sexta-feira, 13 de julho de 2018

UM MÁRTIR DA REFORMA CONFORTA SUA ESPOSA.

Algum tempo atrás, a revista Time publicou uma matéria de capa intitulada “Deus Quer que Você Seja Rico?”. Nessa matéria, os autores descrevem como pessoas como Joel Osteen e Joyce Meyer estão empurrando um novo evangelho. Eles ensinam que as boas novas são que Jesus Cristo veio para nos tornar prósperos, saudáveis e materialmente abençoados. Seus livros são muitos populares em círculos cristãos mais amplos e, às vezes, os encontramos até em nossos lares. Eles são populares, mas estão completamente errados. O evangelho não é saúde, prosperidade e riqueza. Em Atos 14:22, Paulo e Barnabé encorajam os crentes em Listra, Icônio e Antioquia ensinando-lhes que “através de muitas tribulações, nos importa entrar no reino de Deus”. Eles aprenderam isso do próprio Senhor Jesus quando ele lhes ensinou que aquele que o seguir deve tomar sua cruz.
Essas verdades bíblicas foram restauradas pela Reforma. No dia 31 de outubro, nós lembramos que, em 1517, Martinho Lutero pregou suas 95 teses na porta de uma igreja em Wittenberg, Alemanha. Dois anos depois, em 1519, Lutero viajou à terra-natal do nosso Catecismo de Heidelberg. Em Heidelberg, Lutero e um de seus colegas, Leonard Beier, defenderam outra série de teses. Com a Disputa de Heidelberg, Lutero expôs a diferença entre uma teologia da glória e uma teologia da cruz. A Igreja Católica Romana ensinava uma teologia da glória. Por meio das boas obras e uma pequena ajuda, o homem poderia galgar seu caminho até Deus e receber a bênção de Deus. A Bíblia, por outro lado, ensina uma teologia da cruz. Por meio da graça, Deus desce até o homem em Jesus Cristo crucificado. A sabedoria de Deus está na cruz e no sofrimento, não na glória nesta terra.
Hoje, precisamos redescobrir um senso desta teologia da cruz. Nós vivemos em um mundo confortável. Não sofremos de qualquer maneira realmente significativa. Grande é a tentação de voltar-se para uma teologia da glória como aquela pregada por Joel Osteen e Joyce Meyer. A maneira de resistir a essa tentação é novamente voltar-se para o que confessamos a partir das Escrituras. Precisamos, em especial, voltar-nos para a Confissão Belga. A Confissão Belga é inteiramente singular – é a única confissão da Reforma escrita por um mártir. Ao examinar a Confissão, você percebe que ela vem de um mundo em que os crentes regularmente morriam por sua fé. Essa é nossa confissão e, porque confessamos uma igreja católica, uma que se estende não apenas por todo o mundo, mas também pelas eras, estamos inseridos na comunhão do corpo sofredor de Cristo no passado e no presente. Para nos ajudar a desenvolver esse sentimento, permita-me compartilhar uma carta escrita há muitos anos. Ela foi escrita pelo autor da nossa Confissão Belga, Guido de Brès. Ela foi escrita em abril de 1567. Ele estava na prisão e sabia que iria morrer pelo que tinha confessado.
Carta de Conforto de Guido de Brès a Sua Esposa
A graça e misericórdia do nosso bom Deus e Pai celestial, e o amor de Seu Filho, nosso Salvador Jesus Cristo, esteja contigo, minha caríssima amada.
Catherine Ramon, minha querida e amada esposa e irmã em nosso Senhor Jesus Cristo: tua angústia e tristeza perturba um tanto a minha alegria e a felicidade do meu coração. Por isso, escrevo isto para consolo de nós dois e, em especial, para teu consolo, visto que sempre me amaste com ardente afeição e porque apraz ao Senhor separar-nos um do outro. Eu sinto mais intensamente o teu sofrimento por essa separação que o meu. Eu te imploro para que não te perturbes demais com isso, por temor de ofender a Deus. Quando casaste comigo, sabias que estavas desposando um marido mortal, com a vida incerta, e, ainda assim, agradou a Deus permitir-nos viver juntos por sete anos, dando-nos cinco filhos. Tivesse o Senhor desejado que vivêssemos juntos por mais tempo , ele teria providenciado os meios. Porém, não lhe agradou fazer isso e que sua vontade seja feita.
Agora, lembra-te de que eu não caí nas mãos dos meus inimigos por mero acaso, mas por meio da providência do meu Deus, que controla e governa todas as coisas, a menor assim como a maior. Isso é demonstrado nas palavras de Cristo: “Não temais. Até os cabelos da vossa cabeça estão todos contados. Não se vendem cinco pardais por dois asses? E nenhum deles cairá em terra sem o consentimento de vosso Pai. Não temais, pois! Bem mais valeis vós do que muitos pardais”. Essas palavras da divina sabedoria dizem que Deus conhece o número dos meus fios de cabelo. Como, pois, o mal pode vir a mim sem a ordem e a providência de Deus? Não seria possível, a não ser que se possa dizer que Deus já não é Deus. É por isso que o Profeta diz que não há aflição na cidade que o Senhor não tenha desejado.
Muitos homens santos que vieram antes de nós consolaram-se em suas aflições e tribulações com essa doutrina. José, que fora vendido por seus irmãos e levado ao Egito, diz: “Vocês cometeram um mal, mas Deus o tornou em seu bem. Deus enviou-me ao Egito antes de vocês para seu ganho”(Gênesis 50). Davi também experimentou isso quando Simei o amaldiçoou. E semelhantemente no caso de Jó e muitos outros. E é por isso que os evangelistas escrevem tão cuidadosamente sobre os sofrimentos e a morte do nosso Senhor Jesus Cristo, acrescentando: “Isso aconteceu para que se cumprisse aquilo que foi escrito dEle”. O mesmo deve ser dito sobre todos os membros de Cristo.
É bastante verdadeiro que a razão humana rebela-se contra essa doutrina e a enfrenta o quanto for possível, e eu mesmo tenho uma experiência bastante forte com isso. Quando fui preso, dizia a mim mesmo: “Tantos de nós não deveriam ter viajado juntos. Nós fomos traídos por esse ou por aquele. Não deveríamos ter sido presos”. Com tais pensamentos, tornei-me sobrecarregado, até meu espírito ser reanimado por meio da meditação na providência de Deus. Então, meu coração passou a sentir grande paz. Comecei, então, a dizer: “Meu Deus, tu me fizeste nascer na época em que ordenaste. Durante toda a minha vida, guardaste-me e preservaste-me de grandes perigos, e livraste-me de todos eles – e, se no presente, é chegada a minha hora de passar desta vida para ti, que tua vontade seja feita. Não posso escapar das tuas mãos. E, se eu pudesse, não o faria, visto que é minha felicidade conformar-se à tua vontade”. Esses pensamentos tornaram meu coração novamente alegre.
E eu te suplico, minha querida e fiel companheira, que una-te a mim em gratidão a Deus pelo que ele tem feito. Porque ele não faz algo que não seja justo e mui equânime, e deves crer que é para meu bem e minha paz. Tens visto e sentido as lutas, aflições, perseguições e dores que suportei, e até experimentaste parte delas ao acompanhar-me em minhas viagens durante o período de meu exílio. Agora, meu Deus estendeu sua mão para receber-me em seu bendito reino. Eu o verei antes de ti e, quando agradar ao Senhor, tu me acompanharás. Essa separação não é para sempre. O Senhor também te receberá para unir-nos novamente em nosso cabeça, Jesus Cristo.
