terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

OUVIDOS DE SERVO.


TEMA: OUVIDOS DE SERVO.

TEXTO: 1 Sm 3.10.

Os anos de trevas que se seguiram foram amenizados com a esperança crescente em Samuel, chamado para ser um profeta de Deus. A grande obra de Samuel pode ser assim resumida:
1) Ele suscitou uma grande reforma nacional, renovando a aliança e trazendo o povo de volta à adoração ao Senhor Deus.
2) Atacado pelos filisteus, ele teve tamanha vitória em Ebenézer que eles jamais investiram novamente contra Israel durante o seu mandato de juiz.
3) Organizou as escolas dos profetas.
4) "Julgou" Israel durante toda a vida.
5) Preparou o caminho para a monarquia e a introduziu, ungindo Saul e, após ser ele rejeitado, Davi.
6) Samuel deve ser um instrutor do povo de Deus, dentro da Palavra de Deus. Ele ensina os preceitos da aliança em Cristo, e anuncia à igreja a maneira correta de proceder. Sua palavra não vem apenas em nível individual, mas também em nível coletivo.
C.H. Spurgeon, disse: Nos dias de Eli, a palavra do Senhor era preciosa, e não havia visão aberta. Foi ótimo que quando a palavra veio, um indivíduo escolhido tinha o ouvido bom para recebê-la, e o coração obediente para executá-la.

Embora fosse apenas um menino, Samuel recebeu um chama­do para uma obra especial. Por que isso aconteceu?

A Bíblia diz que "naqueles dias, a palavra do Senhor era mui rara; as visões não eram freqüentes" (1 Sm 3.1). Se Deus raramente falava a alguém, por que falou a Samuel?

Porque aquele jovem sabia ouvir!

"Fala, porque o teu servo ouve", foi uma frase que marcou a vida de Samuel. Mais do que uma resposta a revelação inicial do Senhor, tal afirmação se constituiu numa diretriz que norteou seus passos e transformou-o num grande homem.

Samuel não ouvia o Senhor de uma maneira qualquer. Ele o escutava com ouvidos de servo.

O que isso significa?

Voce tem ouvidos de servos?

O que são ouvidos de servo?

Um músico não ouve uma melodia da mesma forma que as outras pessoas. Ele a escuta com ouvidos de músico: analisa a harmonia, o ritmo, o volume, a afinação dos instrumentos e das vozes, e assim por diante.
O mesmo se dá na esfera espiritual: se desenvolvermos ouvidos de servo, entenderemos a palavra de Deus de um jeito especial.

Que tipo de ouvidos são esses?

1-Ouvidos atentos.1 Sm 3-3.

Aquele moço pro­curou uma hora calma e um lugar tranqüilo para ouvir Deus falar. Esse é um grande exemplo para nós. Num mundo tão agitado - no qual tantos sons concorrem com a voz do Altíssimo - precisamos cultivar o hábito de orar e meditar, aquietando-nos e permanecendo atentos àquilo que Deus tem a nos dizer.

Já aconteceu de você estar conversando com alguém e, a certa altura, perceber que a pessoa não estava prestando aten­ção às suas palavras? O que você fez? Provavelmente apontou-lhe o fato ou, simplesmente, parou de falar. Afinal, por que con­tinuar se pronunciando se não há ninguém disposto a escutá-lo? Da mesma forma, o Espírito Santo deixará de falar-nos se não dermos importância à sua voz.

O profeta Isaías escreveu: (Is 50.4). Isaías era um homem que tinha o que falar porque dedicava tempo a ouvir.

O mesmo pode ser dito a nosso respeito?

2-Ouvidos obedientes. 1 Sm 3.12,13.

O Senhor não se disporá a nos falar se não estivermos prontos a segui-lo. Antes de se revelar a Samuel, Deus havia falado a Eli. Advertira o sacerdote quanto ao mau comportamento de seus filhos e à sua omissão como pai.

Ter ouvidos de servo significa estar pronto a obedecer. Quando dizemos: "Fala, porque o teu servo ouve", estamos pergun­tando a Deus: "Quais são as suas ordens?" Um servo não indaga alguma coisa ao seu senhor por simples curiosidade. Ele não diz: "Quero conhecer a sua vontade, mas não estou disposto a cumpri-la".

 Devemos estar cientes de que Deus só falará conosco se estivermos prontos a seguir as suas orientações.

3-Ouvidos voluntários.1 Sm 3: 4, 6 a 8.

