quarta-feira, 17 de outubro de 2018

A Presciência de Deus.


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Que controvérsias têm sido engendradas por este assunto no passado! Mas que verdade das Escrituras Sagradas existe que não se tenha tornado em ocasião para batalhas teológicas e eclesiásticas? A deidade de Cristo, Seu nascimento virginal, Sua morte expiatória, Seu segundo advento; a justificação do crente, sua santificação, sua segurança; a Igreja, sua organização, oficiais e disciplina; o batismo, a ceia do Senhor, e uma porção doutras preciosas verdades que poderiam ser mencionadas. Contudo, as controvérsias sustentadas não fecharam a boca dos fiéis servos de Deus; então, por que deveríamos evitar a disputada questão da presciência de Deus porque, com efeito, há alguns que nos acusarão de fomentar contendas? Que outros se envolvam em contendas, se quiserem; nosso dever é dar testemunho segundo a luz a nós concedida.

Há duas coisas referentes à presciência de Deus que muitos ignoram: o significado do termo e o seu escopo bíblico. Visto que esta ignorância é tão amplamente generalizada, é fácil aos pregadores e mestres impingir perversões deste assunto, até mesmo ao povo de Deus. Só há uma salvaguarda contra o erro: estar firme na fé. Para isso, é preciso fazer devoto e diligente estudo, e receber com singeleza a Palavra de Deus infundida. Só então ficamos fortalecidos contra as investidas dos que nos atacam. Hoje em dia existem os que fazem mau uso desta verdade, com o fim de desacreditar e negar a absoluta soberania de Deus na salvação dos pecadores. Assim como os seguidores da alta crítica repudiam a divina inspiração das Escrituras e os evolucionistas a obra de Deus na criação, alguns mestres pseudo-bíblicos andam pervertendo a presciência de Deus com o fim de pôr de lado a Sua incondicional eleição para a vida eterna.


Quando se expõe o solene e bendito tema da preordenação divina, e o da eterna escolha feita por Deus de algumas pessoas para serem amoldadas à imagem do Seu Filho, o diabo envia alguém para argumentar que a eleição se baseia na presciência de Deus, e esta “presciência” é interpretada no sentido de que Deus previu que alguns seriam mais dóceis que outros, que responderiam mais prontamente aos esforços do Espírito e que, visto que Deus sabia que eles creriam , por conseguinte, predestinou-os para a salvação. Mas tal declaração é radicalmente errônea. Repudia a verdade da depravação total, pois defende que há algo bom em alguns homens, Tira a independência de Deus, pois faz com que os Seus decretos se apóiemnaquilo que Ele descobre na criatura. Vira completamente ao avesso as coisas, porquanto ao dizer que Deus previu que certos pecadores creriam em Cristo e, por isso, predestinou-os para a salvação, é o inverso da verdade. As Escrituras afirmam que Deus, em Sua soberania, escolheu alguns para serem recipientes de Seus distinguidos favores (Atos 13:48) e, portanto, determinou conferir-lhes o dom da fé. A falsa teologia faz do conhecimento prévio que Deus tem da nossa fé a causa da eleição para a salvação, ao passo que a eleição de Deus é a causa , e a nossa fé em Cristo, o efeito .

Antes de continuar discorrendo sobre este tema, tão erroneamente interpretado, façamos uma pausa para definir os nossos termos. Que se quer dizer por “presciência”? “Conhecer de antemão”, é a pronta resposta de muitos. Mas não devemos tirar conclusões precipitadas, nem tampouco apelar para o dicionário do vernáculo como o supremo tribunal de recursos, pois não se trata de uma questão de etimologia do termo empregado. O que é preciso é descobrir como a palavra é empregada nas Escrituras. O emprego que o Espírito Santo faz de uma expressão sempre define o seu significado e escopo. Deixar de aplicar esta regra simples tem causado muita confusão e erro. Muitíssimas pessoas presumem que já sabem o sentido de certa palavra empregada nas Escrituras, pelo que negligenciam provar as suas pressuposições por meio de uma concordância. Ampliemos este ponto.

Tomemos a palavra “carne”. Seu significado parece tão óbvio, que muitos achariam perda de tempo examinar as suas várias significações nas Escrituras. Depressa se presume que a palavra é sinônima de corpo físico e, assim, não se faz pesquisa nenhuma. Mas, de fato, nas Escrituras “carne” muitas vezes inclui muito mais que a idéia de corpo. Tudo que o termo abrange, só pode ser verificado por uma diligente comparação de cadapassagem em que ocorre e pelo estudo de cada contexto, separadamente.

Tomemos a palavra “mundo”. O leitor comum da Bíblia imagina que esta palavra equivale a “raça humana” e, conseqüentemente, muitas passagens que contêm o termo são interpretadas erroneamente. Tomemos a palavra “imortalidade”. Certamente esta não requer estudo! É óbvio que se refere à indestrutibilidade da alma. Ah, meu leitor, é uma tolice e um erro fazer qualquer suposição, quando se trata da Palavra de Deus. Se o leitor se der ao trabalho de examinar cuidadosamente cada passagem em que se acham “mortal” e “imortal”, verá que estas palavras nunca são aplicadas à alma, porém sempre ao corpo.


Pois bem, o que acabamos de dizer sobre “carne”, “mundo”, e “imortalidade”, aplica-se com igual força aos termos “conhecer” e “pré-conhecer”. Em vez de imaginar que estas palavras não significam mais que simples cognição, é preciso ver que as diferentes passagens em que elas ocorrem exigem ponderado e cuidadoso exame. A palavra “presciência” (pré-conhecimento) não se acha no Velho Testamento. Mas “conhecer” (ou “saber”) ocorre ali muitas vezes. Quando esse termo é empregado com referência a Deus, com freqüência significa considerar com favor, denotando não mera cognição, mas sim afeição pelo objeto em vista. “... te conheço por nome” (Êxodo 33:17). “Rebeldes fostes contra o Senhor desde o dia em que vos conheci ” (Deuteronômio 9:24). “Antes que te formasse no ventre te conheci ... “ (Jeremias 1:5). “... constituíram príncipes, mas eu não o soube ...” (Oséias 8:4). “De todas as famílias da terra a vós somente conheci ...” (Amos 3:2). Nestas passagens, “conheci” significa amei ou designei .

Assim também a palavra “conhecer” é empregada muitas vezes no Novo Testamento no mesmo sentido do Velho Testamento. “E então lhes direi abertamente: Nunca vos conheci ...” (Mateus 7:23). “Eu sou o bom Pastor, e conheço as minhas ovelhas, e das minhas sou conhecido ” (João 10:14). “Mas, se alguém ama a Deus, esse é conhecido dele” (1 Coríntios 8:3). “... o Senhor conhece os que são seus...” (2 Timóteo 2:19).

Pois bem, a palavra “presciência”, como é empregada no Novo Testamento, é menos ambígua que a sua forma simples, “conhecer”. Se cada passagem em que ela ocorre for estudada cuidadosamente, ver-se-á que é discutível se alguma vez se refere apenas à percepção de eventos que ainda estão por acontecer. O fato é que “presciência” nunca é empregada nas Escrituras em relação a eventos ou ações; em lugar disso, sempre se refere a pessoas . Pessoas é que Deus declara que “de antemão conheceu” (pré-conheceu), não as ações dessas pessoas. Para provar isto, citaremos agora cada uma das passagens em que se acha esta expressão ou sua equivalente.