Este não é o lugar da nossa habitação – que está no céu. Este é apenas o local da nossa jornada. É por isso que ansiamos por nosso verdadeira pátria, que é o céu. Nós desejamos ser recebidos na casa do nosso Pai Celestial, ver nosso Irmão, Cabeça e Salvador Jesus Cristo, ver a nobre companha dos patriarcas, profetas, apóstolo e muitos milhares de mártires, em cuja companhia espero ser recebido quando encerrar o percurso da obra que recebi do meu Senhor Jesus Cristo.
Eu te peço, minha caríssima amada, que te consoles com a meditação nessas coisas. Considera a honra que Deus te atribuiu, ao dar-te um marido que não somente foi um ministro do Filho de Deus, mas era tão estimado por Deus que ele o permitiu possuir a coroa dos mártires. É uma qualidade de honra que Deus jamais concedeu aos anjos.
Eu estou feliz; meu coração está leve e nada falta em minhas aflições. Estou tão cheio da abundância das riquezas do meu Deus que tenho o bastante para mim e todos aqueles com quem posso conversar. Assim, oro ao meu Deus que mantenha sua bondade comigo, seu prisioneiro. Aquele em quem confiei o fará, pois descobri por experiência que ele jamais abandonará aqueles que confiaram nele. Nunca imaginei que Deus pudesse ser tão gentil com uma criatura tão miserável quanto eu. Eu percebo a fidelidade do meu Senhor Jesus Cristo.
Agora, estou praticando o que preguei a outros. E devo confessar que, quando eu pregava, falava sobre as coisas que atualmente experimento como um cego fala das cores. Desde que fui preso, tenho me beneficiado mais e aprendido mais que durante todo o restante da minha vida. Eu estou em uma escola ótima: o Espírito Santo me inspira continuamente e me ensina como usar as armas neste combate. Do outro lado está Satanás, o adversário de todos os filhos de Deus. Ele é como um violento leão que ruge. Ele me rodeia constantemente e procura ferir-me. Todavia, aquele que disse “não temas porque eu venci o mundo” me faz vitorioso. E, desde já, vejo que o Senhor coloca Satanás sob meus pés e sinto o poder de Deus aperfeiçoado em minha fraqueza.
Nosso Senhor me permite, por um lado, sentir minha fraqueza e pequenez, que nada sou senão um pequeno vaso na terra, mui frágil, a fim de que ele me humilhe, para que toda a glória da vitória seja dada a ele. Por outro lado, ele me fortalece e me consola de um modo inacreditável. Eu tenho mais conforto que os inimigos do evangelho. Eu como, bebo e descanso melhor do que eles. Estou encarcerado em uma prisão muito forte, muito fria, obscura e sombria. A prisão é conhecida pelo obscuro nome de “Brunain”. O ar é terrível e ela fede. Em meus pés e mãos, tenho grilhões, grandes e pesados. Eles são um inferno contínuo, escavando meus membros até meus miseráveis ossos. O comandante vem examinar meus grilhões duas ou três vezes ao dia, temendo que eu escape. Há três guardas de quarenta homens em frente à porta da prisão.
Eu também recebo visitas do Monsieur de Hamaide. Diz ele que vem para ver-me, consolar-me e exortar-me à paciência. Entretanto, ele vem após o jantar, depois de ter vinho na cabeça e o estômago cheio. Você pode imaginar o que são essas consolações. Ele me ameaça e diz que se eu demonstrasse qualquer intenção de escapar, ele teria me acorrentado pelo pescoço, o tronco e as pernas, para que eu não pudesse mover um dedo; e ele diz muitas outras coisas nesse sentido. Mas, apesar de tudo, meu Deus não retirou suas promessas, consolando meu coração, concedendo-me muito contentamento.
Porque tais coisas aconteceram, minha querida irmã e fiel esposa, eu te imploro que, em tuas aflições, encontres conforto no Senhor e entregue teus problemas a ele. Ele é o marido das viúvas crentes e pai dos órfãos pobres. Ele jamais te abandonará – disso posso te assegurar. Conduza-te como uma mulher cristã, fiel no temor do Senhor, como sempre o fizeste, honrando por meio de uma vida e conversas excelentes a doutrina do Filho de Deus, que teu marido pregou.
Como sempre me amaste com grande afeição, peço que mantenhas esse amor com relação aos nossos filhinhos, instruindo-lhes no conhecimento do verdadeiro Deus e de seu Filho Jesus Cristo. Seja pai e mãe deles, e cuida para que eles usem com honestidade o pouco que Deus te deu. Se Deus te conceder o favor de permitir que, após minha morte, vivas na viuvez com nossos filhos, tudo ficará bem. Se não puderes, e os bens faltarem, então encontre algum homem bom, fiel e temente a Deus. E, quando eu puder, escreverei aos nossos amigos para que te protejam. Penso que eles não te deixarão em necessidade de qualquer coisa. Retorna à tua rotina habitual depois que o Senhor tiver me levado. Tens contigo nossa filha Sarah, que logo será crescida. Ela será tua companheira e te auxiliará em teus problemas. Ela te consolará nas tribulações e o Senhor sempre estará contigo. Saúda nossos bons amigos em meu nome, e peça que orem a Deus por mim, para que ele me dê força, articulação e a sabedoria e capacidade de preservar a verdade do Filho de Deus até o fim e o último fôlego da minha vida.
Adeus, Catherine, minha querida amada. Eu oro a meu Deus para que te conforte e conceda contentamento segundo sua boa vontade. Eu espero que Deus tenha me dado a graça de escrever para teu benefício, de tal forma que sejas consolada neste mundo miserável. Guarda minha carta como lembrança de mim. Está mal escrita, mas é o que posso, não o que desejo, fazer. Recomenda-me à minha boa mãe. Eu espero escrever algum consolo a ela, se agradar a Deus. Saúda também minha boa irmã. Que ela possa entregar sua aflição a Deus. A graça esteja contigo.
Da prisão, 12 de abril de 1567.
Teu fiel marido, Guido de Brès, ministro da Palavra de Deus em Valenciennes, e presentemente prisioneiro pelo Filho de Deus no local supracitado.
Ele foi enforcado em 31 de maio de 1567.
Reflexão final
Refletindo nesta carta, considere como seu irmão, Guido de Brès, tomava parte nos sofrimentos de Cristo. Através de muitas tribulações, ele estava entrando no reino de Deus. Ele deixou uma Confissão para nós, um sumário fiel do que a Escritura ensina. Você morreria por essa Confissão? Você sofreria por ela? Você abandonaria família e amigos pela doutrina do Antigo e do Novo Testamento sumarizada nesta Confissão? Permita-me deixar-lhe com as palavras do nosso Senhor Jesus em Mateus 10:37-39: “Quem ama seu pai ou sua mãe mais do que a mim não é digno de mim; quem ama seu filho ou sua filha mais do que a mim não é digno de mim; e quem não toma a sua cruz e vem após mim não é digno de mim. Quem acha a sua vida perdê-la-á; quem, todavia, perde a vida por minha causa achá-la-á”.
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Essa carta encontra-se traduzida em Procedures Held With Regard to Those of the Religion of the Netherlands(sem informação de publicação). Eu comparei e corrigi a tradução em alguns pontos com a referência ao original em francês que se encontra na Bibliotheca Reformatoria Neerlandica, Volume 8, pp.624-628.
Original aqui / Tradução: Josaías Junior.

