Romanos 1.24-32 = Uma Resposta Bíblica à Homossexualidade



Introdução:
Quero assistir com os irmãos esse vídeo veiculado na Internet: “Homofobia nas Igrejas e Suicídio”. Ele tem duração de 9m44s. O tempo normal de uma introdução de sermão.
O vídeo conta a história de uma mulher cristã que tendo tido uma experiência triste frente à homossexualidade de uma das filhas, que suicidou e a culpou por isso, resolveu rever a interpretação dos textos bíblicos que tratam da homossexualidade. Convertendo-se a uma hermenêutica liberal das escrituras passou a defender as práticas homossexuais como aceitáveis.
Notem alguns detalhes do video.
1º) A família perdeu a sua estrutura num divórcio, mas isso nunca parece ser importante não é mesmo?
2º) Há uma nova pesquisa bíblica empreendida com uma nova perspectiva hermenêutica: cultural, existencialista, pessoal e intimista.
3º) A culpa nunca é minha, mas dos outros. A filha condenou a mãe e a mãe condenou a igreja e o Deus que ela prega. Precisamos de um novo Deus, mais aceitável ao que desejamos viver. O pecado segue sempre o mesmo caminho da queda de Adão e Eva no Éden: Adão condenou Eva, que condenou a serpente, e agora todos condenam Deus por condenar o pecado.





Contexto:
Parece-me que é disso mesmo que Paulo trata em Romanos 1.
Os versos 16 e 17 são maravilhosos porque nos falam do poder de Deus para salvar todo aquele que crê. Mas salvar do que?
Na visão de Paulo: Salvar da impiedade e perversão que os não religiosos vivem (Rm 1) e do moralismo legalista que os religiosos que buscam a salvação por suas obras vivem (Rm 2). Tanto o primeiro grupo quanto o segundo são indesculpáveis na presença de Deus (Rm 1.20; 2.1).
Desde o v. 18 até o v. 28, Paulo vem traçando uma linha divisória bem nítida entre a auto-revelação de Deus e a impiedade e perversão dos homens, que rejeitaram a luz pelo amor às trevas.

A exposição de Paulo seguiu dois pontos até aqui:
1. A auto-revelação de Deus e a revelação da Sua ira tornam o homem indesculpável perante Deus v. 18-20:
2. A impiedade e perversão dos homens agem em oposição a Deus v. 18-28. (O que foi enfatizado hoje de manhã na exposição do Rev. Milton Jr.).

Proposição: 
Paulo conclui o capítulo 1 de Romanos mostrando que a aplicação da justiça retributiva de Deus define a sua punição contra a humanidade ímpia e perversa:

I. O QUE É JUSTIÇA RETRIBUTIVA?

A aplicação da justiça divina tem a ver com a preservação da santidade de Deus por meio de Sua retidão. Sendo reto, Deus se coloca contra toda tentativa dos homens de violar a sua santidade quando violam as suas leis reveladas nas escrituras.
Louis Berkhof nos apresenta 3 aspectos diferentes da justiça divina quanto à preservação de sua santidade e retidão morais:
1. Justiça Regencial: Deus manifesta a sua retidão como rei soberano e impõe uma Lei justa aos homens com promessas de benção para os obedientes e ameaças de castigo para os desobedientes (Sl 99.4; Is 33.22; Rm 1.32).

2. Justiça Remunerativa: Manifesta-se na distribuição de recompensas aos homens e aos anjos bons (Sl 58.11). Expressa o amor divino, tendo na promessa de Deus a sua realização mais do que nos méritos humanos a sua base (Lc 17.10; I Co 4.7).

3. Justiça Distributiva: Relaciona-se com a aplicação de penalidades como expressão da ira divina. Embora a Bíblia acentue a recompensa dos retos, não deixa passar em branco a veracidade da ira justa de Deus contra os iníquos (Rm 1.32; 2.9; 12.19; II Ts 1.8).

II. A MAIOR MANIFESTAÇÃO DO CASTIGO DE DEUS É O ABANDONO DO HOMEM A SI MESMO.

A retribuição dada pela justiça de Deus é-nos apresentada por Paulo em três frases chave regidas pelo verbo “entregar” (v.24,26,28). A maior manifestação do castigo de Deus é o abandono do homem; Deus o entrega a si mesmo. O homem recebe por castigo aquilo que sempre quis pelo desejo incontrolável de sua alma e de sua carne. O abandono de Deus é punitivo, não apenas permissivo, mas também não irreversível, pois a graça é-lhes oferecida na pregação do evangelho que chama continuamente a sociedade ao arrependimento. A punição divina é a conseqüência lógica de sua ignorância culposa e de sua pecaminosidade voluntária.

a) Deus os entregou à imundícia v.24:
O texto é iniciado com expressão “por isso”. Logo, Paulo está concluindo que a imundícia (palavra que tem conotação sexual), é fruto da idolatria. A história da humanidade nos mostra claramente que a idolatria sempre termina em imoralidade. Um falso conceito de Deus sempre tem conduzido aos homens a uma má definição de sexualidade. A grande maioria dos cultos pagãos antigos representavam seus deuses com figuras de fertilidade (Baal, Diana dos Efésios, Afrodite etc).