Ter uma boa disposição para fazer aquilo que o seu senhor espera é essencial para que um servo seja considerado fiel.
1-Não basta obedecer: e' preciso fazer isso de boa vontade.
2-Não é suficiente cumprir uma obrigação: é ne­cessário envolver-se com a obra de tal maneira que se dedicar a ela seja considerado um privilégio.
Ez 33-31 a 32. Nos dias do profeta Ezequiel, muitas pessoas se dirigiam aos cultos a fim de ouvir a voz de Deus. Não a escutavam, porém, com um espírito voluntário.

O Senhor disse ao profeta: Ouvir as pregações era, para aquelas pessoas, uma espécie de entretenimento. Parece que esse é um problema muito comum hoje em dia.

ILUSTRAÇÃO: Um homem estava esperando por sua esposa na frente do templo. Quando uma senhora saiu, ele perguntou:
— O sermão já acabou?
— Não, respondeu a mulher, está começando agora.
— Como assim?, tornou o marido. Quer dizer que o pastor começou a pregar neste momento?
— Nada disso, respondeu ela. Ele já parou de falar. Mas é agora que nós vamos começar a praticar o que ele falou.
Aquela senhora sabia a diferença entre o sermão pregado e o sermão vivido. E quanto a nós?

O que pode nos impedir de ter ouvidos de servo?

Há muita gente sofrendo de "surdez espiritual". Essas pessoas não são capazes de ouvir a voz de Cristo, porque não se dispõem a escutá-lo com ouvidos de servo.
Às vezes, chegam a reclamar dos pregadores e das igrejas. Mas o fato é que exis­te um tampão nas suas orelhas. É por isso que não se sentem abençoadas como os que estão ao seu lado.

Você também pode ouvir o Senhor claramente, e ser aben­çoado pela certeza da sua presença. Para isso, o que tem de fazer é desentupir os canais auditivos da sua alma.

Quais são as coisas que formam a "cera espiritual" dos seres humanos?

1-Pecado. A desobediência e a rebeldia endurecem o nosso coração, danificam a nossa sensibilidade e cauterizam a nossa consciência.

Nenhum pecado é inofensivo. Se dermos lugar à iniqüidade em nossa vida, concessões aparentemente insignifi­cantes irão se somar umas às outras até formarem uma crosta impenetrável.

Dwight L. Moody, grande avivalista do século XIX, escreveu na primeira página de sua Bíblia: "Este livro me fará evitar o pecado, ou o pecado me fará evitar este livro".

Eis aí uma gran­de verdade! Se você sente que Deus não lhe tem falado podero­samente, deve investigar sua vida e procurar por pecados não confessados.

Há uma grande chance de que o problema esteja aí, pois as nossas transgressões nos afastam da Palavra do Se­nhor.

2-Orgulho. Quando passamos a confiar demais em nós mes­mos, deixamos de procurar a orientação dos céus. É como se disséssemos: "Eu já sei de tudo; para que ouvir o Senhor?"
Zc 7.12. Não alimente um espírito arrogante. Quando o homem está cheio de si, não sobra nenhum lugar para Deus.
3-Mágoa. Existem ocasiões em que o grito do aborrecimento e o clamor da amargura abafam a voz do Redentor. O ressenti­mento e a mágoa são poderosos "tampões espirituais".

Eles têm a capacidade de interromper nossa comunicação com Deus. Por isso a Bíblia diz: "Afasta, pois, do teu coração o desgosto e remove da tua carne a dor" (Ec 11.10).
Você já escutou a expressão "cego de raiva"? Pois bem: o ressentimento talvez não afete a nossa visão, mas certamente avaria a nossa audição! Não é possível escutar a voz de Cristo e a do orgulho ferido ao mesmo tempo.

Por maiores que sejam as ofensas que tenhamos sofrido, precisamos perdoá-las. Caso contrário, nossa conexão espiritual será rompida, e o diabo le­vará vantagem sobre nós (2 Co 2.11).


Conclusao:

Há muitos que não ouvem a voz de Deus simplesmente por­que não querem escutá-la. O que o Senhor tem a dizer-lhes não é o que gostariam de ouvir.

Se o Todo-Poderoso lhes aponta um caminho difícil, acham mais fácil se fazer de desentendi­dos, afirmando que não sabem de nada.

Se o pior cego é aquele que não quer ver, então o pior surdo é o que não está disposto a escutar.

