quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Naqueles Tempos...




Houve um tempo em que a igreja caminhava de joelhos. Um tempo em que os nossos corações ansiavam por estar em comunhão com Deus, tínhamos uma necessidade imperiosa de estar em íntima e perfeita comunhão com o Senhor Nosso Deus através da oração e do estudo diligente de sua preciosa e bendita palavra.
Um desejo ardia em nosso intimo, um desejo que nos levava humilhados e rendidos aos pés da cruz de Cristo em busca do Desejado de nossas almas, um tempo onde buscávamos a Deus sem reservas, apenas pela certeza e pelo prazer de sabermos que estávamos no melhor do universo, a saber, a presença gloriosa e bendita do Senhor do Universo. Um tempo onde a igreja era guiada pelo Espírito Santo e se submetia à boa, agradável e perfeita vontade de Deus. Tempo esse em que havia um compromisso com o reino de Deus, onde os cristãos eram apenas o que a Bíblia nos exorta a sermos nada mais e nada menos que “sal da terra” e “luz do mundo”. Onde a igreja denunciava pecados e edificava os santos. A igreja pregava à genuína e poderosa mensagem do evangelho da graça de Cristo. A mensagem do evangelho pela operosa ação do Espírito Santo inundava mentes e corações e convencia as pessoas de seu estado terrível de pecaminosidade e as levava ao arrependimento e à salvação na pessoa gloriosa de Jesus Cristo.
Ao ler os livros acerca da história e encontrar neles os relatos sobre os puritanos e os morávios fico a pensar e me pergunto: “será que realmente servimos ao mesmo Senhor que esses dois incríveis povos serviam?” Pois existe uma distância assombrosa entre a dedicação deles e a nossa. Eles se entregavam de corpo, alma e coração sem reservas, mas nós só nos entregamos se pudermos ser recompensados por essa dedicação, é como se o evangelho para nós fosse ditado pelo “quem quer rir, tem que fazer rir”. O povo hoje ao que parece só busca a Deus para obter favores e respostas às suas orações ridículas, egoístas e porque não dizer extravagantes a ponto de extrapolarem o bom senso.
Houve um tempo que servir a Deus apenas porque é o que a Bíblia ensina e sempre ensinará era motivo mais do que suficiente para que a igreja se dobrasse humildemente à soberana vontade Dele, e dessa forma servi-lo com toda simplicidade e submissão.
Os puritanos viviam dessa forma, e por servirem a Deus de maneira tão profunda eles foram taxados de maneira pejorativa de radicais, pois a sociedade os via como alienados, mas a pergunta é: “Não era a sociedade a verdadeira alienada da história?”. Hoje, por mais estranho que pareça os alienados são os que se professam cristãos, pois não têm maturidade suficiente para se posicionarem como verdadeiro sal da terra e luz do mundo. Antes estão cada vez mais parecidos com o mundo com o qual não deveria se conformar, mas preferem andar com o mundo a caminhar com Deus.
Creio que a exclamação do filosofo grego Cícero se adéqua perfeitamente à nossa realidade: “O tempora! O mores!” que traduzido significa: “Ó tempos! Ó costumes!” Cícero pronunciou tal sentença ante a depravação dos seus contemporâneos. Em nossos dias a situação que vivenciamos não é muito diferente da vivenciada pelo filosofo grego.
 No seio da igreja cristã existe um descompromisso exacerbado e vil que enlameia o evangelho da graça de Cristo e isso é assistido pela igreja que em sua inércia nada faz para reverter tal medonho quadro, pois ela está corrompida e iludida pelo padrão deste século que está cega para este câncer que corrói as entranhas da fé cristã. Confesso que tenho saudades da igreja que caminhava de joelhos, que entoava hinos de louvores ao Trino Deus numa simples, porém sincera adoração. Ainda há tempo igreja! Voltemos-nos para o Desejado de nossas almas enquanto quando podemos achá-lo, vamos invocá-lo enquanto Ele está perto.
 Encerro esse artigo com as palavras do saudoso reverendo James Montgomery Boice: “Eu gostaria de ver o inicio de uma nova reforma em nossos dias, e espero que você também deseje e ore por isso. Espero que você tenha se tornado enjoado com a espalhafatosa diversão que passa por verdadeiro culto a Deus em muitas de nossas de nossas igrejas e, como os santos do passado, esteja ansiando por mais profundas verdades da inerrante palavra de Deus. Nós certamente precisamos de uma reforma.”
Enfim, houve um tempo em que a igreja ensinava e vivia ardentemente os cinco princípios da Reforma Protestante do século XVI, a saber, Sola Scriptura, Sola Gratia, Sola Fide, Solus Christus e o Soli Deo Gloria. Que Deus restaure a sua Noiva, pois do jeito que as coisas estão sem uma profunda reforma, sem um verdadeiro avivamento as coisas só tendem a piorar e os tempos que rememorei neste não serão nada mais do que uma simples lembrança daquilo que era e deveria ser a verdadeira igreja do Senhor, ou seja, sal da terra e luz do mundo.

Que Deus nos conceda de transformarmos a saudade desses tempos idos em realidade hoje.

Que Deus nos abençoe e tenha misericórdia de nós!!!

Soli Deo Gloria!!!

Joel da Silva Pereir

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