefield, Hudson Taylor, Spurgeon, Moody e outros homens de Deus, que não podem ser acusados de não terem fé ou de serem carnais.

Isso não quer dizer que Deus deixou de curar depois dos apóstolos. Ele cura sim, ao responder as orações por cura quando quiser. E nem sempre ele responde positivamente. Se fosse feita uma pesquisa, aposto que ela revelaria que existe proporcionalmente o mesmo número de doentes entre aqueles que dizem acreditar que o dom de curar existe hoje e aqueles que acham que já cessou. Isto é, vamos encontrar nos leitos dos hospitais proporcionalmente o mesmo número de membros doentes de igrejas que dizem ter o dom de curar e daquelas que não pensam assim.

Jesus disse certa feita que quem cresse nele faria os mesmos sinais que ele fez. Esta promessa é verdadeira ou não?
O que Jesus disse foi que eles fariam as mesmas obras. Ele não disse que fariam os mesmos sinais (ver João 14:12). Embora o termo “obras” possa se referir aos milagres dele, é mais provável que Cristo se referia à obra de evangelização e conquista de almas, que foi efetivamente a única obra que os apóstolos fizeram que era maior do que as realizadas por ele. Sobre isto, escrevi um post aqui no blog O Tempora, O Mores, dando as razões exegéticas para esta interpretação. A verdade é que nunca ninguém conseguiu superar os milagres de Jesus ao longo de dois mil anos de história do Cristianismo.

E quanto a sonhos e visões?
De acordo com o autor da carta aos Hebreus, Deus de fato se revelou de maneira extraordinária antes de Cristo, falando através dos profetas por meio de visões e sonhos, conforme encontramos no Antigo Testamento. Com a vinda do Senhor Jesus, que é a Palavra encarnada e portanto a última e maior revelação de Deus, estes modos de revelação cessaram, à medida que os apóstolos e escritores no Novo Testamento registraram de maneira infalível e definitiva esta última revelação.

Não digo que Deus não possa hoje se manifestar de maneira extraordinária a um crente. Mas, então, seria o caso de uma experiência pessoal, que não pode ter validade e utilidade pública e nem ser usada como meio para se impor alguma prática ou doutrina aos demais. A maneira geral, normal e esperada de Deus se comunicar conosco hoje é pelo Espirito falando pelas Escrituras e pela sua Providência, que é a maneira sábia pela qual Deus controla e governa os acontecimentos.

Vamos voltar ao dom de profecia. Afinal, ele existe hoje ou não?
Depende do que estamos falando. Os profetas do Antigo Testamento, como Isaías e Ezequiel por exemplo, receberam de Deus revelações quanto ao futuro de Israel, nas nações daquela época e da humanidade em geral. Estas revelações foram registradas em livros com o nome destes profetas e fazem parte da Bíblia. Além da profecia preditiva, os profetas exortavam o povo de Deus a que se arrependessem de seus pecados e voltassem à obediência da aliança. Na verdade, os livros deles trazem proporcionalmente muito mais exortações e advertências do que predições do futuro.

Os sucessores dos profetas do Antigo Testamento foram os apóstolos do Novo Testamento. Paulo, Pedro, João e os demais apóstolos também receberam revelações de Deus quanto ao futuro, a saber, a vinda de Cristo, a ressurreição dos mortos, o novo céu e a nova terra.

Os profetas das igrejas locais no período apostólico não eram iguais aos profetas do Antigo Testamento como Isaías, Jeremias, Oséias, Joel, Amós, etc. Entendo que o dom de profecia que aparece nas listas de dons do Novo Testamento se refere à capacidade dada por Deus a determinadas pessoas para trazerem uma palavra de Deus à igreja, baseada nas Escrituras, em momentos de crise e necessidade. O profeta exortava, edificava e instruía os crentes reunidos. Não vejo qualquer base para dizermos que o dom de profetizar no Novo Testamento é o poder para revelar o que está acontecendo na vida íntima dos outros ou anunciar o futuro da vida das pessoas. Se fosse feito um registro da quantidade de profecias deste tipo que se mostraram falsas, não cumpridas ou que são tão gerais que cabe tudo nelas, já teríamos concluído de vez que o dom de profetizar não é isto.

Mas, e o caso do profeta Ágabo no livro de Atos que profetizou por duas vezes acontecimentos futuros?
Ágabo profetizou por duas vezes fatos que estavam relacionados com a vida e o ministério do apóstolo Paulo, durante o período em que as Escrituras estavam sendo feitas e no qual Paulo era o principal protagonista. Me parece claramente uma situação excepcional e bastante diferente do período atual da história da igreja.

Não acha que essa sua posição acaba por extinguir e apagar o Espírito e impedir a ação de Deus no meio de seu povo? Não é este o pecado imperdoável, a blasfêmia contra o Espírito Santo?
Acho que o maior pecado contra o Espírito é desobedecer as orientações que Ele nos deu na Bíblia para examinarmos todas as coisas. Ele orientou os escritores bíblicos a escreverem aos crentes dizendo que eles deveriam estar atentos contra manifestações espirituais que não procediam de Deus, contra a ação de falsos profetas e falsos irmãos e mesmo contra a ação de espíritos enganadores que são capazes de realizar sinais e prodígios (Apocalipse 16:14). O Espírito nos chama a discernir os espíritos, a exercitar o bom senso e usar a razão. Pecamos contra o Espírito ao aceitarmos as manifestações espirituais de maneira crédula, sem exame ou análise, renunciando às orientações bíblicas e à nossa razão. É pela omissão dos crentes que os falsos profetas entram nas igrejas e disseminam heresias perniciosas.