Com os seus ouvidos de servo, Samuel se tornou um grande homem. Ele se firmou como um líder querido e um juiz respei­tado pelo seu povo.

As Escrituras dizem que "o Senhor era com ele, e nenhuma de todas as suas palavras deixou cair em terra" (1 Sm 3.19).

Por quê? Porque ele sabia falar? Não! Porque sabia ouvir!

Ser capaz de ouvir a voz do Senhor e' algo muito importante. Peça a Deus que lhe dê ouvidos de servo. Dependa do auxílio divino para ser uma pessoa atenta, obediente e prestativa.

Disponha-se a combater incansavelmente o pecado, o orgulho, a mágoa e o comodismo. A sua felicidade - assim como a de muita gente - depende disso.

Como Samuel, digamos: "Fala, porque o teu servo ouve".
O diabo conhece os ouvido dos servos também. Quantas perguntas ele sopra nos ouvidos dos servos de Deus: "Para que pelejar por este casamento? Para que continuar nesta igreja? Para que estudar tanto? Para que ir tantas vezes à igreja? Para que orar tantas vezes?"
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sexta-feira, 11 de novembro de 2011

A mutreta da unção



Todo dia, os pastores pentecas aparecem com uma novidade, no afã de
conseguirem membros para as suas “sinagogas”. Eles já inventaram a
“unção do riso de Isaque”, a “unção da garrafa dágua”, a “unção dos
quatros seres viventes”, a “unção do cair no espírito”, a "unção de
Arão", a “unção do lençol ungido”, a “unção das meias ungidas” e
outras falcatruas, cada qual mais aberrante.
A última novidade, segundo informação recebida pela Internet, é a
“Unção do Mar Morto”. Não consigo imaginar o bem que uma “Unção do Mar
Morto” possa causar a quem nela acredita. Mas, posso imaginar o mal,
porque, focalizando os olhos nesse tipo de engodo, o crente raquítico
no conhecimento da Bíblia acaba caindo nas mãos dos vigaristas
religiosos, dando dinheiro para essa turma de escroques, deixando até
mesmo de comprar carne e leite, a fim de contribuir para “a obra do
Senhor” e, ao mesmo tempo, ficar “ungido com a miraculosa água do Mar
Morto”.
Em primeiro lugar, o termo "unção dos quatros seres viventes" não
aparece em nenhum lugar das Escrituras. Em toda a história do
Cristianismo, não existe qualquer referência à referida unção. Além do
mais, os seres dizem: Santo, Santo, Santo, em vez de rugir, chorar ou
fazer coisa parecida. Qualquer unção inventada pelos pentecas é uma
aberração religiosa.
Em seu livro "Proteção contra o Engano", O Pastor Derek Prince falando
sobre este assunto, cita manifestações que presenciou em cultos pagãos
na África, onde as pessoas em transe recebiam "espíritos de animais" e
começavam a agir como tais, rugindo como leão, dando cabeçadas em
árvores igual aos elefantes e por aí vai. Não é preciso ir tão longe
para presenciar esse tipo de coisa. Em terreiros de cultos
afro-brasileiros também é comum esse tipo de manifestações. Quem tem
experiência em lidar com pessoas possessas sabe que não é raro os
demônios manifestados agirem como animais.
Parece que as igrejas evangélicas neopentecostais estão produzindo
líderes mentirosos e ladrões, enquanto a Igreja Católica está
produzindo pederastas, o que revela a proximidade da apostasia
mundial!
O louvor a Deus foi substituído por corinhos antropocêntricos, usando
sempre a primeira pessoa do singular: eu quero voar como a águia, eu
quero tocar nas tuas (de Cristo) vestes, etc., salientando,
principalmente, a satisfação dos desejos carnais. Nessas igrejas
“avivadas” usam-se músicas que destacam as conquistas pessoais,
citando alguns versos do Antigo Testamento, totalmente fora do
contexto, os quais falam das vitórias do povo hebreu (e não da
igreja). Tudo é feito para agradar o ouvinte e não a Deus. Ninguém,
até hoje, compôs um “corinho” dizendo que deseja receber as maldições
que Cristo lançou sobre os judeus, por não terem reconhecido o tempo
da visitação do seu Messias. Mas, ficam desafiando o Diabo, com
palavras assim: “Devolve o que é meu!”, achando-se mais fortes do que
o arcanjo Miguel, o qual, “quando contendia com o diabo, e disputava a
respeito do corpo de Moisés, não ousou pronunciar juízo de maldição
contra ele; mas disse: O Senhor te repreenda”. Sem dúvida, esta é uma
geração de cristãos muito poderosos!!!
Todo crente que recebe Jesus Cristo em sinceridade de fé e
arrependimento dos pecados, torna-se, automaticamente, ungido pelo
Espírito de Cristo. Paulo diz em Romanos 8:14-17, o que acontece ao
crente que nasce de novo pelo Espírito de Deus e uma das promessas
bíblicas para este é que ele é ungido pelo Espírito Santo. Na 1 João
2:20,27, dirigida aos crentes, o apóstolo do amor diz: “E vós tendes a
unção do Santo, e sabeis tudo... E a unção que vós recebestes dele,
fica em vós, e não tendes necessidade de que alguém vos ensine; mas,
como a sua unção vos ensina todas as coisas, e é verdadeira, e não é
mentira, como ela vos ensinou, assim nele permanecereis”.
Imaginem João dizendo aos crentes: “Vocês precisam ir até o Mar Morto
e apanhar uma porção de sua água salgada, para se ungirem e poderem
ficar cheios do Espírito Santo!”
Esses megalomaníacos pentecas vivem subtraindo e acrescentando coisas
à Palavra de Deus escrita, incorrendo na maldição que se encontra no
Apocalipse 22:18, usando a mesma filosofia rota, que um mórmon me
passou, um dia: “Essa advertência se refere apenas ao livro do
Apocalipse, não ao restante da Bíblia.