O MARTÍRIO DE GUIDO DE BRÈS.


Introdução
A maioria de nós conhece bem o nome do autor da Confissão Belga, Guido (ou Guy) de Brès. É provável que nos lembramos da história da igreja ou das aulas de catecismo que de Brès foi martirizado devido a sua fé. Há pouco tempo, encontrei o depoimento de uma testemunha ocular desse martírio, que ocurreu em 31 de maio de 1567. De Brès foi enforcado por causa da sua fé, depois de ficar várias semanas na parte mais suja de uma prisão chamada Brunain em Valenciennes, que hoje faz parte da França. A cela dele era o lugar onde desembocava o esgoto da prisão. Lembrando disso, esta carta fala poderosamente da graça de Deus na vida desse santo e, por essa razão, vale a pena reparti-la com vocês. Aqui está la.
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A morte destes dois servos de Deus, ministros da Igreja Reformada de Valenciennes, ou seja, M. (Monsieur) Guy e M. de la Grange, e outros prisioneiros executados no mesmo dia pela mesma razão, foi fielmente relatada na carta que se segue:
Queridos irmãos,
Queremos informá-los do venturoso fim de nossos dois irmãos e ministros, a saber, Guy de Brès e Peregrin de la Grange, que, depois de ficarem aprisionados desde 11 de abril de 1567 até o último dia de maio do mesmo ano, foram finalmente condenados à morte e enforcados no mercado em frente a prefeitura.
Enquanto ficaram presos, regozijaram-se nos seus grilhões, não mudando essa disposição nem mesmo no final. Pois quando no último sábado de maio o oficial de polícia veio avisá-los lá pelas três da tarde que deviam preparar-se para morrerem mais ou menos às seis da tarde, esses servos do evangelho começaram a louvar a Deus. Eles agradeceram ao oficial de polícia as boas novas que lhes tinha trazido.
Logo depois disso levantaram-se, e M. Guy dirigiu-se ao pátio da frente para desejar um bom dia aos outros prisioneiros. Ele lhes deu testemunho da sua alegria ao dirigir-se a eles assim, “Meus irmãos, eu sou condenado à morte hoje por causa da doutrina da Filho de Deus, louvado seja o Seu nome. Eu nunca pensei que Deus fosse me dar uma honra dessas. Sinto a graça de Deus fluindo em mim cada vez mais. Ela me fortalece a cada momento, e meu coração pula de alegria dentro de mim.” Depois, exortando os prisioneiros a que tivessem coragem, declarou que a morte não era nada. Citou a passagem de Apocalipse, o brado, “Ó felizes são os que morrem no Senhor! Eles agora repousam das suas obras.” Ele orou pedindo que os prisioneiros ficassem firmes e constantes na doutrina do Filho de Deus que ele lhes tinha pregado, dizendo que essa era a pura verdade de Deus. “Como também,” disse ele, “afirmei diante do bispo de Arras, e muitos outros. Eu haverei de responder por ele diante da face do meu Deus. Tomem cuidado para não fazerem nada que vá contra sua consciência. Cuidado com isso, porque então os senhores terão um atormentador que se alimentará das suas consciências, que estarão num constante inferno. Ó, meus irmãos, como é bom manter uma consciência boa.”
Depois, os prisioneiros lhe perguntaram se ele tinha terminado um certo texto que ele tinha começado. Ele disse que não, e que não mais trabalharia, pois dentro em breve estaria descansado no céu. Ele disse, “Chegou a hora da minha partida. Eu vou colher no céu aquilo que semeei aqui na terra. Combati um bom combate. Corri a minha carreira, guardando a fé do meu comandante. A coroa da glória que o Senhor e Justo Juiz me dará está aguardando por mim. Parece (e isso ele disse com rosto risonho e radiante) que minha alma receberá asas para elevar-se até o céu onde ela participará da festa de casamento do meu Senhor, o Filho do meu Deus.”
E enquanto ele falava, o oficial da polícia chegou ao pátio. E saudou-o, erguendo a mão até o quepe. E outra vez Guy lhe agradeceu as boas novas que lhe tinha trazido. O oficial de polícia respondeu, “Sinto muito que isso esteja acontecendo.” Ao que Guy respondeu alegremente, “Tu és meu amigo, eu te amo com todo o meu coração.” Então, despedindo-se dos prisioneiros, foi levado de volta para a cela…
…Pouco tempo depois, esses dois servos de Deus foram levados até a prefeitura, para receberem a sentença de morte, ou seja, para serem enforcados, estrangulados por terem agido de modo contrário à ordem do Governador. Eles o fizeram ao celebrar a Ceia do Senhor contra a ordem dele, sem mencionar a doutrina que pregaram. Por não terem sustentado essa doutrina, eles foram condenados. Ambos foram vitoriosos sobre os seus inimigos mesmo em face da morte. Enquanto era levado para a execução, M. de la Grange anunciava em alta voz nos degraus do patíbulo que estava morrendo unicamente por ter defendido a verdade de Deus diante do povo. Foi dessa maneira que esse fiel servo passou desta vida para a vida eterna.
Um pouco depois, levaram M. Guy, que se prostrou para orar ao pé da escada. Eles não permitiram que ele o fizesse; levantaram-no e fizeram que subisse rapidamente os degraus. Chegando ao topo, ele os exortou a que tivessem respeito pelo magistrado, que estava fazendo aquilo que se requeria dele. Ele suplicou que perseverassem na doutrina que lhes tinha proclamado, declarando que nunca tinha pregado outra coisa que não fosse a verdade de Deus. Ele ainda não tinha terminado suas palavras quando o responsável fez sinal para que o oficial se apressasse. E foi o que fez. Mas tão logo a escada foi retirada, começou uma confusão tal no meio dos soldados armados que eles começaram a correr de um lado para outro, disparando as armas em quem quer que encontrassem, tanto papistas como outros, e até mesmo matando seus próprios companheiros.
Isso tudo aconteceu sem razão aparente. Os comandantes não conseguiram controlar seus próprios homens, de forma que tiveram dificuldade de coibir aqueles que começavam a saquear as lojas. A única coisa que podemos imaginar é que Deus enviou esse terror como sinal do Seu justo juízo. Os homens ficaram tão dominados pelo terror que ficaram totalmente subjugados.
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A carta prossegue relatando que os corpos ficaram pendurados no patíbulo por algum tempo, mas depois foram removidos e depositados em covas rasas. Contudo, as feras do campo conseguiram mutilá-los – nada novo, diz o autor da carta, se prestarmos atenção ao Salmo 74.
Algumas considerações sobre a carta
Assim terminou uma figura extraordinária da história das igrejas Reformadas. Consideremos rapidamente alguns elementos dessa narrativa. Em primeiro lugar, repare a grande alegria que enchia de Brès enquanto encarava a morte por causa da sua fé. De Brès e de la Grange foram consumidos pela visão daquilo que os aguardava. Uma parte da carta que eu não cite menciona que de la Grange até engraxou os sapatos, “explicando que estava indo à festa de casamento, e às bodas eternas do Cordeiro.” Esses homens estavam totalmente certos da justificação em glória. Como cristãos que vivem num tempo da relativa liberdade, pode ser que às vezes estejamos perdendo algo da ardente convicção deles.
Em segundo lugar, repare que de Brès, mesmo na horas antes da sua morte, preocupava-se profundamente com os outros. Ele se preocupava com seus companheiros de prisão. Esta carta e outras deixam claro que de Brès gastou muitas horas na prisão testemunhando aos seus vizinhos. Enquanto estava na prisão, ele pregou-lhes “a doutrina do Filho de Deus.” Além disso, repare o amor e a compaixão de Guy pelo oficial de polícia ou pelo carcereiro quando diz, “Tu és meu amigo, eu te amo de todo o meu coração.” Que testemunho poderoso da graça de Deus na vida desse homem! Será que faríamos o mesmo se enfrentássemos a cadeia e a morte por causa da nossa fé?
A última coisa que impressiona é a maneira como de Brès se dirige ao patíbulo. De modo particular, repare a maneira como ele exorta o povo a respeitar o governo. Apesar da perseguição que sofreu, o autor do artigo 36 da Confissão Belga perseverou nos seus princípios: “Além disso, cada um, independente da sua qualidade, condição ou classse é obrigado a submeter-se aos oficiais civis, pagar os impostos, respeitá-los e honrá-los, e obedecê-los em tudo aquilo que não contrarie a Palavra de Deus.”
Eu disse que vivemos num tempo de relativa liberdade. Contudo, isso poderia muito bem mudar e parece estar mudando diante dos nossos olhos. Apesar disso, nossos princípios estão baseados na Escritura e não devemos jamais transigir. Queira Deus que isso naõ aconteça, mas se acontecer de sermos caçados por causa da nossa fé, teremos de continuar respeitando aqueles que estão acima de nós. Nesse assunto, de Brès nos dá um poderoso exemplo para seguir.
Em nossos dias, o martírio e a perseguição ainda são fatos desagradáveis para muitos crentes em todo o mundo. Apesar do grande mal perpetrado, Deus ainda faz com que essas coisas terríveis cooperem para o bem do Seu povo. Podemos ler e ouvir a respeito de histórias atuais de mártires e ser grandemente encorajados em nosso andar com Deus. Mas ainda podemos olhar para trás, para 1560, um tempo terrível de derramamento de sangue, e ser igualmente encorajados pelo testemunho de nossos pais. Na verdade, louvado seja Deus por Seu fiel servo Guido de Brès e inúmeros outros como ele!