 Pelas concupiscências do seu próprio coração.
Os desejos desenfreados do nosso coração nos conduzirão à imundícia e à desonra do nosso próprio corpo. O instrumento são os desejos do coração. O alvo ou conseqüência final é a desonra do corpo.

 Para desonrarem o seu próprio corpo entre si.
“Desonra” está no infinitivo, o que denota um estado permanente, o completo afastamento da presença de Deus. As pessoas desonrarão o próprio corpo continuamente como costume e hábito ético.

b) Deus os entregou a paixões infames v.26,27:
 As mulheres mudaram o modo natural de suas relações intimas.
 Outro contrário à natureza.
Paulo se refere explicitamente ao casamento heterosexual monogâmico.

 Os homens deixando o contato natural com a mulher.
 Inflamaram-se mutuamente.
 Em sua sensualidade.
 Cometendo torpeza.
A concretização de um desejo sensual passa a ser um único alvo da vida. Tiago diz que nosso fracasso diante do cumprimento vontade de Deus provém dos desejos que militam fazendo guerra em nossa carne (Tg 4.1-4).

Os v. 26 e 27 são cruciais para o nosso entendimento do debate sobre a homossexualidade. Em nenhum momento Paulo defende a homossexualidade. A posição bíblica clara, à qual Paulo segue, é que Deus criou o homem e a mulher e que qualquer relacionamento sexual que lhe é aceitável está na monogamia heterossexual.

A Bíblia é hoje o maior obstáculo à normalização da homossexualidade como um comportamento não só aceitável como também desejável na sociedade.
Existem pelo menos três argumentos usados pelos homossexuais para apoiarem suas pretensões:
1. A passagem é irrelevante para a discussão. Para eles Paulo está simplesmente falando de como é a manifestação da ira de Deus; contudo é clara a intenção de Paulo em mostrar que essa ira tem alvo definido e que os pecados mencionados são esses alvos, dentre os quais estão a homossexualidade.

2. O alvo de Paulo era criticar a pederastia, não o homossexualismo. Isso simplesmente não é afirmado no texto, o que quer dizer que Paulo é bem mais geral na sua definição de pecados sexuais que os homossexuais estão dispostos a admitir e aceitar.

3. Uma exegese diferente do que seja o uso da palavra “natureza” no texto. Dizem não poder aceitar que suas relações sejam “contrárias à natureza”, uma vez que para eles são bastante naturais. Para eles, Paulo não tinha qualquer entendimento de nossa idéia moderna de orientação sexual. Pecado contra a natureza, na visão homossexual, é violar a própria orientação sexual. Contudo, não podemos interpretar o texto incluindo fatores que neles não aparecem. “Natureza” não “minha natureza”, antes diz respeito à ordem criada por Deus. Agir contrários à natureza é rejeitar a forma como Deus criou e preordenou as coisas e os relacionamentos na sua criação.

Essa mesma atitude de reinterpretar as escrituras é aplicada a todos os textos que condenam a homossexualidade:
 Gênesis 19 não condena a sodomia, mas a inospitalidade.
 Levítico condena atos homossexuais que são praticados por pessoas heterossexuais.

As acusações de que Paulo desconhece o que seja orientação sexual é completamente equivocada, pois no texto ele lida tanto com a orientação e atividade sexual quanto com as paixões que levam a essa atividade.
Paulo usa duas expressões no texto que demonstram o caráter pecaminoso da homossexualidade tanto feminina quanto masculina. São elas: “contrário à natureza” e “torpeza”. Para Paulo tornar-se homossexual é deixar no sentido de esquecer, abandonar definitivamente) o “contato natural” criado por Deus para a humanidade. Torpeza é “obscenidade, sem vergonhice” perder o senso do que seja vergonhoso, não ter pudor.

c) Deus os entregou a uma disposição mental reprovável v.28:
Paulo afirma novamente que Deus os entregou. Dessa vez a uma atitude
mental que é a geradora de todos os pecados que afastam os homens de Deus.