Qual o seu comentário final aos nossos ouvintes?
Não considero a questão da contemporaneidade dos dons como sendo uma daquelas que se acham no coração do cristianismo. Não estou negando a importância da discussão se todos os dons que aparecem na Bíblia estão disponíveis hoje ou não. A verdade é que cristãos verdadeiros que são cessacionistas ou continuístas têm o mesmo desejo, que é servir a Deus de todo coração e serem instrumentos de bênção para os outros. Por outro lado, se não tivermos uma compreensão clara de um assunto como este, poderemos não somente nos privar da verdade como também promover a mentira – em ambos os casos, mesmo que o prejuízo não seja fatal, certamente afetará a nossa vida e das pessoas ao nosso redor.

terça-feira, 12 de março de 2013

O Poder da Fé


Mc 11.12-14; 20-24 

Introdução: 
Este texto causa estranheza. Jesus amaldiçoa a figueira por não ter frutos, mas não era tempo de frutos. Eu não posso cortar o pé de mangas em minha casa, se procuro frutos no mês de Maio e não encontro, afinal, na nossa região, as mangas produzem na época das chuvas, entre Novembro- Março. A figueira não tinha frutos, porque não era tempo de frutas, portanto, não havia nada de errado com a figueira. No entanto, Jesus a amaldiçoa e ela seca. Ao lermos o texto nesta perspectiva, perdemos a essência da lição que Jesus queria deixar aos seus discípulos. A ênfase de Jesus não se encontra na figueira, e sim no poder da fé. Pedro comete o mesmo erro, porque no outro dia, ao ver a figueira seca, ele cita o incidente do dia anterior (vs 20,21), mas Jesus não dá ênfase nisto, antes volta para o cerne da lição que queria deixar: O Poder da Fé. (vs 22,23). A figueira, portanto, é apenas uma lição de objeto que Jesus utiliza para ensinar alguma coisa muito mais profunda. Jesus procura ensinar aos seus discípulos alguns princípios maravilhosos sobre a Fé: 
1. Jesus ensina que a fé (algo imaterial) age sobre os elementos físicos (material) – Jesus aponta para o fato de que a fé tem o poder de materializar-se. “Fé é a certeza de coisas que se esperam e a convicção de fatos que se não vêem” (Hb 11.1). Uma tradução mais contemporânea afirma que “fé é a substância das coisas que se esperam”. Por esta razão, a fé age em realidades secundárias, gerando transformações. Jesus afirma: “Porque em verdade vos afirmo que, se alguém disser a este monte: Ergue-te e lança-te no mar, e não duvidar no seu coração, mas crer que se fará o que diz, assim será com ele”(Mc 11.23). É a fé se tornando concreta e agindo nos elementos físicos, gerando transformações e mudando realidades. Não se trata do poder da fé na fé, mas a fé colocada em Deus. Não é fé sem objeto. Jesus afirma ainda: “Tudo quanto em oração pedirdes, crede que recebestes, e assim será convosco”. A fé se apossa de algo não existente, e isto se realiza. “Por isso, vos digo que tudo quanto em oração pedirdes, crede que recebestes, e será assim convosco” (Mc 11.24) Jesus não disse: “crendo, recebereis”, antes, “crede que recebestes”. A fé toma posse por antecipação de algo que ela espera. O que distingue homens de fé é esta capacidade de materializar as coisas que ainda se encontram apenas no mundo das idéias. Veja o exemplo de Abraão. Por que ele foi chamado Pai da Fé? Porque ao ouvir a palavra de Deus, ele se apossou desta verdade, e agiu baseado nesta promessa. “Abraão, esperando contra a esperança, creu, para vir a ser pai de muitas nações, segundo lhe fora dito: Assim será a sua descendência” (Rm 4.18). Não havia nenhuma razão concreta para ele crer. Os fatos não estavam a seu favor. “E, sem enfraquecer na fé, embora levasse em conta o seu próprio corpo amortecido, sendo já de cem anos, e a idade avançada de Sara, não duvidou, por incredulidade, da promessa de Deus; mas pela fé, se fortaleceu, dando gloria a Deus” (Rm 4.19-20). Ele sabia da dura realidade de seu corpo, já amortecido, no entanto, se assenhoreou do que Deus havia dito, e pela fé viu a promessa se concretizando em sua vida. Existem duas variáveis perigosas todas as vezes que falamos sobre este assunto, e elas se refletem de forma direta nos púlpitos de nossas igrejas. Por um lado, vemos um grupo que acha que as coisas dependem apenas delas, independentemente da vontade de Deus. E que elas decretam a Deus, e as coisas vão acontecer porque eles usaram a palavra de autoridade e porque crêem, as coisas se concretizam e milagres acontecem. O ministério Palavra da Fé, que teve em Valnice Milhomens, um de seus grandes ícones no Brasil, usou e abusou deste conceito. No entanto, estas teorias não foram formuladas por pessoas cristãs, mas pela seita Ciência Cristã, nos Estados Unidos, fundada por Mary Bakker Eddy. Muitos líderes pentecostais enveredaram e propagam estes princípios, incluindo ai o conhecido pregador coreano, David Yong Cho, no seu livro “A Quarta Dimensão”. Deus é Soberano, e as coisas não acontecem porque eu decreto ou ordeno a Deus, mas porque curas e milagres fazem parte do reino de Deus e Deus nos abençoa com tais experiências. Não depende apenas do que ora, mas do plano de Deus em agir assim. Muitas pessoas não foram curadas em Israel nos dias de Jesus. Paulo não foi curado de uma enfermidade, embora tivesse pedido a Deus que removesse seu espinho na carne. Neste caso Deus apenas lhe disse: “A minha graça te basta, porque o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza”, e Paulo continuou doente, apesar de ter sido usado por Deus em tantas curas de outras pessoas. Por outro lado, pessoas que tem dificuldades de ousar na fé e exercitá-la. Esta atitude é muito comum entre os mais tradicionais. Tais pessoas temem orar por algo grande, colocam limitação ao poder de Deus e recuam quando existem grandes desafios, sem ousar em relação às dificuldades que surgem. Torna-se uma comunidade tímida, que poderia estar experimentando muito mais das bênçãos de Deus, pelo exercício e prática da fé simples encorajada por Jesus a todos que se aproximavam dele, e especialmente neste texto, quando procura ensinar aos seus discípulos tais verdades. Dois exemplos bíblicos me desafiam quanto a isto: Primeiro, a experiência de Jacó relatada em Gn 32, que ao “lutar com Deus”, tem a ousadia de dizer: “Eu não te deixarei se não me abençoares”. Parece-me uma atitude extremamente ousada para quem encontra-se numa relação com Deus, no entanto, sua persistência e perseverança parecem ser a causa de sua vitória espiritual contra seu caráter dúbio e desonesto. Outro exemplo é a parábola contada por Jesus, sobre a viúva pobre, que recebe o que busca, por causa de sua insistência incômoda de não desistir de lutar por sua causa. Jesus conta esta parábola, no contexto de nossas orações. Será que realmente ele estava nos encorajando a orar e a buscar de Deus aquilo que é “justo” para nossa vida. Se assim não é, o que ele estaria sugerindo? Ao estudar este texto, fiquei sobressaltado com meu coração, e orei a Deus: “Senhor, provavelmente nunca encontraremos o equilíbrio entre estas duas polaridades, mas não me deixe viver aquém de suas promessas, sem exercitar a minha fé”. Rev Antonio Elias foi um avivalista da Igreja Presbiteriana do Brasil, abençoando por anos muitos pregadores e toda uma geração. Certa vez, um jovem pastor de Uberlândia o procurou, lamentando que estava orando por sua mãe há muitos anos, mas ela nunca se rendera a Jesus. Então, com sua costumeira atitude, ele perguntou ao jovem: “Você realmente crê que Deus pode mudá-la?”. E ele respondeu: “Às vezes sim, às vezes não!”. Então o Rev. Antonio Elias pediu que ele parasse de orar e pedisse a sua igreja para orar por ele. No mês seguinte, sua mãe se decidiu por Jesus. 