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Carta ao Meu Filho

Esta carta foi por mim escrita e dirigida ao meu filho Samuel, que anos atrás se envolveu emocionalmente com uma jovem descrente. Na época minha esposa e eu ficamos muito preocupados e iniciamos uma batalha pela salvação de sua alma. Graças ao Senhor ele considerou a Palavra de Deus, e, por Sua misericórdia, libertou o meu amado filho de cair na “linsonja da mulher estranha”. Hoje ele está casado com Helen, uma serva de Deus, com quem tem uma mimosa filhinha da aliança, Sara.


O propósito de publicar esta carta é advertir aos jovens que estão no mesmo envolvimento emocional, sendo seduzidos por Belial até que a “flecha lhe atravesse o coração; como a ave que se apressa para o laço, sem saber que isto poderá lhe custar a vida”. Meu desejo também é de encorajá-los a ouvirem a voz da Sabedoria ― o Senhor Jesus.


Meu querido filho Samuel, meu primogênito, consagrado ao Senhor. Sua mãe e eu o amamos muito e nutrimos grande esperança de vê-lo feliz e abençoado, principalmente sendo útil na causa do Mestre. Temos orado incessantemente por você, principalmente agora que você está passando por essa provação. Como seu pai e também como seu pastor, quero, com muito amor, mas também firmeza, lhe trazer, em nome do Senhor, uma exortação bíblica, que espero possa lhe ajudar a tomar a decisão certa neste caso.


Meu filho, Deus propôs, desde a eternidade, escolher um povo para si, resgatá-lo e separá-lo dos demais povos, para que fosse exclusivamente seu. Estabeleceu com ele uma aliança para se relacionar e lhe pôs um selo específico (uma marca) para distingui-lo e proibiu terminantemente o relacionamento mais íntimo de qualquer dos seus filhos com os demais pecadores. Desejo lhe mostrar na Escritura, desde o Éden, este propósito da parte do Senhor. Deus prometeu um salvador a Adão e a Eva, bem como a toda sua descendência (Gn. 3:15). Caim matou Abel, e não foi contado como pertencente à Aliança. Por isso a descendência chamada santa, ou dos filhos de Deus, começou no capitulo 5 com Sete: “Viveu Adão cento e trinta anos e gerou um filho à sua semelhança e conforme a sua imagem e chamou-lhe Sete” (Gn. 5:3). Caim não foi considerado e Abel já estava com Senhor.