A primeira é Atos 2:23. Lemos ali: “A este que vos foi entregue pelo determinado conselho e presciência de Deus, tomando-o vós, o crucificastes e matastes pelas mãos de injustos”. Se se der cuidadosa atenção à terminologia deste versículo, ver-se-á que o apóstolo não estava falando do conhecimento antecipado que Deus tinha do ato da crucificação, mas sim da Pessoa crucificada: “A este (Cristo) que vos foi entregue”, etc.


A segunda é Romanos 8:29-30. “Porque os que dantes conheceu também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho; a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos. E aos que predestinou a estes também chamou”, etc. Considere-se bem o pronome aqui empregado. Não se refere a algo , mas a pessoas , que ele conheceu, de antemão. O que se tem em vista não é a submissão da vontade, nem a fé do coração, mas as pessoas mesmas .

“Deus não rejeitou o seu povo, que antes conheceu...” (Romanos 11:2). Uma vez mais a clara referência é a pessoas, e somente a pessoas.

A última citação é de 1 Pedro 1:2: “Eleitos segundo a presciência de Deus Pai...” Quem são “eleitos segundo a presciência de Deus Pai”? O versículo anterior nô-lo diz: a referência é aos “estrangeiros dispersos”, isto é, a Diáspora, a Dispersão, os judeus crentes. Portanto, aqui também a referência é a pessoas, e não aos seus atos previstos.

Ora, em vista destas passagens (e não há outras mais), que base bíblica há para alguém dizer que Deus “pré-conheceu” os atos de certas pessoas, a saber, o seu “arrependimento e fé”, e que devido a esses atos Ele as elegeu para a salvação? A resposta é: absolutamente nenhuma. As Escrituras nunca falam de arrependimento e fé como tendo sido previsto ou pré-conhecido por Deus. Na verdade, Ele sabia desde toda a eternidade que certas pessoas se arrependeriam e creriam ; entretanto, não é a isto que as Escrituras se referem como objeto da “presciência” de Deus. Esta palavra se refere uniformemente ao pré-conhecimento de pessoas; portanto, conservemos “... o modelo das sãs palavras. . .” (2 Timóteo 1:13).

Outra coisa para a qual desejamos chamar particularmente a atenção é que as duas primeiras passagens acima citadas mostram com clareza e ensinam implicitamente que a “presciência” de Deus não é causativa , pelo contrário, alguma outra realidade está por trás dela e a precede, e essa realidade é o Seu decreto soberano . Cristo “... foi entregue pelo (1) determinado conselho e (2) presciência de Deus” (Atos 2:23). Seu “conselho” ou decreto foi a base da Sua presciência. Assim também em Romanos 8:29. Esse versículo começa com a palavra “porque”, conjunção que nos leva a examinar o que o precede imediatamente. E o que diz o versículo anterior? “... todas as coisas contribuem juntamente para o bem daqueles... que são chamados por seu decreto”. Assim é que a “presciência” de Deus baseia-se em Seu decreto (ver Salmo 2:7).

Deus conhece de antemão o que será porque Ele decretou o que há de ser . Portanto, afirmar que Deus elege pessoas porque as pré-conhece é inverter a ordem das Escrituras, é pôr o carro na frente dos bois. A verdade é esta: Ele as “pré-conhece” porque as elegeu . Isto retira da criatura a base ou causa da eleição, e a coloca na soberana vontade de Deus. Deus Se propôs eleger certas pessoas, não por haver nelas ou por proceder delas alguma coisa boa, quer concretizada quer prevista, mas unicamente por Seu beneplácito. Quanto ao por que Ele escolheu os que escolheu, não sabemos, e só podemos dizer: “Sim, ó Pai, porque assim te aprouve” (Mateus li :26). A verdade patente em Romanos 8:29 é que Deus, antes da fundação do mundo, elegeu certos pecadores e os destinou para a salvação (2 Tessalonicenses 2:13). Isto se vê com clareza nas palavras finais do versículo: “... os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho”, etc. Deus não predestinou aqueles que “dantes conheceu” sabendo que eram “conformes”, mas, ao contrário, aqueles que Ele “dantes conheceu” (isto é, que Ele amou e elegeu), “predestinou para serem conformes”. Sua conformidade a Cristo não é a causa, mas o efeito da presciência e predestinação divina.

Deus não elegeu nenhum pecador porque previu que creria, pela razão simples, mas suficiente, de que nenhum pecador jamais crê enquanto Deus não lhe dá fé; exatamente como nenhum homem pode ver antes que Deus lhe dê a vista. A vista é dom de Deus, e ver é a conseqüência do uso do Seu dom. Assim também a fé é dom de Deus (Efésios 2:8-9), e crer é a conseqüência do uso deste Seu dom. Se fosse verdade que Deus elegeu alguns para serem salvos porque no devido tempo eles creriam, isso tornaria o ato de crer num ato meritório e, nesse caso, o pecador salvo teria motivo para gloriar-se, o que as Escrituras negam enfaticamente (veja Efésios 2:9).

Certamente a Palavra de Deus é bastante clara ao ensinar que crer não é um ato meritório. Afirma ela que os cristãos vieram a crer “pela graça” (Atos 18:27). Se, pois, eles vieram a crer “pela graça”, absolutamente não há nada de meritório em “crer”, e, se não há nada de meritório nisso, não poderia ser o motivo ou causa que levou Deus a escolhê-los. Não; a escolha feita por Deus não procede de coisa nenhuma existente em nós , ou que de nós provenha, mas unicamente da Sua soberana boa vontade.

Mais uma vez, em Romanos 11:5 lemos sobre “... um resto, segundo a eleição da graça”. Eis aí, suficientemente claro; a eleição mesma é “da graça”, e a graça é favor imerecido , coisa a que não tínhamos direito nenhum diante de Deus.

Vê-se, pois, como é importante para nós, termos idéias claras e bíblicas sobre a “presciência” de Deus. Os conceitos errôneos sobre ela, inevitavelmente levam a idéias que desonram em extremo a Deus. A noção popular da presciência divina é inteiramente inadequada. Deus não somente conheceu o fim desde o princípio, mas planejou, fixou, predestinou tudo desde o princípio. E, como a causa está ligada ao efeito, assim o propósito de Deus é o fundamento da Sua presciência. Se, pois, o leitor é um cristão verdadeiro, é porque Deus o escolheu em Cristo antes da fundação do mundo (Efésios 1:4), e o fez não porque previu que você creria , mas simplesmente porque Lhe agradou fazê-lo; você foi escolhido apesar da tua incredulidade natural. Sendo assim, toda a glória e louvor pertence a Deus somente. Você não tem base nenhuma para arrogar-se crédito algum. Você creu “pela graça” (Atos 15:27), e isso porque a tua própria eleição foi “da graça” (Romanos 11:5).
                 

por Arthur W. Pink


Fonte: Arthur W. Pink. Os Atributos de Deus. Editora PES.

sábado, 13 de outubro de 2018

Ladrões Ministeriais!