2. Jesus ensina que a fé potencializa os recursos – Muitas vezes temos poucas vitorias porque não exercemos esta potencialidade presente na fé. Vivemos uma fé pobre, sem ousadia, intrepidez e sem vermos manifestações de Deus em nossa vida, porque não cremos que Deus possa intervir na história. George Muller foi um dos homens mais fascinantes na vida de oração. Ele tinha um grande orfanato em Bristol, Inglaterra, e conta-se que certa vez, ele não tinha o café da manhã para dar às crianças, mesmo assim, as colocou assentadas, e agradeceram o alimento. Poucos minutos depois, alguém bateu na porta, era o leiteiro dizendo que não teria tempo hábil de entregar o leite na cidade e resolveu entregar no orfanato. Em seguida, o dono de uma padaria local, trouxe muitos pães, que segundo ele, haviam torrado um pouco e não serviam para serem comercializados, e ele resolveu trazê-los para o orfanato. Meu sogro, Rev. Samuel José de Paula, estava construindo o templo em Registro-SP. Até que o prédio chegou num ponto em que precisava colocar as portas, porque senão, vândalos entrariam e danificariam a construção. Procurou um comerciante amigo dele, e comprou as portas, comprometendo-se a pagar numa data especifica. O dinheiro esperado, porém, não apareceu, e meu sogro, no dia marcado para o pagamento, foi até a loja e brincou com o dono dizendo que ainda não tinha o dinheiro, mas que o dia só acabava a meia noite. Uma mulher, amiga da família, resolveu fazer a Registro, tomaram café, conversaram, mas meu sogro nada falou de sua dificuldade, apenas compartilhou o projeto do templo. Na saída, aquela senhora resolveu deixar uma oferta, e preencheu um cheque com o valor exato da dívida que ele tinha com o japonês, Sr. Toyo Kenchi, dono daquela loja de construção. 
3. Fé exercitada gera temor e adoração – Em Mt 21.18-22 encontramos o texto correlato ao de Mc 11.12-14. em Mt lemos: “Vendo isto, os discípulos admiravam-se”(Mt 21.20). Experiência de fé gera espanto, admiração e louvor a Deus. Estas experiências de fé geram profundo impacto em nosso coração. Minha mãe estava ainda no inicio de sua vida crista, em Conceição do Ipanema-MG, pequena cidade interiorana quando uma conhecida veio aos prantos trazendo seu filho de 3 anos, com tétano, numa cidade que não tinha hospitais ou médicos, e a criança já apresentando espasmos. A única alternativa era a oração, e foi o que fizeram. Aos poucos a criança foi sendo restaurada e sai daquele quadro angustiante e foi curada. Os discípulos estão espantados com a figueira, mas Jesus apenas utiliza a figueira para ensinar princípios muito mais profundos e duradouros: “Em verdade vos digo que, se tiverdes fé e não duvidardes, não somente fareis o que foi feito à figueira, mas até mesmo, se a este monte disseres: Ergue-te e lança-te ao mar, tal sucederá”(Mt 21.21). Jesus ensina aos discípulos o poder da fé. Quando eles compreendem o que está acontecendo são tomados de adoração e admiração. O que está acontecendo na sua vida que precisa de um milagre? Não estou falando de causas possíveis através da medicina e de seus recursos, mas realmente algo que, se Deus não intervir, você não obterá vitória? “...tudo quanto em oração pedirdes, crede que recebestes, e será assim convosco” (Mc 11.24). Pelo menos por 3 vezes na Bíblia, Deus fala com seus servos para não esbarraram nas coisas impossíveis, mas os desafia a crer a despeito de qualquer evidencia, mesmo contra a esperança. Numa destas ocasiões foi com Abraão. Sara já tinha 90 anos, e quando ouviu a noticia de que engravidaria, naturalmente riu, não de alegria, mas de incredulidade. O próprio Abraão riu tanto a ponto de colocar seu rosto em terra (Gn 17.17). o que Deus lhes disse? “Acaso, para o Senhor há cousa demasiadamente difícil?”(Gn 18.14). Após a murmuração do povo no deserto, Deus prometeu que daria carne para 2 milhões de pessoas, não apenas um dia, mas um mês inteiro. Moisés esbarra na sua lógica administrativa. “Matar-se-ão para eles rebanhos de ovelhas e gados que lhe bastam ou se ajuntarão para eles todos os peixes do mar que lhe bastem?” (Nm 11.23). o que Deus responde: “Porém o Senhor respondeu a Moisés: Ter-se-ia encurtado a mão do Senhor?”(Nm 11.23). Maria enfrenta a mesma situação, adolescente ainda, se preparando para o casamento, ouve a afirmacao do anjo de que ela estava grávida. Sua lógica se antecipa: “como será isto, pois não tenho relação com homem algum?” (Mt 1.34) e Deus lhe responde: “Porque para Deus não haverá impossíveis em todas as suas promessas”. 
Conclusão: A falta de fé impede milagres. A Bíblia afirma que em certas cidades Jesus não pode operar milagres por causa da incredulidade dos seus moradores. Boa parte dos milagres que aconteciam às pessoas, Jesus os associava ao poder da fé. Mulher hemorrágica – “E ele lhe disse: Filha, a tua fé te salvou; vai-te em paz e fica livre do teu mal”(Mc 5.34). Mulher Siro-fenícia – “Por causa desta palavra, podes ir; o demônio já saiu de tua filha” (Mc 7.29). Pai do menino possesso – “Se podes! Tudo é possível ao que crê!” (Mc 9.23). O cego Bartimeu – “Então Jesus lhe disse: Que queres que eu te faça? Respondeu o cego: Mestre, que eu torne a ver. Então Jesus lhe disse: Vai, a tua fé te salvou. E imediatamente tornou a ver e seguia Jesus estrada fora” (Mc 10.51,52). Você tem exercitado sua fé? “Não duvidar em seu coração, mas crer que se fará o que diz, será com ele” (Mc 11.23). você lê estas promessas racionalizando e se justificando, ou crendo? Eu não tenho nenhuma dificuldade em entender o que este texto está nos ensinando, mas admito uma enorme dificuldade em colocar em prática tal verdade. Nosso pecado número 1 é a incredulidade. Os discípulos foram mais censurados pela falta de fé do que por qualquer outro pecado. Por isto Jesus estava sempre insistindo: “Não temas! Crê somente”.