No capitulo 6, encontramos a primeira ameaça, que trouxe desgraça e destruição: “Como se foram multiplicando os homens na terra, e lhes nasceram filhas, vendo os filhos de Deus, que as filhas dos homens eram formosas, tomaram para si, mulheres...” (Gn. 6:1-2). Essa contaminação provocou a ira de Deus que chegou a se arrepender de ter feito o homem e destruiu a maioria deles no dilúvio. O casamento misto, reduziu o número dos participantes da aliança a 8 pessoas! De Noé, Deus escolheu Sem e assim retomou a linhagem santa até o Abraão, quando, de um modo mais claro, revelou sua vontade de manter um povo distinto na terra, para o louvor de sua glória, chamando Abraão e estabelecendo uma aliança com ele. Quando Isaque, seu filho, alcançou a idade adulta, Abraão mandou seu servo buscar, junto aos seus parentes, linhagem de Sem, mulher para ser esposa do seu filho. Abraão foi tão enfático em insistir que só poderia ser uma jovem de sua parentela que fez o servo jurar solenemente colocando a mão debaixo de sua coxa (Gn. 24:1-9). Por quê? Porque Abraão conhecia os propósitos do Senhor e os terríveis prejuízos que viriam caso a linhagem santa fosse contaminada.


O mesmo sucedeu quando Jacó e Esaú estavam na idade de se casarem. Rebeca e certamente seu pai Isaque, estavam tristes e preocupados com a possibilidade de seus filhos contaminarem a aliança com o casamento misto, veja: (Gn. 27:46 e 28:1-9). Jacó obedeceu, mas Esaú não, e foi deixado de fora. Outra ameaça surge no cap.34, do mesmo livro, com o estupro de Diná. Foi proposta uma ”conversão” forjada, que seria de grave conseqüência para o povo todo, e Deus usou o ódio dos irmãos de Diná, para destruir aqueles homens de Siquém “circuncidados”.


Muitos anos se passaram até que Satanás voltasse a ameaçar a pureza da Aliança e o povo de Deus com o pecado do relacionamento misto. Agora o povo de Deus estava atravessando o deserto. Balaque, rei dos moabitas, temendo a Israel, contratou Balaão para maldiçoar o povo, mas Balaão embora no íntimo quisesse, não conseguiu. Foi então que, inspirado por Satanás, ensinou a Balaque uma fórmula maligna e infalível: o relacionamento misto (Nm 31:15-16). Isso resultou num grande juízo da parte de Deus contra o povo e morreram 24.000 pessoas vitimadas por uma terrível praga, que só cessou quando Finéias transpassou com sua lança um israelita que chorava agarrado à sua namorada estrangeira (Nm 24 — leia todo). Temos mais tarde o caso de Sansão. Deus se utilizou das loucuras de Sansão para livrar Israel, mas isto não o isenta da culpa de ter se casado e depois se relacionado com mulheres que não eram da aliança.


Quando quis se casar com uma filistéia, seus pais o recriminaram, (Juízes 14:1-3) porque sabiam que esta desobediência cheirava ruína e morte. Agora a Escritura expõem a triste experiência de Salomão, um jovem rei, que contou com o apoio de seu pai que o aconselhou (I Reis 2 :1-4) e o instruiu (Prov. 4). Tinha a melhor das intenções, pediu sabedoria e recebeu, mas arruinou-se por causa do pecado do casamento misto. O capitulo 11 de I Reis diz: “Ora, além da filha de Faraó, amou Salomão muitas mulheres estrangeiras: moabitas, amonitas, edomitas, sidônita e hetéias, mulheres das nações de que havia o Senhor dito a Israel: não caseis com elas, nem casem elas convosco, pois vos perverteriam o coração, para seguirdes os seus deuses. A estas se apegou Salomão pelo amor”.


Após o exílio, depois de grande sofrimento, em fim o povo retorna para sua terra, por mercê de Deus. Mas Esdras descobre que algo estava errado e a ameaça estava de novo rondando o povo, era o pecado do casamento misto. Sob a liderança de Esdras o sacerdote, o povo foi exortado fortemente e uma grande consternação e arrependimento tomou conta dos que haviam voltado a Sião por terem se envolvido em casamento misto. No capitulo 10 de Esdras, vemos a descrição desse fato e do drama que se instalou na difícil tarefa de ter que despedir as mulheres estrangeiras e seus filhos.

Neemias, servo do Senhor, na mesma ocasião, como governador, usando de sua autoridade, tratou com severidade os envolvidos. “Contendi com eles e os amaldiçoei e espanquei alguns deles e lhes arranquei os cabelos...” e os admoestou relembrando-lhes o que acontecera com Salomão, cujas mulheres estrangeiras o fizeram cair em pecado. (Ne. 13:21-27) No Novo Testamento, nada mudou a este respeito, a aliança é a mesma e os seus termos também. Em Cristo fomos chamados para debaixo da aliança, para dentro da comunidade de Israel (Ef 2:12-13). Somos agora o povo santo de Deus (I Pe. 2:9-10), seus filhos e, o mesmo que Ele requereu deles no Velho Testamento, requer agora de nós: “Não vos ponhais em jugo desigual com os incrédulo...que harmonia, entre Cristo e o Maligno? Ou que união do crente com o incrédulo?” (II Co. 6:14-18). Casamento, somente “no Senhor” (I Co. 7:39). Por isso, meu filho, não podemos sequer admitir um envolvimento, ainda que seja apenas sentimental, de um filho da aliança, com uma moça ímpia, filha de Belial. Lembre-se que para o Senhor Jesus, não é pecado somente aquilo que é externo, mas o que já existe no coração (Mt. 5: 27-28).