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Muitas vezes pensamos que poderia ser interessante e instrutivo, se dedicarmos uma curta série de artigos a alguns dos textos mal interpretados e mal interpretados da Bíblia. Eles não são poucos em número, nem os erros cometidos em sua interpretação são triviais em importância. Não há nada de trivial nas Sagradas Escrituras, e é sempre para nossa perda pessoal, quando as aplicamos mal.
Entre aqueles versos cujo significado real é muitas vezes mal compreendido é: "Em verdade, em verdade vos digo: quem não entra pela porta no aprisco das ovelhas, mas sobe por outra parte, esse é ladrão e salteador" (João 10: 1). Essas palavras foram estranhamente arrancadas tanto pelo púlpito quanto pelo banco, e parece haver uma necessidade real de saber, em espírito de oração, seu significado, pois elas contêm uma advertência que é muito oportuna para esses dias.
A referência em João 10: 1, não é para não regenerar almas rastejando na Igreja de Deus, ainda menos para a obtenção de uma entrada para o céu. É quase impensável que qualquer comentarista tenha essa opinião, pois "ladrões e ladrões" nunca invadem o Paraíso celestial (Mateus 6:20), nem Cristo leva Suas ovelhas para fora da Igreja, como Ele faz a partir desta " dobrar "(João 10: 3). Não é ovelhas fictícias - mas falsos pastoresque nosso Senhor está aqui representando. Não são as almas não regeneradas que tentam roubar a salvação - mas os pregadores não regenerados que procuram resgatar o rebanho de Cristo que é representado por esses "ladrões e ladrões". As ovelhas são incapazes de "subir" as altas cercas - mas os homens que as atacam não param por nada em sua determinação de engordar às custas de suas vítimas.
Aqui, como em todo lugar, cuidadosa atenção deve ser dada à configuração de nosso verso. João 10: 1 faz parte de uma "parábola" (v. 6) ou provérbio. É manifestamente uma continuação do capítulo anterior, e, portanto, os falsos mestres entre os judeus (aqueles que haviam expulsado do Templo aquele cuja visão Cristo havia restaurado - 9: 35) foram principalmente destinados pelos "ladrões e ladrões". Os sacerdotes e escribas exigiam de Cristo - com que autoridade agia, visto que não recebera nenhuma comissão deles. Aqui Ele vira as mesas sobre eles e insiste que eles não tinham autoridade divina para oficiar como os pastores do povo de Deus.
Em sua aplicação mais ampla, a denominação "ladrões e ladrões" refere-se a todos os que invadem o ofício pastoral, que não são chamados nem equipados por Deus. "Em verdade, em verdade te digo." O "você", então, são os fariseus das 9:40. "Aquele que não entra pela porta do aprisco" - esta "porta" não deve ser confundida com a do versículo 9: aqui está a porta para o "aprisco", ali está a porta da salvação. O "redil" era o judaísmo, depois degenerado; hoje é a cristandade, agora apóstata. A "porta" denotava os meios legítimos de entrada - um chamado divino: contrastando com "algum outro caminho" pelo qual os ladrões e ladrões tinham acesso. Ao denominar os fariseus "ladrões e ladrões,
Quão diligentemente deveriam examinar seus motivos, que pensam em entrar no ministério , porque milhares abusaram desta instituição divina através do amor à vontade, desejo de autoridade e reputação - ou amor ao dinheiro, e trouxeram para si mesmos "maior condenação" (Tiago 3: 1). Milhares de pessoas invadiram o escritório pastoral de maneira não autorizada, para passar lã em vez de se alimentar.eles roubando Cristo de Sua honra, e famintos Seu povo. Solene além das palavras é, observar quão severamente nosso Senhor denunciou estes falsos pastores de Seus dias. Como JC Ryle disse corretamente: "Nada parecia tão ofensivo a Cristo - como um falso professor de religião, um falso profeta ou um falso pastor. Nada deveria ser tão temido pela Igreja, ser tão claramente repreendido, combatido e exposto! " Compare Mateus 23:27, 28, 33.
Em conclusão, é pertinente perguntar, quais são as marcas de um verdadeiro pastor , como o povo de Deus identifica aqueles que são chamados e qualificados por Ele para ministrar a Seu povo?
Nós respondemos, primeiro, o pastor genuíno tem a DOUTRINA de Cristo em seus lábios. Os ministros da nova aliança são descritos como aqueles que "renunciaram às coisas ocultas da desonestidade, não andando com astúcia". A cristandade hoje está infestada de homens que estão cheios de falsidade e hipocrisia, aparando suas velas de acordo com qualquer direção que a brisa da opinião pública esteja soprando. "Nem manipulando a Palavra de Deus falsamente" (2 Coríntios 4: 2). O verdadeiro servo de Cristo não retém nada que seja proveitoso, por mais intragável que seja para seus ouvintes. Ele é alguém que não se magnifica, nem sua denominação - mas Cristo - Sua Pessoa maravilhosa, Seu sangue expiatório, Suas reivindicações exatas.
Segundo, o pastor genuíno tem o ESPÍRITO de Cristo em seu coração . É o Espírito que abre para ele os mistérios do Evangelho, de modo que ele é um "sábio servo" (Mateus 24:45). É o Espírito de Cristo que lhe dá amor pelas Suas ovelhas, de modo que é seu maior deleite conduzi-las aos pastos verdes de Sua Palavra. É o Espírito de Cristo que o capacita a usar "grande franqueza (ousadia") "(2 Coríntios 3:12), de modo que ele evite declarar todo o conselho de Deus. É o Espírito de Cristo que o faz "instantâneo na época, fora de estação ... exortando com toda a paciência" (2 Timóteo 4: 2). É o Espírito de Cristo que dá eficácia ao seu ministério,
Terceiro, o pastor genuíno tem o EXEMPLO de Cristo em sua vida , que o conforma com a imagem de seu Mestre. É verdade, infelizmente verdade, que não há um deles que não fique aquém - tanto da imagem interior como exterior de Cristo. No entanto, há alguns traços vagos de Sua imagem visíveis em todos os Seus verdadeiros servos - ou por que o povo de Deus os ama, respeita, ouve? Que outras alegações eles têm em sua atenção? imagem de Cristo é vista em suas palavras, espírito, ações - pode ser quebrada, como a imagem do sol em água agitada; mas está lá, do contrário não temos garantia para recebê-los como servos de Deus. Encontre um homem (não é tarefa fácil hoje!) Que tem a doutrinade Cristo em seus lábios, o Espírito de Cristo em seu coração e o exemplo de Cristo em sua vida - e você encontra um de seus genuínos ministros! Todos os que são destituídos destas marcas são apenas "ladrões e ladrões".