Rev Samuel Vieira.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

O cristão e a EUTANÁSIA


Embora possa parecer que a tecnologia moderna até certo ponto criou o dilema da eutanásia, a verdade é

que muitas civilizações antigas praticavam tanto a eutanásia ativa quanto a passiva, principalmente nos

 doentes, nos recém-nascidos defeituosos e nos idosos. As filosofias da Grécia e de Roma idealizavam o suicídio como uma forma nobre de morrer. Até mesmo o assassinato não era condenado em todas as

 sociedades antigas, e muitas vezes os doentes eram abandonados para morrer ou para se virarem

 sozinhos. Aliás, na época do Novo Testamento a sociedade romana normalmente  valorizava o ser humano somente conforme sua posição social, nacionalidade, etc. Em contraste, quando esteve no mundo Jesus Cristo demonstrou, de muitas maneiras, um padrão de vida bem diferente dos valores sociais da época. Ele vivia em obediência à Palavra de Deus, que ensina que o ser humano foi criado conforme a imagem de Deus. A Palavra de Deus também contém leis que condenam o assassinato (Gênesis 1.26; 9.6; Êxodo 20.13). Jesus confirmou a validade dos ensinos do Antigo Testamento sobre a questão do assassinato e ainda levou esse princípio mais adiante (Mateus 5.21-22). Ele não só se opunha ao diabo que mata, mas também destruía suas obras que matam. Os Evangelhos mostram Jesus curando, até mesmo das piores doenças, muitos homens e mulheres das mais baixas condições sociais.

Ao descrever o Dia do Juízo, a Bíblia diz que o Rei Jesus dirá para as pessoas que vivem conforme Deus acha certo:

"Venham, vocês que são abençoados pelo meu Pai! Venham e recebam o Reino que, desde a criação do mundo, foi preparado pelo meu Pai. Pois eu estava com fome, e vocês me deram comida; estava com sede, e me deram água. Era estrangeiro, e me receberam nas suas casas. Estava sem roupa, e me vestiram; estava doente, e cuidaram de mim. Estava na prisão, e foram me visitar". (Mateus 25.34-36 BLH)

Essas pessoas de bom coração, sem entender o que Jesus queria dizer, perguntam:

"Senhor, quando foi que o vimos com fome e lhe demos comida ou com sede e lhe demos água? Quando foi que vimos o senhor como estrangeiro e o recebemos nas nossas casas ou sem roupa e o vestimos? Quando foi que vimos o senhor doente ou na prisão e fomos visitá-lo?" (Mateus 25.37-39 BLH)

Essa revelação é importante para quem quer agradar a Deus. Em resposta, Jesus mostra o que acontece quando obedecemos a essa revelação: "Eu afirmo que, quando vocês fizeram isso ao mais humilde dos meus irmãos, de fato foi a mim que fizeram". (Mateus 25.40 BLH)

Os cristãos do passado e a eutanásia

Jesus fez essa revelação importante para cristãos que viviam numa época em que a sociedade romana aceitava a eutanásia e o aborto. Nos primeiros três séculos depois da morte e ressurreição do Senhor Jesus, os cristãos praticavam esse ensino sem hesitação. Os primeiros cristãos não seguiam os valores "éticos" das sociedades em que viviam. Eles seguiam os valores éticos do Reino de Deus. Henry Sigerist, respeitado historiador de medicina da Universidade Johns Hopkins, descreve a transformação que o Cristianismo produziu então:

Para os gregos do quinto século antes de Cristo e para [as gerações] que vieram depois, a saúde era considerada o bem mais elevado… O homem doente, o aleijado ou o fraco só poderiam esperar consideração da sociedade enquanto seu estado de saúde tivesse condições de melhorar. A melhor maneira de proceder para com os fracos era destruí-los, o que era feito com frequência…

Coube ao Cristianismo a responsabilidade de introduzir a mudança mais revolucionária e decisiva na atitude da sociedade para com os doentes. O Cristianismo veio ao mundo como uma religião de cura… O [Evangelho] tinha como alvo os pobres, os doentes e os aflitos e lhes prometia cura e restauração, tanto espiritual quanto física. O próprio Cristo não havia realizado curas?

Essa nova atitude inspirou os ensinamentos e atividades do Cristianismo no Império Romano. Os primeiros líderes cristãos, inclusive Policarpo (70-160), Justino Mártir (100-165), Tertuliano (160-220) e Jerônimo (345-419), incentivavam os cristãos a cuidar dos doentes. A partir de então, os cristãos se tornaram conhecidos por sua disposição de tratar de pessoas doentes, inclusive de vítimas de pestes, que eram abandonadas pela sociedade. Os historiadores Darrel W. Amundsen e Gary B. Ferngren observam: "Os primeiros hospitais vieram a existir, no quarto século, por causa da preocupação dos cristãos com todas as pessoas, principalmente os mais necessitados, pois o ser humano tem a imagem de Deus".

A Bíblia ensina que o ser humano foi criado conforme a imagem de Deus e que Jesus morreu para salvar toda a humanidade. Esse ensino inspirou os primeiros cristãos a ter um grande respeito pelo valor e dignidade da vida humana. Eles não só cuidavam dos doentes, mas também denunciavam práticas sociais romanas como aborto, assassinato de recém-nascidos, eutanásia e suicídio. "A verdade é que nós, cristãos, não temos permissão de destruir o que foi concebido na barriga de uma mulher, pois o homicídio é proibido", assim escreveu Tertuliano no segundo século.

Além do aborto, que era muito praticado, a sociedade romana também achava normal matar crianças indesejadas ou abandoná-las a morrer expostas ao sol, chuva, noite, etc. Amundsen e Ferngren comentam: "Depois de sua legalização no quarto século, o Cristianismo aos poucos foi introduzindo importantes mudanças no clima moral do mundo romano. Começando com Constantino, os sucessivos imperadores cristãos aprovaram leis com o objetivo de proteger os recém-nascidos. Contudo, a influência mais importante não veio das leis do Império, mas dos Concílios da Igreja, que condenaram o aborto, o assassinato de recém-nascidos e o abandono deles para morrer".