Este artigo foi gentilmente cedido por umdiscipulodecristo.wordpress.com.

terça-feira, 19 de junho de 2018

Igreja é incendiada pela 3ª vez.


Igreja é incendiada pela 3ª vez e pastor avisa que não irá parar de pregar
Ataques de extremistas hindus na Índia contra cristãos têm se intensificado



Igreja em Puducherry queimada. (Foto: World Watch Monitor)

Uma igreja em Puducherry, no sul da Índia, foi incendiada recentemente. Os fiéis sabem que foi um ataque criminoso, pois extremistas hindus vinham se opondo a realização de cultos cristãos na área.

O pastor David Santosham, que lidera a Igreja Presbiteriana da Bíblia, no distrito de Karaikal conta que acabara de voltar para casa após o fim de uma reunião de oração no final de maio quando seu telefone tocou.

“Era por volta das dez e meia da noite. Alguém me disse que a igreja estava em chamas. Corri imediatamente para lá, mas já era tarde”, lembra.
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A estrutura simples do telhado, com suportes de bambu e grandes folhas na cobertura, estava reduzida a cinzas. “Sentíamos um cheiro de produtos químicos, que suspeitamos ser a causa do incêndio”, lembra. Mesmo tendo procurado as autoridades e revelado o nome de alguns hindus que o haviam ameaçado, até agora ninguém foi preso.

Parte das paredes continuou de pé, mas toda a literatura cristã e os instrumentos musicais se perderam no incêndio. No último mês a igreja se reuniu ao ar livre, sob uma tenda improvisada. Porém, a estação de chuvas começou na região onde eles moram e o temor é que por alguns meses não possam mais se reunir ali.

“Nós deixamos o prédio queimado intocado, esperando que haja uma investigação, mas até agora nada foi feito”, lamenta Santosham. Mesmo assim, ele garante que não irá parar de pregar o evangelho. “Não temos como alugar um espaço, nossa única esperança é Deus”.
Igreja em Puducherry reunida debaixo de tenda. (Foto: World Watch Monitor)

Incêndios criminosos não são novidades para sua congregação fundada em 2008. Esta é a terceira vez que seu templo é queimado. Ataques similares ocorreram em 2012 e depois em 2016. Mesmo sendo uma comunidade pobre, eles sempre conseguiram reerguer o local de cultos.

“Em 30 de setembro [de 2012], cerca de 80 radicais do RSS [um grupo nacionalista hindu] foram para frente da igreja e impediam as pessoas de entrar”, lembra Evangeline Santosham, filha do pastor. Poucas horas depois, o templo estava em chamas.

Quatro anos depois, mais uma vez o pastor foi ameaçado pelos extremistas hindus e viu a igreja ser criminosamente incendiada.

Neemias Christie, Diretor do Sínodo das Igrejas Pentecostais de Puducherry, disse: “o fogo na igreja presbiteriana é um alerta para os cristãos. Devemos nos unir, deixando para trás diferenças denominacionais.” Ele explica que as demais igrejas da região estão se dispondo a ajudar. Lembra ainda que os ataques violentos contra os cristãos estão aumentando de frequência em quase toda a Índia.

Há vários relatos neste ano de igrejas atacadas, pastores sendo mortos e os atacantes saem livres, pois há cumplicidade das autoridades. 
Com informações World Watch Monitor

por Jarbas Aragão


terça-feira, 5 de junho de 2018

CARTA A BISPA EVÔNIA.

Por Augustus Nicodemus.

Carta à Bispa Evônia*
[*Nota – é mais uma carta ficticia, gênero que uso como maneira de tornar as minhas idéias mais interessantes para o leitor. Minha esposa não tem (ainda) nenhuma amiga que virou bispa.]