Arthur Pink


quinta-feira, 11 de outubro de 2018

Ef 5.22 Maridos, Amai…

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Introdução
Antes de estudarmos o texto, quero fazer algumas observações:
Primeira: A coisa mais difícil quando se fala de casamento é no que concerne a funções, isto porque, ao ler a lista de funções e de obrigações de cada um, tende-se a ler para o outro, e nunca para si mesmo. Então, para começo de assunto, vamos fazer um exercício: O homem lê a tarefa masculina, e a mulher a feminina: É possível? Certa pessoa se aproximou do pastor no final do culto e elogia o sermão: “Pastor, esta mensagem foi muito importante. Era tudo que meu marido precisava ouvir”. E o pastor pergunta: “Onde está seu marido?”, e a mulher responde: “Ficou em casa!” Nada pode ser mais danosa para a alma que ouvir a Palavra de Deus para o outro. Deus quer comunicar algo à nossa vida, e precisamos estar atentos à sua verdade para sermos transformados.
Segunda: Este texto fala de funções no casamento. Funções são engrenagens e estas sempre tem a tendência de emperrar em algum momento. É fácil construir uma “to do list” e passarmos a viver em função das coisas que precisamos fazer, sem considerar que existe uma dimensão muito mais ampla no relacionamento que as tarefas do dia a dia. O pecado distorce as funções, transformando-as em instrumento de manipulação e controle. Por isto este texto precisa rigorosamente começar sua leitura em Ef 5.21 e só fechar o bloco de ideias em Ef 5.32, quando ouvimos a palavra “mistério”.
Esta palavra foi traduzida do grego, onde originalmente o termo é “misterium”. Jeronimo traduziu para a vulgata latina como “sacramentum”, o que deu ensejo à igreja Católica de considerar o casamento como um sacramento. Apesar de minhas convicções reformadas, entendo que casamento, de fato, é “um sinal visível de uma graça invisível”. Que lugar pode traduzir tanto a graça de Deus para a vida de uma pessoa que um lar sob a orientação do Sagrado, vivendo no temor do Senhor?
Terceiro: em Ef 5.22 vemos a função da mulher, ou seu papel. “Mulheres, sede submissas ao seu próprio marido”. Como já estudamos este tema anteriormente, agora, precisamos avançar um pouco mais. Em Ef 5.25 lemos: “Maridos, amai vossas mulheres”. Submissão e amor se constituem nos termos centrais. Mas as funções só cumprem seu papel se contempladas à luz do “mistério”. Deus entrelaçando as atividades.
Maridos, Amai…
Esta é a ordem clara da Palavra. O marido deve amar sua esposa. (Ef 5.25; Cl 3.19).
Consideramos anteriormente como o oposto do amor é ódio, mas que a expressão mais sutil do ódio é a indiferença. Esta é a reclamação central das mulheres em relação aos seus esposos. “Meu marido não me considera!”, não se importa com o que sinto, como eu vejo as coisas, qual é a minha opinião. Portanto, o oposto do amor, não é exatamente o ódio, mas sua mais sutil e devastadora expressão que se revela no desaso e no desvalor à esposa.
Quando Deus nos ordena algo, ele o faz para nosso bem. “Os mandamentos são dados para a vida”. O que acontece quando o amor bíblico é praticado?
Implicações do amor à esposa:
1.       O amor traz vitória sobre a indiferença – Nada pode ser mais efetivo quanto ao descaso que o amor genuíno. “Ele não busca seus próprios interesses”. Quando se ama, importa sim o coração da pessoa amada. Por isto a Bíblia afirma: “Maridos, vós igualmente, vivei a vida comum do lar, com discernimento; e, tendo consideração para com a vossa mulher como parte mais frágil, tratai-a com dignidade, porque sois, juntamente, herdeiros da mesma graça de vida para que não se interrompam as vossas orações” (1 Pe 3.7).
Observe como é sugestivo o texto: “tendo consideração”.
A falta de consideração sobre o que a mulher pensa, sente e deseja, facilmente se torna um grande empecilho para a relação respeitosa e amável que deve reger a vida doméstica.
2.       O amor tira a amargura do coração da mulher. Esta é a primeira coisa que observamos. O amor dá significado e valor. Certamente esta é a razão da palavra de Deus nos exortar: “Maridos, amai vossa esposa e não as trateis com amargura” (Col 3.20). Não é significativo considerar que a amargura tenha sido citada em relação ao amor? Quando um marido ama sua mulher, faz desabrochar nela o sentimento profundo e belo que pode tirá-la da depressão e melancolia tão presentes no sentimento feminino.
A palavra grega para “amargura” que aparece no texto é a mesma de Apocalipse 8.11 no qual vemos que o absinto amargou as águas a ponto de se tornarem venenosas e matarem os homens que dela beberam. Em Ap 10.9 novamente surge a mesma palavra. O estômago se tornou amargo. Sempre existe o perigo que o cinismo, incompreensão e autoritarismo amargurem a existência do outro, trazendo sensações viscerais que atingem os órgãos vitais do ser humano. Esta era a forma da antropologia hebraica expressar extrema alegria e dor, sempre associados aos órgãos como fígado, rim e intestino.
3.       O amor elimina os maus tratos no relacionamento – “Maridos, não as trateis com amargura” (Cl 3.19). Chamo atenção agora para o verbo “tratar”, que tem a ver com “tratamento”, forma de se relacionar e falar. Muitos homens maltratam e desprezam. A Bíblia não permite os maus tratos e a relação animosa em relação à mulher. Pelo contrário, precisa “ter consideração para com a mulher como parte mais frágil”.
Quem ama cuida, protege, apoia, encoraja. Só uma relação neurótica e doentia sobrevive num relacionamento de culpa, violência e acusação. Minha esposa chamou atenção para este texto afirmando que talvez o que ele sugira seja alguma coisa muito sutil. É possível tratar a mulher, mesmo tendo atitudes relativamente positivas, mas com sentimentos de amargura. Um homem pode tratar com amargura. Seu coração está chateado e suas ações passam a ser desenvolvidas dentro deste contexto de amargura.
4.       O amor realça a auto-imagem e auto estima da mulher – auto imagem se relaciona com o aspecto externo, e auto estima com o interno. Na primeira, trata-se da forma como a pessoa se vê, e na segunda, como ele se sente. A falta de amor pode acabar com a auto imagem da mulher e com seu senso de valor.
O amor protege o relacionamento em ambos os casos. Declarações de carinho, confissões de amor e elogios, ajudam positivamente na cura imagens distorcidas quanto ao corpo. Num contexto onde se cultua o corpo (fisiculturismo é uma palavra sugestiva: culto ao físico), não é comum que as mulheres se sintam tão negativas acerca de si mesmos e de sua beleza. O amor estimula a linguagem sensual e amorável no tratamento.
O amor exalta também a auto- estima feminina. A maioria das mulheres possui um amor próprio muito ruim e uma imagem ainda pior. À medida que o marido revela sua admiração por ela, e  declara seu amor ela encontrará mais facilidade em perceber seu valor próprio Não se mede a auto-estima da mulher apenas na forma de se aprontar e vestir, às vezes isto tem a ver com condição financeira, mas a forma exterior é uma boa forma de se perceber como a pessoa tem passado.
Uma pergunta desconfortável fica para os homens: Será que a forma como tratamos nossa esposa a leva a um crescimento de sua auto estima e auto imagem?
5.       O amor tem o papel de encorajar a espiritualidade da mulher – Tim Keller no seu livro “o significado do casamento”, afirma que a função bíblica mais relevante do homem é ajudar a sua esposa na sua caminhada em direção à Deus.
A Bíblia monstra como a atitude insegura de Abraão gerou crise no coração de Sara. Ele lhe disse que Deus lhe daria um filho por meio dela. Como o tempo ia passando e o filho não chegava, Sara resolveu “ajudar” para que a promessa de Deus se cumprisse para Abraão, dando-lhe Agar. Nesta hora, Abraão deveria ter confirmado a palavra recebida, mas ele vacilou e cedeu. Mais tarde, quando Deus revelou a Sara que seria através de seu corpo frágil de uma idosa mulher, ela riu, descreu e duvidou. A atitude de Abraão gerou insegurança quanto à fé de Sara.
O marido tem o compromisso de levar sua esposa para mais perto de Deus. O apóstolo Paulo diz que o esposo deve honrar, santificar e purificar sua esposa, estes passos são fundamentais na caminhada de fé. Assim como Cristo está preparando sua noiva, a igreja, para se encontrar com Deus, os maridos precisam ajudar sua esposa na direção de Deus.
O objetivo maior do casamento não é uma vida sexual abundante, nem a graça de superar traumas psicológicos e emocionais, mas ajuda-la na sua caminhada de fé. Através da unidade sexual, marido e mulher se tornam uma só carne e esta intimidade vai além do sexo e das funções, apontando para o mistério.
Veja quantas vezes aparece no texto a expressão “para que” (Ef 5.26); “para” (Ef 5.27) e “Eis porque” (Ef 5.31). Todas elas dando-nos senso de direção e objetivo.
Conclusão:
Uma pergunta fundamental e ultima fica então para os maridos na tarefa de amar suas esposas. Será que nosso amor as ajuda na caminhada de discipulado, serviço e entrega ao Senhor? Temos ajuda nossa esposa a se aproximar de Deus, ou temos gerado cinismo, incredulidade e dúvidas quanto às coisas de Deus?