Meu filho, por quem tenho derramado lágrimas, intercedendo e suplicando todos os dias diante do trono da graça. Sei que esse sentimento é involuntário, e você não é responsável por ele, mas o ter facilitado para que ele surgisse, e visse a nutri-lo e protegido. Isso é pecado e entristecesse a Deus. É preciso ser mais duro contra o pecado, não acaricie aquilo que corre como câncer no seu coração e que no fim lhe leva à morte. Rogue a Deus e implore para que Ele extirpe do seu coração este sentimento.
Tome providências severas contra ele. Corte todos os meios para que ele seja nutrido. Faça exatamente o que diz o texto: “retirai-vos do meio deles, separai-vos, diz o Senhor” (II Co. 6:17,18). Eu sei que dói, mas o Senhor sofreu muito mais por você. Sei que você tem tentado resistir, mas... “Ora na vossa luta contra o pecado ainda não resististe até o sangue” (Hb 12:4). Estamos orando por você, sua mãe e eu, “na expectativa que Deus lhe conceda, não só o arrependimento... mas também o retorno à sensatez, livrando-o dos laços do diabo...” (II Tim. 2:26).

Deus o abençoe!


Por Pr. Josafá Vasconcelos


Ué... e igreja tradicional cresce no Brasil?


Eu não havia ainda reparado para um detalhe que me parece muito interessante no "Novo Mapa das Religiões" no Brasil, da Fundação Getúlio Vargas (FGV). A pesquisa foi publicada esta semana e trouxe grande repercussão em vários setores da mídia.

Há muitos pontos de interesse na pesquisa, que podem ser objeto de comentário e reflexão em outra ocasião. No momento, quero me referir somente a este, que é a constatação de que entre 2003 e 2009 o crescimento percentual dos evangélicos tradicionais (presbiterianos, batistas, luteranos, etc.) foi maior do que o crescimento percentual dos pentecostais (Assembléia de Deus, Universal do Reino de Deus, etc.). De acordo com o Estadão,


"A pesquisa também apontou estagnação da proporção de evangélicos pentecostais (de igrejas como Assembleia de Deus e Universal do Reino de Deus), que teve grande crescimento nos anos 1990, e aumento do evangélicos tradicionais (batistas, presbiterianos, luteranos, etc)."


A notícia comenta ainda:


"Neri [o pesquisador responsável] associa os avanços econômicos na última década ao aumento de 38,5% dos evangélicos tradicionais (de 5,39% a 7,47%), enquanto os pentecostais tiveram crescimento ínfimo, de 12,49% em 2003 a 12,76% em 2009".


Entendo que há um erro conceitual da pesquisa, que é colocar a Universal do Reino de Deus como sendo pentecostal, ao lado da Assembléia de Deus. Isso pode ter puxado o resultado para baixo, pois enquanto é sabido que a Universal de fato vem perdendo membros, pensava-se que a Assembléia continuava a crescer como sempre fez. A queda da Universal pode ter superado o crescimento da Assembléia e empurrado o percentual para menor. Reconheço também que o pesquisador identifica como a causa deste crescimento a melhoria econômica dos brasileiros. A lógica é esta, quanto maior o poder aquisitivo, maior a preferência pelas igrejas tradicionais. A conferir.

De qualquer forma, está registrada a retomada do crescimento do Cristianismo evangélico tradicional no Brasil, fato que já havíamos pressentido a partir da nossa observação informal do cenário brasileiro pelas redes sociais, encontros, grande mídia, eventos, etc.