 Para praticarem coisas inconvenientes (kaqhkonta).
A mente depravada conduz não somente à imoralidade como vimos acima, mas também a fazer aquilo que não se deve. “Coisas convenientes” era um termo estóico que dizia respeito ao dever.
A ira de Deus se revela verdadeiramente contra a homossexualidade, mas não é somente contra ela que se revela; é contra toda impiedade e perversão dos homens (v.18). A seguir Paulo alista 21 pecados que caracterizam aqueles que abandonaram a Deus por acharem que não valia a pena servi-lo. Paulo apresenta essa longa lista (as palavras entre colchetes são transliterações do texto grego original):

a) Cheios (peplhromenouj) de toda...
 Injustiça (adikia) = a violação dos direitos dos homens, quando cada um deixa de receber o que lhe é devido .
 Malícia (ponhria). Calvino afirma que a malícia “é a depravação e perversão da mente que se empenha por prejudicar o nosso próximo”.
 Avareza (pleonecia) = o desejo insaciável de ter sempre mais, mesmo às custas de prejudicar os outros.
 e maldade (kakia).

b) Possuídos (mestouj) de... 
 Inveja (fqonou).
 Homicídio (fonou) = Assassinato.
 Contenda (eridoj) = Discussões. Calvino fala de rivalidade, de onde se deduz atitudes de competição.
 Dolo (dolou) = engano, traição, falsidade.
 e malignidade (kakohteiaj).

c) Sendo... (não tem essa expressão no texto original):
 Difamadores (yiquristaj) murmuradores, que reclama dos outros aos quatro ventos.
 Caluniadores (katalalouj) = Que falam mal dos outros, fofoqueiros.
A diferença entre os difamadores e os caluniadores, segundo Calvino,
é que os difamadores destroem as amizades semeando a discórdia entre os amigos, falando mal dos inocentes; enquanto que os caluniadores falam mal de todo mundo independente de serem culpados ou inocentes.
 Aborrecidos de Deus (qeostugeij) = aqueles que odeiam a Deus. São aqueles que percebem que a justiça de Deus não aprova as suas atitudes e obras .
 Insolentes (ubristaj) crueldade, os que têm prazer em ver e fazer os outros sofrerem..
 Soberbos (uperrhfavouj) orgulhosos. São os que se colocam em pedestais e não aceitam que outros ganham a atenção que acham dever pertencer somente a eles.
 Presunçosos (alazonaj) = Os que vivem de fazer promessas falsas para não cumprir ou que vivem de sua auto-confiança.
 Inventores de males (efeuretasj kakwn). Os que destroem os vínculos de sociedade com o seu mal procedimento .
 Desobedientes aos pais (goveusin apeiqeij).
 Insensatos (asunetouj).
 Pérfidos (asunqetouj) quebradores de pactos.
 Sem afeição natural (astorgouj) = Aqueles que agem contrariamente ao natural. Ex. A mãe que abandona o filho; o pai que abandona a família, o filho que abandona os pais na velhice; o governante que não cuida das necessidades do povo .
 E sem misericórdia (avelehmonaj) = Pessoas implacáveis, que não sabem e não gostam de perdoar, mas que sempre carregam mágoas e reclamações dos outros.

Conclusão v.32:
O desprezo pela sentença da justiça divina: Eles não só fazem como aprovam os que fazem, como, por exemplo, legalizando suas práticas pecaminosas.

V. 27: Eles receberão em si mesmos a merecida punição do seu erro.
V.25: O Deus criador é bendito eternamente, amém!

Aplicações:
Diante dessa agenda homossexual que se fortalece, o que o cristianismo deve fazer?

Primeiro: Agir em todas as frentes. Não podemos simplesmente aceitar que uma redefinição de termos resolva os profundos problemas da natureza humana. Isso é engano e o engano nunca nos levará àquilo que é bom. Uma coisa não deixa de ser o que é só porque mudamos o seu nome. O leão não ficará manso só porque foi rebatizado com o nome de “gatinho”.

Segundo: Dar testemunho da verdade dizendo as coisas certas e fazendo as coisas certas. Nossos casamentos e famílias devem existir para mostrar a suprema beleza do propósito eterno de Deus. Se a insanidade, a irracionalidade e a anarquia governam o mundo, elas não nos governarão (I Jo 2.15-17).

Terceiro: Ser igrejas com casamentos fiéis e famílias saudáveis, por meio da aceitação e vivência dos valores cristãos em sua inteireza e ensiná-los positivamente aos nossos filhos. Lembremo-nos, por exemplo, que o divórcio é algo que Deus “odeia” (Ml 2.14,16). A nossa incoerência é nossa maior inimiga, não a agenda homossexual.

Quarto: Resgatar os que perecem e amar os inimigos e orar por eles (Mt 5.43-48). Quando eles caírem doentes e entrarem em desespero deverão ser as nossas mãos estendidas que os levantarão para a esperança, para o perdão e para uma nova vida. Devemos resgatar os que perecem e amar aos ímpios porque nós mesmos éramos assim (Rm 5.5-10).

Pr. Hélio de Oliveira Silva.

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