Rev Samuel Vieira

quarta-feira, 19 de setembro de 2018

E O ESPÍRITO DE DEUS PAIRAVA SOBRE A FACE DAS ÁGUAS





O livro do Gênesis nos conta que no princípio Deus criou o céu e da terra. E a história da criação é apresentada com muitos contrastes. Lemos que a terra foi criada, “mas era sem forma e vazia“. O mundo, até aquele momento, estava imerso na escuridão, “e havia trevas sobre a face do abismo“.


Veja que falamos aqui de contrates, e o que contrasta com “trevas” é a “luz”. Mas a “luz” não é citada logo em seguida; não de forma direta. Ao invés, o Gênesis cita:


e o Espírito de Deus se movia sobre a face das águas.
Gênesis 1:2

Somente no verso seguinte é que lemos, “E disse Deus: Haja luz; e houve luz. Gênesis 1:3“. Isso por que como explicamos no estudo bíblico anterior, “a luz” é o próprio Deus.

E se o Espírito de Deus é luz, por que o Espírito Santo pairava sobre as águas? Não seria mais esperado que iluminasse a terra? O que significa “pairava” no original em Hebraico? Qual seria o significado de “água”, nesse contexto?
O ESPÍRITO PAIRAVA SOBRE AS ÁGUAS



Na segunda parte do Gênesis 1:2 nós lemos “veruach (e o Espírito de) Elohim (Deus) merachefet (pairava) al (sobre) peney hamayim (a face das águas)“. O termo “pairava”, em Hebraico, é a palavra מְרַחֶפֶת “merachefet“, que é o verbo רָחַף “rachaf” na forma do Binyan Piel (particípio), de raiz duplicada e intensiva. Realmente é um ato intensivo, forte, esperançoso.

O particípio Hebraico (que não é igual ao particípio do Português), é uma forma nominal dos verbos, o que permite que o verbo “merachefet” (lê-se merarrêfet), tenha o final formado pela letra ת “tav” (som do T no final), que é uma terminação feminina.

Isso nos revela que o substantivo “ruach Elohim“, “Espírito de Deus“, é uma palavra feminina. O Targum Onkelos, que é uma tradução interpretada para o Aramaico, usado pelos Judeus da Época de Jesus, traz para o termo “pairava“, a palavra aramaica מְנַשְּׁבָא“menashvah“, que tem o sentido de uma ave se assentando sobre seus ovos para chocá-los.



Um ato intensivo, de proteção e de esperança pela criação que estava ainda inacabada naquele momento. Era como um “pintinho” que não havia sido completamente formado. Precisava do calor materno para o seu amadurecimento.


Por esse texto podemos presumir quem pairava sobre a face das águas. Podemos saber bem, até mesmo o Seu nome:


Jerusalém, Jerusalém, que matas os profetas, e apedrejas os que te são enviados! quantas vezes quis eu ajuntar os teus filhos, como a galinha ajunta os seus pintos debaixo das asas, e tu não quiseste!
Mateus 23:37

Jesus, que provavelmente falava o Aramaico, ao falar sobre Jerusalém, utiliza de uma expressão que é divina. Quem conhece o Hebraico e o Aramaico sabe que com essa expressão “como a galinha ajunta os seus pintos debaixo das asas“, ele estava declarando ser “aquele que pairava como uma ave, sobre o ninho da criação“.

Os Apóstolos também falaram Dele, como o Criador dos céus e da terra:


Todas as coisas foram feitas por ele, e sem ele nada do que foi feito se fez.
João 1:3

Até mesmo a tradição Judaica, por meio do Talmud, também atesta que o Espírito que pairava sobre a face das águas era o Espírito do Messias (Cristo):


“…e o Espírito de Deus pairava” – isto é o espírito do rei, messias, como você diria (Isaías 11:2), “E repousará sobre ele o Espírito do Senhor.”

Em que mérito aquele que pairava sobre as águas vem? No mérito do arrependimento, que é comparado à água, como está escrito (Lamentações 2:19), “derrama o teu coração como águas diante da presença do Senhor”.

Talmude da Babilônia, Tratado Nedarim 39b.

Então veja que “água“, no sentido bíblico, significa “arrependimento“. E o Espírito do Senhor está “sobrevoando”, “pairando”, e mesmo “habitando”, onde Ele encontra um coração arrependido e contrito.


É por isso que foi instituído o batismo nas águas, que é um sinal simbólico de arrependimento!
O ESPÍRITO DE GRAÇA

Outra tradução para o Aramaico, próximo da época de Jesus (o Targum Yonatan), diz que o Espírito que pairava sobre as águas era o Espírito de graça/misericórdia. Vamos ver este texto?



Esse texto parece concordar com o a doutrina dos Apóstolos, que consideravam Jesus como o próprio Espírito da Graça e da misericórdia de Deus:


De quanto maior castigo cuidais vós será julgado merecedor aquele que pisar o Filho de Deus, e tiver por profano o sangue da aliança com que foi santificado, e fizer agravo ao Espírito da graça?

autor Israel Silva

quinta-feira, 6 de setembro de 2018

O QUE SIGNIFICA “NÃO ENSINAR OU EXERCER AUTORIDADE SOBRE HOMEM”?
1 Timóteo 2.11-15

O Novo Testamento deixa claro que as mulheres cristãs, como os homens, receberam dons espirituais (1 Co 12.7-11). As mulheres, como os homens, devem usar os seus dons para ministrar ao Corpo de Cristo (1 Pe 4.10); seus ministérios são indispensáveis para a vida e crescimento da igreja (1 Co 12.1226). Há muitos exemplos no Novo Testamento de tais ministérios desenvolvidos por mulheres talentosas e a Igreja precisa honrar estes múltiplos ministérios bem como encorajar as mulheres a buscá-los.