Os primeiros líderes cristãos, de Justino Mártir a Agostinho de Hipona (354-430) assumiram um posicionamento igualmente forte contra a eutanásia. Agostinho afirmou: "Os cristãos não têm autoridade de cometer suicídio em circunstância alguma. É importante observarmos que em nenhuma parte da Bíblia Sagrada há mandamento ou permissão para cometer suicídio com a finalidade de garantir a imortalidade ou para evitar ou escapar de algum mal. Aliás, temos de compreender que o mandamento ‘Não matarás’ (Êxodo 20.13) proíbe matar a nós mesmos".

É evidente que Agostinho estava se referindo também à eutanásia. Por exemplo, para refutar a idéia social de que o suicídio é um meio normal de acabar com as dores e aflições do corpo, Agostinho citou passagens bíblicas sobre nossa responsabilidade de aguardar o céu com paciência (Romanos 8.24-25), e afirmou: "aguardamos ‘com paciência’, precisamente porque estamos cercados pelos males que a paciência deve tolerar até que cheguemos aonde… não mais haverá nada para tolerar".

Poucos sabem que Agostinho enfrentou uma seita cristã no Norte da África que apoiava a idéia do suicídio como uma forma de martírio voluntário. Essa seita via o suicídio como uma maneira de entrar mais rápido na presença de Deus. Essas idéias não são totalmente rejeitadas hoje. Muitos cristãos espiritualmente mal orientados nos EUA e na Europa cedem à tentação de permitir que a eutanásia seja aplicada num membro da família, sob a alegação de que o apressamento da morte os fará ficar com Deus mais rapidamente. Alguns, para não enfrentar a realidade do que estão fazendo, até citam passagens de Paulo: "A vida para mim é Cristo, e a morte é lucro".[2]

Os cristãos do passado e o sofrimento

Os filósofos da época viam o sofrimento como um mal a ser evitado a todo custo, e não é sem razão que ninguém achava anormal um doente grave cometer suicídio para fugir do sofrimento. Mas Agostinho era fiel à idéia bíblica de que a vida aqui na terra representa somente uma fase até chegarmos à eternidade, onde viveremos para sempre com Deus ou sem ele. Como usar o suicídio como solução para fugir do sofrimento humano e depois evitar na eternidade o Deus que tem autoridade de decidir o destino de nossa vida?

No caso do cristão, Jesus várias vezes avisou seus seguidores de que eles sofreriam perseguição (Mateus 5.10-12; Marcos 10.28-31; João 15.20). As cartas dos apóstolos indicavam o sofrimento físico como um meio de teste, cujo resultado final seria maturidade espiritual e capacidade de resistir melhor aos ataques do diabo (Romanos 5.1-5; Hebreus 12.7-11; Tiago 1.2-8; 5.10-11; 1 Pedro 4.12-13). Em sua carta à igreja da cidade de Corinto, Paulo descreveu seu próprio sofrimento: "O sofrimento que suportamos foi tão grande e tão duro, que já não tínhamos esperança de escapar de lá com vida. Nós nos sentíamos como condenados à morte. Mas isso aconteceu para nos ensinar a confiar não em nós mesmos e sim em Deus, que ressuscita os mortos". (1 Coríntios 1.8-9 BLH)

Paulo não se desesperava ao ponto de acolher a idéia do suicídio, porque "ainda que o nosso corpo vá se gastando, o nosso espírito vai se renovando dia a dia. E essa pequena e passageira aflição que sentimos vai nos trazer uma enorme e eterna glória, muito maior do que o sofrimento. Porque nós não fixamos a nossa atenção nas coisas que se vêem, mas nas que não se vêem. O que pode ser visto dura apenas um pouco, mas o que não pode ser visto dura para sempre". (2 Coríntios 4.16-17 BLH)

O Império Romano se desmoronou logo após a morte de Agostinho em 430, e a Europa entrou na Idade Média. Nesse período, que durou aproximadamente mil anos, houve muitas guerras e o sistema social e econômico ruiu, piorando assim as condições de saúde e sobrevivência das populações. De 541 a 767, dezesseis pestes bubônicas varreram a Europa. Em meio aos graves sofrimentos humanos, os cristãos se apoiavam na Palavra de Deus para enfrentar seus sofrimentos individuais.

Bede, líder cristão inglês desse período, escreveu vários relatos de doenças e sofrimento. Alguns relatos apresentavam pessoas dedicadas a Deus sendo sobrenaturalmente curadas por Deus, outros descreviam pessoas morrendo rapidamente ou sofrendo anos antes de morrer — mas todos entregavam o controle de suas vidas a Deus: "Por isso os que sofrem porque esta é a vontade de Deus devem, por meio das suas boas ações, confiar completamente no Criador, que sempre cumpre as suas promessas". (1 Pedro 4.19 BLH)

Para encorajar e cultivar a fidelidade a Deus no meio das circunstâncias difíceis, Bede usou o exemplo do Bispo Benedito, que sofreu uma prolongada doença terminal: "Durante três anos, Benedito aos poucos foi ficando tão paralisado que da cintura para baixo estava tudo sem vida". Apesar do longo tempo de sofrimento que sua doença lhe causou, Benedito sempre procurava "se ocupar louvando a Deus e ensinando os irmãos".

Doenças fatais dolorosas como a doença que fez o Bispo Benedito sofrer tantos anos de agonias eram comuns durante a Idade Média, por causa da falta de medicamentos e tranqüilizantes eficientes. Apesar disso, nenhum cristão procurava apressar a própria morte a fim de escapar das dores de uma doença terminal. Eles preferiam se entregar totalmente aos cuidados de Deus.

Basicamente, o pensamento depois da Reforma era esse também. Os cristãos se entregavam sempre a Jesus, não às doenças.

A eutanásia e as igrejas de hoje

Enquanto hoje muitas igrejas americanas e européias se encontram mergulhadas em idéias e práticas fora dos princípios bíblicos e até apóiam a morte para as pessoas mais oprimidas e indefesas, muitas igrejas nos países menos ricos estão vivendo uma realidade diferente: muitos milagres estão ocorrendo através da visitação do Espírito Santo. Essas igrejas são instrumento de salvação, perdão, restauração, cura e libertação e é isso mesmo que as pessoas oprimidas recebem quando lá vão. O Evangelho é inimigo da doença, não do doente, e apresenta um Jesus vivo que mata a doença, não o doente. Talvez os cristãos de países como o Brasil precisem lembrar aos cristãos dos países ricos o motivo por que Jesus veio ao mundo: destruir as obras do diabo, não destruir as pessoas que são oprimidas por ele.