Minha cara Evônia,
Minha esposa me falou do encontro casual que vocês duas tiveram no shopping semana passada. Ela estava muito feliz em rever você e relembrar os tempos do ginásio e da igreja que vocês frequentavam. Aí ela me contou que você foi consagrada pastora e depois bispa desta outra denominação que você tinha começado a frequentar.
Ela também me mostrou os e-mails que vocês trocaram sobre este assunto, em que você tenta justificar o fato de ser uma pastora e bispa, já que minha esposa tinha estranhado isto na conversa que vocês tiveram. Ela me pediu para ler e comentar seus argumentos e contra-argumentos. Não pretendo ofendê-la de maneira nenhuma – nem mesmo conheço você pessoalmente. Mas faço estes comentários para ver se de alguma forma posso ser útil na sua reflexão sobre o ter aceitado o cargo de pastora e de bispa.
Acho, para começar, que você ser bispa vem de uma atitude de sua comunidade para com as Escrituras, que equivale a considerá-la condicionada à visão patriarcal e machista da época. Ou seja, ela é nossa regra, mas não para todas as coisas. Ao rejeitar o ensinamento da Bíblia sobre liderança, adota-se outro parâmetro, que geralmente é o pensamento e o espírito da época.
E é claro, Evônia, que na nossa cultura a mulher – especialmente as inteligentes e dedicadas como você – ocupa todas as posições de liderança disponíveis, desde CEO de empresas a presidência da República – se a Dilma ganhar. Portanto, sem o ensinamento bíblico como âncora, nada mais natural que as igrejas também coloquem em sua liderança presbíteras, pastoras, bispas e apóstolas.
Mas, a pergunta que você tem que fazer, Evônia, é o que a Bíblia ensina sobre mulheres assumirem a liderança da igreja e se este ensino se aplica aos nossos dias. Não escondo a minha opinião. Para mim, a liderança da igreja foi entregue pelo Senhor Jesus e por seus apóstolos a homens cristãos qualificados. E este padrão, claramente encontrado na Bíblia, vale como norma para nossos dias, pois se baseia em princípios teológicos e não culturais. Reflita no seguinte.
1. Embora mulheres tenham sido juízas e profetisas (Jz 4.4; 2Re 22.14) em Israel nunca foram ungidas, consagradas e ordenadas como sacerdotisas, para cuidar do serviço sagrado, das coisas de Deus, conduzir o culto no templo e ensinar o povo de Deus, que eram as funções do sacerdote (Ml 2.7). Encontramos profetisas no Novo Testamento, como as filhas de Felipe (At 21.9; 1Co 11.5), mas não encontramos sacerdotisas, isto é, presbíteras, pastoras, bispas, apóstolas. Apelar à Débora e Hulda, como você fez em seu e-mail, prova somente que Deus pode usar mulheres para falar ao seu povo. Não prova que elas tenham que ser ordenadas.
2. Você disse à minha esposa que Jesus não escolheu mulheres para apóstolas porque ele não queria escandalizar a sociedade machista de sua época. Será, Evônia? O Senhor Jesus rompeu com vários paradigmas culturais de sua época. Ele falou com mulheres (Jo 8.10-11), inclusive com samaritanas (Jo 4.7), quebrou o sábado (Jo 5.18), as leis da dieta religiosa dos judeus (Mt 7.2), relacionou-se com gentios (Mt 4.15). Se ele achasse que era a coisa certa a fazer, certamente teria escolhido mulheres para constar entre os doze apóstolos que nomeou. Mas, não o fez, apesar de ter em sua companhia mulheres que o seguiam e serviam, como Maria Madalena, Marta e Maria sua irmã (Lc 8.1-2).
3. Por falar nisto, lembre também que os apóstolos, por sua vez, quando tiveram a chance de incluir uma mulher no círculo apostólico em lugar de Judas, escolheram um homem, Matias (At 1.26), mesmo que houvesse mulheres proeminentes na assembléia, como a própria Maria, mãe de Jesus (At 1.14-15) – que escolha mais lógica do que ela? E mais tarde, quando resolveram criar um grupo que cuidasse das viúvas da igreja, determinaram que fossem escolhidos sete homens, quando o natural e cultural seria supor que as viúvas seriam mais bem atendidas por outras mulheres (Atos 6.1-7).
4. Tem mais. Nas instruções que deram às igrejas sobre presbíteros e diáconos, os apóstolos determinaram que eles deveriam ser marido de uma só mulher e deveriam governar bem a casa deles – obviamente eles tinham em mente homens cristãos (1Tm 3.2,12; Tt 1.6) e não mulheres, ainda que capazes, piedosas e dedicadas, como você. E mesmo que reconhecessem o importante e crucial papel da mulher cristã no bom andamento das igrejas, não as colocaram na liderança das comunidades, proibindo que elas ensinassem com a autoridade que era própria do homem (1Tm 2.12), que participassem na inquirição dos profetas, o que poderia levar à aparência de que estavam exercendo autoridade sobre o homem (1Co 14.29-35). Eles também estabeleceram que o homem é o cabeça da mulher (1Co 11.3; Ef 5.23), uma analogia que claramente atribui ao homem o papel de liderança.
5. Você retrucou à minha esposa na troca de e-mails que nenhuma destas passagens se aplica hoje, pois são culturais. Mas, será, Evônia, que estas orientações foram resultado da influência da cultura patriarcalista e machista daquela época nos autores bíblicos? Tomemos Paulo, por exemplo. Será que ele era mesmo um machista, que tinha problemas com as mulheres e suspeitava que elas viviam constantemente tramando para assumir a liderança das igrejas que ele fundou, como você argumentou? Será que um machista deste tipo diria que as mulheres têm direito ao seu próprio marido, que elas têm direitos sexuais iguais ao homem, bem como o direito de separar-se quando o marido resolve abandoná-la? (1Co 7.2-4,15) Um machista determinaria que os homens deveriam amar a própria esposa como amavam a si mesmos? (Ef 5.28,33). Um machista se referiria a uma mulher admitindo que ela tinha sido sua protetora, como Paulo o faz com Febe (Rm 16.1-2)?
6. Agora, se Paulo foi realmente influenciado pela cultura de sua época ao proibir as mulheres de assumir a liderança das igrejas, o que me impede de pensar que a mesma coisa aconteceu quando ele ensinou, por exemplo, que o homossexualismo é uma distorção da natureza acarretada pelo abandono de Deus (Rm 1.24-28) e que os sodomitas e efeminados não herdarão o Reino de Deus (1Co 6.9-11)? Você defende também, Evônia, que estas passagens são culturais e que se Paulo vivesse hoje teria outra opinião sobre a homossexualidade? Pergunto isto pois em outras igrejas este argumento está sendo usado.
7. Tem mais, se você ainda tiver um tempinho para me ouvir. As alegações apostólicas não me soam culturais. Paulo argumenta que o homem é o cabeça da mulher a partir de um encadeamento hierárquico que tem início em Deus Pai, descendo pelo Filho, pelo homem e chegando até a mulher (1Co 11.3).[1] Este argumento me parece bem teológico, como aquele que faz uma analogia entre marido e mulher e Cristo e a igreja, “o marido é o cabeça da mulher como Cristo é o cabeça da igreja” (Ef 5.23). Não consigo imaginar uma analogia mais teológica do que esta para estabelecer a liderança masculina. E quando Paulo restringe a participação da mulher no ensino autoritativo –que é próprio do homem – argumenta a partir do relato da criação e da queda (1Tm 2.12-14).[2]
8. Você já deve ter percebido que para legitimar sua posição como bispa você teve que dar um jeito neste padrão de liderança exclusiva masculina que é claramente ensinado na Bíblia e na ausência de evidências de que mulheres assumiram esta liderança. Não tem como aceitar ser bispa e ao mesmo tempo manter que a Bíblia toda é a Palavra de Deus para nossos dias. E foi assim que você adotou esta postura de dizer que a liderança exclusiva masculina é resultado da cosmovisão patriarcal e machista dos autores do Antigo e Novo Testamentos, e que portanto não pode ser mais usada em nossos dias, quando os tempos mudaram, e as mulheres se emanciparam e passaram a assumir a liderança em todas as áreas da vida. Em outras palavras, como você mesmo confirmou em seu e-mail, a Bíblia é para você um livro culturalmente condicionado e só devemos aplicar dele aquelas partes que estão em harmonia e consenso com nossa própria cultura. Eu sei que você não disse isto com estas exatas palavras, mas a impressão que fica é que você considera a Bíblia como retrógrada e ultrapassada e que o modelo de liderança que ela ensina não serve de paradigma para a liderança moderna da Igreja de Cristo.
Quando se chega a este nível, então, para mim, a porta está aberta para a entrada de qualquer coisa que seja aceitável em nossa cultura, mesmo que seja condenada nas Escrituras. Como você poderá, como bispa, responder biblicamente aos jovens de sua igreja que disserem que o casamento está ultrapassado e que sexo antes do casamento é normal e mesmo o relacionamento homossexual? Como você vai orientar biblicamente aquele casal que acha normal terem casos fora do casamento, desde que estejam de acordo entre eles, e que acham que adultério é alguma coisa do passado?
Sabe Evônia, você e a sua comunidade não estão sozinhas nessa distorção. Na realidade esse pensamento é também popularizado por seminários de denominações tradicionais e professores de Bíblia que passaram a questionar a infalibilidade das Escrituras, utilizando o método histórico crítico, ensinando em sala de aula que Paulo e os demais autores do Novo Testamento foram influenciados pela visão patriarcal e machista do mundo da época deles. Só podia dar nisso… na hora que os pastores, presbíteros e as próprias igrejas relativizam o ensino das Escrituras, considerando-o preso ao séc. I e irremediavelmente condicionado à visão de mundo antiga, a igreja perde o referencial, o parâmetro, o norte, o prumo – e como ninguém vive sem estas coisas, elege a cultura como guia.
Termino reiterando meu apreço e respeito por você como mulher cristã e pedindo desculpas se não posso me dirigir a você, em nossa correspondência pessoal, como “bispa” Evônia. Espero que meus motivos tenham ficado claros.
Um abraço,
Augustus

NOTAS
[1] Esse encadeamento hierárquico se refere à economia da Trindade e trata das diferentes funções assumidas pelas Pessoas da Trindade na salvação do homem. Ontologicamente, Pai, Filho e Espírito Santo são iguais em honra, glória, poder, majestade, como afirmam nossas confissões reformadas.
[2] Veja minha interpretação desta passagem e de outras no artigo da Fides Reformata “Ordenação Feminina”.

sexta-feira, 1 de junho de 2018

Igreja da Lagoinha: Um Celeiro de Heresias


image from google

A Igreja Batista da Lagoinha ficou famosa em todo o Brasil devido ao grupo Diante do Trono, ministério de louvor da igreja liderado por Ana Paula Valadão, filha do então Pastor Márcio Valadão. A igreja tem a sua linha assumidamente pentecostal desde os anos de 1960. O pastor José Rego, o primeiro pastor da Lagoinha, pregava que o batismo com o Espírito Santo era uma experiência distinta da conversão e era adepto daglossolalia. Em 1964, a Convenção Batista excluiu a Igreja da Lagoinha do seu rol.

O pastor Márcio Valadão, que hoje se denomina apóstolo, chegou ao pastoreio em 1972 e foi o responsável pelo projeto expansionista da Lagoinha. Chegou a abrir diversas congregações. Uma de suas “filhas” é a Igreja Batista Getsêmani, liderada pelo pastor Jorge Linhares, autor de um livro herético intitulado “Benção e Maldição”.

No entanto, fica evidente que o “boom” da Igreja da Lagoinha está estritamente ligado ao grupo Diante do Trono. Este ministério de louvor que gravou seu primeiro CD em 1998, logo se tornaria uma potência da crescente indústria gospel com os álbuns seguintes “Águas Purificadoras” (2000) e “Preciso de Ti” (2001). O projeto inicial era gerar receita para investir no combate à prostituição infantil na Índia. Porém, o sucesso foi tão rápido que logo fez do ministério um dos expoentes da música cristã contemporânea. Hoje é o maior grupo de louvor da América Latina, com milhões e milhões de discos vendidos, além de vários prêmios musicais.