Mas, o Novo Testamento coloca alguma restrição para o exercício do ministério feminino? Desde os primeiros dias da igreja apostólica, a maioria dos cristãos entende que sim. Um dos motivos para isso é o ensino que encontramos em 1 Timóteo 2.8-15:
 8Quero, portanto, que os homens orem em todo lugar, levantando mãos santas, sem ira e sem animosidade. 9Da mesma sorte, que as mulheres, em traje decente, se ataviem com modéstia e bom senso, não com cabeleira frisada e com ouro, ou pérolas, ou vestuário dispendioso, 10porém com boas obras (como é próprio às mulheres que professam ser piedosas). 11A mulher aprenda em silêncio, com toda a submissão. 12E não permito que a mulher ensine, nem exerça autoridade de homem; esteja, porém, em silêncio. 13Porque, primeiro, foi formado Adão, depois, Eva. 14E Adão não foi iludido, mas a mulher, sendo enganada, caiu em transgressão. 15Todavia, será preservada através de sua missão de mãe, se ela permanecer em fé, e amor, e santificação, com bom senso.    A passagem acima parece nos dizer que as mulheres não devem ensinar ou exercer autoridade sobre homens, por causa da ordem em que foram criados e devido ao modo pelo qual os dois caíram em pecado. Mas muitos, hoje em dia, creem que esta passagem não trata do ministério feminino de nossa época e se aplicava apenas à época de Paulo ou à situação específica que circunscrevia a epístola a Timóteo. Será isso verdade? O texto de 1 Timóteo 2.8-15 não tem qualquer implicação eterna e aplicação para os dias de hoje? Vamos analisar mais a fundo esta questão.

A POSTURA ADEQUADA DAS MULHERES CRISTÃS – 1 TIMÓTEO 2.8-11

A fim de compreendermos 1 Timóteo 2.11-15, nós precisamos voltar e iniciar com o verso 8, onde Paulo requer “que os homens orem em todo lugar, levantando mãos santas, sem ira e sem animosidade”. A expressão “em todo lugar” deve ser uma referência aos vários lugares (igrejas-casas) em que os cristãos em Éfeso se reuniam para adorar. Com a palavra que traduzimos “da mesma forma” (jj|wsautws) no começo do versículo 9, Paulo conecta o verso 8 com as exortações que faz no verso seguinte. Assim como o apóstolo disse: “Quero ... que os homens orem”, a expressão “da mesma forma” liga o verbo “quero” com a exortação que ele dá no 9. Assim, poderíamos ler: “Quero ... que as mulheres, em traje decente, se ataviem com modéstia...”.

A admoestação contra a ira e discussões durante o momento de oração, devia-se, muito provavelmente, ao impacto do falso ensino na igreja de Éfeso, que trazia como resultados a divisão e a discórdia (cf. 1 Tm 1.4-6; 6.4-5). As exortações dos versos 9-10 para que as mulheres se vestissem de forma decente e praticassem boas obras em lugar de penteados elaborados ou roupas ostentosas, também, deve ser uma resposta ao veneno disseminado pelos falsos mestres. Pois, no mundo antigo, estes tipos de vestimentas e estilo de cabelo implicavam na perda de moral de uma mulher e na independência que ela possuía em relação ao seu marido. Um problema de natureza bem parecida foi enfrentado por Paulo na Primeira Carta aos Coríntios, em que as mulheres buscavam, de forma implícita, certa independência de seus maridos por meio de seu estilo de vestimenta ou cabelo (1 Co 11.2-16).

Após lembrar a Timóteo que as mulheres deveriam se vestir “com boas obras”, Paulo alerta para alguns aspectos que expressariam estas “boas obras” da parte delas. Primeiro, deveriam aprender “em silêncio, com toda a submissão” (v. 11). Aqui, encontramos uma distinção entre o cristianismo primitivo e o judaísmo de sua época, pois o aprendizado doutrinário de mulheres não era encorajado pelos judeus. Mas o ponto central de Paulo no verso 11 não é que as mulheres aprendam, mas sim o modo como elas devem aprender. Primeiramente, elas necessitam fazer isso “em silêncio”. A idéia desta palavra pode significar “silêncio” de forma absoluta (cf. At 22.2) ou “pacífico” e “tranquilo” (cf 2Ts 3.12). Uma palavra com a mesma raiz é usada neste mesmo capítulo em 2.2: “para que vivamos vida tranqüila e mansa, com toda piedade e respeito”. A admoestação, portanto, é para que as mulheres aprendessem sem uma atitude de criticismo ou rivalidade diante dos líderes instituídos da igreja, mas com um espírito pacífico e manso.

Juntamente com a mansidão, o texto recomenda às mulheres que aprendam “com toda a submissão”. O vocábulo “submissão” se relaciona com a atitude apropriada que devemos ter diante daqueles que estão acima de nós. A raiz desta palavra é aplicada aos cristãos em relação às autoridades civis (Tt 3.1) e aos escravos diante de seus senhores (Tt 2.9). Várias vezes, ela e seu verbo correspondente descrevem a resposta respeitosa de mulheres para com os seus maridos (Ef 5.24; Cl 3.18; Tt 2.5; 1 Pe 3.1, 5). Em nosso texto, Paulo recomenda que as mulheres devam agir com uma postura adequada de respeito e honra para com a liderança masculina de suas igrejas.

Diante do que analisamos até aqui, podemos supor que as mulheres em Éfeso estavam buscando afirmar sua liberação de seus maridos (pela maneira de se vestirem) e de outros homens da liderança da igreja, mediante críticas e manifestações verbais públicas contra eles. 

PROIBIÇÕES ACERCA DO MINISTÉRIO FEMININO – 1 TIMÓTEO 2.12

“Toda a submissão” é um termo chave no final do verso 11 que funciona como uma dobradiça, ligando a ordem positiva “a mulher aprenda em silêncio; com toda a submissão” e a proibição do verso 12 “não permito que a mulher ensine ou tenha autoridade sobre homem”. O verso 12 mostra duas proibições a serem acatadas pelas mulheres, a fim de que pudessem aprender “com toda a submissão”. Poderíamos parafrasear o que Paulo quis dizer da seguinte forma: “A mulher aprenda ... com toda a submissão; e ‘toda submissão’ significa, também, que eu não permito que a mulher ensine ou exerça autoridade de homem”.

A. A Palavra Permito

Alguns estudiosos afirmam que o fato de Paulo usar a palavra “permito” em lugar de um imperativo e lançar mão do verbo no tempo presente, indica que sua prescrição era limitada e temporária. Mas, a verdade é que nada definitivo pode ser concluído desta palavra. Sem dúvida alguma, Paulo via seu próprio ensino como autoritativo para as igrejas a quem escrevia (cf. 1 Ts 2.13; 1 Co 14.37-38). E o uso do verbo no tempo presente nos permite, no máximo, concluir que no momento de sua escrita o apóstolo insistia nestas proibições. Agora, se suas proibições deveriam ser seguidas apenas na época em que escreveu, isto é decidido pelo contexto e não pelo tempo verbal (cf. Rm 12.1: “Rogo-vos (tempo presente), pois, irmãos ... que apresenteis os vossos corpos como sacrifício...”). 

B. O Sentido de Ensine

Ao proibir as mulheres de ensinarem, o que, exatamente, Paulo estava proibindo? Tal restrição estava relacionada a todo tipo de ensino ou ao ensino de homens?