O fato é que as igrejas que se abrem para um forte contato com Deus, principalmente na área da cura espiritual, física e emocional, conseguem verdadeiramente abençoar a vida das pessoas. Mas igrejas que não têm esse tipo de abertura correm o risco de acabar se abrindo para outros tipos de "solução" para o problema do sofrimento humano.

Enquanto as igrejas cristãs dos países ricos estão ocupadas tentando descobrir se o casamento homossexual e o aborto são opções bíblicas, igrejas de países pobres, com toda sua simplicidade, estão cheias de testemunhos de salvação, cura e libertação, pelo simples fato de que as congregações são encorajadas a buscar a Deus com fé e se abrir para a visitação do Espírito Santo. É fácil ver que uma fé verdadeira não tem espaço para a perspectiva do mundo que tolera a eutanásia. Muitas vezes missionários americanos e europeus voltam para seus países de origem e contam o que Deus faz no campo missionário, grandes bênçãos e milagres que raramente eles vêem na própria pátria.

Geralmente, embora reconheçam que há o momento de "partir para Jesus", cristãos mais simples e fiéis a Deus sabem que a melhor maneira de encarar o sofrimento é buscando a Deus com todas as forças e tomando posse das promessas da Palavra de Deus. A característica mais marcante de muitos cristãos em países pobres, principalmente onde há muita perseguição, é forte confiança no poder de Deus para restaurar a saúde e à vezes desconfiança dos médicos. Esse tipo de desconfiança é saudável num aspecto: mantém o cristão afastado dos problemas e dilemas do aborto e eutanásia que atingem os médicos. Ainda que ocorram muitos milagres entre os cristãos de países menos desenvolvidos, a abertura ao poder sobrenatural do Espírito Santo não está limitada a eles. Cristãos de diferentes denominações, às vezes das igrejas mais tradicionais nos países ricos, experimentam visitações incríveis de Deus. Mas essas visitações têm sido muito mais freqüentes nos países onde há mais perseguição ao Evangelho.

A verdade é que os cristãos fiéis à Palavra de Deus têm dificuldade de ver a morte como um meio de fugir do sofrimento. Eles vêem a morte como o "último inimigo", não como uma amiga. A morte é conseqüência do pecado e o cristão deve resisti-la, não abraçá-la. O pastor presbiteriano Paul Fowler escreve com relação ao aborto: "Os temas da vida e da morte aparecem em toda a Bíblia como alvos totalmente contrários. Deus é o Criador da vida. A morte é a perda da vida que Deus criou".

Quem tem o direito de tirar a vida inocente?

Ainda que não tivesse promessa alguma na Palavra de Deus para nos ajudar no sofrimento, ainda assim o cristão fiel respeitaria e honraria o que Deus diz:

"Não mate". (Êxodo 20:13 BLH)

"Maldito seja aquele que matar outro à traição! Maldito aquele que receber dinheiro para matar uma pessoa inocente!¼" (Deuteronômio 27:24,25 BLH)

"Ele [o homem perverso] se esconde e mata pessoas inocentes". (Salmo 10:8 BLH)

"Existem sete coisas que o Deus Eterno detesta e que não pode tolerar: mãos que matam gente inocente" (Provérbios 6:16-18 BLH)

Além do testemunho da Palavra de Deus, há também o testemunho de cristãos sinceros. O Rev. G. Campbell Morgan (1863-1945) comentou sobre o mandamento de não matar. Ele diz:

QUEM TEM O DIREITO DE TERMINAR A VIDA?

Deus é soberano sobre a vida de cada pessoa. Esse é o alicerce mais importante da estrutura social. A Palavra de Deus mostra claramente que a vida humana é sagrada. Deus a criou de maneira misteriosa e magnífica em seu começo e possibilidade, completamente além do controle da compreensão dos seres humanos…

A revelação que Deus fez ao homem prova que ele tem um propósito para toda pessoa e para a raça humana… Terminar uma só vida é colocar a inteligência e sabedoria do homem acima da sabedoria de Deus.

As questões da morte são tão imensas que não há pecado contra a humanidade e contra Deus que seja tão grave quanto o pecado de tirar a vida. Esse breve mandamento declara a primeira lei fundamental acerca da vida humana, tão clara e vital que exige atenção máxima.

A vida é um presente que Deus deu… Esse mandamento, pois, com palavras muito simples, mas de maneira severa, envolve a vida de cada ser humano com uma gloriosa Lei. Dá somente a Deus o direito de terminar a vida que ele deu.[3]

Perguntaram ao evangelista Billy Graham: "Por que tantas pessoas são contra a idéia de ajudar no suicídio de uma pessoa que tem uma doença crônica e está sem esperança de recuperação? Parece uma boa opção, e eu mesmo não ia querer continuar vivendo se estivesse nessa situação". Graham, então com 81 anos de idade, respondeu: "O motivo principal é que foi Deus quem nos deu a vida, e só Ele tem o direito de tirá-la. A vida é um presente sagrado de Deus. Não estamos aqui simplesmente por acaso. Foi Deus quem nos colocou aqui. Assim como Ele nos colocou aqui, só Ele tem a autoridade de nos levar embora, e quando tomamos essa autoridade em nossas mãos, violentamos Seus propósitos cheios de sabedoria. Não se deve destruir a vida arbitrariamente".

Agostinho disse:

Nenhuma pessoa deve infligir em si mesma morte voluntária, pois isso seria fugir dos sofrimentos do tempo presente para se atirar nos sofrimentos da eternidade Nenhuma pessoa deve acabar com a própria vida a fim de obter uma vida melhor depois da morte, pois quem se mata não terá uma vida melhor depois de morrer.

Paganismo nas igrejas

O motivo por que muitas igrejas cristãs dos países ricos estão se fechando para os mandamentos de Deus e se abrindo para idéias a favor do aborto, eutanásia e homossexualismo é a volta do paganismo. Quando pensamos na palavra pagão, o que surge na mente? Imaginamos pessoas da antiguidade que adoravam árvores? Essa noção está fora de moda. Conforme diz o Dr. Robert George, da Universidade de Princeton, o termo "pagão" agora se aplica melhor aos americanos e europeus ricos bem estudados de hoje — inclusive muitos que vão à igreja.