Em termos absolutos, os pentecostais são muito maiores. Resta saber se os tradicionais serão capazes de fazer a diferença, agora que estão começando a crescer.



sexta-feira, 29 de abril de 2011

DEUS NÃO NOS LIVRE DE UM BRASIL EVANGÉLICO

Uma primeira constatação é que estamos ainda distantes de ser um “país evangélico”: quarenta milhões da população é formada por miseráveis; uma insegurança pública generalizada; uma educação pública de faz-de-conta; uma saúde pública caindo aos pedaços, assim como as nossas estradas, a corrupção endêmica no aparelho do Estado, o consumo da droga ascendente, prostituição, discriminação contra os negros e os indígenas, infanticídio no ventre, paradas de orgulho do pecado, uma das maiores desigualdades sociais do mundo. Uma grande distância do exemplo de vida e dos ensinamentos de Jesus de Nazaré, cujas narrativas e palavras somente conhecemos por um livro chamado de Bíblia, que o mesmo citava com frequência, e que foi organizado por uma entidade fundada pelo próprio: uma tal de Igreja. Uma grande distância da ética e da “vida abundante” apregoada pelas Boas Novas, o Evangelho.


Percebemos sinais do sagrado cristão em nossa História e em nossa Cultura, mas, no geral, ficando na superfície. Se os símbolos importassem tanto, o Rio de Janeiro, com aquela imensa estátua do Cristo Redentor, deveria ser uma antecâmara do Paraíso.


Como cidadão responsável, e como cristão, como eu gostaria que o meu País fosse marcado pela justiça, pela segurança, pela paz, fruto do impacto das Boas Novas, do Evangelho. Sinceramente, gostaria muito que tivéssemos um Brasil mais evangélico.


Fico feliz que Deus não tenha nos livrado da imigração dos protestantes alemães, suíços, japoneses, coreanos, e tantos outros. Fico feliz pelo seu trabalho e por sua fé.


Fico feliz por Deus não nos ter livrado do escocês Robert R. Kalley, médico, filantropo e pastor escocês, fugindo do cacete na Ilha da Madeira (Portugal), pioneiro da pregação do Evangelho entre nós, nos deixando as igrejas congregacionais. Ele nem era norte-americano, nem fundamentalista, pois esse movimento somente surgiria meio século depois. Eram norte-americanos, e também não-fundamentalistas os pioneiros das igrejas presbiteriana, batista, metodista e episcopal anglicana que vieram ao Brasil na segunda metade do século XIX.


Fico feliz por Deus não nos ter livrado desses teimosos colportores que varavam os nossos sertões sendo apedrejados, vendendo aquelas Bíblias “falsas”, cuja leitura, ao longo do tempo, foi tirando gente da cachaça e dos prostíbulos, reduzindo os seus riscos de câncer de pulmão, cuidando melhor de sua família, como trabalhadores e cidadãos exemplares.


Fico feliz por Deus não ter nos livrado desses colégios mistos, desses colégios técnicos (agrícolas, comerciais e industriais), trazidos por esses missionários estrangeiros, em cujo espaço confessei a Jesus Cristo como meu único Senhor e Salvador. E, é claro, tem muita gente agradecendo a Deus por não nos ter livrado do voleibol e do basquetebol introduzido pioneiramente nesses colégios... nem pelo fato do apoio à Abolição da Escravatura, à República ou ao Estado Laico.


Por essas e outras razões, é que vou comemorar (com uma avaliação crítica) com gratidão, dentro de seis anos, os 500 anos da Reforma Protestante do Século XVI, corrente da Cristandade da qual sou militante de carteirinha desde os meus dezenove anos.


Essa gratidão ao Deus que não nos livrou dos protestantes de imigração e dos protestantes de missão, inclui, sinceramente, os protestantes pentecostais, herdeiros daquela igreja original, dirigida por um negro caolho (afro-descendente portador de deficiência visual parcial, na linguagem do puritanismo de esquerda, conhecido por “politicamente correto”)..., mas que abalaria os alicerces religiosos do mundo. Eu mesmo sou um velho mestiço brasileiro e nordestino, e não me vejo como um ítalo-luso-afro-ameríndio de terceira idade...


Olhando para o termo “evangélico”, usado sistematicamente na Inglaterra, a partir de meados do século XIX, como uma confluência da Reforma e de alguns dos seus desdobramentos, como o Confessionalismo, o Puritanismo, o Pietismo, o Avivalismo e o Movimento Missionário, com paixão missionária pelo Evangelho que transforma, dou graças a Deus que Ele não nos tenha livrado da presença dos seus seguidores e propagadores. Até porque, por muito tempo, não tivemos presença fundamentalista (no sentido posterior) e nem do liberalismo, pois esses últimos são bons de congressos e revoluções de bar, mas não muito chegados a andar de mulas por sertões nunca antes trafegados...