O verbo ensinar (didaskw) e seus cognatos “instrução” (didach) e “mestre” (didaskalos) são usados no Novo Testamento para denotar a transmissão cuidadosa da tradição sobre Jesus Cristo e a proclamação autoritativa da vontade de Deus aos crentes, à luz desta tradição (1 Tm 4.11: “Ordene e ensine estas coisas”; 2 Tm 2.2; At 2.42; Rm 12.7). Enquanto a palavra pode ser usada, mais amplamente, para descrever o ministério geral de edificação, nas suas mais variadas formas (ensinar, cantar, orar e ler as Escrituras – Cl 3.16), a atividade é, frequentemente, restrita a certos indivíduos que possuem o dom do ensino (1 Co 12.28-30; Ef 4.11). Assim, nem todos os cristãos estão engajados no ensino.

Nas Epístolas Pastorais, o ensino está vinculado ao sentido de instrução doutrinária autoritativa, especialmente, pela preocupação de Paulo com a manutenção da doutrina saudável na igreja em que Timóteo e Tito se encontravam. Uma das principais tarefas de Timóteo era ensinar (1Tm 4.11-16; 2Tm 4.2) e preparar outros para levarem adiante este ministério vital (2 Tm 2.2). Ainda que não restrito aos presbíteros-supervisores, o ensino era um importante ministério desenvolvido por eles (1 Tm 3.2; 5.17; Tt 1.9).

Alguns argumentam que o cânon substitui o mestre cristão do século I, como o centro de autoridade. Todavia, o ensino de Paulo a Timóteo era o mesmo que temos hoje, em forma escrita e isto, portanto, não altera a natureza do ensino cristão. Antes do Novo Testamento, os mestres cristãos primitivos, também, possuíam tradições cristãs autoritativas sobre as quais baseavam os seus ministérios e a implicação de passagens como 2 Timóteo 2.2, é que o ensino, conforme retratado pelo Novo Testamento, continuaria a ser muito importante para a igreja. Sem dúvida, qualquer autoridade que o mestre tem é derivada e inerente à verdade cristã que ele proclama e não na pessoa dele mesmo. Todavia, a atividade de ensinar é autoritativa, pois, origina-se na autoridade de Deus e Sua Palavra.

À luz destas considerações, nós compreendemos que o ensino proibido às mulheres aqui, inclui o que chamamos de pregação (cf. 2 Tm 4.2: “Prega a Palavra ... com todo o ensino [didach]”) e o ensino da Bíblia e doutrina na igreja e seminários. Atividades como liderar estudos bíblicos, a priori, poderiam ser incluídas, dependendo de como isso é feito. Outras atividades como testemunho evangelístico, aconselhamentos, ensino de temas que não se relacionam com a Bíblia ou a doutrina, não se enquadrariam na proibição de Paulo.
 
C. A Quem a mulher Não Deve Ensinar?

A construção da frase grega indica que o objeto indireto do verbo “ensinar” é o substantivo “homem” (genitivo objetivo - andros).6 Tal construção grega é inquestionável e a única que se adéqua ao contexto, no qual Paulo baseia as proibições do verso 12 sobre as diferenças criadas entre homem e mulher (v. 13).  A posição paulina nas Epístolas Pastorais, portanto, é consistente: ele permite mulheres ensinarem outras mulheres (Tt 2.3-4), mas as proíbe de ensinarem a homens.

Quem seriam estes “homens”? A maioria dos comentaristas concorda que são “homens adultos”:

[...] ensinar, isto é, pregar de um modo oficial e, desse modo, exercer autoridade sobre o homem pela proclamação da Palavra no culto público, dominá-lo, é algo impróprio para a mulher. Ela não deve assumir o papel de mestre ... Não por meio da pregação a adultos (ver sobre o verso 12), mas é por meio de dar à luz filhos, que uma mulher granjeia a real felicidade, a salvação, com ênfase no aspecto positivo (Ver sobre 1 Tm 1.15). (Grifo próprio).7

A palavra “homem” aqui (anhr) se refere a homens adultos, não pessoas em geral. Veja a ordem dada às “mulheres” no v. 9.8

Paulo fala, de modo apreciativo, sobre o fato de que o próprio Timóteo fora ensinado pelo reto caminho por suas piedosas mãe e avó (2 Tm 1:5; 3:15). O apóstolo, também, escreve a Tito que as mulheres mais velhas deveriam treinar as mais jovens (Tt 2.3, 4). As mulheres têm sempre assumido a principal responsabilidade pelo ensino de crianças pequenas, tanto em casa quanto na Escola Dominical. E o que poderíamos fazer sem elas!9

Dois importantes léxicos de grego admitem a possibilidade de que anhr signifique homem adulto em contraste com garoto:

homem: 1. em contrate com mulher... especialmente marido... 2. homem em contraste com garoto... 3. usado com uma palavra indicando origem local ou nacional; 4. usado com adjetivo para enfatizar a característica dominante de um homem ... 5. homem com especial ênfase na masculinidade ... 6. equivalente a , alguém ... 7. a figura de um homem como referência a seres celestiais que se assemelham a homens ... 8. de Jesus como o juiz do mundo

I. homem, oposto a mulher … II. homem, oposto a deus. III. homem, oposto a jovem, sem o contexto determinar o sentido ... mas anhr sozinho sempre significa homem no vigor dos anos, esp. guerreiro. IV. homem enfaticamente, realmente homem V. marido VI. usos especiais (Liddell-Scott Greek-English Lexicon. 9 ed. Oxford: Clarendon, 1968. p. 138).

É significativo notar que, em momento algum, o apóstolo usa a palavra anhr como referência a crianças ou adolescentes nas suas cartas, mas sim, a homens adultos. Nas Pastorais, vemos a palavra neos como uma indicação mais apropriada a adolescentes/jovens (cf. 1 Tm 5.1; Tt 2.6). Sendo que anhr pode significar “homem no vigor dos anos” (Cf. Liddell-Scott, p. 138, citado acima), a proibição de que a mulher “não ensine” deve abarcar desde jovens homens até idosos, mas, provavelmente, não crianças e adolescentes.10

Alguns argumentam que a restrição do ensino da mulher se dá quanto aos seus próprios maridos. Mas não há nenhum pronome possessivo ou artigo definido que indique ser esta a intenção de Paulo no texto (Cf. Ef 5.22 e Cl 3.18). Não são apenas os maridos que devem levantar mãos santas em oração, mas todos os homens, nem apenas as esposas que devem se vestir modestamente, mas todas as mulheres (Veja o contexto em 1 Tm 2.8ss).

D. O Significado de Exercer Autoridade

O verbo grego ocorre apenas neste texto em todo o Novo Testamento. Alguns têm buscado propor o significado para o verbo a partir de sua etimologia, mas esta é questionável e as palavras, frequentemente, se afastam dos seus sentidos originais (e.g. “embarcar” – não se refere apenas à entrada num barco). As ocorrências em manuscritos bizantinos, do período clássico, apontam para o sentido de “ter completo poder ou autoridade sobre” (Scott-Liddel, 8 ed. p. 248). Não há um significado negativo de “assenhorear” ou “dominar”.