A definição de paganismo de George foi apresentada num encontro do Toward Tradition, um grupo que reúne judeus ortodoxos e cristãos conservadores. Ele disse que o paganismo não está confinado ao passado, onde povos primitivos ofereciam sacrifícios ao sol. Para ele, a tentação de adorar falsos deuses é permanente e constante.

A essência do paganismo é a idolatria — a adoração de deuses falsos no lugar do único Deus verdadeiro. Mas, lamentavelmente, muitos cristãos modernos caem em práticas pagãs e nem mesmo percebem, e alguns até freqüentam igrejas que realmente as promovem.

Como sabemos que os europeus e americanos se paganizaram? George diz que há um teste a prova de falhas: "Os deuses falsos exigem o sangue dos inocentes. Quando há o assassinato de pessoas inocentes e justas não é o Deus de Israel que se está adorando". Mas os deuses falsos dos pagãos modernos são ainda mais sanguinários. "Hoje", George diz, "as crianças antes do nascimento, na hora do nascimento e os recém-nascidos defeituosos são¼ sacrificados aos deuses falsos da escolha, autonomia e liberação. Eles são sacrificados em altares de aço inoxidável, por sacerdotes em roupas cirúrgicas". E os defensores da eutanásia e do suicídio com ajuda médica são seus irmãos na fé.

Em contraste, George observa, os cristãos fiéis adoram o Senhor da vida — o Deus que dá a todos os seres humanos (por mais humildes e pobres que sejam) — uma dignidade sublime". É por esse motivo que "a vida de toda pessoa inocente é de, maneira igual, inviolável sob a lei moral".

Os pagãos modernos — inclusive a maioria dos cristãos e judeus secularizados — escondem sua ideologia pagã num disfarce de honestidade e boas ações. Eles falam de compaixão, até mesmo quando desculpam seu apoio ao aborto legal e à eutanásia. Na verdade, o que eles estão adorando não é o Deus de compaixão, mas os falsos deuses que trazem morte.

É fato histórico que toda civilização que sacrifica crianças aos deuses se condena à destruição. A Bíblia descreve como até grandes impérios desabaram porque derramaram sangue inocente. Alguns anos atrás, um americano visitou uma senhora cristã na Índia e perguntou o que ele poderia fazer para ajudá-la. Ela respondeu: "Volte para os Estados Unidos e ajude a deter a matança dos bebês inocentes. Apresse-se, enquanto há tempo, ou o seu país sofrerá o juízo de Deus".

É importante que saibamos discernir o que está acontecendo nos EUA e Europa, pois devido a ensinos e práticas antibíblicas muitas igrejas americanas e européias apóiam os sacrifícios pagãos sem sentir peso na consciência.

Igreja e sociedade

É importante também compreender que nenhuma sociedade fica parada. Todas as sociedades costumam mudar de direção. Ou avançam para mais perto dos padrões que estão de acordo com os princípios estabelecidos por Deus, ou se afastam deles.

Em Mateus 5, o Senhor Jesus nos deu a missão de ser o sal da terra e a luz do mundo. É a responsabilidade de todos os cristãos influenciarem a sociedade com os princípios de Deus. Se não fizermos isso, a sociedade se afastará mais e mais dos padrões de Deus. Se deixarmos de influenciar a sociedade, há o risco de que as igrejas cristãs sejam influenciadas pelo mundo. O mundo dará o exemplo e a direção e as igrejas seguirão o mundo e seus padrões.

A outra possibilidade é que ainda que permaneçam firmes, se as igrejas deixarem de influenciar a sociedade, a sociedade aos poucos vai se afastar das igrejas. Então o mundo achará as igrejas mais estranhas em seus valores e costumes. Esse distanciamento deixará as igrejas tão isoladas socialmente quanto uma ilha solitária no meio do oceano Pacífico. Quando isso chega a acontecer, o que ocorre em seguida é que os cristãos acabam sendo chamados de extremistas, fundamentalistas ou radicais quando tentam defender valores importantes. Tal é o que vem ocorrendo com relação ao aborto, homossexualismo, eutanásia, etc.

Uma das questões mais importantes que devemos considerar é de que maneira o assassinato de pessoas inocentes, através do aborto legal e da eutanásia, pode afetar negativamente a sociedade. Deus diz: "Portanto, não profanem com crimes de sangue a terra onde vocês vivem, pois os assassinatos profanam o país. E a única maneira de se fazer a cerimônia de purificação da terra onde alguém foi morto é pela morte do assassino". (Números 35:33 BLH) Nessa passagem, Deus indica que se a sociedade não tomar medidas sérias contra o assassinato de pessoas inocentes, o derramamento desse sangue poderá abrir brechas espirituais para os demônios espalharem maldições e morte pela sociedade, inclusive elevada criminalidade e guerras. O Bispo Robson Rodovalho diz: "Ondas de homicídios, acidentes de trânsito, estupros, desempregos e outras tragédias semelhantes são ondas que têm origem em ações demoníacas".

A Igreja de Jesus Cristo conhece realidades espirituais e terrenas que precisa transmitir e aplicar na sociedade. Mas de que modo os cristãos, como igreja e indivíduos, podem realmente fazer uma diferença na sociedade em questões como o aborto e a eutanásia? Intercedendo pelas pessoas envolvidas e confrontando as forças espirituais, as leis e as tendências sociais que as favorecem: "Quando há realmente esse ministério de intercessão e confrontação, haverá evangelização. É aí que o poder do Evangelho precisa moldar, transformar e fazer a diferença da cultura".

Retirado do site chamado de Deus.

Imagem Folheados

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

CARDEAIS ENVOLVIDO EM CASO DE PEDOFILIA IRÃO PARTICIPAR DA ESCOLHA NO NOVO PAPA.