Não demorou para que as músicas do Diante do Trono tivessem espaço nos cultos de diversas denominações. Suas canções eram carregadas de emoção, falavam sobre a dependência do homem e incentivavam a busca por Deus. Todavia, pessoas mais atentas já haviam notado alguns equívocos teológicos em suas letras. Temos o exemplo de “Vitória na Cruz” que tem no mínimo dois erros: 1. Diz que o Diabo e o Inferno festejaram a morte na cruz. 2. Diz que Jesus tomou as chaves do Inferno da mão do Diabo. Bem, o Inimigo não comemorou a morte na cruz, pelo contrário, ele tentou Jesus para não ir até ela, pois sabia bem que o Filho de Deus triunfaria no madeiro. E a outra coisa é: Satanás nunca teve as chaves de coisa alguma, ele nunca foi dono de nada. Não existe respaldo bíblico para tais afirmações.

Com a consolidação do Diante do Trono no cenário nacional, houve um forte investimento midiático, hoje a Igreja da Lagoinha tem o seu próprio canal de televisão, a Rede Super, e lá vincula seus cultos e também os diversos congressos realizados pelo Centro de Treinamento Ministerial Diante do Trono. Foi justamente com esse espaço midiático que as heresias desse ministério começaram a repercutir. Coisas muito estranhas como o episódio em que a Ana Paula engatinhou como um leão, dizendo que estava recebendo uma nova unção. Vale ressaltar que o uso do termo unção no Novo Testamento está vinculado ao fato de termos recebido a Cristo no ato da conversão e seu Espírito se faz presente em nós (1 Jo 2: 20 e 27). 

Talvez o maior agravante tenha sido o ocorrido nesse último feriado de Páscoa. Ana Paula Valadão protagonizou um tal de ato profético que só vendo para crer:


Meu Deus! O que foi isso? O que são aquelas danças? O “aviãozinho” da Ana Paula muito se assemelha aos movimentos dos terreiros de umbanda. Tais atos proféticos não tem base neotestamentária. O que acontecia no Antigo Testamento, com o movimento profético era puramente didático (não tinha poderes místicos) e geralmente apontava ou para Cristo ou para o juízo de Deus sobre Israel. Ademais, hoje Deus não nos fala por meio dos profetas, mas sim através da revelação de seu Filho:

Havendo Deus antigamente falado muitas vezes, e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, a nós falou-nos nestes últimos dias pelo Filho, a quem constituiu herdeiro de tudo, por quem fez também o mundo.” (Hebreus 1:1-2)

Engraçado é ver no vídeo que “apóstolos” estão transferindo o poder para a outra geração. Mas acontece que  apostolado cessou no século primeiro. Indo para a Bíblia vemos que para exercer o ofício apostólico existiam duas condições: 1. O apóstolo tinha que ser testemunha ocular da ressurreição de Cristo (Atos 1:2-3, 1:21-22, 4:33 e 9:1-6; 1Co 9:1 e 15:7-9). 2. O apóstolo tinha que ter sido comissionado diretamente por Jesus (Mt 10:1-7, Mc. 3:14, Lc 6:13-16, At 1:21-26, Gl 1:1 e  1:11-12 ). Não existe nenhuma condição bíblica para crer que o ofício apostólico é válido em nossos dias, até porque, quem chamou os apóstolos contemporâneos? Quais os requisitos de seu apostolado? Quantos são os apóstolos nos dias atuais? Basta se auto-intitular? 

Infelizmente vi, nas redes sociais, diversas pessoas dizendo que não enxergaram nada demais no dito ato profético e que sentiram uma forte emoção durante a encenação. Pobre da igreja que coloca as emoções pessoais a frente das Escrituras. Lembrem-se de que a Bíblia é um livro que foi inspirado pelo Espírito Santo, sendo assim, ele nunca iria impelir alguém a encenar ou agir algo que não tem o respaldo da Palavra. Lembro de Jeremias 28, lá o falso profeta Ananias fez um grande estardalhaço, falando que o jugo da Babilônia seria quebrado em 2 anos e Judá estaria livre. Para isso ele arrancou o jugo de madeira do pescoço do profeta Jeremias (seria um ato profético?). Então Deus ordenou que Jeremias falasse a Ananias que ele quebrou um jugo de madeira, mas o Senhor iria por um de ferro e todos iam ter que se submeter a Nabucodonozor, rei babilônico. Também afirmou que o falso profeta morreria por ter feito o povo crer numa mentira. E tal como profetizou Jeremias, assim aconteceu.

Como se não bastasse as invencionices da líder do Diante do Trono, agora a Igreja da Lagoinha tem um outro expoente tão polêmico e equivocado como a Ana Paula Valadão tem se portado. É o tal do Pastor Lucinho Barreto, que ganhou fama após ter uma imagem sua “cheirando” a Bíblia exposta na internet. Ele se diz uma referência para a juventude evangélica brasileira e promove “loucuras por Jesus”. Sua teologia é infundada, todavia, suas pregações são muito visualizadas no YouTube. Realmente o Lucinho tem sido venerado.

A heresia da vez foi ter falado que Deus criou esposas para Caim e Abel assim como criou Eva para Adão (veja aqui). Sinceramente, esta é uma tremenda de uma sandice. Como alguém que se diz pastor defende algo que não é bíblico, como sendo uma verdade? Gênesis 5:4 diz que Adão gerou filhos e filhas e isso nos dá respaldo para dizer que Caim e Abel casaram com irmãs ou sobrinhas, e que naquele contexto o incesto não era pecado. Por mais bem intencionado que seja o Lucinho, isso não serve como desculpa para distorcer a Palavra de Deus como ele vem fazendo. Uzá foi fulminado por tocar na arca da aliança, algo proibido. Ele fez isso quando os bois tropeçaram (2 Samuel 6:6-7), talvez com a intenção de livrá-la de uma possível queda, mas Deus não o poupou. Por mais “irrelevante” que seja a doutrina, Lucinho peca por não fazer das Escrituras a sua fonte de revelação, embasando seus argumentos em mero achismo. 

Não há dúvidas de que a Igreja Batista da Lagoinha tem se tornado um verdadeiro celeiro de heresias e como isso é ruim. Gostaria muito de não ver o que vi e nem ouvir o que ouvi, todavia, diante do que ouço e do que enxergo, não me calarei e me posicionarei em defesa da Palavra. Cabe a mim clamar a Deus por misericórdia: Misericórdia Senhor, para que eu não venha a cometer os erros que hoje denuncio. E misericórdia para a liderança da Lagoinha, que eles possam se voltar a sã doutrina, abandonada faz tempo, trazendo-lhes condenação. Ajuda Senhor. Preciso (realmente) de ti!

***
Autor: Thiago Oliveira

T.U.L.I.P - Os 5 Pontos do Calvinismo.



Extraído dos Cânones de Dort e resumidos no acróstico TULIP.
TULIP - Acróstico formado pelas iniciais em inglês.
Depravação Total (Total Depravity)
Eleição Incondicional (Unconditional Election)
Expiação Limitada (Limited Atonement)
Graça Irresistível (Irresistible Grace)
Perseverança dos Santos (Perseverance of the Saints)