De que modo tal exercício de autoridade está relacionado com a vida da igreja local? Dentro desta esfera de autoridade, há a função dada a alguns cristãos de governarem ou dirigirem outros debaixo da autoridade divina (1 Ts 5.12; Hb 13.17). Nas Pastorais, tal função é exercida pelos presbíteros/bispos (1 Tm 3.5; 5.17). Claramente, então, o texto de 1 Timóteo 2 exclui a mulher de ocupar a função ou exercer uma liderança equivalente àquela dos pastores ou presbíteros de uma igreja local (que, em muitas igrejas, são chamados de diáconos). Isso não impede mulheres de votarem e participarem de reuniões de assembléias da igreja ou de exercerem atividades administrativas, mas sim de um exercício de autoridade que inclui ensino e liderança sobre outros homens.

E. Ensinar e Exercer Autoridade são Duas ou Uma Atividade?

Tem sido argumentado que os dois verbos “ensinar” e “exercer autoridade” deveriam ser tomados juntos, num relacionamento gramatical chamado hendíade, indicando a proibição de apenas uma atividade: ensinar de um modo autoritativo. Isto não mudaria o sentido do primeiro verbo, desde que já fora destacado que o ensino a que Paulo faz referência continha, em si mesmo, certo grau de autoridade. Mas, eliminaria completamente a segunda proibição: “não exerça autoridade”.

A palavra que une os dois verbos, oude (“e não”, “nem ... nem”), geralmente, une dois termos proximamente relacionados, ainda que não junte, com frequência, palavras que reafirmam a mesma ideia ou que se interpretam mutuamente. Algumas vezes, ela une palavras opostas (Ver “gentio ou judeu”, “escravo ou livre” em Gl 3.28; “onde não há lei não [oude] há transgressão” Rm 4.15; Cf. Rm 2.28; 8.7, 10; 9.7, 16; 11.21; 1 Co 2.6; 3.2; 4.3; 15.13, 16, 50; 2 Co 3.10; 7.12; Gl 1.1, 17; Fp 2.16; 1 Ts 2.3; 5.5; 2 Ts 3.8; 1 Tm 6.7, 16). Ainda que o “ensino”, no conceito paulino, seja autoritativo, nem todo o exercício de autoridade é por meio do ensino, assim, o apóstolo trata as duas tarefas como distintas quando aborda o trabalho dos presbíteros na igreja (cf. 3.2, 4-5; 5.17). Assim, em ambientes nos quais Ver o texto de Mateus 14.21 que fornece um contraste interessante entre homens adultos e meninos: “E os que comeram foram cerca de cinco mil homens (anhr), além mulheres (gynh) e crianças (paidion)”. uma função exercerá autoridade espiritual direta sobre homens numa igreja local, tal posição deveria ser, principalmente, ocupada por pessoas do sexo masculino.

 Pr. Tiago Abdalla T. Neto.

quarta-feira, 22 de agosto de 2018

Pais, construtores de memórias


Grandes lembranças que nos acompanham pelo resto da vida se dão na infância e no ambiente familiar. Sejam elas memórias negativas ou positivas. A figura do pai, ou sua ausência, constrói símbolos poderosos que seguirão por toda a vida.
Que memórias trazemos conosco?
Quais são as memórias que estamos construindo nos filhos?
Memórias apontam para o nosso valor e aceitação ou para a rejeição e depreciação. De forma indelével elas nos acompanham por toda a vida. Já encontrei pessoas que foram profundamente marcadas por uma declaração, uma frase desamorosa e depreciativa, ou no seu oposto, uma orientação e declaração amorosa. A forma como o pai afirma ou nega a identidade do seu filho, tem tudo a ver com as memórias e eventos significativos neste processo de afirmação e negação. Elas parecem ser escritas com pena de ferro e com chumbo, esculpidos na rocha.
Precisamos marcar o coração dos filhos, mas a única possibilidade disto acontecer tem a ver com esta construção que fazemos na medida em que caminhamos com eles. Não sei exatamente porque Deus foi tão enfático na relação com o seu Filho Jesus, enquanto estava na terra, ao afirmar por duas vezes, em situações distintas, de forma audível que ele era o seu filho amado, em quem Deus encontrava prazer. As declarações foram feitas no batismo e na transfiguração.
Parece-me que o Pai queria deixar claro, tanto ao seu Filho, que enfrentaria tantas tentações e lutas, quanto àqueles que estavam próximos, que o relacionamento entre eles estava marcado pela experiência maravilhosa de aceitação e carinho.
No dia de hoje, você está marcando de forma indelével o coração do seu filho ou filha, construindo memorias carregadas de valores e ternura ou ódio e tristeza. Construa boas memórias hoje! Tais lembranças serão a referência de seus filhos no futuro e das futuras famílias que serão formadas. 
Pr Samuel Vieira

quinta-feira, 16 de agosto de 2018

PASTORES PERSEGUIDOS E MORTOS.


Pastores estão sendo perseguidos e mortos por traficantes, no México
Trabalho de recuperação de drogaditos irrita quadrilhas


por Jarbas Aragão
Eduardo Garcia segurando a foto do filho pastor. (Foto: WWM)

Um pastor mexicano sobreviveu a uma tentativa de assassinato na cidade de Juarez, fronteira com os EUA. Somente no mês de junho, houve 177 assassinatos no município, a grande maioria resultante de conflitos de traficantes que procuram dominar a área.

Evitando divulgar seu nome por motivos de segurança, o líder evangélico disse que tornou-se um alvo porque o trabalho de sua igreja está tirando pessoas das drogas, o que é mal visto pelos cartéis.

Ele conta que, dia 12 de junho, um assassino entrou em sua casa. Armado, exigiu que o pastor se ajoelhasse e avisou: “você não sabe com quem está mexendo”. Porém, quando o homem puxou o gatilho, não conseguia disparar. Passou então a agredir o religioso até deixa-lo inconsciente, fugindo em seguida.

“O trabalho que a Igreja faz afeta as atividades dos narcotraficantes e também do crime organizado”, destaca o pastor, que não pretende desistir desse tipo de trabalho.

Em 8 de junho, o pastor mexicano Eduardo Garcia foi executado com seis tiros. O caso teve grande repercussão no país e deixou em estado de alerta todos os pastores que combatem as drogas, evidenciando que estão sendo perseguidos e mortos por traficantes.

Os registros de mortes violentas no México aumentaram drasticamente no último ano. De acordo com o Instituto Nacional de Estatística e Geografia, em 2017 houve mais de 30.000 homicídios no México, o maior já registrado na história do país.
Ministérios cristãos são alvos

De acordo com a Missão Portas Abertas, que luta contra a perseguição religiosa em todo o mundo, “os cristãos ativamente praticantes tornaram-se alvos”. Dennis Petri, analista latino-americano da organização, destaca: “Sempre que um cristão começa a se engajar em serviço social – por exemplo, montando uma clínica de reabilitação ou organizando trabalhos para jovens – isso é uma ameaça direta às atividades e interesses do crime organizado, pois os afasta das drogas, o que é uma ameaça direta ao mercado lucrativo dos traficantes”.

Petri mencionou que há vários registros de pastores que foram mortos recentemente por terem um trabalho efetivo no combate às drogas e na recuperação de drogaditos. Além de clínicas, ministérios fazer ações como escolinhas esportivas, que também passam uma mensagem contra a drogadição.

A Presciência de Deus.

Que controvérsias têm sido engendradas por este assunto no passado! Mas que verdade das Escrituras Sagradas existe que não se tenha ...