Minha avó é quem dizia que “toda família grande vira mundiça”, se referindo ao fato de que quando qualquer instituição, grupo ou movimento social cresce, é inevitável que ao lado do crescimento do trigo haja um aumento significativo do joio. Nesse sentido, o protestantismo e o evangelicalismo brasileiro são normais (com desvios e esquisitices), mas, garanto que temos muitíssimo mais trigo (às vezes armazenados nos celeiros, quando deveriam estar sendo usados nas padarias). No meu tempo só tinha crente militante e desviado; depois apareceram os descendentes, os nominais, os de IBGE, os bissextos e os ocasionais.


No sentido histórico dou graças a Deus pelo localizado movimento fundamentalista nos Estados Unidos, em reação ao racionalismo liberal, pois também afirmo a autoridade das Sagradas Escrituras, o nascimento virginal, a cruz expiatória, o túmulo vazio e a volta do Senhor. Depois o termo foi distorcido por um movimento sectário, antiintelectual, racista, e hoje é aplicado até ao Talibã, em injustiça à proposta original


Quanto ao Tio Sam, nem todo republicano é evangélico, nem todo evangélico é republicano, embora, de época para época, haja deslocamentos religiosos-políticos naquele país. Eu mesmo não tenho muita simpatia (inclusive aqui) pelo Partido do Chá (Tea Party), pois tenho longa militância no Partido do Café e no Partido do Caldo de Cana com Pão Doce.


A Queda do Muro de Berlim assinalou o ocaso da modernidade e o início de uma ainda confusa pós-modernidade, com a mundialização da cultura anglo-saxã, no que tem de bom e no que tem de mau, mas, como nos ensina Phillip Jenkins, a Cristandade está se deslocando do hemisfério Norte para o hemisfério Sul, e, inevitavelmente, revelamos nossas imaturidades, que devem e podem ser superadas.


Agora, todo teólogo, historiador ou sociólogo da religião sérios, perceberá a inadequação do termo “protestante” ou “evangélico” (por absoluta falta de identificação caracterizadora) com o impropriamente chamado “neo-pentecostalismo”, na verdade seitas para-protestantes pseudo-pentecostais (universais, internacionais, mundiais, galáxicas ou cósmicas), e que é algo perverso e desonesto interpretar e generalizar o protestantismo, e, mais ainda, o evangelicalismo brasileiro, a partir das mesmas.


O avanço do Islã e a repressão aos cristãos onde eles dominam é um “óbvio ululante”, a defesa da vida em relação ao aborto, à eutanásia, aos casais que não querem ter filhos, ao homossexualismo, o atentado ao meio ambiente (“cultura da morte”) é coerente com o princípio da Missão Integral da Igreja na “defesa da vida e da integridade da criação”.


A identidade evangélica se faz por um rico conteúdo e não por antagonismo ou relação reativa a conjunturas.


Sabemos que o mundo jaz do maligno, que o evangelho será pregado a todo ele, mas não que todos venham a se converter, e que descendentes de cristãos nem sempre continuam nessa fé. Assim, o Brasil nunca será um País totalmente cristão, protestante ou evangélico, mas creio que será bem melhor com uma Igreja madura que, sem fugas alienantes, adesismos antiéticos ou tentações teocráticas, possa “salgar” e “iluminar” com os valores do Reino.


Para isso necessitamos (na lícita diversidade protestante quanto a aspectos secundários e periféricos) de líderes sólidos e firmes, vestindo a camisa do nosso time com entusiasmo e garra para o jogo, sem se perderem em elucubrações estéreis, de quem já perdeu a fé na Palavra, não acredita mais na Queda, nem na Redenção, nem na singularidade de Cristo, deixando uma geração órfã de heróis.


Assim, espero que Deus não nos livre dessa presença cultural transformadora; que Deus não nos livre de ser, cada vez mais, um País evangélico.


A Ele, Onipotente, Onisciente e Onipresente, Senhor do Universo e da História, com os anjos e arcanjos, coma Igreja Triunfante e a Igreja Militante, intercedendo por todos que atravessam crises espirituais, seja toda a honra e toda a glória!



Robinson Cavalcanti.

CORONEL JOÃO DOURADO (1854-1927)

Alderi Souza de Matos João da Silva Dourado nasceu em Caetité, sul da Bahia, no dia 7 de janeiro de 1854. Era filho de João José da Silva Do...