A escolha do novo Papa será feita através de um Conclave que deverá ser agendado nos próximos dias. A eleição reúne cardeais do mundo todo, que votarão entre si para escolherem o novo pontífice.
Porém, a presença de cardeais acusados de envolvimento com casos de pedofilia na eleição tem causado protestos e polêmicas ao redor do mundo. O norte-americano Roger Mahony e o irlandês Sean Brady são acusados de ocultarem casos de pedofilia.
O cardeal Mahony, 77 anos, foi destituído de suas funções na igreja em janeiro de 2010 por não ter denunciado os casos de pedofilia de que havia tomado conhecimento. Apesar dos protestos que pedem sua renúncia à participação no Conclave, Mahony deu a entender, através de uma publicação em seu perfil no Twitter, que pretende participar da escolha do novo Papa: “Vossas preces são necessárias para que possamos escolher o melhor Papa para a Igreja de hoje e de amanhã, escreveu.
A revista católica Famiglia Cristiana publicou uma enquete perguntando aos leitores se o cardeal Mahony deveria participar da escolha do novo Papa, e as respostas em sua maioria foram negativas: “É preciso impedir que participe”, escreveu um dos leitores, que cobram ainda “novos sinais” de que a política adotada por Bento XVI de ter “tolerância zero” contra a pedofilia será mantida.
Já o caso de Sean Brady, 74 anos, envolve uma denúncia feita pela imprensa de seu país, que o acusa de ter participado de reuniões em que foi solicitado um voto de silêncio a duas crianças que foram vítimas de abusos por parte do padre Brendan Smyth, que faleceu em 1997 e é um dos padres pedófilos mais conhecidos da Irlanda.
Segundo informações do portal Terra, na época, Brady afirmou que não alertou os pais ou as autoridades civis porque havia participado da investigação como um observador, que deveria “apenas tomar notas e informar seus superiores”.
Há ainda o caso do cardeal belga Godfried Danneels, que é acusado pela imprensa de ter tomado conhecimento de 40 casos de pedofilia enquanto exercia o cargo de bispo primaz em seu país até janeiro de 2010. No entanto, Danneels alega nunca ter tomado conhecimento dos casos.
Por Tiago Chagas, para o Gospel+

Professora americana, esquerdista e lésbica, se torna crente em Jesus Cristo




"Como professora esquerdista e lésbica
eu desprezava os cristãos.
Então, de alguma maneira,
me tornei uma cristã."
Estou falando de Rosaria Champagne Butterfield, lésbica, professora em uma renomada universidade americana, ideologicamente esquerdista e que vivia com sua amante há muitos anos. A revista Christianity Today acaba de publicar o testemunho dela com o título: “Minha conversão: um desastre de trem.” 

Rosaria e sua amante tinham duas casas que usavam para dar hospitalidade a estudantes e ativistas preocupados em mudar o mundo para melhor. Eram profundamente empenhadas em causas sociais. Rosamaria desprezava os cristãos, especialmente os alunos que tentavam inserir versículos bíblicos numa conversa ou nos trabalhos que apresentavam. Para ela, o cristianismo estava totalmente errado e chegava mesmo a ser prejudicial às pessoas.

Mas, um dia, recebeu um comentário de um pastor presbiteriano sobre um artigo onde ela atacou os cristãos, particularmente o grupo Promise Keepers (grupo de homens cristãos devotados ao resgate da masculinidade cristã). No comentário, o pastor Ken Smith gentilmente questionou os pressupostos dela e de que maneira ela sabia que estava certa em suas acusações. Foi ali que começou o processo de vários anos que terminou com sua conversão, quando ela tinha perto de 40 anos de idade. Hoje, casada com um pastor evangélico e mãe de vários filhos, Rosaria dá testemunho de como Deus teve de demolir e destruir todos os seus pressupostos, ídolos e amores até trazê-la aos pés da cruz de Jesus Cristo.

A sua história completa está no livro The Secret Thoughts of an Unlikely Convert ("Os pensamentos secretos de uma convertida improvável").

A História de Um Bom Casamento


 





Chamaram, pois, a Rebeca e lhe perguntaram:
Queres ir com este homem? Ela respondeu: Irei. (Gen 24:58 ARA)

Vinicius de Morais definiu o amor e o casamento por meio de uma frase que foi imortalizada: “Que o nosso amor seja eterno enquanto dure”. Ele estava errado. O amor jamais acaba, mas para que o casamento seja estável, tem de começar certo, e aprender a perseverar na promessa de que é possível recomeçar, apesar de nossos fracassos pessoais.

Uma palavra às mulheres: Um Bom Casamento é Construído Debaixo da  Benção Familiar  (v.57-61):
(a) Rebeca foi ouvida. Embora a Bíblia testemunhe a realidade de casamentos arranjados pelas famílias, eles nem sempre aconteciam pela imposição unilateral dos pais. 
(b) Ela decidiu ir. Seu Casamento foi fruto de decisões próprias e não de influências de fora. Casamentos potencialmente promissores fracassam pelo simples medo de se tomar a decisão. Casamentos precipitados acontecem por deixar outros tomarem a decisão por si. 
(c) Ela foi debaixo da benção familiar. Não abrace essa idéia de se casar só para sair de casa, da tutela do pai opressor ou da mãe dominadora/superprotetora; mas a descoberta da outra metade que suprirá, não só expectativas e sonhos, como também a própria existência pessoal. Rebeca esperou o momento certo de sair de casa e foi abençoada. Não deixou mágoas familiares para trás e nem as levou consigo. 
(d) Rebeca se tornou fonte de consolo para Isaque pelo resto de sua vida! (v.67b).

Uma palavra aos homens: Um Bom Casamento é Construído Sobre Um Relacionamento de Amor (v.62-67).
(a) Isaque a conduziu à tenda de Sara, sua mãe. Ele lhe deu o lugar de honra, tal qual é o lugar dos nossos pais. I Pedo 3.7 afirma aos homens que eles devem agir conjugalmente com discernimento, consideração e dignidade, para com suas esposas, “porque sois juntamente herdeiros...” 
(b) Ele a tomou por mulherEla foi sua esposa e companheira permanente e única. 
(c) Ele a amou. Efésios 5.25 diz que os maridos devem amar suas esposas como Cristo amou a Igreja e se entregou por ela. O amor de Cristo é sacrificial e não voltado unicamente para a própria felicidade pessoal.

1ª. As mulheres precisam estar conscientes que a benção de Deus e da família são mais importantes que o romance e a beleza da festa de casamento, porque estas últimas não sustentam o casamento.

2ª. Os homens precisam aprender que amor não é sexo somente, mas dar à esposa o mesmo lugar de honra que se deu à boa mãe, porque a esposa se tornará a mãe de seus filhos.

3ª. Os casais precisam de um lugar especial para Deus no seu casamento a fim de que ele seja estável.

Pr. Hélio de Oliveira Silva

CORONEL JOÃO DOURADO (1854-1927)

Alderi Souza de Matos João da Silva Dourado nasceu em Caetité, sul da Bahia, no dia 7 de janeiro de 1854. Era filho de João José da Silva Do...