T
A Bíblia diz que Deus criou o primeiro homem, Adão, à Sua imagem e semelhança. Deus fez um pacto com esse homem a fim de que, através da obediência aos Seus mandamentos, este pudesse obter vida. Contudo, o homem falhou desobedecendo a Deus deliberadamente, fazendo uso do seu livre-arbítrio, rebelando-se contra o seu Criador. Este pecado inicial de desobediência (conhecido como a Queda do Homem) resultou em morte espiritual e ruptura na ligação de sua alma com Deus, o que mais tarde trouxe também sua morte física. Sendo Adão o representante de toda a raça humana, todos caímos com ele e fomos afetados pela mesma corrupção do pecado. Tornamo-nos objetos da justa ira de Deus e a morte passou a todos os homens.Toda a humanidade herdou a culpa do pecado de Adão e por isso todos nascemos totalmente depravados e espiritualmente mortos. A morte espiritual não quer dizer que o espírito humano esteja inativo, mas sim que o homem é culpado (tem um passado manchado) e corrupto (possui uma natureza má). A depravação total não quer dizer que os homens são intensivamente maus (que somos tão maus quanto poderíamos ser), mas sim que somos extensivamente maus (todo o nosso ser, intelecto, emoções e vontade estão corrompidos pelo pecado).A depravação total também significa que o homem possui uma inabilidade total para restaurar o relacionamento com seu Criador. Por causa da depravação, o homem natural, por si mesmo, é totalmente incapaz de crer verdadeiramente em Deus. O pecador está morto, cego e surdo para as coisas espirituais. Desde a Queda o homem perdeu o seu livre-arbítrio e passou a ser escravo de sua natureza corrompida e por isso ele é incapaz de escolher o bem em questões espirituais. Todas as falsas religiões são tentativas do homem de construir para si um deus que lhe seja propício. Porém, todas essas tentativas erram o alvo, pois o homem natural por si mesmo não quer buscar o verdadeiro Deus.Devido ao estado de depravação do homem, se Deus não tomasse a iniciativa de salvá-lo, ele continuaria morto eternamente. O homem natural sem o conhecimento de Deus jamais chegará a este conhecimento se Deus não ressuscitá-lo espiritualmente através de Jesus Cristo.
REFERÊNCIAS BÍBLICAS:Gn 2:17; Gn 6:5; Gn 8:21 / 1Rs 8:46 / Jo 14:4 / Sl 51:5 / Sl 58:3 / Ec 7:20 Is 64:6 / Jr 4:22; Jr 9:5-6; Jr 13:23; Jr 17:9 / Jo 3:3; Jo 3:19; Jo 3:36;Jo 5:42; Jo 8:43,44 / Rm 3:10-11; Rm 5:12; Rm 7:18, 23; Rm 8:7 /1Co 2:14 / 2Co 4:4 / Ef 2:3 / Ef 4:18 / 2Tm 2:25-26 / 2Tm 3:2-4 / Tt 1:15

U
Devido ao pecado de Adão, seus descendentes entram no mundo como pecadores culpados e perdidos. Como criaturas caídas, elas não têm desejo de ter comunhão com o seu Criador. Deus é santo, justo e bom, ao passo que os homens são pecaminosos, perversos e corruptos. Deixados à sua própria escolha, os homens inevitavelmente seguem seu coração corrupto e criam ídolos para si. Conseqüentemente, os homens têm se desligado do Senhor dos céus e têm perdido todos os direitos de Seu amor e favor. Teria sido perfeitamente justo para Deus ter deixado todos os homens em seus pecados e miséria e não ter demonstrado misericórdia a quem quer que seja. É neste contexto que a Bíblia apresenta a eleição.A eleição incondicional significa que Deus, antes da fundação do mundo, escolheu certos indivíduos dentre todos os membros decaídos da raça humana e os predestinou para serem o objeto de Seu imerecido amor e para trazê-los ao conhecimento de Si mesmo. Esses, e somente esses, Deus propôs salvar da condenação eterna. Deus poderia ter escolhido salvar todos os homens (pois Ele tinha o poder e a autoridade para fazer isso), ou Ele poderia ter escolhido não salvar ninguém (pois Ele não tem a obrigação de mostrar misericórdia a quem quer que seja), porém não fez uma coisa nem outra. Ao invés disso, Ele escolheu salvar alguns e excluir (preterir) outros. Sua eterna escolha de determinados pecadores para a salvação não foi baseada em qualquer ato ou resposta prevista da parte daqueles escolhidos, mas foi baseada tão somente no Seu beneplácito e na Sua soberana vontade. Desta forma, a eleição não foi condicionada nem determinada por qualquer coisa que os homens iriam fazer, mas resultou inteiramente do propósito determinado pelo próprio Deus.Os que não foram escolhidos foram preteridos e deixados às suas próprias inclinações e escolhas más para serem punidos pelos seus pecados. Não cabe à criatura questionar a justiça do Criador por não escolher todos para a salvação. Deve-se ter em mente que, se Deus não tivesse graciosamente escolhido um povo para Si mesmo e soberanamente determinado prover-lhe e aplicar-lhe a salvação, ninguém seria salvo.
REFERÊNCIAS BÍBLICAS:Dt 4:37; Dt 7:7-8 / Pv 16:4 / Mt 11:25; Mt 20:15-16; Mt 22:14 / Mc 4:11-12 Jo 6:37; Jo 6:65; Jo 12:39-40; Jo 15:16 / At 5:31; At 13:48; At 22:14-15 /Rm 2:4; Rm 8:29-30; Rm 9:11-12; Rm 9:22-23; Rm 11:5; Rm 11:8-10 /Ef 1:4-5; Ef 2:9-10 / 1Ts 1:4; 1Ts 5:9 / 2Ts 2:11-12; 2Ts 3:2/ 2Tm 2:10,19/1 Pe 2:8 / 2 Pe 2:12 / Tt 1:1 / 1Jo 4:19 / Jd 1:3-4 / Ap 13:8; Ap 17:17

L
Embora Deus tenha resolvido salvar da condenação um certo número de homens, Sua santidade e justiça exigem que o pecado seja punido. Como os escolhidos de Deus são pecadores, uma expiação completa e perfeita era necessária. Jesus Cristo, o Filho de Deus feito homem, suportou o castigo merecido pelos pecadores e obteve a Salvação para os Seus eleitos.A eleição em si não salvou ninguém; apenas destacou alguns pecadores para a salvação. Os que foram escolhidos por Deus Pai e dados ao Filho precisavam ser redimidos para serem salvos. Para assegurar sua redenção, Jesus Cristo veio ao mundo e tomou sobre Si a natureza humana para que pudesse identificar-se com o Seus eleitos e agir como seu representante ou substituto. Cristo, agindo em lugar do Seu povo, guardou perfeitamente a lei de Deus e dessa forma produziu uma justiça perfeita a qual é imputada aos eleitos ou creditada a eles no momento em que são trazidos à fé nele. Através do que Cristo fez, esse povo é constituído justo diante de Deus. Os eleitos são libertos da culpa e condenação como resultado do que Cristo sofreu por eles. Através do Seu sacrifício substitutivo, Jesus sofreu a penalidade dos pecados dos eleitos e assim removeu a culpa deles para sempre. Por conseguinte, quando Seu povo é unido a Ele pela fé, é-lhe creditada perfeita justiça pela qual ficam livres da culpa e condenação do pecado. São salvos não pelo que fizeram ou irão fazer, mas tão somente pela fé na obra redentora de Cristo.A obra redentora de Cristo foi definida em desígnio e realização. Foi planejada para render completa satisfação em favor de certos pecadores específicos e, de fato, assegurou a salvação para esses indivíduos e para ninguém mais. A salvação que Cristo adquiriu para o Seu povo inclui tudo que está envolvido no processo de trazê-los a um correto relacionamento com Deus, incluindo os dons da fé e do arrependimento. Deus não deixou aos pecadores a decisão se a obra de Cristo será ou não efetiva. Pelo contrário, todos aqueles por quem Cristo morreu serão infalivelmente salvos. A redenção, portanto, foi designada para cumprir o propósito divino da eleição.
REFERÊNCIAS BÍBLICAS:1Sm 3:14 / Is 53:11-12 / Mt 1:21; Mt 20:28; Mt 26:28 / Jo 10:14-15 /Jo 11:50-53; Jo 15:13; Jo 17:6,9,10 / At 20:28 / Rm 5:15 / Ef 5:25 / Tt 3:5 /Hb 9:28 / Ap 5:9

I
Cada membro da Trindade divina – Pai, Filho e Espírito Santo – participa e contribui para a salvação dos pecadores eleitos. Deus Pai, antes da fundação do mundo, selecionou aqueles que iriam ser salvos e deu-os ao Filho para serem o Seu povo. Na época oportuna o Filho veio ao mundo e assegurou a redenção desse povo. Mas esses dois grandes atos – a eleição e a redenção – não completam a obra da salvação, pois está incluída no plano divino para a recuperação do pecador perdido a obra renovadora do Espírito Santo, pela qual os benefícios da obediência e da morte de Cristo são aplicados ao eleito. A Graça Irresistível ou Eficaz significa que o Espírito Santo nunca falha em trazer à salvação aqueles pecadores que Ele pessoalmente chama a Cristo. Deus aplica inevitavelmente a salvação a todo pecador que tencionou salvar, e é Sua intenção salvar todos os eleitos.O apelo do evangelho estende uma chamada à salvação a todo que ouve a mensagem. Ele convida a todos os homens, sem distinção, a beber da água da vida e viver. Ele promete salvação a todo que se arrepender e crer. Mas essa chamada geral externa, estendida igualmente ao eleito e ao não eleito, não trará pecadores a Cristo. Por que? Porque os homens estão, por natureza, mortos em pecado e debaixo de seu poder. Eles são, por si mesmos, incapazes de abandonar os seus maus caminhos e se voltarem a Cristo, para receber misericórdia. Nem podem e nem querem fazer isso. Consequentemente, o não regenerado não vai responder à chamada do evangelho para arrepender-se e crer. Nenhuma quantidade de ameaças ou promessas externas fará um pecador cego, surdo, morto e rebelde se curvar perante Cristo como Senhor e olhar somente para Ele para a salvação. Tal ato de fé e submissão é contrário à natureza do homem.Por isso, o Espírito Santo, para trazer o eleito de Deus à salvação, estende-lhe uma chamada especial interna em adição à chamada externa contida na mensagem do evangelho. Através dessa chamada especial, o Espírito Santo realiza uma obra de graça no pecador que inevitavelmente o traz à fé em Cristo. A mudança interna operada no pecador eleito o capacita a entender e crer na verdade espiritual.No campo espiritual, são lhe dados olhos para ver e ouvidos para ouvir. O Espírito Santo cria no pecador eleito um novo coração e uma nova natureza. Isto é realizado através da regeneração (novo nascimento), pela qual o pecador é feito filho de Deus e recebe a vida espiritual. Sua vontade é renovada através desse processo, de forma que o pecador vem espontaneamente a Cristo por sua própria e livre escolha.
REFERÊNCIAS BÍBLICAS:Jr 24:7 / Ez 11:19-20; Ez 36:26-27 / Mt 16:17 / Jo 1:12-13; Jo 5:21; Jo 6:37; Jo 6:44-45 / At 16:14; At 18:27 / 1Co 4:7 / 2Co 5:17 / Gl 1:15 / Rm 8:30 / Ef 1:19-20 / Cl 2:13 / 2Tm 1:9 / 1Pe 2:9; 1Pe 5:10 / Hb 9:15

P
Os eleitos não são apenas redimidos por Cristo e regenerados pelo Espírito; eles são mantidos na fé pelo infinito poder de Deus. Todos os que são unidos espiritualmente a Cristo, através da regeneração, estão eternamente seguros nEle. Nada os pode separar do eterno e imutável amor de Deus. Foram predestinados para a glória eterna e estão, portanto, assegurados para o céu. A perseverança dos santos não significa que todas as pessoas que professam a fé cristã estão garantidas para o céu. Somente os santos – os que são separados pelo Espírito – é que perseveram até o fim. São os crentes – aqueles que recebem a verdadeira e viva fé em Cristo – os que estão seguros e salvos nele. Muitos que professam a fé cristã desistem no meio do caminho, mas eles não desistem da graça, pois nunca estiveram na graça. A perseverança dos santos está diretamente ligada à santificação, que é o processo pelo qual o Espírito Santo torna os eleitos cada vez mais semelhantes a Jesus Cristo em tudo o que fazem, pensam e desejam. A luta dos crentes contra o pecado dura toda a vida e, às vezes, eles podem cair em tentações e cometer graves pecados, mas esses pecados não os levam a perder a salvação ou a afastar-se de Cristo.A Bíblia diz que o povo de Deus recebe a vida eterna no momento em que crê. São guardados pelo poder de Deus mediante a fé e nada os pode separar do Seu amor. Foram selados com o Espírito Santo que lhes foi dado como garantia de sua salvação e, desta forma, estão assegurados para uma herança eterna.
REFERÊNCIAS BÍBLICAS:Is 54:10 / Jr 32:40 / Mt 18:14 / Jo 6:39; Jo 6:51; Jo 10:27-29 / Rm 5:8-10; Rm 8:28-32, Rm 8:34-39; Rm 11:29 / Gl 2:20 / Ef 4:30 / Fp 1:6 / Cl 2:14 /2Ts 3:3 / 2Tm 2:13,19 / Hb 7:25; Hb 10:14 / 1Pe 1:5 / 1Jo 5:18 / Ap 17:14

07 razões porque devo rejeitar o ensino das sementes de Mike Murdock e Silas Malafaia.




Há algumas semanas os senhores Silas Malafaia e Mike Murdock ensinaram em um programa de televisão a doutrina das sementes.

Segundo o teólogo da prosperidade Mike Murdock, "dinheiro atrai dinheiro", isto é, quando o crente OFERTA a Deus, (independente da motivação) automaticamente atrai o favor do Senhor lhe trazendo mais dinheiro. Murdock também costuma ensinar que devemos plantar dinheiro para colher mais dinheiro, como se fosse uma lei de semeadura financeira, que ele chama de "lei da semente". Ele também prega a existência de aproximadamente seis níveis de semeadura. Segundo ele um destes níveis é a semente de mil”. Murdock dá uma significado a certas quantias da semente: “tem havido cinco níveis de colheitas incomuns em minha vida $58, $100, $200, $1000 e $8500. Uma semente de mil dólares quebrou a pobreza em minha vida. Ninguém pode semear estes mil dólares para você." Em outras palavras isso significa “eu quebrei a pobreza com uma semente de mil dólares” façar o mesmo, envie sua oferta que a pobreza será quebrada.

Caro leitor, vamos combinar uma coisa? Deus não é um tipo de bolsa de valores que quanto mais "investimos" mais dinheiro recebemos. Deus não se submete as nossas barganhas nem tampouco àqueles que pensam que podem manipular o sagrado estabelecendo regras de sucesso pessoal.

Diante do ensino exposto gostaria de trazer sete razões porque não devemos aceitar a doutrina das sementes de Mike Murdock e Silas Malafaia:

1º - A prosperidade financeira pode ser uma benção na vida de um cristão, mas que isso não é uma regra. Deus não tem nenhum compromisso de enriquecer os seus filhos. (Fp 4.10-12) 
2º - A prosperidade financeira do cristão se dá mediante o trabalho e não através de barganhas religiosas.
3º - Do ponto de vista bíblico as bênçãos de Deus jamais poderão ser compradas. Tudo que temos e possuimos vem pela graça de Deus.
4º - Para nós protestantes as Escrituras Sagradas prevalecem sobre quaisquer visões, sonhos ou revelações que possam surgir ou aparecer. (Mc 13.31) 
5º - Para nós protestantes todas as doutrinas, concepções ideológicas, idéias, projetos ou ministérios devem passar pelo crivo da Palavra de Deus, levando-se em conta sua total revelação em Cristo e no Novo Testamento. (Hb 1.1-2) 
6º - Para nós protestantes a Bíblia é a Palavra de Deus e que contém TODA a revelação que Deus julgou necessária para todos os povos, em todos os tempos, não necessitando de revelações posteriores, sejam essas revelações trazidas por anjos, profetas ou quaisquer outras pessoas. (2 Tm 3.16) 
7º - O cristão é peregrino nesta terra e, portanto, não tem por ambição conquistar as riquezas desta terra. “A pátria do cristão está nos céus, de onde aguardamos a vinda do nosso salvador, Jesus Cristo”. (1 Pe 2.11)

Pense nisso!

Renato Vargens

UM MÁRTIR DA REFORMA CONFORTA SUA ESPOSA.

DR. WES BREDENHOF   Algum tempo atrás, a revista  Time  publicou uma matéria de capa intitulada “Deus Quer que Você Seja Rico?”. Nes...